sábado, 13 de dezembro de 2008

| nomes, sobrenomes e LESberdade |

É que a gente é de uma teimosia colossal.

Fica querendo dar nomes às coisas, ora veja!

Cria um monte de categorias:

Cachorros: Cores: Objetos: Loucos: Simpáticos: Bizarros: Depressivos: Passado: Presente: Futuro: Tempo: Comida: Bebida: Braço: Perna: Dedo: Corpo: Caneta: Lágrima: Sorriso: Luz: Possibilidade: Escuro: Sol: Mundo: Casa: Nada: Tudo: Amor: Amizade: Engraçado: Sonho: Irreal: Real: Hoje: Ontem: Música: Voz: Letra: Alfabeto: Nome.

E, para completar a complicação, a gente se apega ao que tem nome!
Valha, valha!

Tá, tudo bem, vamos dar um desconto: eu sei que estamos apenas tentando entender as coisas. Mas é que às vezes se perdem as perspectivas. Tenta-se se agarrar a QUALQUER coisa! Sem seleção alguma.

De que adianta a Jennifer ter apenas nome de Jennifer?
Não adiantaria muito não... Seria como uma cadeira qualquer: substantivo comum (mesmo estando disfarçado de substantivo próprio).

O que faz a Jennifer especial, é ela toda. É seu sorriso, é sua personalidade, é seu conjunto. São os motivos que a fazem sorrir e os motivos que a fazem chorar. É a sua essência quem a faz especial.

E isso, galerinha, não cabe no nome Jennifer. Não cabe em nome nenhum.
É algo sentido. Demanda tempo para se ver.

Eu tive um pequenito probleminha no Leskut, sabe?
Qual? Ora essa, enquanto tinham fotos minhas lá, eram ‘Lescraps’ :P e recados e pedidos de adicionar fulana e cicrana e beltrana. E eu, francamente, não nasci para ser pop. Sou de poucas (na realidade, em se tratando de amor, sou só de uma mesmo: acho a monogamia uma coisa bem perfeitinha! rs – porque o entendimento só cabe à proximidade).

E não é que eu seja dona dessa beleza toda.
Não, não!!

Acho que é a velha questão das porqueiras das categorias.
Dos nomes que a gente inventa.

Daí, pega-se a listinha mental que se tem e sai marcando:

٧ bonita (pah! marcado)
٧ interessante (pah! marcado)
٧ inteligente (pah! marcado)

E daí clica-se no botão ‘adicionar como amiga’ de novo e de novo (em todas as que se pensa que cabem à essa categoria) sem sequer querer se saber de mais nada. E tudo é tãããao relativo, meu deus... É uma pressa de se ser 'ser preenchida' que realmente me deixa encucada.

Eu acho mesmo que se dá valor demais aos nomes. Às categorias. E os nomes se disfarçam de significados, mas na verdade não dizem muita coisa não.

Outro dia eu estava no msn (coisa rara: e confesso que cada dia crio mais impaciência por esse trocinho) e lá se vem uma guria que tinha me adicionado falar comigo: ah, você é aquela que tem um blog, né? :P

Oo

É que é assim: quando a gente é quantidade a gente vira ‘aquela’. Rs.

Outra das minhas traumatizantes experiências de MSN:
A menina começa a conversar comigo e logo depois de dizer Oi me pede para eu mostrar uma foto minha. E eu fico logo tiririca, confesso, que intimidade é uma coisa que se constrói aos poucos! “Como assim? – disse para ela – Eu nem te conheço!” E ela: “Mas se você não me mostrar uma foto sua, como vou lhe conhecer?”.

E aí, pronto, a tragédia estava feita: porque esta Helena aqui adooora fábulas, sabe? Moral da história é um negócio delicioso para mim! :P

Estiquei meus dedos, me espreguicei e comecei o tiroteio no teclado:

Olha, eu acredito que se conhecer é um processo. No meio desse processo a imagem é mais um detalhe. Sou bonita, se é isso o que vc quer saber. Mas o que isso adiantaria se eu não cultivasse, na verdade, o que há dentro de mim? Veja... como saber quem fala com vc? Sério mesmo. >>. nós duas que estamos agora conversando... será que não seria mais fácil eu te enganar com uma imagem? Foto eu posso te mostrar qualquer uma.


Daí a próxima fala dela foi:
“Você malha?”


Oo

Daí me deu vontade de mandar para ela a foto abaixo:













: IMAGEM ENCONTRADA NO BLOG ERVILHAS ALBINAS :

(traduzindo: - Oi, você parece ser bem bonito! Quantos anos você tem e o que você gosta de fazer depois da escola? - Tenho 14 anos e sou um pouco neurótico por academia. Eu frequentemente vou malhar depois da escola.


A moral da história, a meu ver, meninas, cabe na fala da mãe de uma amiga minha:

Eu não passei nove meses com você dentro da minha barriga para que você deixe que alguém lhe faça sofrer ou lhe bote para baixo.



