sábado, 17 de janeiro de 2009

| sobre liberdade, mensagens e sonhos |

ou Helena nua de alma

Queridas, a vida às vezes toma um ritmo frenético ou nos deixa dormente a ponto de não termos tempo ou coragem de conversar. Isso é o pior que se pode fazer. Pelo menos é o que eu acho.

Acredito que conversar liberta.
E é isso o que todas precisamos: sermos livres.


Livres de amarras sociais.
Livres de paralisia.
E livres, principalmente, de auto-censuras.

Estou vivendo um momento louco em minha vida: de fins e de começos.
E eu queria lhes dizer, vocês que vêm aqui me dizer Oi e usar seus minutos junto a mim, que eu aprendo muito com vocês. Que vocês me geram reflexões e que têm me feito pensar bastante nos últimos meses. Em especial, àquelas que aparecem tímida ou sapecamente em minha caixa de e-mail, agradeço a confiança de me fazer ouvido de suas vidas e incertezas.

Foi pensando no que duas meninas me falaram que resolvi escrever este post hoje.

No primeiro post deste blog, falei das diferentes fases da auto-aceitação da minha própria homossexualidade: disse que temos a fase de ‘minhoca’, de ‘casulo’ e de ‘borboleta’.

Bom, já aprendi que às vezes, escutando sobre o caminho de alguém, fica mais fácil seguirmos nosso próprio caminho.

Então, hoje lhes falarei coisas que fiz em minha própria vida, pequenos passinhos envergonhados e cheios de medo que fui dando para chegar onde estou hoje. Não que eu seja bem-resolvida já em relação a tudo: como já disse aqui antes, ainda estou aprendendo a ser lésbica. Pela simples razão de que qualquer caminho que decidamos enfrentar, sempre trilhá-lo será um processo: sempre com coisas a se aprender e a descobrir.

Apenas eu gostaria de deixar claro que a esta altura, o que eu acho é que o processo de dizer para você mesma que você é lésbica (ou gay, ou bi) está absolutamente ligado ao seu sentir-se à vontade sexualmente. A você perceber-se como um ser sexual (e que não há nada de errado nisso!) e aprender aos pouquinhos a lidar com o que você gosta. A SE CONHECER SEXUALMENTE.

Para mim, única filha mulher de uma família de classe média extremamente católica, a palavra culpa apareceu muito cedo em minha vida. Na minha casa, sempre houve dois pesos e duas medidas: meus irmãos sempre puderam coisas que a menina da casa não podia. E tudo em relação a sexo sempre foi um tabu para mim. Era, e é ainda (para meus pais, pelo menos), proibido: mulher deve ser casta e santa. (Égua!! Deus me livre!! Nã!!! :P)

Mas uma coisa eu lhes digo: se a gente começar a passar tempo consigo mesma, se a gente começar a se ouvir, a usufruir do enorme mundo e espaço que existe dentro de nós mesmas, é incrível: a gente vai construindo uma armadura de dentro para fora. E vai meio que ‘engrossando o pescoço’ e vai percebendo que podemos, aos poucos, nos dar a liberdade de sentir, de nos ouvir, de nos permitir.

Mas temos sim que aos pouquinhos ir quebrando certos tabus.

Como eu comecei?
Okay... lá se vai...
Eu comecei fantasiando. Já percebia o meu interesse por mulheres. Então comecei indo me deitar até mais cedo do que o que eu geralmente ia para ficar deitada criando histórias e personagens e situações em minha mente. Mulheres então apareceram em minhas fantasias. A princípio, eu tive muito medo.

Mesmo que tudo estivesse ali na minha cabeça apenas, parecia-me que todos estavam escutando o que eu estava pensando! Parecia-me que o que eu estava fazendo era incrivelmente errado e pecaminoso. E aí eu parava e pensava, coitadinha de mim, como que me enganando para me permitir: “isso não quer dizer nada, é só uma fantasia. É só hoje.” E repetia assustada como se aquele Deus barbudo e carrancudo estive ao meu lado vendo tudo o que eu estava fazendo e reprovando e se decepcionando comigo: “É só hoje, viu? É que estou precisando me sentir melhor...”.

