terça-feira, 23 de dezembro de 2008

| sobre Deus, seus filhos, finais e começos |

ou BOAS FESTAS PARA VOCÊ!! :]


::: OUTRO POST COMPRIIIIIDO... SORRY::: :/

MAS ACHO QUE SERVE DE CONSOLO QUE EU AGORA SÓ LHES APERREAREI NO PRÓXIMO ANO!! :P


Não era a minha intenção vir deixar desejos de Boas Festas aqui em tons de polêmicas. Juro que não era! Meu signo pode até entrar em meu favor aqui: como uma canceriana com ascendente em libra, veja só, conflito é uma coisa que tento evitar sempre! Oo

Mas, claro, como não se vive sem conflitos (porque são eles que nos fazem refletir e crescer), estou mesmo sempre à volta de coisitas polêmicas e de teorias sobre a vida.

Bom... Então... nos comentários do Post abaixo uma pessoa trouxe à tona o bendito (em tom irônico, por favor) e nada-santo-padre Papa não-Bento XVI. Oo

Calma, calma... Também sou católica. Ou pelo menos tive formação católica.
Acredito (demais) em Deus, gosto de conversar com a entidade feminina que é Maria, confio piamente no poder da e acho mesmo que, através dela, é que somos verdadeiramente humanos e meio de milagres.

Tenho discussões horrendas com quem quer que abra a boca para dizer que é ateu: por um motivo muito simples: uma vida sem Deus é infinitamente mais pobre. Como assim achar que nós, pequeniníssimos humanos, somos os maiores seres que existem?

Não. Há que ter algo mais. Algo muito maior. Um Ser dono de uma benevolência inimaginável. Dono de uma compressão e amor que jamais poderíamos sequer supor.

Lembro-me de uma historinha do Maurício de Souza em que seu personagem pré-histórico, o Piteco, é confundido com o Filho de Deus. Ele cai em uma caverna e todos pensam que ele caiu do céu como resposta às suas orações. Logo lhe tratam como um rei! Dão-lhe as melhores comidas e agrados. Piteco, então pensando que achou a sorte grande, recebe tudo com grande felicidade! Mas, alguns minutos depois, começam a lhe chegar pessoas pedindo cura para crianças, para velhinhos, para doentes que estão sofrendo, para pessoas que estão chorando... Desesperado e impotente, Piteco pede desculpas ao chefe da tribo, que entende e o ajuda a fugir. Pouco tempo depois, com Piteco já longe, as pessoas gritam: Foi só chegar perto do Filho de Deus que estou curado!! O chefe da tribo corre de volta à caverna e, encucado, diz para si mesmo: Por que o Filho de Deus mentiu, por quê? Nessa hora o quadrinho vai para as nuvens e o Anjo Gabriel pergunta a Deus: Mas, senhor, seu Filho ainda não demorará alguns milhares de anos para chegar à Terra? Ao que Deus responde: Gabriel, estás esquecido de uma coisa importante: TODOS SÃO MEUS FIHOS!

Ah, como eu queria que todos entendessem isso!
Como eu queria, em especial, que os líderes religiosos parassem de dar títulos e explicações humanas a Algo que é tão maior que o nosso limitado entendimento!

No início deste ano um colega meu de infância cometeu suicídio.
Foi algo que abalou muito a nós todos que havíamos estudado juntos durante tantos anos: passado da infância para a adolescência juntos. Vivendo os mesmo conflitos e sorrindo os mesmos sorrisos. Toda a nossa turma se reuniu em seu enterro e missa de sétimo dia. Estávamos todos lá: mais do que nunca, adultos. Conscientes da nossa perda. Conscientes do nosso choro.

Ao longo da missa, o ridículo padre falava do pecado que era tirar a própria vida. Falava de um Deus que abominava tal coisa, falava de um Carrasco que castigaria, a quem quer que faça isso, com uma eternidade de chamas e sofrimento.

Olha, meninas, eu sou a primeira a defender a vida. Sou a primeira a ser contra qualquer tipo de ação que cesse uma existência, seja a sua própria ou a de outro ser (humano ou animal).

Mas não me venham com um soberbo ar de superioridade porque mesmo estando distante desse meu amigo, EU SEI da dor em que ele deveria estar para achar que não havia outra saída senão aquela. Eu, ridícula e pequena, sei disso. Que dirá Deus!

Então não deu outra, fervendo de raiva com o tal padre, morrendo por dentro pela pobre mãe escutando tudo aquilo, na hora das homenagens corri para o microfone e disse, chorando e, literalmente, tremendo: olhando com amor para a mãe e olhando com raiva para o padre:

Eu às vezes acho que Deus deve sentir tristeza: porque somos seus filhos e não O conhecemos. Ah, se nós, humanos, mesmo em meio a uma dor extrema como essa, podemos achar em nossos corações a benevolência de querer acima de tudo que o B. esteja bem, o que se pode imaginar de Deus? Não, Deus não é castigo. Não é o tirano implacável que às vezes O fazemos. Eu vejo uma mãe linda chorando aqui na minha frente. O bebê dela se foi e realmente não há dor maior que essa. Mas, querida mãe, eu olho para cima e vejo um Pai recebendo um bebê que também é Dele. Acalentando esse filho que estava em meio à dor. Por favor, não pense em palavras que julgam, pense no imenso amor que a senhora tem pelo seu filho e tenha a certeza que esse amor gigante é ainda absolutamente maior da parte de Deus. E o B. está em meio ao calor sim: mas um calor de abraço: um calor que ama com um entendimento maior do que qualquer um de nós pode imaginar. Não duvide disso um minuto sequer, por favor!

Ao fim da missa, um dos irmãos dele veio para perto de mim e me deu um abraço. Um longo e mudo abraço que disse tudo o que precisava ser dito. Que falou mais do que qualquer palavra poderia falar. Quando o abraço terminou, olhamos um para o outro ainda mudos: porque sabíamos. E era isso o que importava.

E é o entendimento desse abraço que eu desejo para qualquer um que fale de Deus. Se amanhã, ao virar do dia 25, festejamos o nascimento de um Homem que se fez Deus, é porque precisávamos que Deus fosse um pouquinho humano também. Precisávamos que Deus soubesse (vivesse na pele) o que é o sorriso e o que é a lágrima, o que é a dor física, o que é a dor de uma traição, o que é a felicidade imensurável de alguém que fala em sua defesa na hora da precisão. Jesus é isso: é Deus tentando nos entender melhor.

Ou você acha que é fácil para um Ser sem limites saber sobre seres que são definidos por suas limitações? Não, na minha opinião, Deus vive através de nós. Somos nós quem humanizamos Deus. E desculpe se isso chocar alguém: mas acho mesmo que Ele aprende conosco.

Porque se somos capazes de coisas terríveis, somos também capazes da maior e da mais extrema bondade e abnegação. Somos donos de uma entrega real e sofrida. De uma entrega, muitas vezes, diária. Criador e criatura se completam: é como um autor que escreve um livro: sim, foi ele quem escreveu aquele livro: foi criação, invenção dele: mas não me venha dizer que ele mesmo não se surpreendeu por vezes com o que havia escrito: não me venha dizer que não aprendeu com o livro que ele próprio escreveu.

Lembro-me da reportagem que vi de um homem que tinha pulado na correnteza para salvar um cachorro. Os bombeiros chegaram quando o homem já vinha com o cachorro nas mãos: o dois, homem e cachorro, meio mortos/meio vivos. Um dos bombeiros gritou em desespero: Por que você fez isso? É um milagre que você tenha saído com vida pela força com que essas águas estão! Ao que o homem respondeu: Porque esse é o meu cachorro: e eu sei as alegrias que ele já me deu.

