terça-feira, 16 de dezembro de 2008

| as incríveis mulheres-maravilha e as cores que elas têm para colorir o mundo |

Este será um post longo.
Sim, eu sei o que você está pensando: Helena, todos os seus posts são longos! :P

Eu sei. Eu sei... Mas este será maior ainda. Oo
Sorry...

É que hoje eu estou me sentindo auto-biográfica. :P
E porque uma visitante querida do blog me perguntou sobre a minha história e eu achei por bem juntar uma coisa à outra (coisa que gosto muito de fazer) e vir pensar por aqui – com nós todas pensando juntas, o pensamento fica melhor, não é? ;] Peço que, se você se cansar, você mesma ‘quebre’ este post em dois: e volte mais tarde para ler o resto, tá? Foi mal... estou mesmo com vontade de conversar...

Eu sou a única mulher entre dois homens. Um mais velho e outro mais novo. Pois é, eu sou a equilibrada e conciliadora filha-do-meio. :P

Se meus pais sabem de minha orientação sexual?
Não. Não sabem.
Meus pais são dois dos seres humanos mais lindos que conheço. São super-pais. Uma coisa linda de se ver! São pessoas boas, corretas, deliciosas mesmo. Sou incrivelmente sortuda de ter sido amada sempre. Sempre. Já nasci em meio ao amor. E sei o valor disso.

Acontece que eles não podiam ser perfeitos, não é? :P
Ninguém é!
Então eles realmente não entendem, criticam e não aceitam homossexuais.
Para piorar um bocadinho as coisas, ainda são extremamente católicos, o que coloca o homossexualismo como um dos piores ‘pecados’ que possam existir.

Se isso me machuca?
Um dia já me machucou sim.
Hoje vejo que é exatamente a questão que nós, seres coloridos, pedimos sempre: que o diferente seja respeitado.

Eu sei da dor que seria para eles saber que sua única filha, que sua ‘princesa’ (sim, eu sei que é brega isso, rs, mas fazer o que se é assim que eles me vêem?? :P) lhes dissesse que na realidade gosta de mulher.

Seria demais.
Seria destruir o mundo que eles acham que têm.
Seria forçá-los a lidar com algo para o qual eles não estão preparados.

Sabe o que é?
É que às vezes a gente cresce e acaba ficando maior que nossos pais.

E foi isso. Eu cresci e cheguei a uma altura para a qual eles não foram preparados.

Decidi dizer isso aqui porque uma vez eu contei uma versão mais sofrida dessa história. E quis agora vir mostrar a paz que já encontrei.

Descobri, ora veja que coisa, que a vida é minha.
Que não preciso carregar ninguém para o caminho que escolho!
Se meus pais fossem outros, mais abertos a tudo isso, mais preparados, seria ótimo, claro! Seria delicioso poder sorrir e chorar com eles todos os meus sorrisos e lágrimas. Espera.. acho que nem seria... Quantos sorrisos e lágrimas dos meus pais eu não conheci? Ou não conheço! Quantas vezes eles me pouparam ou assumiram os riscos e dificuldades da vida porque achavam que eu era pequena demais para participar?

É isso sabe... no momento eles ainda são pequenininhos... e eu preciso protegê-los.

Pode ser que um dia eles tenham crescido o suficiente para saber (ou ter certeza).
Pode ser que não...

Mas isso não é mais tão importante.
O mais importante foi eu perceber que enquanto eles forem pequenininhos, eu sou forte o suficiente para protegê-los: para enfrentar tudo sem eles.
Sacrifico meu ego por eles. Sacrifico a vontade de querer o abraço deles na hora de um coração partido.

O pior de tudo que eu vejo nessa história (ainda) é que nenhum sacrifício é unilateral. Sempre mais alguém se machuca pelo sacrifício de uma pessoa. Para mim, a parte mais difícil disso tudo será quando eu tiver sido encontrada por um amor gigante, um amor que me escapará pelos poros, um amor que me transbordará. No dia em que isso acontecer, tenho certeza de que terei vontade de gritar que meus pais cresçam logo, que saibam ver as coisas direito, que aprendam a ver a vida com mais profundidade.

Mas, sabe, penso que mesmo em meio à delícia de um amor gigante, é preciso que nos lembremos dos pequenos: simplesmente porque há pessoas que nunca crescerão. E é necessário que os que cresceram cuidem deles: de seus medos e limitações. De sua pequenez e insegurança. De sua cegueira e deficiência.

