terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

| da série: a volta, a bolha de sabão e o caminho |

Okay. Eu sou suspeita, claro. Rs. Mas a questão é que brinco sempre que “homem é cd” e “mulher é vinil”. Homem é aquela coisa efêmera, de momento, tantos iguais e parecidos e muitos, e dispersos e, assim, em cada canto tem um tão tão similar ao outro que a gente tem dificuldade de marcar direitinho quem é quem.

Mulher não. Mulher tem lado A e lado B. Mulher é toda cheia de pequenos sulcos e camadas, long play, linhas que vão sendo trilhadas aos pouquinhos, percursos que levam a cada nova descoberta, a cada nova música, a cada nova trilha a ser percorrida e aprendida.

Sempre se precisa olhar mais de uma vez para uma mulher.
Ela não existe apenas na superfície.
E ainda assim a sua superfície transborda a si mesma num constante anunciar-se involuntário: uma mulher sempre trai a si mesma no mostrar-se.

Nossa alma fica mais próxima da superfície, entende?

Claro que há espécies e espécies de mulheres.
Há as que endureceram demais. As que fingiram tanto que se tornaram farsas de si mesmas. Há as que acreditaram em suas próprias mentiras. Há as que se perderam e andam por aí no escuro, sem achar o caminho de volta.

Assim como, claro, há homens-mulheres: não necessariamente coloridos ou femininos, mas homens que são tão especiais que desenvolveram um ‘lado B’.

A questão é, queridas, que nesta semana muitas coisas aconteceram ao mesmo tempo em minha vida. Do matrimônio (ê ê ê ê ê ê!!!), à defesa da minha dissertação de mestrado (deu certo, queridas! Até 10 me deram, ora vejam!!) aos preparativos para a minha mudança (que ocorre em duas semanas!! > dancinha, amor!!).

E quando a nossa vida é bombardeada de acontecimentos, sempre muitas reflexões são também despertas. Assim como a pausa tende ao movimento, o movimento tende à pausa: e é na pausa que os caminhos são escolhidos e que as decisões são feitas.

Eu decidi algo sobre mim há alguns anos: serei sempre eu. Seja no trabalho, seja no amor, seja comigo mesma, seja na vida acadêmica, seja com meus alunos.

E, claro, tal decisão acarreta conseqüências sociais: Como assim ser você mesma em sala de aula? Como assim ser você mesma e não uma exata e prática pesquisadora?

A sociedade, bem sabemos, sobrevive de nomes: o dentista, a faxineira, o médico, a professora, a veterinária, a vendedora, a esteticista, o padeiro, o mendigo etc.

Sabe uma das loucuras cotidianas que foi comprovada em uma pesquisa? Um pesquisador da PUC decidiu fazer de sua pesquisa de doutorado um experimento pessoal. Ele quis comprovar a ‘invisibilidade social’ de determinadas funções. O que ele fez? Passou dois anos vestido de lixeiro no campus da PUC. Resultado: ele, que era tão conhecido e abordado no campus, ao vestir o uniforme de gari, desaparecia. Era ignorado pelos alunos, pelos colegas professores, e pelos próprios garis, que percebiam que ele era ‘diferente’ deles.

Por que estou contando isso, queridas?
Por que estou dando essa volta?

Para esta mesma razão: para dar a volta.

DAR A VOLTA.


É necessário resignificar sempre tudo. Com velhos ou novos significados. Com velhas ou novas razões de ser. É necessário se permitir olhar, sentir, enxergar. Reavaliar.

Umas das críticas que o meu trabalho de mestrado recebeu e que me foi dita pelo professor convidado (que é um cara bem famoso na área que eu estudo) foi: “Helena, não interessa o que você está passando na sua vida pessoal, isso não pode se refletir no seu trabalho”.

E eu, que tanto admirava o caminho profissional desse homem, que li tantos de seus textos e pesquisas, de repente o percebi como um mero “cd”.

Não por ele ter me criticado, claro. Acatei outras críticas que ele e os outros membros da banca fizeram e estou já fazendo as modificações que farão com que meu trabalho fique melhor com certeza.