Ah, chamem-me de ideológica, mas somos sim seres lindos!
Amo, amo estar viva e poder presenciar tantas belezas (mesmo quando em meio à dor). Amo o fato da vida poder despertar em nós o nosso melhor.

E agora eu pergunto: se o dono do cachorrinho sabia da alegria que o cachorrinho já lhe dera, qual a noção que você faz de Deus?
Não, querida, Ele não lhe joga os rótulos que a humanidade lhe joga: Ele não sai dizendo: Feia: Pobre: Homossexual: Pecadora: Promíscua: Lésbica: Burra: Ignorante: Bonita: Inteligente: Santa... Não... Isso são coisas dos homens. Aliás, NOMES são coisas dos homens: e como tudo o que vem do homem: servem para o bem e para o mal.

Deus, não: Deus é a condensação da bondade: é a compreensão e o amor reunidos em um ser de tamanho imensurável. E sério mesmo: a única hora em que acho que a ‘ira de Deus’ entra em cena, é na hora de defender algum de nós que esteja em precisão. O resto, Ele sabe que a vida insistentemente nos tentará ensinar, insistentemente tentará nos fazer ver. Uns de nós aprendem, outros não.

No outro dia, minha professora veio me dizer que há mais de cinqüenta (eu sei que o trema caiu :/, mas é que gosto mesmo dele e sou do grupo de resistência em relação ao seu uso!!) anos não nasce um bebê com síndrome de down na França. E eu toda feliz, achando que tinham achado alguma cura da qual eu ainda não sabia, perguntei como podia isso e ela, com tristeza, me disse: toda gravidez que apresenta um bebê assim é cessada. Na mesma hora Hittler me veio à cabeça: a raça ariana perfeita.

E eu me pergunto o que achamos que é realmente essa experiência aqui na Terra. Um filho com necessidades especiais é sim um sofrimento muitas vezes, mas é também uma humanização constante: uma perda de pré-conceitos, um constante lidar com o que é verdadeiramente humano, com o que é realmente relativo à vida, à matéria da alma. E me dá tristeza saber que há alguns de nós “limpando” o que acham de “impuro” aqui na Terra: porque o que é “impuro” muda a cada novo endereço. E nós, mulheres que gostam de mulheres, homens que gostam de homens, estamos nesse mesmo pacote.

Não é nos comparando a falhas genéticas, mas é sim apontando que, no fim, somos todos iguais: seres que nasceram assim. E ponto. E são nossas características que nos fazem: eu, não-Helena, gosto de mulher e não tenho escolha sobre isso. Eu, não-Helena, sou quase fatalmente alérgica a pimenta e não há nada que eu possa fazer. Eu tenho a altura que tenho e sobre isso não foi me dado escolha. Tenho o rosto que tenho e o cérebro que tenho. Me peça para escrever mil páginas e ler mil livros que faço isso com um sorriso no rosto: mas não me peça para fazer uma continha de matemática porque você verá uma pessoa suando frio e em sérios apuros. :P

Somos o que somos porque somos todos diferentes.
É daí que vem a riqueza de nossa passagem aqui na Terra: é daí que vem a razão desta vida de começo e fim.

Honestamente: acho mesmo que é AQUI que gozamos, que choramos, que sorrimos, que comemos, que amamos, que nos revoltamos, que temos esperança, que sentimos dor, que nos curamos, que recomeçamos, que sentimos cheiros, que sentimos toques, que aprendemos, que... tanto, meu Deus, TANTO!

Quer melhorar sua alma?
Dê sempre uma olhada no Blog do jornalista Jairo Marques: o Assim como você.
O que tem de especial nesse cara? Bem, ele foi vítima de Pólio quando era pequeno e desde então é cadeirante. O Blog trata belamente de pessoas que, na expressão usada por ele, estão na Matrix - ou seja, que têm algum tipo de deficiência. E lá, graças graças, ele contempla todo mundo: pessoas paraplégicas, pessoas tetraplégicas, pessoas com paralisia cerebral, com falta de visão ou audição, com deficiências de crescimento... enfim, o pessoal especialíssimo cuja missão na Terra é driblar os limites do corpo e fazer um caminho bem bonito por aqui.

Lá existem histórias incríveis como a da impressionante médica Natália, de apenas 23 anos:
http://assimcomovoce.folha.blog.uol.com.br/arch2008-06-01_2008-06-07.html#2008_06-06_09_13_50-129797961-0

Ou ainda, por exemplo, ele fala de maneira muito bem humorada sobre a auto estima (segundo post da página: “Hoje é dia de "Fototerapia"”) e sobre sexualidade (mais para o final da página: “Um motel pra chamar de meu”) sob a ótica de um cadeirante:
http://assimcomovoce.folha.blog.uol.com.br/arch2008-09-07_2008-09-13.html#2008_09-12_01_17_39-129797961-0


E depois não venha me dizer que os filhos de Deus não são especialíssimos apesar de alguns de seus irmãos levantarem a cabeça, esses sim cegos e autistas, a dizer que nada disso é “normal”.

Queridas, o problema é de quem não vê!
Sério mesmo, são essas pessoas que não conseguem enxergar além que necessitam de nossa compaixão, não o contrário!! Nós não somos as vítimas, meu Deus, são eles!! São eles que permanecem assustados e encolhidos, presos nesse mundinho que acham que é tão perfeito e fácil de entender. É o cérebro deles que é limitado. É o corpo deles que é limitado. É o sentir deles que é limitado. Claro, é uma pena sim. Mas acho que o tempo está aí: para ajudar a nós todos a melhorarmos.

Eu, francamente, tenho orgulho de estar do lado de cá! ;]
Porque sei que mil barreiras já caíram em mim só por conta disso!

E finais são importante por isso: anunciam um novo começo.

E todo fim de ano representa isso: uma etapa que termina para que outra se inicie.

Acho o máximo o tempo nos dar esse presente anual: a chance de recomeçar. De trilhar um novo ano: de fazer novas escolhas: de mudar o que necessita ser mudado: de manter o que é bom que seja mantido.

E eu AMO o Natal. Amo o sentimento que essa época faz nascer em todos nós ao REDOR DO MUNDO!! Pensa nisso: o mundo quase todo está comemorando algo junto! É uma época de muita energia sim!

E nessa noite eu sempre rezo para aqueles que estão sozinhos. Ninguém deveria estar sozinho na noite de Natal. Deveria ser proibido. Deveria ter uma campanha internacional para que se acolhesse em cada família alguém que estivesse sozinho.

O fato é que a vida está aí, para que acreditemos na sua enorme capacidade de fazer o próximo minuto melhor do que o minuto passado.

E, quer saber, têm finais que te chegam sem que você escolha, têm finais que são necessários que você escolha, têm finais que acontecem perto de você: mas o começo, bem, o começo está sim sempre nas suas mãos.

E esse começo que agora chamamos de 2009?

O que VOCÊ vai fazer com ele?


Posso dar uma dica?

Sorria muito, menina! Sorria muito!

Se você estiver sorrindo, é porque o cam
inho está sim correto!!