Sendo que essa história de “só hoje” foi se transformando em dias e semanas... E quando eu vi, só havia mulheres em minhas fantasias. E aí eu me forçava a pensar em homens e... nada! Eu não queria. Eu não gostava.

Mas o bom, é que quando a gente vai se permitindo, a gente vai criando coragem, vai vendo sentido naquilo, vai percebendo que você se encontrou: que isso lhe faz sorrir.

E foi aí que eu tive a coragem de deixar nascer a primeira mulher que amei: a Jennifer.

Jennifer, claro (e infelizmente :P), é criação minha.
Ela é morena como eu, tem a minha altura, é canadense (nós falamos em inglês uma com a outra), e veio ao Brasil dar um curso em uma universidade quando nos conhecemos e nos apaixonamos. E aí, vendo que era impossível viver sem mim (hehe), Jennifer mudou-se para o Brasil e passamos a morar juntas.

E eu lhes digo: como a Jenny (apelido carinhoso para ela :] ) me ajudou!
Como, através dela, pude me permitir viver tanto sem sequer sair do meu quarto!

Isso foi o que chamei da fase de ‘casulo’: a Jennifer foi o meu casulo.
Ela me deu o preparo interno de aos poucos me aceitar.
Vivendo em fantasia com ela, pude aos poucos ir criando coragem para viver coisas no mundo real.

Porque nós, queridas, somos assim: uma porta entre o mundo de dentro de nós e o mundo de fora de nós. E temos, para viver bem, que aprender a ser essa porta; que aprender a viver entre esses dois mundos, que aprender a só deixar entrar e só deixar sair dessa porta o que nos faz bem.

Por isso sempre digo da incrível responsabilidade que você tem consigo mesma. E que está sim nas suas mãos sorrir: está sim nas suas mãos a sua vida e o seu destino.

Sobre quem achar que está cedo ou tarde... queridas... CADA UMA TEM O SEU TEMPO. E é preciso respeitá-lo! Mas eu lhes digo que para mim tudo começou quando eu estava já com mais idade: TUDO foi a partir dos 26: de sexo a masturbação. De me permitir pensar em mulheres e de me permitir estar com mulher (aliás, isso só aconteceu no ano passado).

Pronto. Égua! Disse tudo.
Estou aqui nua de alma para vocês.
Mas se isso ajudar a apenas uma menina a lidar melhor com sua sexualidade, já terá valido a pena expor aqui a minha vida.

Apenas peço que, cada uma em seu ritmo, vá aprendendo a se dar espaço: a se permitir: a se conhecer: a se aceitar. Queridas, como sonhar que outros lhe aceitem se você não conseguiu passar sequer ainda do seu próprio julgamento?

Não... é preciso, antes de tudo, que VOCÊ SE APAIXONE POR VOCÊ MESMA.
Aí, acontece o que sempre acontece quando o amor chega: a gente cria força e coragem.


Eu gosto de ouvir outras pessoas.
Aprendo muito. Sempre se tem o que aprender.

Das pessoas que escuto, tenho também autores queridos, poetas e músicos que falam frases que nos arrebatam o peito, que vão se encaixar com força e intensidade a algo que precisávamos ouvir.

Deixo então vocês com algumas dessas pessoas que escuto.
Quem sabe também lhes faça bem as escutar. ;]


NILTON BONDER:

“A única forma que se tem de chegar à certeza é pela dúvida.”

“Toda experiência que nos derruba, que joga por terra nossos conceitos e percepções é reveladora.”

“O medo é o maior obstáculo para o senso de si.”

“Nosso compromisso, não é o de sermos MAIS do que somos, mas, sim, de sermos TUDO o que somos.”