Mas eu me pergunto que sabedoria tem um estudioso que não pode ser contagiado pela vida? Para que se estuda? Para que se aprende? Como poderia eu-Helena ser separada da Helena-pesquisadora? Que qualidade tem qualquer coisa se ela não estiver repleta de quem eu sou?

QUE QUALIDADE TEM QUALQUER COISA SE ELA NÃO ESTIVER REPLETA DE QUEM VOCÊ É?

Esse é o maior sinal amarelo que pode existir: você está podendo ser você mesma? Se não, querida, pára, olha, escuta, reavalia. Porque as chances são de que algo está errado, algo está fora do caminho.

Nós, queridas, temos sim que nos transbordar. Temos que viver a vida nos anunciando para nós mesmas. Nos reavaliando, nos resignificando, crescendo, nos intercalando em nossas pausas e movimentos e nos permitindo ser exatamente quem somos.

No documentário Janela da Alma, o Saramago conta uma historinha: ele diz que sempre via, desde pequeno, o camarote principal do teatro de sua cidade e ficava maravilhado com a beleza daquele vão. Como o acesso era restrito, ele só podia ver o camarote do outro lado do teatro.

No entanto, quando ele já era grande e renomado, pôde finalmente entrar nesse camarote privado. Qual não foi a sua surpresa ao achá-lo ainda mais belo de perto e ao perceber que nele, por dentro, havia uma coluna antiga e linda, toda trabalhada. Saramago então disse: “Desde deste dia, percebi algo importante. Para conhecer as coisas, há que dar-lhes a volta!”

PARA CONHECER AS COISAS, HÁ QUE DAR-LHES A VOLTA.

Você está dando a volta em si mesma, querida?

Recebi um email de uma menina dizendo que “sentimento é bom, mas aperreia” e que talvez fosse bom entrar em uma bolhinha e só sair de lá com tudo resolvido.

E eu queria aproveitar e dizer para ela que não, querida. Não!!

Que eu sinceramente espero que qualquer bolha que cada uma de nós entre, seja na verdade uma bolha de sabão: facinha, facinha de ser estourada!!

PORQUE A GENTE ESTÁ AQUI PRECISAMENTE PARA SER APERRIADA, PARA SENTIR, PARA TER O NOSSO INTERIOR AGITADO. PARA AGIR E REAGIR.

Para sorrirmos e chorarmos e sentirmos e nos permitirmos independente do que a sociedade espera de nós.

PARA DARMOS A VOLTA.

E não se consegue dar a volta esperando que as coisas se resolvam por si sós.

Para dar a volta é necessário não apenas olhar, mas enxergar.
Não apenas ouvir, mas escutar.
Não apenas existir, mas ser.


Para dar a volta é necessário sermos exatamente quem somos, e colocarmos de novo e de novo um pé na frente do outro. Um pé na frente do outro. Um pé na frente do outro.

Só se dá a volta assim: com você mesma levantando e abaixando o seu pé: com você mesma carregando o peso do seu corpo.

A questão é, querida, que quanto mais a gente encara o desafio de seguir caminhando e carregando o nosso corpo, mais leve nossa alma fica.

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||| eu sou horrível.. sempre tô devendo Meme pra alguém! :/

mas cá estou eu fazendo um que minha queridíssima Mari me passou.

São nove coisas sobre mim, das quais três são mentiras cabeludas e escandalosas!! uahuahau.

vamos ver se alguém adivinha! :P

1. Não uso perfume, só lavanda de bebê.
2. Amo pimenta! Coloco em quase tudo!
3. Eu poderia comer peixe todos os dias!
4. Não sei viver sem bichos perto de mim.
5. Não sei e não gosto de me maquiar.
6. É impossível eu 'cair no sono'. Dormir é sempre uma decisão. :P
7. Amo balada! Não perco uma! Estou sempre lá, baby!
8. Eu quebro toda e qualquer corrente que chegue perto de mim.
9. Sou super supersticiosa! Não passo embaixo de escada, sexta-feira 13 é horror, gato preto dá azar...eticétera, eticétera.


