sexta-feira, 31 de outubro de 2008

| carente |

...porque hoje é sexta-feira e eu ainda não estou em São Paulo :/


| o dedo |

O dedo movia-se ansioso.
Sabia o caminho.
Seguia a buscar a umidade que lhe faltava.
O dedo. O dedo amava.
O dedo doava-se ao escuro: clamava por acariciar, por atender ao chamado que, sem ouvidos, ouvia.
O dedo cumpria a missão do amar-sem-jeito.
Como um recurso de diálogo aonde não são permitidas as palavras.
Ao dedo, restava entregar-se à sua função rotineira, como as especialidades que todos têm e que não entram nos currículos.
Em que o dedo era bom? Ser dedo.
E assim tornava-se superior ao resto do corpo que habitava.
Corriqueiro, como um bom amigo, o dedo furtava seu caminho entre as cobertas: conhecia tudo.
E orgulhoso de sua segurança, o dedo movia-se como ao vento, leve e brincalhão.
O dedo tocava com um desdenho natural: fora criado para o toque.
E por isso mesmo era especialista: era seu próprio diploma.
E o que não soubesse, curioso, inventava.
E arrastava-se então pela pele úmida: ora lento, ora acelerado, a cochichar suas carícias e a arrancar confissões.
Cheio de alegrias guardadas, o dedo sorria seu sorriso nos lábios que tocava.


Martinho da Vila: Mulheres [porque samba é perfeição]



| cartum |
para fazer companhia:

3 comentários:

morgana disse...

Ráh! =D
Boooom. Rsrs


Beijos.

Mhary disse...

Como eu queria tb...

DOCE SAN PAOLO :0)

Bjas

Amanda G. disse...

Ah, os dedos são tão mágicos!!!
:)
Beijos, querida!

Amanda G.