Sejamos sim seletivas.
Alguém só pode ser ninguém em meio à multidão.

Se conheça. Saiba de você. Do que você gosta. Do que te faz sorrir. Do que te faz chorar. Fica mais fácil conhecer o que a gente gosta ou não nos outros quando a gente sabe o que gosta ou não em nós mesmas.

E não é uma questão de ser fechada a pessoas que são diferentes de você.

É apenas uma questão de saber que qualquer pessoa que entre na sua vida tem obrigação de adicionar. Assim como você também tem essa obrigação a quem quer que lhe dê permissão de entrada.

Se está subtraindo, repense essa companhia. Faça faxina. Limpe as coisas.
Casa suja acumula sujeira: é simples assim.


Saiba administrar sua liberdade.
Porque uma liberdade mal administrada na realidade prende.
Enrola e complica as coisas.


Multidão é um troço homogêneo demais para o meu gosto.
Eu gosto de conhecer além do nome. Eu gosto de saber a cor preferida, o melhor presente que já se ganhou, a pior decepção, o melhor réveillon, eu gosto de ser abraço, de ser mãos dadas, de saber detalhes. E, quando se conhece isso tudo, se você estiver respeitando a regrinha de só deixar entrar pessoas que adicionem, é porque você também está tendo tudo isso de volta.

Uma pessoa realmente conhecida é casa. É lar. É aconchego. É entendimento. É a liberdade maior que existe: a de você ser você completamente.

E esse é o grande barato de se respeitar o tempo que se leva para realmente se conhecer alguém.

_____________

|| dispensa apresentação. dispensa nomes. amo! Bethânia e as mulheres.



| cartum |
Guile (o irmãozinho da Mafalda) cantando Elis Regina: 'vivendo e aprendendo a jogar' ;]









| A Flôr pediu e o Sr. Fulano Sicrano nunca falha:

a lindíssima Céu e sua musicalidade perfeita:





clique aqui.

14 comentários:

Mhary disse...

Bem... de verdade eu gosto de fotos... saber com quem vc tah falando,msm que nesse caminho vc encontre pessoas naum honestas colocando fotas de outras :0)

Tenhu uma selecan grande... e começa com a honestidade de uma fota...e vc bem sabe !!!

348329842398432 bjas HelEna.

luisa soler disse...

vou comentar esse post por meio de um email. rs.. bjo.

Lorena disse...

Ah, não, eu ia começar pelo início, mas você me quebrou totalmente com essa tirinha do Guile, porque ele é simplesmente o personagem mais fofinho que já saiu da inventiva e abençoada cabecinha do Mestre Quino!!! Adoro o Guile, nossa... Já leu aquela tirinha em que ele fala pra Mafalda, no primeiro dia de aula dela, "o que eu faço com o bulaquinho que fica aqui dentro quando você sai?" óun!!

Tá, agora partindo para o texto propriamente dito, ontem te adicionei no msn mas não precisa aceitar se não quiser, tá? =P
Tô brincando... mas na verdade eu sou como você, acredite. Eu não saio adicionando pessoas à minha lista de "amigos" a torto e a direito, como se todo mundo interessante que eu conheço eu pudesse chamar de amigo. Não faço isso, não, só quando eu conheço a pessoa pelo menos um pouquinho, ou quando tenho a intenção de conhecer mesmo. =)

E sim, concordo com você, principalmente em dois pontos:
1- As pessoas procuram outras pessoas com avidez, para preencher nelas o que deveria ser preenchido por elas mesmas. Você não disse isso assim, no seu texto, mas pesquei isso e me fiz, completei o meu raciocínio. E concordo com isso (mesmo estando num momento ultra-carente, hein!).

2- eu concorco que devemos ser seletivos, sempre, com tudo! Não engulo essa de que a quantidade é mais importante que a qualidade, como muita gente parece pensar, principalmente hoje em dia. Eu não. Eu prefiro ter poucas pessoas a minha volta mas que me acrescentem alguma coisa como ser humano, como amiga, como pessoa... E gosto de ser de mesma valia na vida de outras pessoas.

Mais uma vez, Helena, ótimo texto, me ajudou bastante (como sempre). Não sei se eu já te disse isso, mas vir aqui e ler o que você escreve sempre me ajuda muito, sabia? Tem me ajudado bastante mesmo. Falo porque acho importante vc saber que faz diferença na vida de quem te lê. =)

beijos.

Mari disse...

Êita, moça!
Ficou brava, né?
Quer saber...com razão! Por isso, a amiga aqui, que vc está em processo de conhecimento, levou mais de uma semana pra te add no Leskut e não usa o MSN.
Vc esqueceu da pergunta clássica que segue a da foto: "você é ativa ou passiva?"
What???
As pessoas piraram, né?
Eu sou muito pequena (não no tamanho nem na idade, mas na malícia) para lidar com certas violências rotineiras e desgastantes das relações.