(e, claro, sou terrível em inventar mentiras! :P)

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| geeente, já sorri muito hoje desde que achei essa maravilha! me diga se não é pra esticar a boca de uma orelha à outra! :]



| cartum |

hahaha! meu querido Miguelito com suas frases perfeitas! :P









|| e por falar no Francisco... não tem como errar com ele, né? :]


Chico Buarque - Meus Caros Amigos (1976)





Clique aqui.






PS-ZÃO: MUITO OBRIGADA, QUERIDAS, PELAS FELICITAÇÕES E PARABÉNS! EU E A LUNA AGRADECEMOS DE CORAÇÃO TODOS OS DESEJOS E SORRISOS! BEIJOS GIGANTES! :*

>> Mineirinha, Duda, Lorena, Dri, Luisa e Mari: Obrigada pela torcida sobre a dissertação! :] Me deram o título de Mestre!! Huahuahaua! Este mundo está perdido mesmo... :P

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

| da especialíssima série: sobre um sorriso de 1.73m|

Uma amiga querida um dia me disse: “Prefiro ter um blog que fale até do meu útero do que expor minha vida em orkut. Porque no blog tudo fica dentro do contexto que eu escolher”.

E, como não é raro entre eu e essa minha amiga gira-sol, eu concordo plenamente com ela.

Por isso a minha afeição por esta ferramenta-terapia, que me fez desde o primeiro dia derramar aqui meus pensamentos sobre o meu aprender-a-ser-lésbica.

É difícil quando o nosso lado mais verdadeiro tem que ser também o lado mais reprimido. Quando não posso exprimir-me como lésbica, parece-me que a minha melhor parte está guardada.

Mas foi por querer libertar essa parte tão certa e real de mim que eu criei este blog.

E nele já falei sobre descobertas, sobre dúvidas, sobre aceitação, sobre inquietações, sobre sorrisos, sobre lágrimas, sobre medos, sobre certezas.

Aqui fiz boas amigas. Conversei deliciosas conversas. Discuti bons temas. Refleti inúmeras vezes. Aprendi tanto, tanto.

Aqui, me senti abraçada.

Sorri com os recadinhos, com o carinho que tanto recebi, com os emails-fofura que vez por outra me chegam em minha caixa de e-mails.


Aqui me senti acompanhada e percebi que somos tantas, tantas ‘Helenas’ a buscar um lar em que possamos ser simplesmente nós mesmas.

Esse não me parece um pedido incoerente, não é mesmo?

Aqui, venho nua de alma, derramar meus pensamentos e ouvir o que quer que queiram me falar.

Não, este não é um post-despedida.
É, na verdade, um post-sorriso!


Porque se eu comecei este Blog falando do meu sapatilhar, falando da primeira vez em que eu me descobri lésbica, falando sobre sexo e medo e dor... nada mais justo do que vir aqui também falar de sorrisos.

E eu, queridas, me transformei em um sorriso de 1,73m de altura!

Sabe aqueles comerciais de margarina em que todo mundo só falta sair saltitando e cantando ‘lá lá lá lá lá’. Pois é precisamente como esta Helena anda!

Tá, tudo bem que eu sou quase uma alienada, uma Poliana militante, que vive a teimar que o mundo é sim lindo e que a vida é sim bela. Rs.

Mas ainda assim, queridas, o sorriso habitual ganha grandes pitadas de fermento quando o coração acha motivos para gargalhar.

É uma daquelas coisas tão raras que a tua alma é beijada e a tua boca sorri para dentro e para fora do teu corpo. E mesmo em meio a uma séria reunião acadêmica, teu coração fica lá dentro saltitando e cantando o ‘lá lá lá lá lá’.

E se eu de vez em quando recebo e-mails dizendo que ao expor a minha vida aqui eu toco essa ou aquela pessoa, o que eu queria agora era ter a capacidade de escrever algo tão belo como o que estou sentindo neste exato momento.

Queria ter o poder de algo assim:

Quando você terminar de ler esta frase, tua alma terá recebido um cafuné tão gostoso e um abraço tão apertado que você não poderá fazer outra coisa senão sorrir. Está sorrindo, já? :]


Eu queria poder encher o mundo deste exato sentimento de gritar para dentro de si um ‘ENCONTREI!’.

Não porque algo está perdido, mas porque encontrar é o verbo que mais deve ser conjugado na vida.