Fronteiras da Inteligência - Nilton Bonder


CLARICE LISPECTOR

“Todo herói é herói de si mesmo. Quem vence está-se vencendo.”

“A dificuldade é uma coisa parada.”


A descoberta do mundo – Clarice Lispector


JOSEPH CAMPBELL


“As imagens estão aí fora, mas o seu reflexo é interior.”

“Dificuldade? A vida é dificuldade. Só a morte é isenta de dificuldade.”

“Você está sempre fazendo algo exigido de você. Onde está a sua bem-aventurança? Você precisa se esforçar para encontrá-la.”


O poder do mito – Joseph Campbell


-- Ou seja, queridas: o mundo está aí, o tempo todo se comunicando conosco. O tempo todo nos mandando mensagens. Como as interpretamos, bom, isso depende de cada uma de nós. Mas como eu disse aqui antes, acredito que o mesmo mundo que nos assusta, pode nos dar armas para a nossa luta, pode nos dizer coisas para que ganhemos força e coragem. Basta apurar os ouvidos: coisas estão sendo ditas para você o tempo todo.

Termino então com minha amada Clarice:

“Que há entre nunca e sempre que os liga tão indiretamente e intimamente?”

Ou seja, meninas: faça você alguma coisa ou não sobre sua sexualidade, isso não mudará o fato de que ela estará aí, dentro de você, pedindo que você ao menos se dê a chance de ser feliz.

Saiba sim seus limites.
Mas tão importante quanto saber seus limites, é saber a hora de ultrapassá-los!


__________________

Ah, queridas, eu raramente checo o e-mail do hotmail. Então não mandem coisas para lá, tá? Que só as encontro tempos e tempos depois! :P


| Essa música é um hino. É uma das poesias mais perfeitas já escritas. E ela fala muito também para nós.

"Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer..."




| cartum |
Filipe descobrindo que a felicidade que nos mostram não é o que esperamos. Sabe o que é? É que a felicidade é o que a gente descobre por nós mesmas! Felicidade, queridas, para mim, é uma questão de atitude. Não o que somos, mas o que fazemos com o que somos. Não o que nos acontece, mas o que fazemos com o que nos acontece. ;]








| o irreverente e sempre agitador Cazuza. O poeta caótico que viveu desorganizadamente, mas que viveu, acredito, suas próprias verdades. E porque acho mesmo que, ideologias que sejam, há coisas sem as quais viver se torna apenas sobreviver. E não estamos aqui para isso.






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18 comentários:

Lorena disse...

Eu volto depois, mas deixa eu registrar uma nota mental que me passou enquanto lia:
se sua Jenny era a Jennifer Aniston, eu SUPER entendo as fantasias! hahaha! (eu tive uma "big crush" por ela quando era adolescente)

Sim, eu volto depois que agora estou correndo (arrumando mala). Beijos!

Isa disse...

Sou muito exigente comigo mesma, quero que as coisas aconteçam logo.

Acho que sou ansiosa! ¬¬'

Maaas, desde de que comecei a "conversar" contigo tô mais tranquila, juro, principalmente em relação ao meu futuro... São sinais de amadurecimento? Tomara!

Suas palavras me fazem cafuné =)

Uma pergunta, não ri pq é sério...

Vc é de verdade? (Ok, eu sei que é, mas foi mas forte do que eu)

Bjo grande.

Lorena disse...

