quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Por mais que uma Noite Feliz




O Natal é, a meu ver, uma época mágica. Algo diferente está no ar. Um sentimento de esperança, de família, de união e de entendimento paira nas casas e nas ruas. Espera-se que todos esqueçam por um momento as desavenças, as brigas, os desgastes e se conciliem, nessa Noite Feliz, em uma confraternização familiar.

E a maioria de nós faz isso: põe-se de lado o cansaço do ano que está para acabar, tenta-se abstrair por um momento quaisquer lágrimas do ano que ainda arrasta-se, que ainda teima em datar os dias com seu número.

E nós sorrimos, por uma Noite Feliz, nós sorrimos. Nós tentamos esquecer as pancadas e tentamos nos concentrar nas alegrias. Nós tentamos ver além e, pelo bem do Natal, tentamos colocar de lado quaisquer desavenças. 

Mas e aí? Existe uma lição para ser tirada disso? Creio que não importa a religião: mesmo que o Natal seja para você uma data como outra qualquer, não dá para negar esse desejo de felicidade pela noite Natalina. As mães e avós, ao juntar membros da família que nem sempre se aturam, declaram: “Por favor, hoje a única coisa que eu exijo aqui em casa é paz!”.

E, salvo quando o teor alcoólico entra em cena, em geral respeita-se bem a Noite Feliz. Em prol da família, tudo o mais é posto de lado: é Natal.

E aí eu me pergunto: se o ano tem 365 noites, porque apenas UMA dessas pode ser uma Noite Feliz? Aos que comemoram o nascimento de Cristo, ainda mais deveria importar que todo esse esforço para o bem e paz familiar seja posto em prática ao longo de todo o ano!

A Noite Feliz deveria ser o Réveillon emocional das famílias! E os esforços e tentativas de conciliação deveriam ser as resoluções desse Novo Ano! O título de família cabe àqueles que tentam: porque se todos somos diferentes, motivos para desavenças nunca faltarão!

A Noite Feliz, essa noite iluminada, simbólica, vem justamente para nos lembrar que somos sim capazes de vencer a discórdia, que somos sim capazes de trabalhar em prol da união familiar, que somos sim capazes de colocar a FAMÍLIA acima de qualquer desavença.

A Noite Feliz vem como um grande lembrete de que o amor pode sim vencer tudo. De que a paz da família pode sim existir apesar de toda e qualquer diferença que possa haver entre seus membros. A Noite Feliz vem justamente para nos gritar que há sim meios para que tenhamos mais que uma Noite Feliz.

O exemplo dessa noite está no ar todo à nossa volta. Está nos sorrisos das crianças. Está nos olhares dos adultos – que em geral sentem tantos tipos de saudades nessa época do ano. Creio eu que a maior saudade que um adulto sente no Natal é do tempo em que ele mesmo acreditava na magia dessa noite, em que a reunião familiar do Natal parecia tão, tão mágica.

E se não conseguimos a paz e a felicidade da Noite Feliz nas outras noites do ano, é justamente porque esquecemos da força mágica que o amor tem. Nos esquecemos que a Noite de Natal só é mágica porque todos estão ali justamente se esforçando para que ela seja mágica.

Esforçar-se ao longo de todas as outras noites do ano seria justamente a fórmula para que a Noite Feliz sempre trouxesse união e compreensão às nossas famílias.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O que é ser um homossexual: explicações e reflexões




Porque explicar ajuda.



QUEM, POR QUE E COMO?

Em outubro de 2007 foi lançada na Itália uma campanha publicitária, em forma de cartaz, que trazia a foto de um bebê recém-nascido com uma pulseirinha, típica daquelas de hospital, na qual dizia em letras maiúsculas: HOMOSSEXUAL. Escrita no cartaz da foto estava a frase: “A orientação sexual não é uma escolha”.

A campanha gerou enorme polêmica e foi proibida de ser veiculada em várias regiões do país, grupos religiosos também organizaram protestos e foram decisivos para a censura da campanha.

A questão é que, gostem ou não, cada vez mais a ciência vê a homossexualidade como um traço biológico como outro qualquer, como o que faz a pessoa ser alta ou baixa, ter olhos escuros ou claros. E, assim como a altura final de uma pessoa, às vezes se passam muitos anos até que a pessoa se perceba homossexual.

Por que isso acontece? Porque não somos criados para a possibilidade de sermos homossexuais. Nossos pais, quando pensam em construir uma família, sonham com o menininho de azul ou com a menininha de rosa – nada na nossa conjuntura social e cultural aponta para a possibilidade daquele bebê ser homossexual. E tantos são! Desde o nascimento! E foi isso o que essa campanha italiana tentou mostrar.

À medida que vamos crescendo, no entanto, por conta do nosso contexto familiar e social, por tudo o que vão nos ensinando ou pelo que vamos percebendo do mundo à nossa volta, muitas vezes a nossa homossexualidade vai sendo ‘enterrada’ para o mais fundo do nosso ser – na maioria das vezes inconscientemente. Outras vezes, percebemos desde pequenos que somos diferentes do restante, mas percebemos também que nunca devemos deixar que alguém perceba isso. 


E o que acontece é que chegamos à adolescência com um ‘estranhamento social’: nos sentimos diferentes da maioria das pessoas; muitas vezes nos sentimos ‘sem canto no mundo’, como se não nos encaixássemos em lugar algum, como se fôssemos um “ET” em nosso próprio planeta. E às vezes muito tempo se passa sem que saibamos por que nos sentimos assim.

E seja na pré-adolescência, seja na adolescência, seja no começo da juventude ou nos anos mais maduros, às vezes devagarzinho, ou às vezes como uma iluminação, descobrimos que somos, na verdade, homossexuais.


Essa descoberta, na maioria dos casos, assusta. Diversas vezes passamos a negar isso em nós porque sabemos que é algo não aceito, que é algo rejeitado pela família, sociedade e religião. Um conflito interno começa – e esse caminho é muitas vezes percorrido sozinha(o).

De acordo com a escritora e pesquisadora Edith Modesto em seu livro Mãe sempre sabe?: “A orientação sexual é um dos componentes da sexualidade humana. Essa orientação do desejo não é uma escolha e não é aprendida. A pessoa se percebe heterossexual, homossexual ou bissexual” (Pág. 56).

A questão é que os modelos heterossexuais estão em todo o nosso redor: dos outdoors, à televisão, em nossa casa e em nossa família, nos livros (inclusive infantis) e nos filmes. Ao passo que os modelos homossexuais são sempre clandestinos e/ou estereotipados – tido como errados e pecaminosos.

Então fica inculcado na mentalidade das pessoas que há algo de anormal nas pessoas que se interessam por outras do mesmo sexo, quando na verdade isso existe desde que o mundo é mundo justamente por ser algo natural, pertencente à natureza humana, um traço genético como tantos outros.

Uma confusão que há quando se define homossexualidade é o pensamento instantâneo em relação ao sexo: mulher transando com mulher, homem transando com homem. Mas ao simplificar grosseiramente assim os homossexuais, perde-se a grande essência que nos forma: na realidade, nos apaixonamos, nos encantamos, por pessoas do mesmo sexo.

Ao perceber-se isso, ao tomar-se conhecimento que na realidade o que está envolvido não é apenas desejo, mas sentimento, afeto, pode-se começar a entender que ser homossexual realmente não é uma escolha.


HOMOSSEXUALIDADE E FAMÍLIA


A grande maioria dos homossexuais, ao começar o processo de se aceitar, tem como grande preocupação as suas famílias. Medo de decepcionar, medo de fazer os pais sofrerem, medo da rejeição, de perder o amor e apoio de suas famílias são questões que estão sempre presentes na mente dos homossexuais que ainda estão ‘no armário’. E os que estão ‘fora do armário’, talvez lutem por muitos e muitos anos para voltarem a ter uma relação afetuosa com suas famílias. Os conflitos infelizmente ainda são muitos e são reais.