Se os deixo totalmente alheios à luz?
Não, não. Os amo demais para isso.
Para mim que consigo ver mais alto que eles, a minha vontade maior é, claro, que eles também pudessem ver. Que eles também pudessem ter a maravilha que é conhecer mais sobre a profundidade da vida, dos seres humanos, do amor, das cores... Por isso, sempre que surge a oportunidade nos defendo: peço entendimento em relação aos seres coloridos. Peço que vejam que todos nós, sem exceção, somos diferentes.

Se um dia eles juntarem os pedacinhos (já que esta moça aqui faz três anos que não fala de homens em casa :P), ótimo! Isso significará que eles estão crescendo... rs

Se não, eu já sou grandinha.
Já aprendi a me dar auto-abraços.
Tenho também bons e deliciosos amigos – que alimentam sorrisos e enxugam lágrimas.
E também já descobri que sou forçuda: que brinco de amarelinha com a vida: já aprendi que dias ruins eventualmente vão embora e dão lugar a dias felizes.

Sério mesmo: as duas maiores confianças que se tem que ter, são: em você mesma e no tempo.

Acredite: você agüenta.
E acredite: o tempo dá conta de tudo.


Sou discípula de Chaplin:

O tempo é o melhor autor: ele sempre encontra o final perfeito.

E agora que já falei de família, deixa eu falar do meu colorido.
Eu acho mesmo que, no fundo, eu sempre soube de minha homossexualidade.
Mas confesso que suprimi tudo muito bem.
E tive uma vida ‘heterossexual’ feliz até.
Namorei homens legais. Que nunca me deram tantas desilusões – bem ao contrário: eu que, confesso, cansava deles e ia embora (deixando-os muitas vezes ainda apaixonados e sofrendo).

Até que um dia conheci um homem realmente lindo. Não fisicamente (apesar de ele ser sim um cara charmoso: enorme, mais alto que eu), mas principalmente como ser humano: ele é um ser humano lindo: e isso me encantou. Me encantou de tal forma que vivi com ele um amor gigante. Intenso. E um dia, como seria natural, eu disse sim à ele. Sim para a vida toda.

O negócio é que, graças, graças, o nosso ‘a vida toda’ só durou seis meses: ainda noivos, nossa união se desgastou ao ponto de nossos caminhos se separarem.

É bem verdade que acredito que nenhuma mulher que seja realmente heterossexual tenha pensado logo após noivar: Ai, meu deus! Estou noiva! E agora? Eu nunca beijei uma mulher e sempre tive vontade! Como vou fazer isso agora? :P

Hehe.
Pois pronto. A vida descobriu como. :P

E foi preciso um homem super legal aparecer no meu caminho para eu perceber que não era o homem ideal que eu estava esperando. Faltava algo. Faltava muito!

Com o passar do tempo, eu fui começando a me concentrar em mim. Quanto mais eu descobria sobre mim mesma (falei sobre isso no primeiro post deste blog), mais eu me aceitava sem culpa. E cada vez que eu me conhecia mais, mais eu gostava de mim mesma. Mais eu me redescobria. Mais e mais eu era responsável pelo meu próprio sorriso. Sabe quando você compra uma coisa com seu próprio salário pela primeira vez? Pois é assim que eu me sinto constantemente: o salário é meu e eu compro o que quiser! :] E eu tenho tanto orgulho de mim! E é tão bom você ter orgulho de si mesma! Faz bem! Faz bem mesmo.

O que faz com que eu finalmente fale sobre a razão principal deste post: se você ainda não sabe, deixa eu lhe dizer:

Nós somos super-heróis!

Sério mesmo!
Não estou brincando não!

Alguma de vocês já assistiu ‘Os Incríveis’? (pois é, eu já disse que AMO desenho animado, né?). Se lembra que tem uma hora em que os super-heróis são banidos da sociedade? E o narrador fala: Onde estão eles agora? Estão vivendo entre nós, cuidando de suas vidas e tentando fazer, pouco a pouco, o mundo um lugar melhor.

É isso, entende?
Nós somos esses super-heróis: uns (graças, graças) andam com seus uniformes e capas por aí o tempo todo, colorindo o mundo ininterruptamente. Outros de nós, ainda têm que abrir a camisa para mostrar o uniforme (mesmo que seja dentro de uma cabine telefônica ou de um armário). :P

Mas somos sim essas mulheres-maravilha.
(com super-poderes que nos fazem forte de verdade!)
Que carregam em si tanta sensibilidade e profundidade.
Que sabem reconhecer que o amor não poderia ser tão simplista ao ponto de ter apenas um formato!

Então, colega mulher-maravilha, eis o segredo dos nossos super-poderes coloridos:

A meta da jornada do herói
é encontrar-se a si mesmo.