Pronto, voltei. Arrumar mala é um trem muito chato, mas só de pensar que estou voltando pra casa (por mais que meus pais queiram que eu continue chamando a casa deles de minha, simplesmente não é), que estou voltando pra minha vidinha e, principalmente, estou voltando para a minha formatura (yay), a chatura da arrumação se dissipa! =D

Agora, ao texto... Li duas vezes, que eu sou minimalista e gosto de sentir cada frase, cada palavra, e pra isso preciso de um tempo com elas. Primeiro de tudo, eu preciso dizer que admiro sua coragem, Helena, de vir aqui e se expôr. É, porque por mais que seja o mundo virtual, é uma exposição e das grandes, já que além de falar da sua vida, vc está sujeita aos comentários e julgamentos de quem vem te ler. Eu sempre me sinto frágil quando posto algo muito pessoal no meu blog, então imagino que isso aqui não deva ser um processo fácil e talvez você fique insegura, não sei. Mas se fica, então quero dizer outra coisa: que suas palavras são uma benção pra muita gente que vem aqui e lê (me included). Você está certa, ler sobre as experiências de outras pessoas nos faz entender melhor nossas próprias e trilhar melhor nossos caminhos. E você tem o dom da palavra, eu já te disse isso, mas repito quantas vezes for necessário. Você tem o dom e está no caminho certo com esse mestrado em psicologia, viu? =P

E eu achei que fosse só eu a deitar mais cedo pra ficar criando histórias na cabeça... O grande problema é quando isso não te deixa dormir, como tantas vezes acontece comigo. Mas ajuda, você tá certa, pelo menos também me ajuda a entender melhor meus sentimentos e até a processar melhor eventuais problemas. E ajuda a relaxar tb. =P
Sim, e espere um email Sei que sou uma das moças que te manda emails, não sei se faço parte das tímidas ou das sapecas, mas tanto faz! hahaha! Só que falar com vc é muito fácil e prazeroso. E já te considero uma grande querida, portanto lá vou eu...

Ahh, e por fim, a últma frase de Joseph Campbell me lembrou meu "tema recorrente" da última semana, coisas que escrevi por aí e que ainda estão refletindo em mim: como as pessoas se interessam e se abalam com a vida alheia, principalmente com as mudanças. E nós, cancerianas de corpo e alma, sempre fazendo de tudo pra agradar os outros, muitas vezes deixamos de ser nós mesmas. E eu estou em busca da minha bem-aventurança.

Um grande beijo, dona moça.

DiOliver disse...

Sempre digo que suas palavras me emocionam muitíssimo, mas hoje, VOCÊ PASSOU DO LIMITE, me levou as lágrimas, pra não dizer que foi um choro quase compulsivo. Tocou o dedo na ferida e ela doeu, e como doeu... (quase cortei essa parte do comentário, AUTO-CENSURA).
Como diz um psicólogo (esqueci o nome): “a mudança é único estado permanente no ser humano, elas se processam a todo momento, algumas nós percebemos, outras não”. Tenho pensado nas mudanças que preciso fazer na minha vida exterior, porém, você me fez refletir sobre as mudanças que preciso, urgentemente, fazer na minha vida interior, pq talvez seja por conta dessas mudanças internas que as mudanças externas não ocorram na “velocidade” que poderiam ou deveriam ocorrer, afinal tenho 33 “aninhos”.
É incrivelmente absurdo como alguns detalhes das nossas histórias de vida são parecidos, pelos menos nos post em que li (confesso não deu tempo de ler todos, descobri o blog há pouco tempo), deve ser por isso que me emocionam tanto.

Isa, confesso que cheguei ao mesmo ponto de interrogação (?): “Será que essa mulher é de verdade” ?
E Lorena, adorei seu comentário, primeiro pq foram belas palavras e segundo, pq seu comentário ficou maior que o meu.
Meninas estou só brincando...

Helena, amei: “quem sabe faz a hora. Não espera acontecer”, interessante que essa música está me perseguindo. A capa do CD do Cazuza é maravilhosa (e o conteúdo também, é lógico), muito criativa, tem gente que não percebe os símbolos (e suas ideologias) acham que são desenhos sem sentidos.

Pra terminar, MENINAS vamos rasgar ceda pra essa mulher, ela é tudo de bom!!!

Beijos,
Di...

Drika disse...

Helena, o que mais chama a atenção nos teus textos é sem dúvida, tua sensibilidade.
Essa exposição nua de alma é incrivelmente sutil e encantadora.