Se se pudesse ter um ‘leitor de sentimentos’ para ver o que cada um de nós passa ao nos descobrirmos homossexuais, talvez as pessoas mais humanas perdessem seus preconceitos de forma quase instantânea. A questão é que não escolhemos: somos escolhidos.

Por quê? Quem há de saber? Hoje concordo com a frase que um homossexual masculino disse: “Querer saber por que eu sou gay é a mesma coisa de querer saber por que um limoeiro dá limões. Não precisa entender por que eu sou, apenas saber que eu sou.”

O que eu penso? Eu penso que a sociedade como um todo tem uma visão muito limitada sobre se ser humano. Insistimos em nomear tudo, em definir, quando na verdade tudo o que realmente nos compõe é inominável, é indefinível. 


Como definir o porquê de você gostar de amarelo e não de azul? Como definir o amor que você sente pela sua mãe? Que você sente pelo seu filho? Pela sua filha? Como definir a alegria que você sente quando vê alguém que ama sorrindo? Como definir o que te faz feliz? Como explicar o que te frustra ou te machuca? Não. Não há como simplificar as coisas quando se trata de seres humanos.

E os pais de homossexuais? Eles que foram ensinados desde pequenos que teriam filhos que um dia se casariam com mulheres e filhas que um dia se casariam com homens. Como explicar para eles que a existência humana não é tão simples assim? Como fazer com que eles olhem além do que a sociedade ensinou para eles? Como fazer com que eles enxerguem com os olhos do coração e vejam que ali à sua frente está a(o) sua(seu) filha(o), exatamente como ela(e) deveria ser? Que sua(seu) filha(o) não é agora um pessoa diferente só porque se assumiu homossexual, que sua(seu) filha(o) carrega os mesmos valores e ideais que sempre carregou?

Como mostrar para eles que amar um bebê, uma criança, é algo tão, tão fácil? E que o papel deles de pais tem que na realidade continuar crescendo junto com aquela(e) filha(o) que eles colocaram no mundo. Que a grande prova desses pais acontece, na realidade, quando tudo o que compõe aquela(e) filha(o) está amadurecido? Que amar a sua(seu) filha(o), é na verdade amar (a)o jovem ou a(o) adulta(o) em que aquele bebê se transformou?

Não é fácil. Somos acostumados a enxergar as coisas até certo limite: não ousamos ir além. E, claro, somos todos seres limitados: por nossas percepções, por nossas interpretações, por nossas crenças, por nosso sentir.

Mas o ideal seria que, mesmo que por um instante, ousássemos ver além. Se você, homossexual, percebesse que na realidade, o que te foi dado foi um presente: que se estamos aqui nesta vida para ter uma experiência do SER, que a ti foi dada toda uma conjuntura em que você tem todas as ferramentas para transformar e ser transformado, para sentir e para refletir, para aprender a ver além de rótulos, para entender o amor e colocar esse amor a vários tipos de testes. A ti foi dada a missão de ser único, de ser diferente, de ser alguém que tenta sempre entender a si próprio – e por isso mesmo, acaba entendendo tantos outros ao longo do caminho. E isso, por si só, te faz um dos seres mais belos que existem.

O ideal seria que, mesmo que por um instante, ousássemos ver além. Se você, pai e mãe de um(a) homossexual, percebesse que na realidade filhos são dados por um motivo e um motivo somente: para que você cresça enquanto ser humano. Se lembra o que você sentiu no primeiro dia em que você se tornou pai e mãe? Sim, que agora não era você que importava: era a sua filha, era o seu filho. Você, pai e mãe, naquele dia, aprendeu a maior lição que um ser humano pode aprender: A ENXERGAR O OUTRO. A ver além de você mesmo, a ver além de sua própria existência. Filhos são uma coisa e uma coisa apenas: veículos de transformação para seus pais. E é uma pena que alguns pais ao ver que os filhos vão seguindo caminhos diferentes dos que eles pais sonharam para seus filhos, sintam desgosto.

Por um minuto, pai e mãe, mesmo que como um exercício, tente enxergar além da profissão que você queria para a(o) sua(seu) filha(o); tente enxergar além do fato de sua(seu) filha(o) ser homossexual; tente enxergar além do fato dela(e) ter escolhido se casar com uma pessoa que você não aprova: tente ver sua(seu) filho como ser humano: que tipo de SER HUMANO ela(e) é? Que motivos a(o) fazem sorrir?

Porque é isso o que deve te dizer se você fez bem a sua missão de ser pai e mãe daquele ser. Se permita ser transformado pelos caminhos da(o) sua(seu) filha(o)! Se permita enxergar além. Acredite, teu Deus te deu seus filhos exatamente para isso: para que você fosse mais, para que você pudesse crescer e se transformar e enxergar além. Não é uma missão fácil, e nem é para qualquer um.

Ao fim de tudo, não é ser heterossexual ou homossexual o que nos define: o que nos define é que tipo de SER HUMANO nós somos. E isso é algo que deve ser constantemente lembrado por cada um de nós.

domingo, 29 de novembro de 2009

Da série: Meu testemunho sobre Homossexualidade e Família

Olá, minhas queridas e queridos!

Obrigada àqueles que deixaram recadinhos por aqui e àqueles que me escreveram emails...
O apoio de todas(os) vocês sempre foi a razão de eu manter este blog e de escrever os textos que escrevi.

Eu não falei por aqui, mas o Sapatilhando fez um ano de vida em Outubro!!
Sim, um ano de passou desde que esta 'Helena' aqui, assustada e sozinha, fez este blog para lidar melhor com sua homossexualidade.

Ao longo desse tempo, acabei sendo ajudada muitas vezes e as histórias de vocês se confundiam com a minha: afinal nossos conflitos são, tantas vezes, os mesmos -- da descoberta, à auto-aceitação, ao lidar com as coisas do cotidiano, do amor e, principalmente, da família.

Não por acaso, é essa a temática do livro que estou escrevendo. E por essa razão pedi que quem pudesse - mulheres e homens - me enviassem o seu testemunho, a sua história. (Aliás, ainda estou coletando essas histórias: é só me mandar por email)


Quem acompanha o meu blog há mais tempo, sabe pelo menos três coisas sobre mim:
1. Que 'Helena' não é o meu nome verdadeiro, mas sim um pseudônimo que criei, baseado no meu nome real, para escrever mais livremente quando fiz o blog.
2. Que meus pais não sabiam de mim (sim, o verbo está no passado: já já falo mais sobre isso).
3. Que esse aspecto Homossexualidade e Família sempre foi o mais complicado para mim (como o é para a maioria de nós).

Então, baseada no fato de que muitas(os) de vocês já me mandaram as suas histórias, e de que percebi ao longo desse tempo de Sapatilhando que ao expor meus conflitos e minha história eu acabava também ajudando outras pessoas (é tão bom encontrar iguais, não é?) eu cá estou mais uma vez para dividir um fato recente da minha vida.

Não moro em casa faz quase um ano, como alguns já sabem. E, como me descobri relativamente tarde (aos 28), fui levando tudo sem compartilhar com meus pais - que são extremamente católicos e tradicionais. Com a saída de casa, morando em outro estado, a distância se tornou um fato que "facilitava" viver minha vida sem que eles acompanhassem todos os detalhes. No entanto, somos muito unidos eu e meus pais. E eles são pais absolutamente incríveis - tirando a história da homofobia, claro. Então me doía muito eles não saberem de mim e eu planejava lhes contar na minha próxima ida para casa.