Bom, te mandei um email ontem. Já te mandei o convite para vc entrar no blog.

Espero notícias suas.

baci

Dra. Gô disse...

Bah, olha só. A Dra. aqui concorda com vc e muitos trechos escritos poderiam ter saído da minha cachola. Larguei MSN de mão... primeiro porque não é compátivel com relacionamentos (na minha humilde opinião....); depois, porque as pessoas que te adicionam não adicionam nada na sua vida. Os assuntos são vagos, as pessoas não tem nada na cabeça e a conversa termina na mesmice de sempre. Agora nem foto querem mais: querem a tal da 'cam'. Que 'cam'? E eu lá estou em uma vitrine pra todo mundo ficar me olhando? Estás com a razão e como me sinto bem quando vejo pessoas que pensam como eu. Me sinto menos E.T nesse mundo onde falta opinião própria e personalidade nas pessoas. Bjão da Dra.!

Meu pensamento final seria de que, com certeza, nos dariamos bem no MSN :-) E a rainha Bethânia continua ocupando seu trono de ouro. Ja viste o novo DVD??

Boudeccá disse...

Pra mim vc foi, mais uma vez, perfeita no que disse. Vou trazer umas pessoas aqui pra ler isso.

Obrigada sempre pela vibração positiva e a palavra certa.

Sou mais uma grande fã.
Bjus!

Flôr de Azeviche disse...

Eu vivo querendo entender as coisas... Enfim, são poucas que eu consigo hauahuahuahauha

Eeeeeeee a Céu, linda Céu. Obrigada lindaaa, sabia que você me ajudaria ^^'

E veja, esse fona =F

Adoro suas palavras no meu blog...

Beijooos da Flôr

Marcia Paula disse...

Olá,Helena:

Até hoje só fiz uma grande amizade pelo messenger,mesmo assim foi alguém que eu conheci em um fórum de discussão.Conversamos meses e meses até nos conhecermos pessoalmente e depois disso mais uns meses para ela me dar o número de telefone e mais um pouco para ir visitá-la na casa dela(detalhe:ela mora há trinta minutos da minha casa!).Amizades sólidas demandam tempo e acima de tudo dedicação.Beijos e boa sorte!

K. (Incompletudes) disse...

Bonita,

eu não sou muito amiga do MSN, nunca fui. Raramente me lembro de abri-lo e quando faço é com data e hora marcada para conversar com alguém em especial. But, penso, que sempre existem os "idiotas", independente ao meio.

O jeito é arrumar os remedinhos. No msn é bloquear na certa. Sem dó.

beijo.
para a moça brava.

:)

Anônimo disse...

Helena, menina querida, vc tem uma mente clara, limpa, sensivel, e muito trnsparente...
Vc disse td e mais um pouco neste teu post, rs
Concordo com vc em tudim mesmo.
Mas toda regra tem suas exceçoes, nao e' mesmo....rs
beijinhos ternos nas bochechas!
mineira

Flávia disse...

Durante muito tempo eu tive problemas com essa coisa de rótulos. Um, porque achavam que eu era inteligente demais pra ser bonita. Dois, porque em outra fase achavam que eu era bonita demais para ser inteligente. Três, porque no início da minha adolescência achavam que eu era moleque demais para ser hetero. Quatro, porque numa fase mais tardia achavam que eu era feminina demais para ser levada a sério por mulheres. E esses, como tantos outros rótulos, só pararam de me incomodar quando entendi que, mais do que não pertencerem a mim, eu é que não pertencia a nenhum deles. E hoje eu me assumo como sou, nem tão bonita nem tão feia, nem tão inteligente nem tão rasa, nem tão uma coisa nem tão outra, mas eu, e como eu não há ninguém. Essa é a beleza.

Beijos!

Del. disse...

E como se bastasse uma foto, uma literatura de um perfil, pra se conhecer alguém...

O que eu vejo que muitas pessoas não entendem é que em muitos casos os "santos" simplesmente não batem, o assunto não flui e se arrasta forçosamente.

Eu acabo aceitando todo mundo no leskut, pq no fim meu profile é um profile visado e todo dia tem muitos "add", mas a conversa perpetua com pouquissimas, justamente por isso...

São poucas as pessoas de fato com as quais haverá sintonia suficiente para se conhecer o bastante e se compartilhar de fato um dia a dia.

Beijos moça.

jurasecreta disse...

Gostei bastante da forma como vc se expressa.
Beijos e sucesso!
:*

Bruna B. disse...

Muito bom, Helena : )
Hahahaha Amo essa maneira que você escreve e mostra sua maneira de pensar.
Eu adoro internet mas também não sou uma pessoa muito 'liberal' pra esse negócio de adicionar todo mundo, ainda mais se for só por causa de uma foto no perfil...como se a gente se limitasse a uma página na web =/
:* bjo