Obrigada por vocês terem enfeitado o meu 2008! Por terem me feito tanta companhia!
Espero que possamos conversar muito ainda em 2009! :]

BOAS FESTAS!!
MUITOS SORRISOS E PAZ PARA VOCÊS, QUERIDAS COMPANHEIRAS SAPATILHANTES! ;]

__________________
(credo. hoje eu bati recorde em verborragia! :P foi maus!! perdoem-me e voltem, viu?) Oo


|| quem puder, e ainda não conhecer a história do fantástico Nick, assista esse vídeo, viu? basta assistir uma vez: o exemplo desse cara morará para sempre dentro de você. porque a vida deve ser vivida assim: com um sorriso: apesar de.

ah, e só para esclarecer: Nick não nasceu em meio ao dinheiro não: mas hoje ganha bem dando palestras ao redor do mundo: inspirando outras pessoas a superar os problemas que a vida lhes apresenta! ;]


| cartum |
Mafaldinha dizendo para o Ano Novo o que nós também queremos dizer! :P








|| meninas, estou baixando esses cds juntos com vocês! ainda não escutei, mas li coisas maravilhoras sobre eles! (têm nomes deliciosos como Ângela Maria, Elizeth Cardoso, Dick Farney etc)

E acho que vale para entrar no clima, né? ;]


Natal no Brasil - Volume 1




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Natal no Brasil - Volume 2




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domingo, 21 de dezembro de 2008

| um texto bonito |

Na verdade, a beleza é um sorriso.

Você vê o que lhe é belo e pronto: você simplesmente sorri.

Mas o que é um texto bonito?

As imagens que vamos formando, imaginando, à medida que lemos o texto?

O sentimento que o texto desperta em nós?

Acho que todas as anteriores.
A depender do momento, do texto ou do espírito.

O que sei é que precisamos de um texto bonito. Precisamos alimentar o que há de belo. Precisamos estimular o que sentimos que é bom, o que nos faz sonhar, o que nos faz ver tudo um pouco mais colorido.

Um texto bonito nos traz leveza, nos faz terminar a leitura com um sussurrante “é verdade...!”.

Quase como uma confissão a si mesmo. Quase como a mensagem de um anjo que nos foi enviada para que ainda acreditássemos em algo.

E não somos nós que encontramos um texto bonito.
É ele que nos acha.

Chega às nossas mãos ou vem à nossa mente no momento da precisão.

E a verdade é que necessitamos do texto bonito.
Que traga à tona boas lembranças, que abrace nossos sonhos, que endosse nossas esperanças.

No entanto, creio eu, não é o autor quem faz o texto bonito. Ou se o faz, faz para si – porque é, também, leitor.

E é o leitor quem faz o texto bonito. É o leitor quem vê o que de belo há ali. É o leitor quem confessa para si: “é exatamente isso que eu sinto. Que eu precisava ouvir. Perfeito isso!”.

Perfeito sim. Porque na verdade só nós somos capazes de reconhecer as peças que nos faltam.

E um texto bonito é isso.
Um pedacinho seu que estava perdido por aí e que você, de repente, achou.


_______
escrevi esse texto para o meu amigo-irmão colorido.
e mais uma vez o dedico a ele.


| toquinho, em um dos 'textos bonitos' mais perfeitos que existe! Aquarela! -- Eu Aquarelo*, e você? :]

* Aquarelar - verbo que indica o comportamento de pessoas que estão sempre com uma palheta de tinta nas mãos tentando colorir o mundo.


| cartum |
A perfeita Joaninha da Clara Gomes, dando lições de Marketing para Deus. (kkkk!) (essa menina é perfeita, viu!)







PARA MAIS DOS BICHINHOS DE JARDIM DA CLARA, VÁ AQUI.


| ela, por mim, estaria aqui todos os dias. a amo desde os 15 anos de idade. e ela é energia pura. carrega toda a intensidade que uma voz pode carregar. amo. amo. amo. (já disse que amo?) :P

minha querida Elis:

Elis Regina - Falso Brilhante (1976)





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sábado, 20 de dezembro de 2008

| um beijo em seu coração, sandrinha |

Têm vezes que as palavras se calam.

Que todos os argumentos caem.

Que frase alguma sabe dizer o que precisa ser dito.

Nossa Lesbofera ontem perdeu um sorriso.
O céu estrelado das mulheres que sabem amar mulheres ficou mais escuro.

E, os “beijos em seu coração”, meu deus, quem nos dará agora?

Nossa querida Sandrinha agora virou luz eterna.
Brilha em outras esferas agora, ganhou novo corpo, virou energia.

Ah, Sandrinha, você que já entrou aqui pela primeira vez me dando as boas vindas e se fazendo tão íntima que me deixou desconcertada... Porque você era assim: toda doçura e conquista.

E um lado meu tem orgulho do seu último post no seu blog: gosto da imagem de você em gozo eterno. Gosto de imaginar que o seu adeus para nós todas foi um sorriso de prazer: como se nos dissesse com um sorriso maroto: estou agora postando em outros lugares.

E eu, Sandrinha, que tanto defendo a vida, não tenho como defendê-la nessas horas...

Há o que se dizer, claro, e Campbell, teimoso e pentelho, ainda vem me falar sobre energia, sobre as várias transformações que cabem à vida, sobre a jornada de cada espírito... mas, sabe, eu quero que no momento ele se cale. Eu quero que o mundo inteiro se cale.

Porque junto com cada adeus vem a saudade: e a única coisa a ser dita é o silêncio.

Porque o cérebro teima em mostrar que aquele lugar ali, aquele exato jeito e forma de ser, foi-se... e não há outro no mundo igual a ele.

Não há outra Sandrinha que poste tantos sorrisos e gozos e belezas do amor da pele.

Então, querida Sandrinha, obrigada.
Obrigada por ter sido especial ao ponto de deixar saudades, ao ponto de fazer estranhos se comoverem com sua partida, ao ponto de tocar vidas tão diferentes e de tantos locais.

Sabe, Sandrinha?
Eu nunca tive a oportunidade de lhe falar da historinha que eu mais gosto:
É de um livrinho do Pedro Bandeira chamado “O Fantástico Mistério de Feiurinha”. E nesse livrinho eles tentam saber como desapareceu essa heroína que na verdade era linda. Ao fim do livro eles percebem que a Feiurinha havia desaparecido porque ninguém mais contava a sua história.

Acontece, Sandrinha, que você, moça que sabia tão bem fazer manha, continua aqui, guardada em nossos comentários, em nossos blogs, em seu blog, em nossas listas de amigo, em nossas palavras com você, nos tantos beijos nos nossos corações que você nos deu...

Continuamos aqui, querida, contando a sua história.
Falando DE MULHER PARA MULHER.
E brindando com você todos os sorrisos de prazer.

Um beijo, Sandrinha.
Um beijo em seu coração.
Sentiremos muito a sua falta.

___________
|| milton cantando o hino da amizade, Sandrinha. sei que você cantaria com todas nós.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

| da série: salada de frutas é bom demais! |

É que este vai ser um post-mistura. :P
Muita coisa que eu quero falar (ando tão faladeira esses dias – deve ser o fim de ano) e pouco tempo disponível.
Primeiro de tudo, eu queria agradecer.
Sério mesmo.
Queria agradecer às mulheres show de bola que vêm aqui gastar um pedacinho do seu dia comigo.
É muito legal você saber que alguém escolheu usar seus minutos em sua companhia.
Faz cafuné na alma isso. ;]
Então, brigadão! :*

E por falar nessas mulheres show de bola, de vez em quando uma delas decide me passar um e-mail. Uns são deliciosos! Rs. Outros são uma fofura. Outros me deixam meio encabulada... Mas de uma maneira geral tem sido muito gostoso saber que nós todas partilhamos das mesmas lutas e desafios, dos mesmos medos e vitórias: que vivemos histórias que têm temáticas em comum.

É bom saber que existem outras guerreiras que estão lutando a mesma guerra que você: você se sente parte de um time, entende? rs.