Mas a vida, claro, sempre faz as coisas sem perguntar a nossa opinião. rs
E, há alguns dias atrás, numa ligação cotidiana dos meus pais, ao ouvir minha mãe atacar a homossexualidade de toda forma possível, eu na minha argumentação enfática de que eles (mãe e pai) vissem as coisas de outra forma, veio a tal da pergunta: "VOCÊ POR ACASO É???"

E, eu, que já estava planejando contar mesmo (já estava preparada internamente - fato MUITO importante!!), confirmei tudo.

Foi aquele Deus nos acuda, claro. Palavras horríveis foram ditas por eles. Desde de "Você não é mais minha filha! Se continuar nesse caminho, pode esquecer que sou sua mãe!" a "Isso é sem-vergonhice, coisa do demônio, doença etc" a "Se você quisesse você poderia mudar isso".

Foi muito, muito difícil!
Ela chorando de um lado do telefone, eu também aos prantos do outro.

Por conta das palavras duras que ela ainda estava me falando, eu disse que iria desligar o telefone, que nos falaríamos outra hora, que naquele momento não tinha mais o que ser falado.

(Aqui, abro um parênteses: eu, com TRINTA anos de idade, já alguma independência financeira, morando já fora de casa, professora universitária, autora de inúmeros textos sobre a temática, fiquei devastada!! Foi um verdadeiro luto!! Agora imaginem adolescentes que se descobrem tão cedo, que estão por si só numa fase tão difícil, que dependem ainda tanto dos pais... 


Com certeza ainda precisamos criar mais e mais canais e formas de ajudar esses pequenos!! É algo pesado demais para eles terem que passar sozinhos (já já falo mais sobre isso também).)

Depois de chorar muito, escrevi a carta que disponibilizo abaixo (é suuuuper longa!! são OITO páginas de Word -- os textos que escrevo para cá em geral têm duas páginas). Para quem não quiser ler, peço que apenas terminem de ler essa 'introdução', pois quero fazer propaganda sobre alguns livros que são muito importantes para cada um de nós.

A carta que escrevi para eles, saibam, não foi a única. Fez parte de um processo. Depois dos absurdos que vieram do lado de lá, escrevi outra carta, muito mais enfática e imperativa, muito mais cheia de revolta pela falta de aceitação e pelas palavras e comportamentos deles.

Depois dessas cartas, depois de algumas doloridas conversas, depois de algum tempo, estamos começando a nos falar novamente. Eles são pais incríveis, que sempre me amaram e me apoiaram muito. Mas estão tendo sim muita dificuldade com tudo. E com certeza ainda temos um longo processo pela frente. Mas teimo em crer que o tempo e o amor restaurem (e até melhorem!!) o nosso relacionamento. ;]

Mas as razões de eu estar lhe falando isso são duas: 1. Para que você conheça mais sobre a minha história e quem sabe veja que não é a única(o) que passa por tudo isso. 2. Para que o formato que usei na minha carta para meus pais de repente ajude alguém que está pensando em falar para os seus pais.

Por conta do livro que estou escrevendo, tenho lido muito! E tenho também recebido muitas histórias e testemunhos. E se tem algo que é importante que fique bem claro é que os pais também sofrem dos processos que sofremos: o da revolta, o do medo, o do conformismo e o da aceitação (as vezes tão longa... às vezes até impraticável).

É preciso que nos preparemos para as possíveis reações, é preciso que respeitemos o tempo deles, é preciso que não esperemos apenas a compreensão deles, mas que compreendamos que os pais não foram criados para a possibilidade dos seus filhos serem homossexuais. Por mais que eles nos amem, muitos deles reagem assim pelo mesmo medo que nós sentimos ao descobrirmos sobre a nossa homossexualidade. Por isso a importância do amor (nosso também!!! e talvez, principalmente!!!) e do diálogo e, especialmente, do tempo!

Sobre tudo isso, quero lhes propor a leitura de alguns livros.
Eles são da pesquisadora Edith Modesto, fundadora do Grupo de Pais de Homossexuais:
http://www.gph.org.br/fundadora.asp

O Mãe sempre sabe? é, na minha opinião o mais importante! Ele fala da homossexualidade sob a visão dos pais, tanto da própria Edith, como dos pais que ela ouviu ao longo dos anos.






Entendam que nossos pais são também fruto de uma criação e de uma sociedade e contexto, então eles têm uma visão muito errada sobre o que é a homossexualidade e o homossexual. E, para facilitar um pouco o processo deles, eles precisam conhecer mais sobre o nosso mundo, sobre os nossos porquês e sobre a visão de outros pais de homossexuais. Esse livro é importantíssimo para nós e nossos pais!!!





O Vidas em Arco-Íris e o Entre Mulheres são ambos transcrições de depoimentos de homossexuais. E são importantes porque registram os sofrimentos, conflitos e algumas superações de muitos de nós.




Na Estante Virtual você consegue achá-los bem mais barato do que nas livrarias!!

Quem puder, por favor, leia!! Saber de outras histórias, ter outras perspectivas, se informar, se preparar, é a melhor maneira de lidar com tudo isso! Isso vale para nós e para nossos pais e familiares.

Bom, a carta que escrevi para o meus pais está disponibilizada AQUI. Pois é muito longa para eu colocar no blog. Quem quiser, pode baixar à vontade! A escrevi logo depois de ouvir da minha mãe e do meu pai aquelas coisas horríveis - apenas para que você saiba que temos que 'dar um desconto'. Que na hora da raiva, do medo, do choque, é quase normal que eles falem coisas que nem são as que eles pensam mesmo.

Esse é um tópico difícil e complexo e a minha vontade era de fazer um vídeo para que eu pudesse conversar com vocês de 'cara a cara' para que mais pudesse ser dito -- isso vai acontecer em um futuro próximo, prometo.

Apenas peço que àquelas(es) que ainda estão no armário que tenham paciência! Cada um de nós sabe da sua própria realidade, e, como eu já disse aqui antes, às vezes sair do armário sequer é uma opção! Apenas lembre-se que estar no armário não é motivo para você não viver sua vida (vide esse texto).
Àquelas(es) que ainda estão tendo problemas com os pais que já sabem, tentem fazer com que eles leiam esse livro da Edith (Mãe sempre sabe?), que assistam ao documentário "Como diz a Bíblia" (para baixar no Parada Lésbica) ou que entrem no site do Grupo de Pais de Homossexuais e conversem com outros pais.

Da mesma forma que é importante sabermos que não estamos sozinhos nesse processo tão doloroso, é importante também que eles saibam que não estão sozinhos!! 


Informação, amor e tempo!! São esses os melhores ingredientes para nós e para as pessoas que amamos!!


Ps: Estou viajando, mas logo voltarei com novidades para vocês - inclusive a inauguração do meu site! :]
Beijos!!!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Da série: Quando a dúvida vira botão de ‘pause’*

* Este é um post-desabafo. Tenham paciência, ok?


É um tema recorrente:

"Tenho medo de dizer o que sinto por ela e perder a amizade dela."


"Não sei se ela sente por mim a mesma coisa que sinto por ela, então fico insegura de falar sobre meus sentimentos."


"Não consigo pensar em outra coisa, só nela. Mas o medo dela se afastar de mim é maior do que tudo."


"Por favor, me ajude! Já não sei o que fazer! Isso está me consumindo! É só ela chegar perto de mim que meu coração parece que vai sair pela boca! Mas aí vem a dúvida cruel... e se ela não sentir o mesmo por mim?"

Sobre essa temática, confesso, já escrevi muitos textos. Já respondi outros tantos emails. Já gastei minha saliva e frustrei minhas energias.

Então, se me permite, hoje colocarei um tom mais enfático neste texto que você agora lê.

É que muitas vezes você não percebe que a vida é um grande campo de plantação, sabe? Para colher, a gente vai jogando sementinhas de todas as espécies. 

Mas plantar não é um ato simples, entende?