(JOSEPH CAMPBELL)

Eu já cheguei no arco-íris e agarrei meus super-poderes!
E você? :]


_____________
Quem ficou em minha companhia até aqui, me desculpe. :P Juro que vou tentar ser mais econômica da próxima vez! rs.

| nosso querido chico. Falando sobre um amor que é tão grande que toca os outros. e o amor uma hora faz isso sim, ah, faz! É só questão de tempo! ;]



| cartum |
Calvin & Haroldo: nos mostrando que tem-se que ter sensibilidade para ver o amor (que o amor só se torna visível quando a gente olha direitinho para ele)


















| Não resisti. Acho essa mulher incrível!

Roberta Sá - Que belo estranho dia para se ter alegria (2007)






clique aqui.

13 comentários:

Mari disse...

Mulher de Tróia,
Somos tudo isso e mais um pouco!
A nossa própria mãe, amiga, mulher, amante. Só assim, podemos encontrar tudo isso em outra pessoa!
Sabes da minha opinião, né? tudo ao seu tempo!!
bjo grande!
E vamos tocar a vida, que essa sim não pára!

Lorena disse...

Lindo... Post mais lindo, Helena.
Eu li até o final e me deu vontade de ler de novo. =)

beijos.

Flôr de Azeviche disse...

Helena, linda...
foi muito bom saber um pouco mais da sua vida...
Essa história se parece um pouco com a minha, minha família não sabe, e, se soubessem seria o "pecado" mortal... Enfim, guardo o meu sentimento para mim e para quem eu quero que saiba rs.
Eu sou como a música do Legião:

'Acho que gosto de São Paulo
Gosto de São João
Gosto de São Francisco e São Sebastião
E eu gosto de meninos e meninas'

Esse vídeo que você colocou aqui, que coisa mais linda, me emocionei com ele...

O cd da Roberta Sá, estou viciada nessa linda mulher, baixei a discografia e é perfeita hauahuahauhuha

Beijo da Flôr

luisa soler disse...

hum...
super-herói? rs..
gostei do post porque fiquei sabendo mais sobre a sua vida, mas devo dizer que não sou tão otimista quanto você. Você concorda que há pessoas ruins no mundo, não concorda? Eu acho que todos merecem uma segunda, uma terceira, uma décima chance, mas acredito nos limites também. Uma alma realista, talvez, demais.
Enfim, pensando em coisas. rs..
--
Roberta Sá é uma delícia de voz e de mulher.

Beijo.

Del. disse...

Hummm... Bom saber mais sobre você e melhor ainda saber que você é tão sensata e com valorez tão coerentes.

Eu também não contei pra certas pessoas justamente por ter esse cuidado... Acho que quando as pessoas pensam em se assumir tem que ser colocado na balança.

Isso vai melhorar ou piorar? às vzs sair chutando a porta feito uma degenarada não é a melhor solução. Contar e se assumir é uma ótima opção quando de fato for trazer um benefício, uma libertação, uma melhora significativa...

Vivemos num país de 3o mundo aonde a sociedade é completamente preconceituosa e aonde as pessoas mais velhas (como nossos pais) aprenderam com essa sociedade a ter seus pensamentos "pequenos" e não irem além deles...

É plenamente compreensível que se pense assim. Né?

E quanto aos pequenos atos de heroismo, que bom seria se todo mundo tivesse consciência deste poder... O mundo seria um lugar bem melhor.

Beijos bella.

Marcia Paula disse...

Helena:

No seu lugar eu já teria aberto o jogo,parece que esse negócio te incomoda mais do que o necessário.E eu tenho uma teoria de que isso pode ser um impedimento a mais para a sua felicidade.Só para não te desanimar,se você vier para São Paulo tem uma "Anita" esperando por você,tenho certeza!Boa sorte,bella.Un bacio.

Anônimo disse...

Helena menina de coraçao leve...siga sempre o seu coraçao e suas intuiçoes,,,,e o tempo,,,,bem o tempo e' o tempo...so' vivendo e aprendendo nao e' mesmo....
Lhe admiro com carinho.
Cafunes leves lhe desejo!
mineira

Mari disse...

Querida,
Tem presentinho pra vc no Queer Girls!
bjos e saudades!!
Mulher ocupada!!

Helena disse...

:::mari:

eu ando tãããão mais lesada que o de costume por conta deste bendito mestrado-sem-fim :/ que passei meia hora repetindo para mim mesma "mulher de tróia... humm... mulher de tróia".. passou-se um bom tempo até meu cérebro finalmente dar o estalo: HELENA DE TRÓIA!!! kkkkkkk!! Aí, claro, rs, fiquei me sentindo!! rs.