Cheguei super cansada em casa no outro dia e fui ler poesia (coisa que sempre me faz muito bem). Tirei da estante um livrinho que adoro, do Horácio Dídimo: um autor aqui da minha terrinha mesmo. Uma das poesias me fez lembrar de nós, do nosso Sapatilhar, dos dilemas que às vezes enfrentamos, das lombadas que ainda temos que vencer:

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
SOLUÇÃO

daqui a cem anos
todos os
nossos problemas
nos terão resolvido
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

E é isso, sabe?
Tudo é uma questão de perspectiva.
De acreditar sim no amanhã.
Se a gente lembrasse do tanto de coisa que a gente já passou e pelas quais já chorou e percebesse que hoje são coisas que nem doem mais tanto, teríamos a constante certeza de que tudo se resolve.
Chamem-me de otimista, rs, mas acho mesmo que a gente tem que estimular o que há de bom. ;]

E acho que é por isso que gosto tanto de livros. São vida guardada. Registrada.
A nos mostrar que tudo o de ruim e tudo o de bom, passa.

Gente, tudo um dia termina! Já pensou como isso é escandaloso?? Dá vontade de gritar em desespero: você está esperando o que para começar a viver??

Tem um verso do Evangelho de São Lucas que diz:

Pois onde estiver vosso tesouro,
Ali estará também o vosso coração.

(Lc 12,34).

E é isso, sabe? Está ainda em dúvidas?
O
nde está o seu tesouro? Se concentra aí... e se responda: onde se encontra o que te faz sorrir?
Porque é para essa direção que você tem que caminhar!!


Eu me lembro que quando eu era adolescente estava tendo aula particular de matemática (sou burríssima para cálculos até hoje :P) e resolvi uma das questões com o meu professor. Era uma daquelas questões de múltipla escolha, sabe? A, b, c, d, e.
E uma vez tendo chegado a uma resposta, ainda insegura, eu disse: Mas deixa eu olhar para as outras opções. E o meu professor me disse com a voz firme: Para quê?A resposta certa é apenas uma. E você já a encontrou.

Foi a maior lição que a matemática já me ensinou!! Rs

Às vezes a gente fica perdendo tempo, olhando as respostas erradas, já tendo há muito tempo encontrado a resposta certa...

Bom, mas voltando à história dos e-mails...
Uma das meninas me disse:

Helena, leio todos os seus posts mas não tenho coragem de comentar... sou tímida... mas resolvi lhe escrever porque queria agradecer. Eu tava aqui com o coração apertado, e vendo você passar por coisas parecidas e levar isso no bom humor me ajudou mesmo... (...) às vezes eu achava que não era normal tudo o que eu estava sentindo... ficava me culpando, sentindo vergonha disso tudo... com você falando, tudo parece tão normal! (: Enfim... só para lhe dizer isso mesmo... um beijo, tá?

E eu digo para essa querida senhorita tímida: pois eu sinto a mesma coisa recebendo os comentários e e-mails de vocês!! Sou aprendiz nisso tudo também! E às vezes eu ainda me assusto... Mas o maior presente que 2008 (olha como está recente!!) me trouxe foi esse: ter encontrado a resposta certa!
Antes deste ano, eu ficava teimando nas outras respostas, querendo convencer a mim mesma que elas poderiam ser as certas... mas, ora veja, uma vez que eu encontrei aonde estava o meu tesouro... ai ai.. não teve jeito: gritei para dentro de mim mesma: OKAY, DONA HELENA, VOCÊ JÁ SABE QUE GOSTA MESMO É DE MULHER!! ESTÁ NA HORA DE ACEITAR ISSO, NÃO ACHA?

E foi a vez de colocar moral em mim mesma e de saber que se eu não fizesse nada, ninguém poderia fazer por mim.

O resultado disso tudo uma das minhas melhores amigas notou no outro dia:

- Helena, eu nunca te vi tão bem como você tem estado! Nem quando você estava de casamento marcado!

Pois é. :P
Encontrar o formato do seu sorriso dá nisso: você consegue achá-lo de novo e de novo mesmo que vez por outra ele se perca. :]

O que me leva à Lya Luft:
Ganhei o ‘Pensar é transgredir’ – que já me conquistou só pelo título!

E noite sim, noite não, leio um pouquinho dele.
Ontem a Lya veio me dizer:

A vida é uma mesa posta, com venenos mortais, pratos insossos e outros deliciosos. Alguns conscientemente escolhem veneno, achando que a vida é sofrer, e ponto final. Outros comem – e vivem – sem sal.

Mas há os que, quando podem, pegam as delícias da vida e assim se salvam da areia
movediça da depressão.

Oooou seja: a mesa é uma só, meninas.
O que muda é o que a gente escolhe comer.
E aí? Você está com fome de quê?? ;]

_____________
Bom, eu recebi dois pequenos desafios de minhas amigas-les-blogueiras. A Mari, do Queer Girls e Lesbofera, e a Marcia Paula do Não-Memórias e Lescriptum, me acertaram com o desafio literário abaixo:

1. Agarrar o livro mais próximo.
2
. Abrir na página 161.
3. Procurar a 5ª frase completa.

4. Colocar a frase no blog.

5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro!!!
Utilizar mesmo o livro que estiver mais próximo.

6. Passar a 5 pessoas.


--> Bem, rs, por pouco não encho vocês com mais Campbell! :P
Ele era o quarto livro da pilhinha que está neste momento aqui do meu lado... rs

Como eu recebi duas vezes o mesmo desafio, escolhi os dois primeiros livros da pilhinha e as tais frases das respectivas págs. 161:

LIVRO 1: A Palavra e a PALAVRA, do Horácio Dídimo.
Frase: Tudo será macio e leve e leve e leve e a alegria então será imensa.
- DELÍCIA, NÉ?? :]

LIVRO 2: Meu pé de laranja lima, do José Mauro de Vasconcelos.
Frase: “Mas nem toda criança tem a felicidade que tens de entender as árvores.
- ORA VEJA SÓ!

-- por isso que se diz que de coisa bonita, mesmo só um pedacinho é bonito também! :]

Tá. Agora é a hora de indicar cinco vítimas, digo, pessoas:

- a Lorena e a Flôr já vi que foram escolhidas, e acho que não posso voltar pra quem me escolheu, rs, então lá se vai:

1. A Ferds, do Manual d@ Cafajeste e do Costurando a Vida.
2. A Lezzie, do Lezzie Grrrls.
3. A Sandrinha, do Fazendo Manha.
4. A Luisa, do Mundos Paralelos.
5. A San, do Armário de Idéias.

__________
Sim... Continuando a deliciosa salada de frutas:

Como algumas de vocês já sabem, rs, eu sou louca e intensamente apaixonada por um homem. Oo Joseph Campbell é mesmo meu guru, não tem jeito! Por mim eu colava o espírito dele no meu que é para eu aprender a ver melhor sempre. O dele e o do Saint-Exupéry, que é para terminar minha transformação em ser todo-poderoso! rs

Bom, mas a Del, que na minha opinião é a nossa representante maior de coisas tecnológicas, me deu um presente que eu queria dividir com vocês.

Como vocês já sabem, eu sou auto-empolgável e adoro aperrear (que é para ficar bem cearense) as outras com as coisas que eu gosto.