Tem-se que perceber a força da semente, tem-se que se saber se ela é a indicada para aquele tipo de terra, tem que se avaliar a quantidade de água, de calor, de luz, de profundidade, de adubo eticétera.

Entende a metáfora?

Então vai outra: Às vezes as pessoas querem o frescor da água sem ter o trabalho de mergulhar nela.

Não usarei sequer aqui a palavra “coragem”. Não acho que essa palavra deva ser usada sempre. Coragem é algo instintivo: você faz sem pensar, que você faz quase como sobrevivência.

Aqui não: estamos falando de ultrapassar barreiras. Estamos falando de vencer medos. Estamos falando de se forçar a dar um passo cada vez mais além.


E ISSO REQUER TRABALHO, REQUER ESFORÇO, REQUER AMOR PRÓPRIO.

É isso, entende?
AMOR PRÓPRIO.

Se você não tem quem lhe diga, eu lhe digo:
SE DÊ VALOR!

Não dá para ficar parada no ponto que mais te causa dor por medo de seguir adiante. Não dá!

Honestamente?
Eu não conheço UMA pessoa no mundo que não tenha se sentido pelo menos um pouco bem por saber que alguém lhe ama, por saber que alguém lhe deseja, por saber que alguém sente algo tão grande por ela, que sequer consegue manter mais guardado em si.

Saber que alguém lhe admira, lhe deseja, faz bem à auto-estima.
Alimenta aquele cantinho nosso que necessita sim ser alimentado.

Se a menina vai se afastar de você porque teme uma relação homossexual?
Talvez se afaste sim.

Mas entenda:
Deixar a tua vida pausada na dúvida que te consome não é exatamente uma maneira de te respeitar.


E eu digo mais: se você é incapaz de se respeitar, talvez você realmente não esteja preparada para o amor que deseja.

Estou sendo dura demais com você?
Não. Infelizmente não estou.
Porque se você fosse minha amiga, se eu te tivesse perto de mim, eu na realidade te colocaria em frente ao espelho e te perguntaria o que você sente por aquela pessoa que você vê refletida.

Ela é a única mulher com quem você pode se imaginar?
É não. REPITO: NÃO É.


É o que tempo apronta dessas com a gente: ele nos coloca dentro de um contexto e, naquele momento, a gente não consegue enxergar nada além daquilo. Só se enxerga as possibilidades que existem à mão, entende? Só se vê aquele ângulo no qual você está inserida. 

Mas, na realidade, existem tantos, tantos outros ângulos. Tantas outras possibilidades.

Eu sei que isso não te importa agora.
Eu sei que a única coisa que te importa é que ela te ame como você a ama.

Mas aí eu te pergunto: COMO SABER SE ELA TE AMA, SE VOCÊ NÃO CONSEGUE VENCER O MEDO DE SE COLOCAR NO LUGAR EM QUE ESTÁ A RESPOSTA?

Eu lhe digo a minha fórmula para vencer o medo: TENTAR.
Dar um passo a mais cada vez.
Preparar-me internamente para enfrentar os muros que existem à minha frente.


Veja: A cada muro que você vence, mais perto você está do que deseja.

Outra dica?
TENHA BOM-SENSO!

Se você, a cada recado que escreve, chama a mulher que você deseja de AMIGA, você só estará a confundindo.


Vá com calma, vá com amor, vá com doçura.
E saiba se afastar e dar o tempo necessário de digestão da ‘bomba’ que você acabou de colocar na vida dela.

Pare de pensar no “E se eu a perder?
E comece a pensar no “Quando deixarei de sofrer por isso?

E, para te sacudir um pouco mais, eu te pergunto:
Você se apaixonaria por alguém que não se dá valor?

É, eu também não.

Então, por favor, despause a sua vida!
Vá atrás da resposta que tanto te atormenta.


E se a resposta não for a que você desejava, seja mulher o suficiente para seguir adiante!


Confie o suficiente na sua vida para saber que ela ainda tem muitos outros sorrisos guardados para ti.

E, acima de tudo, se dê valor o suficiente para entender que você não tem o direito de deixar o seu coração ali, pausado, se alimentando apenas de incertezas.


Você merece mais do que isso.

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>> Porque eu só gosto das coisas antigas dele:


Caetano Veloso - Caetanear - 1985







Clique aqui.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Carta de uma homossexual para outra.

Queridas(os), essa carta foi baseada nos emails que às vezes recebo sobre dúvidas, medos, dilemas etc. Enfim, sobre os sentimentos que temos por não sermos aceitos. Por não termos muitas vezes quem nos dê colo. Aos meninos, peço que modifiquem o feminino para o masculino, pois essas palavras são para todos nós. Um grande beijo!

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Para você, com todo o carinho do mundo.

É que eu sei quem você é. Eu sei de que matéria você é feita. Eu sei dos seus conflitos. Eu sei do seu choro. Do seu sorriso escondido: trancafiado como um tesouro proibido.

Eu sei da sua beleza e sei do seu medo.

Entenda: eu também sou você.

Por isso, quando você está aí, como agora, em busca de uma palavra amiga, em busca de uma luz, de um colo, de alguém que lhe abrace apertado e lhe diga Não se preocupe, tudo vai dar certo, você vai ver!, eu sei exatamente o que você sente.

Eu sei dos dias solitários.
Eu sei da sua divisão em duas pessoas: a pessoa que você tem que ser; e a pessoa que você gostaria de ser.

Eu sei dos dias em que você acorda querendo mandar o mundo ao inferno.
Eu sei o que você sente quando você vê na rua um homem e uma mulher de mãos dadas a se beijarem.
Eu sei o que você sente quando falam para você sobre casamento e filhos.
Eu sei o que acontece por dentro contigo quando tua família quer saber por que você não namora faz tempo.
Eu sei até da vontade amarga que você sente às vezes de que você fosse igual a todos.

Eu sei do medo da rejeição. Eu sei do pavor de perder aqueles que você mais ama.
Eu sei do abismo que existe, agora, entre você e seus pais.

Eu sei o tanto de tempo que leva para que você consiga olhar no espelho e sorrir por ser como você é.
Eu dos tantos e tantos curativos internos que você que você teve que fazer sem que ninguém te ajudasse.

Eu sei das lágrimas escondidas.
Do choro abafado.
Dos gritos internos.

Eu sei sobre o desespero.

Eu sei sobre a raiva.

Eu sei sobre a vontade mais simples do mundo: de encontrar alguém que te ame como você é; que te permita amar e ser amada; que te deixe ser quem você é. Que te dê forças para enfrentar o mundo; que te dê guarida dessa sociedade assustadora que não entende nada.

Eu sei das tuas dúvidas. Das tantas e tantas perguntas que habitam dentro de ti.
E que também muitas vezes não há ninguém para quem perguntá-las.

É: não é fácil, eu sei.

Mas eu por saber tudo isso, é que eu também sei que você é forte. 
Que você pode sim agüentar tudo isso.
Que você, diferente dos ditos ‘normais’, cresce de dentro para fora.

Por isso, se deixe crescer.

Acredite: Haverá um dia em que você será maior do que tudo isso.
E nada disso poderá mais te causar dor.

Se não há um colo agora, se não há uma palavra amiga, se o medo é maior do que tudo: querida, eu te peço, seja absolutamente incrível com você mesma.
Seja a sua melhor amiga.
Encontre bons livros que te façam companhia.
Escute músicas que te acalentam a alma.
Assista filmes que te façam ver sempre as belezas da vida.

ACREDITE NA SUA FORÇA.

Não deixe que a incompreensão da sua família e do mundo te amargure.
Não deixe que o medo e o pavor te façam esquecer-se de quem você é.

Não cale nunca a sua voz interna: ela é teu abraço constante: ela é teu sorriso escondido.

