quarta-feira, 29 de outubro de 2008

| o tal do amor acidental |

A questão é que nós nos achamos uns sabidos. Todos nós. Homens e Mulheres.
Achamos que sabemos das coisas.

Andamos por aí com nossos dois pés e coluna reta e cabeça erguida e braços ao lado do corpo como se fôssemos realmente os seres mais evoluídos desta Terra.

Agarramos objetos com nossas mãos com polegar sem nem percebermos a importância de segurar algo. E do algo que se deixa ser ‘segurado’.

Eu sou suspeita, claro, mas ainda acho que dos seres que são humanos as que têm melhores olhos são as mulheres. Os bons exemplares desse nosso gênero encantador conseguem ver coisas pequenas: as coisas que necessitam realmente serem vistas.

Ainda assim, acredito eu, que muito devemos ao acaso: essa série de fatos da vida que vai nos levando por vários caminhos e que nos faz chegar ao ponto exato em que chegamos.

Amo isso.
Amo ter a consciência de que somos como pequenos grãos ao vento: o próximo minuto está aí: para mudar tudo.

E acho que o amor é isso.
Esse desejo comum de todas nós de sorrir sorrisos cúmplices, de olhar para aquela mulher sem nem conseguir acreditar que ela é realmente o seu amor, a capacidade de se sentir tão em casa que a presença daquela pessoa vira Lar. Isso é o amor.

E ele é, já aprendi, totalmente acidental.
Claro que para quem acredita que tudo na vida acontece por uma razão, a palavra ‘acidental’ talvez nem faça tanto sentido.

Mas explico: é acidental porque é semente.
Todo amor começa como semente.
E semente, já sabe, fica debaixo da terra, sem ninguém ver, até que um dia, decide acordar.

E quando acorda, acorda timidamente, se espreguiça devagar, faz toooodo um caminho até chegar à superfície. E, ainda, quando aparece, chega desconfiada, solta só um galhinho, uma folhinha, um raminho.

E a partir daí, tudo depende.

Depende da água que regará essa muda, depende do sol, depende do vento, depende do solo que segura a raiz, depende dos perigos que a ex-semente-presente-plantinha-e-talvez-futura-árvore enfrentará.

O amor acontece acidentalmente porque cada um de nós é um acidente esperando acontecer. E eu sei que estamos acostumadas a ler a palavra ‘acidente’ como algo ruim, mas na verdade, queridas, o rompante que sentimos de súbito quando soltamos uma gargalhada gostosa é justamente um acidente.

Todo riso é um acidente que acontece nos lábios.

Eu, de cá, caminho muitas vezes distraidamente, torcendo intimamente para um acidente delicioso acontecer.

|| Cartum ||














* Dana e Alice:
http://www.youtube.com/watch?v=KclTlPncpLs

E mais do mesmo: que eu adoro desenho animado! :]

2 comentários:

morgana disse...

Estou regando a minha sementinha!

^^

Adorei.
Fã numero 1.
Desculpa ai quem já tava na frente, eu cheguei. =D

Beeeeijos.

Amanda G, disse...

Como sempre, um texto delicioso de se ler.
"O amor acontece acidentalmente porque cada um de nós é um acidente esperando acontecer."
Muitas vezes o acidente acontece apenas para uma pessoa e a outra nunca saberá na vida que causou um acidente em alguém!!!
:)
Beijos, querida!

Amanda G.