Pois então... lá se vai: o livro-conversa do Campbell para vocês!!!!!!!! ê ê ê ê ê ê!! :P
Leiam, leiam meeeesmo, tá? :]
É bom demais e, como é literalmente uma conversa, a gente lê rapidinho... E faz a gente refletir sobre um monte de coisas!
Valeuzão demais, Del! ADOREI!!!
Já saí mandando pra todo mundo que eu conheço!! :P Hehe.


~~~ Para baixar, é só ir AQUI!

:]




| cartum |
Patty-Pimentinha, compartilhando comigo o que eu senti durante a maior parte dos meus anos escolares!! kkkk!







|| Tá. Não tem jeito: foi antigo, eu gosto. Essas coisas que guardam uma época em si são deliciosas demais. E o Dean Martin para mim tem gosto disso: de tempo gostoso guardado. AMO!

The best of Dean Martin.
(pleonasmo puro, na minha opinião!) :P





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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

| as incríveis mulheres-maravilha e as cores que elas têm para colorir o mundo |

Este será um post longo.
Sim, eu sei o que você está pensando: Helena, todos os seus posts são longos! :P

Eu sei. Eu sei... Mas este será maior ainda. Oo
Sorry...

É que hoje eu estou me sentindo auto-biográfica. :P
E porque uma visitante querida do blog me perguntou sobre a minha história e eu achei por bem juntar uma coisa à outra (coisa que gosto muito de fazer) e vir pensar por aqui – com nós todas pensando juntas, o pensamento fica melhor, não é? ;] Peço que, se você se cansar, você mesma ‘quebre’ este post em dois: e volte mais tarde para ler o resto, tá? Foi mal... estou mesmo com vontade de conversar...

Eu sou a única mulher entre dois homens. Um mais velho e outro mais novo. Pois é, eu sou a equilibrada e conciliadora filha-do-meio. :P

Se meus pais sabem de minha orientação sexual?
Não. Não sabem.
Meus pais são dois dos seres humanos mais lindos que conheço. São super-pais. Uma coisa linda de se ver! São pessoas boas, corretas, deliciosas mesmo. Sou incrivelmente sortuda de ter sido amada sempre. Sempre. Já nasci em meio ao amor. E sei o valor disso.

Acontece que eles não podiam ser perfeitos, não é? :P
Ninguém é!
Então eles realmente não entendem, criticam e não aceitam homossexuais.
Para piorar um bocadinho as coisas, ainda são extremamente católicos, o que coloca o homossexualismo como um dos piores ‘pecados’ que possam existir.

Se isso me machuca?
Um dia já me machucou sim.
Hoje vejo que é exatamente a questão que nós, seres coloridos, pedimos sempre: que o diferente seja respeitado.

Eu sei da dor que seria para eles saber que sua única filha, que sua ‘princesa’ (sim, eu sei que é brega isso, rs, mas fazer o que se é assim que eles me vêem?? :P) lhes dissesse que na realidade gosta de mulher.

Seria demais.
Seria destruir o mundo que eles acham que têm.
Seria forçá-los a lidar com algo para o qual eles não estão preparados.

Sabe o que é?
É que às vezes a gente cresce e acaba ficando maior que nossos pais.

E foi isso. Eu cresci e cheguei a uma altura para a qual eles não foram preparados.

Decidi dizer isso aqui porque uma vez eu contei uma versão mais sofrida dessa história. E quis agora vir mostrar a paz que já encontrei.

Descobri, ora veja que coisa, que a vida é minha.
Que não preciso carregar ninguém para o caminho que escolho!
Se meus pais fossem outros, mais abertos a tudo isso, mais preparados, seria ótimo, claro! Seria delicioso poder sorrir e chorar com eles todos os meus sorrisos e lágrimas. Espera.. acho que nem seria... Quantos sorrisos e lágrimas dos meus pais eu não conheci? Ou não conheço! Quantas vezes eles me pouparam ou assumiram os riscos e dificuldades da vida porque achavam que eu era pequena demais para participar?

É isso sabe... no momento eles ainda são pequenininhos... e eu preciso protegê-los.

Pode ser que um dia eles tenham crescido o suficiente para saber (ou ter certeza).
Pode ser que não...

Mas isso não é mais tão importante.
O mais importante foi eu perceber que enquanto eles forem pequenininhos, eu sou forte o suficiente para protegê-los: para enfrentar tudo sem eles.
Sacrifico meu ego por eles. Sacrifico a vontade de querer o abraço deles na hora de um coração partido.

O pior de tudo que eu vejo nessa história (ainda) é que nenhum sacrifício é unilateral. Sempre mais alguém se machuca pelo sacrifício de uma pessoa. Para mim, a parte mais difícil disso tudo será quando eu tiver sido encontrada por um amor gigante, um amor que me escapará pelos poros, um amor que me transbordará. No dia em que isso acontecer, tenho certeza de que terei vontade de gritar que meus pais cresçam logo, que saibam ver as coisas direito, que aprendam a ver a vida com mais profundidade.

Mas, sabe, penso que mesmo em meio à delícia de um amor gigante, é preciso que nos lembremos dos pequenos: simplesmente porque há pessoas que nunca crescerão. E é necessário que os que cresceram cuidem deles: de seus medos e limitações. De sua pequenez e insegurança. De sua cegueira e deficiência.

Se os deixo totalmente alheios à luz?
Não, não. Os amo demais para isso.
Para mim que consigo ver mais alto que eles, a minha vontade maior é, claro, que eles também pudessem ver. Que eles também pudessem ter a maravilha que é conhecer mais sobre a profundidade da vida, dos seres humanos, do amor, das cores... Por isso, sempre que surge a oportunidade nos defendo: peço entendimento em relação aos seres coloridos. Peço que vejam que todos nós, sem exceção, somos diferentes.

Se um dia eles juntarem os pedacinhos (já que esta moça aqui faz três anos que não fala de homens em casa :P), ótimo! Isso significará que eles estão crescendo... rs

Se não, eu já sou grandinha.
Já aprendi a me dar auto-abraços.
Tenho também bons e deliciosos amigos – que alimentam sorrisos e enxugam lágrimas.
E também já descobri que sou forçuda: que brinco de amarelinha com a vida: já aprendi que dias ruins eventualmente vão embora e dão lugar a dias felizes.

Sério mesmo: as duas maiores confianças que se tem que ter, são: em você mesma e no tempo.

Acredite: você agüenta.
E acredite: o tempo dá conta de tudo.


Sou discípula de Chaplin:

O tempo é o melhor autor: ele sempre encontra o final perfeito.

E agora que já falei de família, deixa eu falar do meu colorido.
Eu acho mesmo que, no fundo, eu sempre soube de minha homossexualidade.
Mas confesso que suprimi tudo muito bem.
E tive uma vida ‘heterossexual’ feliz até.
Namorei homens legais. Que nunca me deram tantas desilusões – bem ao contrário: eu que, confesso, cansava deles e ia embora (deixando-os muitas vezes ainda apaixonados e sofrendo).

Até que um dia conheci um homem realmente lindo. Não fisicamente (apesar de ele ser sim um cara charmoso: enorme, mais alto que eu), mas principalmente como ser humano: ele é um ser humano lindo: e isso me encantou. Me encantou de tal forma que vivi com ele um amor gigante. Intenso. E um dia, como seria natural, eu disse sim à ele. Sim para a vida toda.

O negócio é que, graças, graças, o nosso ‘a vida toda’ só durou seis meses: ainda noivos, nossa união se desgastou ao ponto de nossos caminhos se separarem.

É bem verdade que acredito que nenhuma mulher que seja realmente heterossexual tenha pensado logo após noivar: Ai, meu deus! Estou noiva! E agora? Eu nunca beijei uma mulher e sempre tive vontade! Como vou fazer isso agora? :P

Hehe.
Pois pronto. A vida descobriu como. :P