E quando você se olhar no espelho, saiba que você está olhando para uma guerreira.
Saiba que você carrega um fardo que muitos dos ditos ‘normais’ não agüentariam.
Se orgulhe de você: porque você consegue enxergar o amor em todas as formas que ele existe.

E se lembre sempre que existem tantos outros no mundo como você, como eu: sentindo as mesmas dores e conflitos. Desejando apenas que lhe permitam ser quem são.

Você não está sozinha querida.

E o que eu te peço agora, é que você se sinta abraçada.
É que você saiba que existem pessoas-anjos por aí que vão nos ajudando ao longo do caminho.

Que você acredite que vamos encontrando pessoas que são um pouco pais, um pouco irmãos, um pouco amigos e que suprem o que muitas vezes não conseguimos encontrar em casa.

Lembra da sua voz interna? Aquela que você não pode calar nunca?
Ela tem uma tarefa: a de se tornar cada vez mais forte e mais alta.
A de ser, um dia, tão forte, que comece a falar mais alto do que os seus medos.

Acredite: eu sei quem você é.
E por isso mesmo, acredito em você.
E lhe digo: você consegue sim.


Ache a sua paz. Você a merece.
E deixe que o seu sorriso visite sempre os seus lábios.
Você é linda exatamente como é.
E não há nada de errado com você.

Eu estou do seu lado.
E sou um pouco você.
E juntas, mesmo que você esteja aí e eu aqui, conseguiremos sim vencer o mundo.

Só preciso que você saiba que você não está lutando essa guerra sozinha.
Por isso seja forte e erga sua cabeça.
Preciso de você lutando por você mesma.
Quando uma de nós sorri, a vitória é de todas.

Você ainda tem uma vida pela frente.
Por isso sonhe os seus sonhos e alimente-se inteiramente de quem você é.


Seja feliz: você deve isso a você mesma.

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Lhes deixo com o Ney cantando Cartola: umas das coisas mais gostosas já gravadas em cd.


Ney Matogrosso - Ney Matogrosso interpretaCartola - 2002





Clique aqui.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Da série: idéias em quadrinhos

Ai, Dios mio!!
Quase não chego à tempo e falho com minha agendinha!!!
- Para quem não sabe dela, ela está ali do lado, ó >>>>>

Bom, hoje é dia de Quino!!!
Êêêêêêêêêêê!!!
Nada melhor, creio eu! rs








Miguelito e suas dúvidas!!! Hahahaha!
Mas a questão é que o tempo está sim passando, né?
E a gente tem sim que deixar que ele nos melhore: acho que estamos aqui para isso: para deixar que o tempo nos transforme por dentro, como inevitavelmente nos transformará por fora! ;]









É sempre assim: quer receber um tapa-"acorda-meu!!"-na-cara?
Mafalda sempre tem um para dar!! rs
Graças, graças!!
E ela está certa: ao invés de ficar remoendo o passado, vamos nos preocupar com o futuro? Que tal? Ele a gente ainda pode construir!! :]









Miguelito sendo safadinho de novo!!
O barra é que ele ainda é criança e não sabe: somos nós quem fazemos tudo!
Cada pequeno tijolinho da nossa vida, seja ele bem ou mal colocado, somos nós quem colocamos lá!
E é por isso que devemos sim ter nossos momentos de descanso, mas precisamos também arregaçar as mangas e fazer de nós o melhor que podemos! :]


~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
>> Pessoal, esta semana foi mais corrida do que de costume (juro que esse horário de verão é uma conspiração que alterou toda a conjuntura do tempo!! Só pode!!! rs), então estou devendo email para algumas pessoas e não consegui responder os recadinhos aqui do blog... :/
Mas eu chego lá, viu?? :*

Bom comecinho de semana, pessoalzinho querido!! ;]

Lhes deixo com uma banda brasileira que descobri recentemente e que é absolutamente INCRÍVEL!!!
Eles 'repaginam' músicas conhecidas: fazem um trabalho absolutamente impressionante!!
É daqueles que viciam mesmo! :]

Trash Pour 4 - Super Duper - 2006






É só clicar aqui.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Da série: abrace o sofrimento e ache o teu sorriso

É que às vezes acha-se que se tem como “pular” a parte do sofrimento, sabe?

E às vezes, confesso, me frustro.
Me frustro porque me parece que as pessoas querem uma “pílula mágica” – algo que magicamente lhes dê o caminho certo, a felicidade fácil.

Algo que as faça cruzar a linha de chegada, sem ter passado por todo o sofrimento da corrida, sem ter suado a camisa até o extremo, sem ter lutado até o seu limite para conseguir, no fim, vencer a tal corrida.

É a busca pelo caminho mais curto.
Pela resposta que venha da boca dos outros.

E muitas vezes, você já sabe a resposta. Você já sabe o caminho correto. Mas você teima. E fica perguntando a um e a outro até que encontre alguém que lhe fale sobre o caminho ‘mais fácil’, que lhe aponte a direção que você quer sim seguir, mesmo sabendo que é a errada.

E depois, com o coração estraçalhado nas mãos, você se pergunta por que isso acontece justo com você! 

Deixe-me dizer o que o EU acredito.
Eu acredito que somos nós que construímos nossas vidas.
Somos nós quem damos os sim’s e os não’s aos fatos que cruzam o nosso caminho.

Somos nós quem olhamos a vida sob uma perspectiva que nos faz lutar a ‘corrida toda’, ou que nos faz buscar o atalho que parece mais fácil –  mas que será tão mais tortuoso e sofrido.

Honestamente?
Eu quero o tapa na cara.
Eu quero a dificuldade completa e sem censura e de uma vez.

Por quê?
Porque é essa dificuldade que nos transforma. É ela que nos faz ser quem no futuro devemos ser. É ela que opera em nós as melhorias que precisamos.

Não dá para “pular” isso.
Não dá para achar ‘fórmulas mágicas’.
Não dá para evitar o sofrimento achando que ele não vai lhe encontrar de uma forma ou de outra!

Até porque, queridas, é encarando o sofrimento que muitas vezes você deixa de sofrer.

É enfrentando esse teu medo, essa tua grandessíssima dúvida, que você finalmente se libertará dela.

Há um pote de ouro à sua espera no fim do arco-íris?
Nem sempre.
Nem sempre enfrentar o medo lhe trará a resposta esperada, o sonho sonhado.

Mas, isso eu lhe garanto, o processo disso é a tua própria vida: é a tua própria busca pela felicidade, é a tua própria libertação da situação que tanto te oprime.

Eu não tenho poderes mágicos.
Ou melhor, tenho sim: tenho em relação a mim: à minha pessoa: aos meus dilemas: às dificuldades e conflitos por que passo. Dentro desses, eu aplico sobre mim a melhor das magias: a da reflexão. E me conheço cada vez mais, e penso cada vez mais e sinto cada vez mais. E faço do meu mundo cada vez mais mágico.

E esse mesmo poder você também tem: em relação a você.
Escute opiniões sim. Elas são, muitas vezes, luzes dentro da escuridão de nossa confusão emocional.

Mas saiba que a relação com o teu sofrimento é tua e somente tua.


Saiba que você tem sim que enfrentar isso que te dói no peito: é o teu caminho que está em jogo: é a tua vida que está pausada, parada num lugar de dor porque você se recusa a dar mais um passo.

É normal sentir medo.
Temos medo de perder o que temos.
Temos medo de conseguir o que queremos.
Temos medo.

Mas os medos estão aí para nos indicar limites: limites que muitas vezes não só devem, como necessitam ser quebrados, ultrapassados, deixados para trás.

É além desse nevoeiro confuso e dolorido, é depois dele, que está teu sorriso.


Mas como chegar no sorriso se você não ultrapassar o nevoeiro?