Também tive criação católica e nenhuma conversa sobre sexo. Sei bem sobre esse papo de culpa.
Beijos!

Anônimo disse...

Aí aí....o que falar....o que complementar?????
Nadinhaaaaaaaaaaaaaa rs...deu um branco....só ficou uma grande emoção, pura e genuína.
Vc tem um dom menina! Que líndo vc compartilhar com muitos!
VC TEM UM DOM!
Beijos ternos nas bochechas , um de cada lado, bem lentinho........
mineira
Ahhhh tem outro filme para lhe indicar: TERRAS DAS SOMBRAS, é antigo, tem em dvd, com Antony Hoppings, acho que escreve assim,,,rssss
vc já viu o : NUMCA TE VÍ , SEMPRE TE AMEI!...????
BJSSSSSSSSSSSSSS

*** Cris *** disse...

Olá Helena,td bem?
Amei seu post, acho que a melhor viagem é a que fazemos para dentro de nós mesmas,só não podemos nos esquecer de voltar para a vida externa e aplicar tudo o que vivenciamos em nosso interior.
Bjs e boa semana!

Marcia Paula disse...

Hum,interessante.Corajoso da sua parte,parabéns!

napontadosdedos disse...

Bacana o texto.
Expor algo pessoal as vezes é a melhor maneira de ajudar alguém...
Quando há uma identificação, tudo pode ficar mais fácil.
=)

Dri. disse...

Concordo plenamente que conversar liberta. ;)
E tenho q concordar que: Bem corajoso da sua parte.
E amo amo mesmo de paixão a música "pra não dizer que não falei das flores"


bjus moça ;)

morgana disse...

Eu vim deixar meu beijo. (SumidaS)
Ando numa correria tb. Rs
E é sempre bom ver o sapatilhando 'bombando'

Rs...

Beijos =*

Té Pazzarotto disse...

Fui eu, Té =)

Luisa disse...

mais um post que certamente irá ajudar muita gente :-)
e viva cazuza e clarice;
e viva a linguagem.
e claro,
viva o sexo :-)
e aceitação.

beijo

Fernanda R. disse...

eu não "criei" nenhuma Jeniffer, mas entendi seu processo... cada um lida de uma forma, o importante é o ato de lidar.

mas, como sempre, muito bom o texto. sinto-me como boas amigas numa conversa de buteco, regada a cerveja e boas risadas!

beijos!

K. (Incompletudes) disse...

Então né...

nada de vc! como assim?


hunf!

Bruna B. disse...

Muito legal você dividir sua história aqui com a gente, Helena.
E concordo com essa frase "às vezes, escutando sobre o caminho de alguém, fica mais fácil seguirmos nosso próprio caminho."
Me identifiquei com a parte da fantasia (pronto falei :x)rsrs'. A única diferença é que a pessoa que eu imaginei existe, ela só não sabe que eu existo. hehehe
:* bjo

Amanda G. disse...

Oh Helena... mudança requer tempo, coragem, visão, iniciativa, e dói tanto...
Mas a vida requer mudanças.
E para se pensar em mudar, temos que começar de dentro, da quebra de paradigmas, de dentro do coração...
É, mudança é fundamental. Move on... E é tão difícil...
Obrigada pelo conforto dos teus textos!!!!
Beijos.
Amanda G.

Anônimo disse...

heey, nossa me identifiquei tanto com o texto, fui criada numa familia de evangelicos, entao pra eu começar a me aceitar tbm tive q criar uma personagem até conseguir me imaginar com alguem real, só q nao sabia q tinha mais gnt q fazia isso hehe,só q eu ainda tou cheia de tabus pra quebrar e acabar cm meu sentimento de culpa, tenho 19 anos e nunca fiquei cm ngm por causa disso,
obgda pelo post, deu força pra ver q nao sou a unica no mundo :)