E foi preciso um homem super legal aparecer no meu caminho para eu perceber que não era o homem ideal que eu estava esperando. Faltava algo. Faltava muito!

Com o passar do tempo, eu fui começando a me concentrar em mim. Quanto mais eu descobria sobre mim mesma (falei sobre isso no primeiro post deste blog), mais eu me aceitava sem culpa. E cada vez que eu me conhecia mais, mais eu gostava de mim mesma. Mais eu me redescobria. Mais e mais eu era responsável pelo meu próprio sorriso. Sabe quando você compra uma coisa com seu próprio salário pela primeira vez? Pois é assim que eu me sinto constantemente: o salário é meu e eu compro o que quiser! :] E eu tenho tanto orgulho de mim! E é tão bom você ter orgulho de si mesma! Faz bem! Faz bem mesmo.

O que faz com que eu finalmente fale sobre a razão principal deste post: se você ainda não sabe, deixa eu lhe dizer:

Nós somos super-heróis!

Sério mesmo!
Não estou brincando não!

Alguma de vocês já assistiu ‘Os Incríveis’? (pois é, eu já disse que AMO desenho animado, né?). Se lembra que tem uma hora em que os super-heróis são banidos da sociedade? E o narrador fala: Onde estão eles agora? Estão vivendo entre nós, cuidando de suas vidas e tentando fazer, pouco a pouco, o mundo um lugar melhor.

É isso, entende?
Nós somos esses super-heróis: uns (graças, graças) andam com seus uniformes e capas por aí o tempo todo, colorindo o mundo ininterruptamente. Outros de nós, ainda têm que abrir a camisa para mostrar o uniforme (mesmo que seja dentro de uma cabine telefônica ou de um armário). :P

Mas somos sim essas mulheres-maravilha.
(com super-poderes que nos fazem forte de verdade!)
Que carregam em si tanta sensibilidade e profundidade.
Que sabem reconhecer que o amor não poderia ser tão simplista ao ponto de ter apenas um formato!

Então, colega mulher-maravilha, eis o segredo dos nossos super-poderes coloridos:

A meta da jornada do herói
é encontrar-se a si mesmo.

(JOSEPH CAMPBELL)

Eu já cheguei no arco-íris e agarrei meus super-poderes!
E você? :]


_____________
Quem ficou em minha companhia até aqui, me desculpe. :P Juro que vou tentar ser mais econômica da próxima vez! rs.

| nosso querido chico. Falando sobre um amor que é tão grande que toca os outros. e o amor uma hora faz isso sim, ah, faz! É só questão de tempo! ;]



| cartum |
Calvin & Haroldo: nos mostrando que tem-se que ter sensibilidade para ver o amor (que o amor só se torna visível quando a gente olha direitinho para ele)


















| Não resisti. Acho essa mulher incrível!

Roberta Sá - Que belo estranho dia para se ter alegria (2007)






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sábado, 13 de dezembro de 2008

| nomes, sobrenomes e LESberdade |

É que a gente é de uma teimosia colossal.

Fica querendo dar nomes às coisas, ora veja!

Cria um monte de categorias:

Cachorros: Cores: Objetos: Loucos: Simpáticos: Bizarros: Depressivos: Passado: Presente: Futuro: Tempo: Comida: Bebida: Braço: Perna: Dedo: Corpo: Caneta: Lágrima: Sorriso: Luz: Possibilidade: Escuro: Sol: Mundo: Casa: Nada: Tudo: Amor: Amizade: Engraçado: Sonho: Irreal: Real: Hoje: Ontem: Música: Voz: Letra: Alfabeto: Nome.

E, para completar a complicação, a gente se apega ao que tem nome!
Valha, valha!

Tá, tudo bem, vamos dar um desconto: eu sei que estamos apenas tentando entender as coisas. Mas é que às vezes se perdem as perspectivas. Tenta-se se agarrar a QUALQUER coisa! Sem seleção alguma.

De que adianta a Jennifer ter apenas nome de Jennifer?
Não adiantaria muito não... Seria como uma cadeira qualquer: substantivo comum (mesmo estando disfarçado de substantivo próprio).

O que faz a Jennifer especial, é ela toda. É seu sorriso, é sua personalidade, é seu conjunto. São os motivos que a fazem sorrir e os motivos que a fazem chorar. É a sua essência quem a faz especial.

E isso, galerinha, não cabe no nome Jennifer. Não cabe em nome nenhum.
É algo sentido. Demanda tempo para se ver.

Eu tive um pequenito probleminha no Leskut, sabe?
Qual? Ora essa, enquanto tinham fotos minhas lá, eram ‘Lescraps’ :P e recados e pedidos de adicionar fulana e cicrana e beltrana. E eu, francamente, não nasci para ser pop. Sou de poucas (na realidade, em se tratando de amor, sou só de uma mesmo: acho a monogamia uma coisa bem perfeitinha! rs – porque o entendimento só cabe à proximidade).

E não é que eu seja dona dessa beleza toda.
Não, não!!

Acho que é a velha questão das porqueiras das categorias.
Dos nomes que a gente inventa.

Daí, pega-se a listinha mental que se tem e sai marcando:

٧ bonita (pah! marcado)
٧ interessante (pah! marcado)
٧ inteligente (pah! marcado)

E daí clica-se no botão ‘adicionar como amiga’ de novo e de novo (em todas as que se pensa que cabem à essa categoria) sem sequer querer se saber de mais nada. E tudo é tãããao relativo, meu deus... É uma pressa de se ser 'ser preenchida' que realmente me deixa encucada.

Eu acho mesmo que se dá valor demais aos nomes. Às categorias. E os nomes se disfarçam de significados, mas na verdade não dizem muita coisa não.

Outro dia eu estava no msn (coisa rara: e confesso que cada dia crio mais impaciência por esse trocinho) e lá se vem uma guria que tinha me adicionado falar comigo: ah, você é aquela que tem um blog, né? :P

Oo

É que é assim: quando a gente é quantidade a gente vira ‘aquela’. Rs.

Outra das minhas traumatizantes experiências de MSN:
A menina começa a conversar comigo e logo depois de dizer Oi me pede para eu mostrar uma foto minha. E eu fico logo tiririca, confesso, que intimidade é uma coisa que se constrói aos poucos! “Como assim? – disse para ela – Eu nem te conheço!” E ela: “Mas se você não me mostrar uma foto sua, como vou lhe conhecer?”.

E aí, pronto, a tragédia estava feita: porque esta Helena aqui adooora fábulas, sabe? Moral da história é um negócio delicioso para mim! :P

Estiquei meus dedos, me espreguicei e comecei o tiroteio no teclado:

Olha, eu acredito que se conhecer é um processo. No meio desse processo a imagem é mais um detalhe. Sou bonita, se é isso o que vc quer saber. Mas o que isso adiantaria se eu não cultivasse, na verdade, o que há dentro de mim? Veja... como saber quem fala com vc? Sério mesmo. >>. nós duas que estamos agora conversando... será que não seria mais fácil eu te enganar com uma imagem? Foto eu posso te mostrar qualquer uma.


Daí a próxima fala dela foi:
“Você malha?”


Oo

Daí me deu vontade de mandar para ela a foto abaixo:













: IMAGEM ENCONTRADA NO BLOG ERVILHAS ALBINAS :

(traduzindo: - Oi, você parece ser bem bonito! Quantos anos você tem e o que você gosta de fazer depois da escola? - Tenho 14 anos e sou um pouco neurótico por academia. Eu frequentemente vou malhar depois da escola.


A moral da história, a meu ver, meninas, cabe na fala da mãe de uma amiga minha:

Eu não passei nove meses com você dentro da minha barriga para que você deixe que alguém lhe faça sofrer ou lhe bote para baixo.



Sejamos sim seletivas.
Alguém só pode ser ninguém em meio à multidão.

Se conheça. Saiba de você. Do que você gosta. Do que te faz sorrir. Do que te faz chorar. Fica mais fácil conhecer o que a gente gosta ou não nos outros quando a gente sabe o que gosta ou não em nós mesmas.

E não é uma questão de ser fechada a pessoas que são diferentes de você.

É apenas uma questão de saber que qualquer pessoa que entre na sua vida tem obrigação de adicionar. Assim como você também tem essa obrigação a quem quer que lhe dê permissão de entrada.