O sofrimento é isso: uma nuvem densa e atordoante que chega para que você perceba as mudanças que tem que fazer.

Agora cabe a você arregaçar as mangas, juntar suas forças e enfrentar sua nuvem: passar por ela te transformará em um ser muito mais bonito e forte e, de quebra, talvez tenha um pote de ouro lhe esperando lá do outro lado.

Se não houver, só por ter chegado lá, só por ter enfrentado a sua nuvem, você já terá recebido o maior dos presentes: terá deixado para trás os medos que te atormentaram durante meses e meses. 


E sentirá o maior orgulho que uma pessoa pode sentir: o de ter tentado.


E se você acha que sou só eu, uma mera mortal, que acha isso, está enganada:

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade". 

-- Carlos Drummond de Andrade


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| Okay, rs, podem dizer que me amam!!!! Com vocês: OS DOIS NOVOS CDS DA BETHÂNIA!!!! Tá, tá, o mérito não é meu: é do Fulano Sicrano. Mas ainda assim, vamos lá escutar nossa diva, essa divindade em forma de humana, cantar para nós no escurinho do nosso quarto, da nossa sala... E nesses cds ela veio leve, serena, com uma voz mais doce e cheia de um amor maduro.
Bom, Bethânia é Bethânia, né, dispensa apresentações. ;]

Maria Bethânia - Tua - 2009





É só clicar aqui.







Maria Bethânia - Encanteria - 2009





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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Da série: idéias em quadrinhos









Para nós que estamos no horário de verão, bem que dá vontade de ter 'momentos Garfield'!
Fofura demais! rs









Nem deixem que eu comece a falar sobre TV ou violência!! :/
Fato que realmente tento sempre passar à frente uma ação que acho cada vez mais necessária: a seletividade. Sejamos seletivos: em relação ao que deixamos entrar em nossas vidas; em relação ao que usamos com nosso tempo.








Mafalda sendo fofa (será pleonasmo isso?).
E sim, deixemos a porta aberta para a felicidade.
E ser feliz é sim uma questão de atitude.
Diz um poema da Alice Ruiz:

"viver ou morrer é o de menos
a vida inteira pode ser qualquer momento
ser feliz ou não: questão de talento"

-- O Ney Matogrosso canta isso na música "Leve" da Alice Ruiz e da Iara Rennó:
(para ouvir, clica aí!) :]







(Atenção na associação de felicidade com "semente" e "só vai onde pisa".  Afinal, é sim o caminho que a gente vai escolhendo que nos traz ou não felicidade.)

E, aproveitando, já que agora só nos veremos na quinta-feira (tirando os emails que vou responder até lá, né?), lhes deixo com esse trechinho do livro A Descoberta do Mundo, da Clarice Lispector (que sempre é delícia que mexe com a gente e nos faz pensar).

O trecho, na verdade, são palavras de uma amiga da Clarice, que em seus dias depressivos, como boa mortal, precisava que lhe dissessem coisas que também a fizesse pensar:



"Fortifica o que de melhor tiveres em ti. 


Não prestes atenção à opinião alheia. 


Faze de ti mesma e de teu próprio Eu teu mestre. 


Quando ele estiver bastante fortalecido, despertará, e coisas jamais sonhadas te serão reveladas."



Que esse conselho da amiga da Clarice valha para cada um(a) de nós. ;]

Até quinta, pessoal! :*
Bom comecinho de semana!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Da série: Sobre o livro e sobre você

Okay... sabe o 'ato de contrição'?

"Minha culpa, minha tão grande culpa..."

Pois é, assim me sinto! Oo
Desculpem!!!

Falhei na minha agendinha!!!
:/
Mas cá estou eu!
E só não consegui postar mais cedo porque a parte de "upar" o arquivo para vocês ouvirem no player é um pouco mais burocrática...

Mas, enfim, pessoalzinho querido, tô aqui conversando meia horinha com vocês, se tiverem o tempo e a paciência de me escutar, tá?

Nesse arquivo, falo um pouco sobre o livro e um pouco sobre o ser-no-mundo.
É uma conversa, então é dispersa e com alguns (mais do que o que eu gostaria) vícios de linguagem.

Mas acho que até prefiro do que uma coisa super editada, pois assim faz de conta que estamos em uma mesa de bar, tá? Sem se preocupar muito com a forma, apenas batendo um papo sem medo de ser feliz. ;]

Para escutar, é só clicar no player aí em baixo:









 Para baixar o arquivo para o seu micro, é só clicar AQUI.

___



|| Passei a semana com desejo desse cd. Escutei mil vezes já (o escuto desde os meus 15 anos). É o meu preferido de todos os tempos (ELA é minha preferida de todos os tempos!). Então aperreei minha esposa para conseguir um link para colocar aqui para vocês para que possamos escutá-la juntas(os)!

E cá está:



ELIS REGINA - FASCINAÇÃO  









É só clicar aqui.

Ou aqui.







segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Da série: idéias em quadrinhos

Segunda é dia de coisas amenas e gostosinhas: que é para se ganhar pique para o resto da semana! ;]



Garfield sempre dizendo o que temos vontade de dizer :P

 

Zero: o anti-herói personificador da preguicite aguda :D




Ai. Deixe para o Quino transformar brincadeira em coisa séria: ficar sentada esperando a vida lhe dar algo não rola, hein!




Tá, tudo bem... a vida é assim também: quando a gente pensa que vai ser 'descida', aí que as coisas apertam mesmo! Oo
Mas vai... conseguir vencer a si mesmo já é uma grande recompensa!




Mais uma da Clarinha.
E honestamente: esse é o melhor 'filtro solar' mesmo: porque, no fim, a única verdade que vale é a sua verdade.


Bom comecinho de semana! ;]


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Da série: "Sei o que sinto, mas não sei o que sou"

Olá pessoal!
Cá estou eu cumprindo a agendinha do blog! :]
(viu como estou falando sério desta vez? rs – e olha que ainda estou suuuper gripada! :P)

Queria agradecer às pessoas que já me mandaram email para o livro sobre Homossexualidade e Família. São esses testemunhos que farão com que esse livro seja na verdade sobre todas(os) nós! E a coletânea desses testemunhos está só começando!

Já comecei as pesquisas, mas ainda preciso de muita ajuda para coletar todo o material a fim de que o livro passe a mensagem certa. Creio eu que esse será um livro escrito por muitas mãos. Mas acho que só temos a ganhar com isso, não é? ;]

Por falar em emails, junto com algumas das histórias que tenho recebido, vieram também algumas meninas me falando da dificuldade que têm em se aceitarem. Da dúvida cruel que carregam todos os dias: “Será que sou lésbica?”

As minhas companheiras mais antigas aqui do Sapatilhando sabem: este blog nasceu justamente como processo para que eu mesma me aceitasse, para que eu fosse me livrando dos meus próprios preconceitos e medos em relação a me assumir.

Mas como emails com essa temática têm sido constantes, resolvi falar um pouco aqui sobre isso hoje, como forma de tentar ajudar quem ainda está passando por isso. Peço que as que já passaram por isso, que de repente complementem este post dando sugestões nos comentários, tá? Adoro quando ficamos aqui discutindo idéias e teorias! ;]


"A maior descoberta de qualquer geração é a de que os seres humanos podem alterar suas vidas alterando suas atitudes mentais" 
Albert Schweitzer


Conceitualização: esse nome comprido é a nossa sina, sabe? É que temos a mania de conceituar o mundo e a vida para que possamos interpretá-los, para que possamos tentar entender as coisas.

A questão é que, gostemos ou não, nem tudo é entendível!
Nem tudo sequer é para ser entendido!

Umas das frases que mais amo está no livro-soco-no-estômago do José Saramago, Ensaio sobre a cegueira. Lá, ele diz:

"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."