Sim, sim.. sei da sua opinião. E foi bom ouvi-la e saber que concorda comigo... E bora que bora!! Que a beleza da vida não pára mesmo (podia parar só um cadinho, né? rs).

Bjooooooo!!
ass: chapéu de palha :D


:::Lorena:

Menina-amélie, fiquei feliz de você ter gostado. Feliz, feliz. :]

um xêro gigante! :*


:::flôrzíssima:

êêêêêê... quem quer que siga os passos do Legião tá bom demais pra mim!! :]

e acho mesmo que no fim a equação é a mesma: temos a alma colorida! e isso é o que basta!

ai meu deus: a roberta sá é irresitível!! rs
é doçura demais numa moça só! rs

bjoooooo!!


:::luisa:

ô, Lu, juro que não vejo o mundo como um conto de fadas! juro, juro! rs.
mas que prefiro enxergar o colorido que o preto&branco eu prefiro!! kkk!

sabe aquela música dos beatles?
Lucy in the sky with diamonds?
pois então, rs, eu vivo com um caleidoscópio no olho!! rs

mas sei sim que existem os super-vilões por aí... (que nada mais são do que super-heróis com más intenções :P). mas, como diz uma amiga minha, é deixar o filtro ligado e só permitir a entrada da galerinha do bem! ;]

bjo!!


:::Del:

nunca uma insônia foi tão divertida! rs

concordo plenamente com você!!!

e acho mesmo que em se tratando das pessoas que amamos, cuidado (cuidar) é uma palavrinha essencial. como você bem disse: não dá mesmo para sair chutando as coisas.

é preciso ver além de si mesma. ;]

um beijo enorme!

:::marcia paula:

owww, escritora... é não.. rs.
talvez eu não tenha conseguido me expressar bem...
mas juro mesmo que estou em paz com tudo isso. aqui em casa o povo é tudo grudado um no outro e o meu quarto é o mais visitado da casa! rs. ser a única mulher da casa tem dessas... é irmão, mãe, pai, cachorro, todo mundo vindo aqui saber de opinião pra isso para aquilo.. e ver eles bem para mim é o mais importante. conheço minha galerinha como a palma da mão, rs, e tenho mesmo que saber não só o que é bom para mim, mas para eles. ;]

AGORA.. se a ""Anita"" estivesse em São Paulo.. peeeeense!! kkkkkkkk!! Esse seria um consolo IMENSO!!! KKKKKKK!!!

um bjão!!

-- e vi o desafio já! rs. já já paro aqui para fazê-lo! ;]


:::mineira:

OLHA VOCÊ AQUI DE NOVO!!
que delícia!!
um obrigado GIGANTE por tanto carinho e tantas palavras-cafuné!!

concordo sim: o tempo cuida é e professor! ;]

um beijo!!


::: mari:

sociazinha tu aqui de novo! rs.

ai. nem me fale... tô aqui sem tempo de nada.. e já me danando que só volto pra dissertação quando eu escrever o novo post!! rs. porqueira de mestrado que espere! :P

oba! vou já lá!! ;]

xêro! xêro!! :*

Fezzoka Gomes disse...

Acredito que já passei por aqui antes, mas nunca com tempo o suficiente para ler tudo.. e devo admitir que perdi momentos agradaveis.. Tche, tu escreve muito bem.. e conseguiste tirar uma grande lição dessa situação em que muitas se encontram..

Eu felizmente não tenho problemas, minha mãe, irmaos e amigos sabem e me respeitam, meu pai é o unico que ainda não sabe, mas só não contei por nao ter necessidade ainda..

Fico feliz em ver que tiraste o melhor de uma situação muitas vezes desagradavel..

Voltarei mais vezes..

[eu tb gosto de escrever bastante]

Beijos!

luisa soler disse...

oie.
adorei o seu comentário no meu blog. Que bom que o meu post te vez lembrar de conto, de frase, de filme. rs :-)
Mas faltou vc comentar o post do dia 14/12. rs..
chegou a ler?

Beijo grande.

Bruna B. disse...

Ah, li tuudo!
É uma prazer ler seus posts, Helena.
Já disse em outros comentários e vou dizer de novo: Eu te admiro muito!
bjo!

Nia disse...

Socorro!!! Fiquei até assustada com tamanho... Não é tão grande assim não Super Heroína... Por sinal você nos deu um presente nos contando sua experiência pessoal... Eu te admiro imensamente. Bjs