Se está subtraindo, repense essa companhia. Faça faxina. Limpe as coisas.
Casa suja acumula sujeira: é simples assim.


Saiba administrar sua liberdade.
Porque uma liberdade mal administrada na realidade prende.
Enrola e complica as coisas.


Multidão é um troço homogêneo demais para o meu gosto.
Eu gosto de conhecer além do nome. Eu gosto de saber a cor preferida, o melhor presente que já se ganhou, a pior decepção, o melhor réveillon, eu gosto de ser abraço, de ser mãos dadas, de saber detalhes. E, quando se conhece isso tudo, se você estiver respeitando a regrinha de só deixar entrar pessoas que adicionem, é porque você também está tendo tudo isso de volta.

Uma pessoa realmente conhecida é casa. É lar. É aconchego. É entendimento. É a liberdade maior que existe: a de você ser você completamente.

E esse é o grande barato de se respeitar o tempo que se leva para realmente se conhecer alguém.

_____________

|| dispensa apresentação. dispensa nomes. amo! Bethânia e as mulheres.



| cartum |
Guile (o irmãozinho da Mafalda) cantando Elis Regina: 'vivendo e aprendendo a jogar' ;]









| A Flôr pediu e o Sr. Fulano Sicrano nunca falha:

a lindíssima Céu e sua musicalidade perfeita:





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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

| sobre a arte de recomeçar |

::: PARA TODAS AQUELAS QUE NECESSITAM VIRAR A PÁGINA :::


Este não se pretende ser um texto de auto-ajuda. Mas pode ser que acabe por se tornar um quando eu o terminar de escrever. Porque, queridas, no fim, somos nós quem nos ajudamos mesmo. Ajuda alguma que a vida nos dá, pode ser recebida sem que seja por nós permitida. Assim, toda ajuda termina por ser uma auto-ajuda.

E nós, nós somos artistas mestres. Somos criadoras de obras-primas atemporais. Somos fazedoras do tempo.

A cada novo passo, a cada nova escolha, a cada perda [pois são elas as maiores responsáveis pelas transformações que acontecem em nós], a cada aprendizado, a cada sonho realizado, nós, artistas, inventamos a arte de nos criar novamente.

Não falo aqui da metamorfose do fantástico Raul. Não acho que somos seres metamórficos. Embora sejamos ambulantes: peregrinas da estrada que aceitamos trilhar.

A metamorfose é instintiva, não é sentida ou pensada. A metamorfose se opera em nós, e não nós nela. É seguir pulando com cada nova multidão que aparecer.

Já o recomeço, o recomeço é uma atitude. É sentido, muitas vezes nos custa, é sofrido, pensado, refletido, requer garra, escolha, perseverança.

Somos nós quem operamos, que entramos em ação, na hora em que decidimos recomeçar.

E, sim, somos vários ao longo da vida. Somos o vento a carregar as várias e diferentes partículas dos locais por onde passa, a levar em si um pouco de tudo o que tocou.

Somos o vento que ora é dança, ora é briga, ora é desastre, ora é brisa, ora é frio, ora é leveza, ora é horror. Somos o vento que muda de acordo com o tempo que vive.

E, quase que sem escolha, se nossa escolha é interagir com a vida, seguimos recomeçando.

E não recomeçamos porque o presente é ruim. Recomeçamos porque sentimos a necessidade de fazê-lo.

Podemos passar anos a fio na mesma situação que nos comprime, magoa, castra, entristece, cala, sufoca e não nos permitirmos recomeçar. Porque somos seres bonitos: às vezes achamos que só merecemos aquilo, que só aquela realidade nos é permitida. Ou porque estamos assustados: até que ponto é bom o desconhecido?

Recomeçar significa abandonar parte de quem se era e vestir-se de um novo eu.

Significa lutar por novos sonhos [é impossível ao que não tem sonhos recomeçar].

Mas aos que conseguem ou se permitem interagir com a vida, chega um dia em que falamos para dentro: basta.

E ao sentir isso, já recomeçamos.

E àquela que se permite recomeçar, vai um aviso: sempre serão necessários novos recomeços.

Não recomeçamos porque perdemos, recomeçamos porque crescemos. Porque a linha de chegada está agora em outro lugar.

Recomeçamos porque somos artistas: e artistas têm sempre que criar novas obras.

Recomeçamos porque, para estar ao lado de quem amamos, precisamos sempre nos adaptar uns aos outros: afinal, todos recomeçam de novo e de novo e ninguém recomeça sem estar de mãos dadas com os sonhos que lhe enfeitam o travesseiro.

Recomeçar é colocar a caneta na mão e iniciar a escrever uma nova história.

Recomeçar é perceber que a única coisa que a última história ainda precisa, é do ponto final.



________

| eu sempre adoro quando me dizem: Helena, escuta essa música, é ótima! ou Helena, tenho certeza que você vai adorar essa banda! é porque sou de um desligamento estrambótico, então muitas vezes acabo descobrindo as coisas através dos outros mesmo. Essa moça, Cibelle, é uma brasileira-britânica que tem dado o que falar. Coloco ela aqui em homenagem a uma listinha que recebi de presente. E também porque Phoenix (nome dessa música) é a metáfora perfeita para qualquer recomeço (e a mulher ainda é linda, gente! ai ai).



| cartum |
Miguelito de novo. Dessa vez sendo safadinho: é que não dá para ficar esperando sentado não, Miguelito!! ;]








|| esse foi um dos melhores cds do ano passado. fernanda takai se vestiu de nara e fez coisas ainda mais lindas do que as que costuma fazer. quem não escutou ainda, escute, plis! porque é lindo e doce e porque os olhos precisam sim brilhar. precisam sim.

Fernanda Takai - Onde Brilhem os Olhos Seus






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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

| sobre razões, aprendizagem, beleza e o meu sapatilhar |

É que depois de um e-mail louco e grosseiro que eu recebi eu perguntei a mim mesma a razão de eu ter criado o Sapatilhando.

Tem coisas que me chocam. Confesso. Já andei por meio mundo, mas tem coisas que me chocam. Não sou puritana (apesar de ter cara de) ou santa (apesar de ter cara de). Mas o único sentimento que eu acho que cabe à gratuidade é o bem-querer. É o carinho que se tem por um total estranho pelo simples fato de ele ser um ser vivo como você.

Pense: você é um ser que cabe dentro de um tempo limitado. É isso. Esse é o seu tempo aqui. Um caminho que vai do ponto A ao ponto B.

Para que gastar seu percurso com coisas ruins? Não entendo. E me choco com pessoas que não caçam seus sorrisos por si mesmas. Ou que são grosseiras gratuitamente.

Estava relendo Alice no País das Maravilhas, e confesso que o acho maravilhoso por vários motivos, mas sabe o que eu acho mais intrigante nele?

Sempre que a Alice queria ficar maior ou menor ela tinha que comer ou beber alguma coisa. Seu tamanho dependia do que ela comia ou bebia.

E assim como as metáforas do livro encantado de Alice, a vida também funciona assim.

Eu sou o que como e o que bebo (algo que vai muito além do sentido literal e ultrapassa todas as fronteiras do simbólico). Mais que isso, eu sou do tamanho do que como ou bebo.

Aí acho que cabe a cada uma escolher o que irá comer ou beber, né? Eu só sei que o que como e bebo me traz sorrisos. E isso é o mais importante que se possa saber sobre mim.

Sorrio sempre.