Somos essa coisa “sem nome”, entende?
E tudo o que diz respeito a nós é, na realidade, inominável: cada sentimento, cada percepção, cada acelerar do coração, cada medo, cada certeza... tudo isso tem raízes que se bifurcam e se subdividem e se multiplicam em coisas tão profundas que jamais poderíamos saber de onde vêm por completo.

Somos todos formados de tantas, tantas partes que nada mais natural que de vez em quando nos vejamos ‘sem terra nos pés’, a tentar entender por que sentimos o que sentimos.

Mas deixem que eu seja mais direta: Eu não tenho como dizer que você é lésbica!

Mas eu posso lhe dizer isso: É absolutamente maravilhoso que você esteja se questionando!

Eu sei que dói, que é complicado, que dá um medo...

Mas sério, são tantas as pessoas que passam pela vida dormentes, sem sentir, sem se permitirem serem invadidas por turbilhões de sentimentos e sensações...

São tantos os que apenas “passam” pela vida, sem se tocarem que a vida é justamente isso: O QUE VOCÊ SENTE. 

Um poeta uma vez disse:

"Que eu derrame mil lágrimas, 
A nunca ter o que me queime
A nunca ter o que me mova."

E é bem isso: pode parecer desesperador, mas isso é nada mais do que você vivendo!! Do que você sentindo. Do que você SENDO.

E para fechar de forma mais concisa, às meninas e mulheres que ainda estão tendo dúvidas sobre sua sexualidade, que ainda estão sofrendo com isso, vai um recadinho:

Com o passar do tempo, vá observando como você se sente em relação às mulheres. Se a admiração por elas se tornar algo físico, de desejo sexual, isso quererá apenas dizer que você tem curiosidade de ter essa experiência com uma pessoa do mesmo sexo. Ainda assim não quer dizer que você é lésbica.

Se eu fosse você não me preocuparia tanto em 'se definir'. Viva a sua vida. Curta as experiências que ela te trouxer. Admire as pessoas que te despertam essa admiração e deixe se encantar por seres humanos que são encantadores.

Viver no fim é isso: experienciar. 
Deixar que as sensações que a vida te desperta sejam realmente sentidas por você.

Te prometo que na hora certa você vai poder a abrir a boca com orgulho e dizer o que todos deveriam poder dizer: 
Sou o que sou, e tenho orgulho de ser assim! 

>> Não quis me alongar muito, porque vocês me conhecem: começo a falar e... não paro! :P
Então, para quem quiser saber melhor como eu mesma passei por essas fase de auto-aceitação, sugiro os textos abaixo, ok? Bjos!!


(texto que escrevi sobre esse processo de se aceitar, quando eu mesma estava passando por isso)

(outro sobre "minha não escolha sexual")

(um sobre 'estar no armário')


~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

|| A Maria Gadú!!

> Okay... Cuidado: essa menina vicia! A voz suave dela, o tom gostoso e poético das suas músicas, a leveza da sua voz... Impossível escutar a Maria Gadú uma vez só! E, olha, eu nem ia dizer que ela é uma de nós, :P, porque isso na verdade não tem nada a ver com sua música, mas, vai... dá um orguuulho que ela seja uma de nós, mulheres que amam mulheres!!! :D





É só clicar aqui.






.....

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Da série: Um monte de coisas ao mesmo tempo e a AJUDA de vocês!!



Olá, minhas queridas, tudo bem?
(E queridOs também!! Sejam bem-vindos, meninos!!)

Então... saudades de conversar com vocês!!

E a boa nova é que estou preparando um mooonte de novidades tanto aqui para o Sapatilhando, como outras surpresinhas que serão reveladas dentro em breve...

Mas, por enquanto, criei a agendinha ali do lado só para estar aqui com vocês duas vezes por semana.
Okay, okay.. era para eu ter postado ontem segundo a agendinha, né? :/
Mas é que estou com uma gripe daquelas e ontem não deu mesmo!

Mas cá estou eu, e como não faz sentido algum eu estar por aqui sozinha, peço por favor que tenham mais um pouquinho de paciência comigo e me dêem a mão, pode ser? O sapatilhando só existe com vocês por aqui!!

Eu tinha combinado com minha amiga Mari (do Lesbofera) fazer um blog de quadrinhos, mas como por enquanto ela teve que se afastar da vida virtual, o projeto acabou morrendo. Então, enquanto não me empolgo de novo, vou postando por aqui mesmo (às segundas) quadrinhos que nos fazem sorrir e pensar, tá? Espero que curtam como eu curto.

Nas quintas virei conversar mais longamente com vocês.



Da perfeita Clarinha Gomes com seus Bichinhos de Jardim





Do João, um guri que é absolutamente precoce quando se trata de tirinhas e desenhos: http://porjoao.blogspot.com/





Duas outras novidades são:

1. Estou escrevendo um livro voltado para nós, homossexuais. O projeto ainda está no início, mas trata da relação homossexualidade X família.

E para que o livro saia bem legal mesmo, peço encarecidamente a ajuda de vocês!!!


Como?

Bem, gostaria que QUEM QUISESSE E PUDESSE me mandasse email(s) contando suas histórias: testemunhos de vocês sobre essa relação família X homossexualidade (se sabem, se não, como foi quando souberam, por que você decidiu não contar ainda, se você um dia tem vontade de contar, seus medos, suas dúvidas, seus sentimentos em relação a tudo isso).


Sei que é um tópico difícil para muitas(os) de nós, então NÃO SE PREOCUPEM que todos os emails que me mandarem serão SIGILOSOS!! Todos os nomes serão modificados!

Esse livro que estou escrevendo é para todas(os) nós!!
E por isso mesmo preciso da participação de vocês (mulheres e homens)!!
Só peço que as histórias sejam reais: testemunhos seus sobre os percalços familiares e sociais que temos que enfrentar por amarmos pessoas do mesmo sexo.

Se você decidir me ajudar, me manda um email, tá?
>> helenapaix@gmail.com

E insere depois da sua história essa cláusula de aprovação, ok?

"Eu, ______________, aceito que minha história seja publicada no livro da Helena Paix, desde que meus dados e minha identidade sejam preservados e mantidos em sigilo."

E quanto ao sigilo e respeito pela história e dores ou alegrias de vocês, vocês têm a minha palavra! ;]
Desde já agradeço a quem tirar do seu tempo para me ajudar a escrever esse livro! :*

(Peço também para as amigas que tiverem blog, e puderem, que divulguem esse meu pedido, por favor!!) :)

Bom...
Outra novidade legal para nós é o concurso do Site da minha esposa (Beijo, amor!:*).

O I Concurso de Contos Eróticos Parada HOT e Magisex!!!



O concurso está aberto para todas as meninas que queiram participar, desde que respeitem o regulamento do concurso. Para saber mais, vai AQUI!

>> A minha opinião sobre o concurso?
Bem, eu tenho uma visão muito pessoal sobre a minha própria homossexualidade: eu só pude realmente me assumir para mim mesma, me aceitar, quando eu entendi realmente o sexo como parte da vida: como algo bonito e mútuo, sem culpa ou pecado.

 =============================================
>> As inscrições para concurso vão até o dia 24 de Outubro e os contos podem ser em duas categorias:

* LIGHT 
Contos que sejam sensuais, mas não usem termos demasiado eróticos. Nesses contos, o enfoque sempre será direcionado para o 'subentendido', ou seja, categorizam-se como escritos que sejam mais românticos do que explícitos

* HOT 
Contos que sejam explícitos em termos de erotismo. 

|| Divulguem, ok??? ||
=============================================

Por isso acho iniciativas como esse concurso super importante para nós: para que exercitemos essa naturalidade, para que olhemos para o sexo e para o erótico com olhos mais amenos e menos cheios de julgamentos.