Meu pai conta uma historinha para mim desde que eu era pequena: sobre o pessimista e o otimista. Ele diz que o pessimista ganhou uma bicicleta e ficou todo pesaroso, se maldizendo, porque de todos os presentes que poderia ganhar, foram lhe dar um que só usaria de vez em quando e ainda com risco de ser atropelado ou roubado. O otimista ganhou um saco de estrume. Achou estranho, mas depois de refletir por um minuto, se lembrou que nunca tinha pensado em fazer um pequeno jardim em sua casa e que agora seria uma boa hora para fazê-lo.

E aí está: o otimista vê uma boa saída mesmo em meio à merda.

Por que criei o Sapatilhando?

Porque eu penso melhor quando eu escrevo. Porque eu ainda tenho que criar forças para um monte de coisas que vou enfrentar. Porque ninguém nesse mundo me vê como lésbica e até pouco tempo atrás eu não tinha convencido nem a mim mesma. Porque quando eu escrevo me dirigindo a quem quer que acabe por ler o que eu escrevo, eu acabo me dirigindo a mim mesma: e acabo falando para mim coisas que preciso escutar.

Eu me alimento de coisas boas. E a vida é linda sim. A vida é linda apesar de.

E mesmo que eu seja muito auto-suficiente, eu só sei viver pelo que me toca.
São os outros seres que enfeitam minha vida – seja o autor que estou lendo, a música que escutei, as travessuras do meu cachorrinho, o abraço da amiga, o ‘vamos tomar um sorvete?’ do meu pai, o testemunho que li no Parada Lésbica, a esperança de um amor, a boa notícia do meu irmão, o abraço que vi um casal dar hoje...

A beleza está sim nos olhos de quem vê.
E eu vejo beleza em muito.

Tá certo que de vez em quando me acham boba e inocente por isso, mas não tem galho não. Rs. Acho que a vida até que necessita de um pouco (ou muito) de bobagem e inocência.

E eu aprendo sempre. Aprendo muito.
Fico pensando que se a gente está aqui usando um tempo determinado, é obrigação nossa nos melhorar ao longo desse tempo. Senão, para que tê-lo? Oo

Eu, não-Helena, confesso: AINDA ESTOU APRENDENDO A SER LÉSBICA.

Da mesma forma que ainda estou aprendendo a ser ser-humano.

E quem quiser dar as mãos comigo para ver as belezas e aprender a superar as dificuldades desse caminho, sejam bem-vindas!

Eu Sapatilho sim! Danço e estou dançando!
E sonho com uma moça que está por aí, também cuidando de ver coisas belas e também cuidando de si e do seu sorriso. Também aprendendo a ser lésbica e a ser humana.

E um dia nossos caminhos se cruzarão e enfeitaremos a vida uma da outra pelo tempo que nos for dado.

Eu sei viver muito bem sem ela e ela sabe viver muito bem sem mim. Mas, no dia em que nos conhecermos, acharemos muito difícil viver sem a outra.

Porque o amor é assim: eles nos mostra um pedaço que nem sabíamos que estava faltando.

Até lá, minha querida, não me preocupo.
Porque acho mesmo que tudo acontece quando deve acontecer.
E porque estou cuidando de mim e sei que você está cuidando de você.
E, acima de tudo, sei que nos reconheceremos.

E no dia em que estivermos nos sentindo sozinhas, como hoje eu estou, não é porque deixamos de acreditar: é apenas cansaço.

Amanhã não estarei mais cansada e minha solidão se terá ido.


___________________


|| The Corrs - Would you be happier. essa música sempre me faz bem. põe as coisas em perspectiva! :]


| cartum |
Miguelito mostrando que a gente tem sim que saber de nossa própria importância! rs








| A doce Nara. Porque quando eu penso em leveza ela me vem à cabeça.

Nara Leão - Com açúcar, Com afeto.




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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

| da série: a pitada quem dá é você |

É que eu adooooro cozinha(r), sabe?

Tudo que tem a ver com cozinha eu gosto. Quando vou com as amigas para lojas de departamento, enquanto elas estão lá nas roupas e nos sapatos elas já sabem para onde me debando: para a seção de utensílios do lar! Oo

Passo hoooras vendo espátulas, panelas de teflon, a novidade em facas, em potinhos de tempero, em jogo americano... o escambau!

(talvez eu tenha algum complexo de Betty Crocker dentro de mim, ainda não me analisei nesse sentido... hehe)

Se me 'agarancho' na cozinha?
Beeeem... isso é relativo. :P

É que sou na verdade uma cientista de cozinha, sabe?
Fico lá misturando as coisas, experimentando isso com aquilo, aquilo outro com mais outra coisa... Em geral dá certinho, que dizia minha avó que quando se mistura coisa boa o resultado não pode ser ruim.

Na minha casa pelo menos o povo aprova.
E é difícil eu conseguir cozinhar só para mim porque a galerinha voa em cima.
E nas poucas vezes em que faço porção só para um, na hora em que vou comer ficam só os olhos compridos e eu acabo dividindo.

Mas não é que minha cozinha seja deliciosa, entende?
Me disseram: Ai, Helena, mas é que quando você come, você come com tanto gosto que dá vontade de comer também!

Égua. Poisé. Nem é por causa dos meus dotes culinários. :P

Semana passada eu estava passeando em blogs por aí e encontrei um (nem por minha vida eu sei mais dizer qual é! Vocês nem imaginam como eu sou uma Dory da vida!) que falava sobre receitas (adoooro ler receitas) e sobre o livro que tinham publicado do velho caderninho de receitas da D. Canô. Sim, sim, a mãe dos maravilhosos Bethânia e Caetano.

Conta-se que ela estava passando uma receita por telefone para um dos filhos e ele estava copiando do outro lado da linha e anotando os passos da receita e de repente ficou preocupado e perguntou à mãe sobre as quantidades ideais de tempero.

E foi aí que D. Canô disse a frase que desde então lateja em minha cabeça:

― Ah, meu filho, o sal é um dom!

O sal é um dom. O tempero é um dom.
Não adianta seguir a receita de ninguém, meu povo!

Na hora de colocar o sal, É VOCÊ QUEM TEM QUE TEMPERAR.

E é aí que está o segredo de toda receita da vida, de todo momento seu.

Seu dia está salgado demais? Manera no sal, oras!! Coloca umas pitadas de açúcar nesse negócio, moça! Derrama mel aí!!! Adocica a sua vida!

Já está doce que está um porre???
Ora, nada que um vinagrezinho não resolva!
Vinagre é importantíssimo! Estimula a língua, sabe? Anima a receita. Agita as coisas.

A questão é que estamos sim todos os dias 'cozinhando', preparando os ‘pratos do dia’, escolhendo os temperos, colocando a porção (nem sempre ideal) de sal em nossas horas.

E o conselho de Dona Canô é caríssimo:

O sal é sim responsabilidade de cada um!

E o mais irônico é que do caviar à salsicha de saquinho, do momento mais simples ao mais importante: se você salgar demais, vixe, estraga tudo!

Manera a mão, menina: se concentra na importância do gosto que está à sua frente naquele momento.

É que o alimento é assim: seja ele de comida mesmo ou de um momento único: se você não estiver prestando atenção, ele se acaba sem você nem perceber direito o gosto. Sem você nem degustar do tempero.

Cada momento é único: e ele, para funcionar, precisa sim da sua pitada.

Ou você por acaso acha que são os outros que têm que decidir sobre os temperos da sua vida?? Oo

____

| nina simone: porque tem pessoas que nos ajudam a reconhecer os melhores temperos! ah, tem sim! E nessa música ela canta justamente sobre o valor da vida.


| cartum |
é isso aí, Garfield. O que assusta mesmo é um prato vazio! :P Como diz Rubem Alves: eu quero é fome. Que a vida só tem graça enquanto a gente tem fome.

















|| não sei quantas de nós conhecem esse cara. mas lhe digo uma coisa: no dia que eu escutei esse cd me apaixonei por ele. e esse cd do Rubi definitivamente está na minha lista dos sempre escutados!

Rubi - Infinito Portátil






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