Às que ainda não chegaram a essa fase, e ainda têm dificuldade em se aceitar ou setem culpa por sentirem prazer, tenham calma, ok? Tudo é uma questão de tempo, tudo é um processo. A sociedade não ajuda muito a nós, mulheres, lidarmos bem com tudo isso. Então por isso é importante conversarmos e trocarmos sempre idéias e nos ajudarmos mutuamente, ok? Apenas acreditem no que vocês sentem, se permitam e deixem que o tempo faça o resto!

Bom, já falei um bocado... rs
Aguardo vocês no meu email, tá?

Até quinta!! :*
E obrigada pela companhia e por não desistirem deste cantinho (e nem de mim!)
Beijos!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Da série: Ah se todo líder espiritual tivesse colhões para levantar essa bandeira!




Tirando a parte sobre Psicologia (sobre a qual ele está extremamente equivocado), meus altivos e orgulhosos parabéns ao Pde. Fábio por essa colocação.

Pode parecer pouco, mas diante dos extremismos pregados pelas religiões, é sim um grande passo! E exigiu coragem e atitude, com certeza.


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Da série: que a sua vida nunca seja como essa poesia...




"
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.

O dominó que vesti era errado.

Conheceram-me logo por quem eu não era e não desmenti, e perdi-me.

Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.

Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido."




--- Fenando Pessoa.

enquanto isso...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Como diz a Bíblia

* (texto publicado hoje no Parada Lésbica)

Bíblia, Deus, Homossexualidade Respeito e Amor: porque eu creio que Deus é maior que tudo, inclusive rótulos.

“Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.” Jo 13.34.


Neste texto, falarei sobre duas coisas: sobre o documentário “Como diz a Bíblia” e sobre a crítica do blogueiro Matheus Viana ao livro da escritora lésbica Lúcia Facco.

Como geralmente quem pretende defender ou criticar algo deve minimamente dizer quem é e o que faz, como maneira de fortalecer seus argumentos, digo-lhes que sou formada em Jornalismo, com Pós-Graduação em Comunicação e que sou Mestre em Psicologia. Também morei na Inglaterra e nos Estados Unidos durante alguns anos. Já estudei na Argentina e apresentei trabalhos acadêmicos na Itália. Sou professora, tradutora e escritora. Sou também filha, irmã, amiga, esposa, lésbica e o mais difícil de todos os títulos: ser humano.

Dito isso, se quiseres saber o que tenho a dizer sobre esses assuntos, por favor, continue a leitura.


“A ti também, Senhor, pertence a misericórdia; pois retribuirás a cada um segundo a sua obra.” Salmos 62:12


O DOCUMENTÁRIO: “Como diz a Bíblia” (For the Bible tells me so – 2007) é um filme transformador. Nele, vários estudiosos, religiosos e indivíduos comuns vêm relatar não apenas as suas vivências enquanto cristãos, mas como se deve realmente ler um Livro tão incrível e complexo como a Bíblia.

Feito de forma extremamente cuidadosa, o documentário mostra as passagens da Bíblia que geralmente são usadas contra homossexuais e o que essas passagens na realidade querem dizer.

Não se trata de uma ‘leitura da Bíblia em favor da homossexualidade’, mas de chamar atenção para a verdadeira forma de se ler a Bíblia. O filme nos mostra que um Livro escrito a tantas mãos e pertencente a outro tempo e mundo e, principalmente, tão cheio de metáforas, não pode nunca ser lido de forma literal.

A Bíblia não quer que você mate sua esposa se ela lhe trair, que você arranque as mãos do homem que roubou comida. Se lida literalmente, a Bíblia não conseguirá precisamente cumprir a razão de sua existência: trazer sabedoria e paz aos homens.

O documentário “Como diz a Bíblia” é de extrema importância para que percebamos como é rico esse Livro Sagrado e como depende sim de nós usá-lo de forma que ele possa nos unir e não nos separar.

E eu lanço o desafio: é impossível permanecer o mesmo após assisti-lo.



“Só ele é a minha rocha e a minha salvação; é a minha defesa; não serei abalado.” Salmos 62:6

O BLOGUEIRO: A princípio, confesso, saber dele não me incomodou. Ele teria, claro, todo direito de discordar do trabalho da autora Lúcia Facco. No entanto, resolvi ler as palavras do Matheus Viana. E eu lhes pergunto: desde quando discordar é sinônimo de atacar? Desde quando não gostar ou até não aceitar está ligado com atacar a pessoa em seu nível mais privado e familiar?

Foram esses ataques sem sentido ou mérito à escritora Lúcia Facco que me fizeram decidir por escrever este texto.

"Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo." Lv 19:18

Quem é escritor, sabe: palavras bem construídas são como armas, podem ser usadas para o bem ou para o mal. No entanto, o uso dessas palavras, bem como o uso do nosso tempo, define cada um de nós.

Eu, como ser humano, me pergunto como pode alguém usar das palavras de Deus para incitar o ódio e o preconceito.

Como pode alguém que minimamente conhece a história de Cristo – sim, esse mesmo Homem que defendeu as prostitutas e os ladrões e os deficientes e os pobres e QUALQUER minoria oprimida e não entendida ou respeitada pelos demais, como pode alguém se atrever a dizer que em nome de Cristo esses ou aqueles são pecadores?

Juro que não entenderei jamais.

Não entendo como qualquer religião ou pessoa religiosa pode incentivar que diferenças sejam atacadas, que o próximo NÃO seja amado, que pedras, meu Deus, que pedras sejam atiradas sempre e a cada vez que não se concorda com o estilo de vida de alguém.

Penso que Deus é um Ser incrível, grande demais, grande demais até para que possamos entendê-Lo, para que possamos interpretá-Lo dentro da nossa tão limitada percepção!

Como podem seres limitados, como nós humanos, ousarem dizer que entendem ou sabem como pensa um ser ilimitado como Deus?

Não.
Não é assim que funciona.

Deus fala sim através de nós.
Somos sim filhos de Deus.
Mas somos TODOS filhos de Deus.

E a Bíblia é um Livro escrito por homens. Escrito com a limitação de toda e qualquer ação humana: ela está sujeita a códigos lingüísticos, está sujeita ao tempo de que fez parte, está sujeita à cultura que a originou e, a mais perigosa de todas as sujeições: está sujeita à mentalidade de quem a lê.


(obs: bolas de futebol americano são feitas com pele de porco.)

Não ouso dizer que Deus pensa como eu.

Mas, honestamente, se eu fosse supor algo em relação a Deus, eu suporia que Ele é maior que qualquer rotulação. Eu suporia que Deus não interpreta as coisas como a minha mente limitada interpreta.

Eu suporia que Deus é gigante o suficiente para ver quem é bom ou mau por suas ações para com os outros, por seu crescimento ao longo do tempo passado na Terra.

Eu suporia dizer que Deus, como meu Pai, me ama exatamente como eu sou.

“Cada um fique na vocação em que foi chamado.” Coríntios 7:20

E quanto aos meus irmãos em Cristo, eu digo o mesmo que digo para os meus irmãos biológicos: Se preocupe em ser feliz, se preocupe em usar bem o tempo que lhe é dado. Se preocupe em dar a mão a quem precisa.

Nossas mãos não foram feitas para atirar pedras.
Nossas mãos foram feitas para segurar outras mãos.

E se há algo constante na Bíblia, é justamente a noção de amor e respeito ao próximo.

Isso sim a Bíblia diz claramente.

~~~~~~~

Um adendo: os meus PARABÉNS e admiração à escritora Lúcia Facco. Por ser pioneira, por levantar uma bandeira que é de todas nós, por ter tido a coragem de lançar uma semente de mudança no mundo.

>>> Por favor, DIVULGUEM esse documentário!! Ele é absolutamente incrível!!
(link para download lá no Parada!)