Encontrar a si própria, encontrar amigos, encontrar paz, encontrar memórias, encontrar equilíbrio, encontrar teu caminho, encontrar sorrisos...


E eu, queridas, encontrei a mulher que me transformou toda em um sorriso saltitante e iluminado.

E é por essa razão que venho aqui, mais uma vez nua de alma, compartilhar com vocês esse sorriso e esperar que a minha felicidade lhes contagie também um pouquinho.

Que quem sabe possamos sorrir juntas e sonhar juntas com finais felizes.


Casei-me, queridas!


E queria dividir com vocês mais esta importante e especial parte do meu Sapatilhar.



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

| da série: você, seu inferno e a tal da porta |

meninas, eu não edito essas tais conversas.. então perdoem os vícios de linguagem e as pausas do conversar (fico pensando e falando, né? :P)

(ah, tô um pouco gripada, então perdoem também a 'fungada' no meio da conversa!! KKKKK!)





O TEXTO DO CAMPBELL:

"Tive uma experiência interessante quando dava aulas no Instituto do Serviço Diplomático, em Washington, D.C., para grupos de oficiais que estavam prestes a ocupar postos no Oriente ou no sudeste asiático. Em um grupo, havia um negro muito inteligente, que acabara de passar três anos na Áustria e que iria para a Índia. Os alunos desses cursos sempre me convidavam para almoçar em um restaurante muito bom no Hotel Watergate, e daquela vez pediram para que esse sujeito me desse uma carona até lá.

Ele tinha um carro esporte bárbaro, e fazia bem o tipo. Já à mesa, a primeira coisa que ele me disse foi que o fato de ser negro fazia com que certas coisas o prejudicassem. Pensei: “Vou deixar que fale à vontade. Estou farto desse tipo de coisa.” Eu disse:

“Em termos das pessoas que conheço, você está no alto da escala. Sua vida é boa. Toda pessoa tem alguma coisa que vai contra ela. Há pessoas que não são atraentes, e isso vai contra elas. Algumas pessoas são protestantes em um país católico; outras são católicas em um ambiente protestante. Se você sai por aí pondo a culpa no fato de ser negro por tudo o que é negativo em sua vida, estará se negando o privilégio de se tornar um ser humano. Você é apenas um negro. Você ainda não é um homem.”

Aí, o restaurante começou a se encher e ele permaneceu em silêncio pelo resto do almoço.

No mês seguinte, ao chegar para a minha sessão, fui até a secretaria e o oficial de serviço me disse: “Joe, o que você falou para aquele sujeito naquele almoço?” Eu respondi: “Sei lá. Por quê?” E ele disse: “Sabe, ele comprou todos os seus livros e está lá na sala e quer seu autógrafo neles. Quando eu perguntei por que ele estava fazendo isso, ele disse: ‘O professor Campbell me transformou em um homem’.”

Bem, antes ele estava preso em seu próprio inferno: ele não fora capaz de enxergar o que havia além de sua própria idéia sobre sua limitação.

Quando ocupamos um lugar em nossas vidas e queremos estar em outro, há um obstáculo para superarmos, um limiar que deve ser transposto."

Joseph Campbell, Reflexões sobre a arte de viver – p. 156


E é isso, sabe? Se você não enxergar além do fato de ser homossexual, isso, claro, será sempre uma limitação! Como seria qualquer outra coisa que você transformasse em um empecilho para a sua felicidade e bem-estar.

Então, menina, o meu desejo maior é que você se livre do seu próprio inferno e da sua própria limitação e possa se transformar, enfim, EM UMA MULHER!


| cartum |

Dá-lhe Miguelitooooo!!! Hahahaha!










| este é o disco da Nana que acho mais lindo! a perfeição em forma de disco! Nana cantando Dolores Duran!!! Imagina!!! E, claro, por um motivo muito pessoal, tenho ciúmes deste disco.
(e olhe que não sou uma pessoa ciumenta!! hahaha)


Nana Caymmi - A Noite do Meu Bem: As Canções de Dolores Duran (1994)






Clique aqui.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

| da série: sobre desejos, novos dias e sorrisos |

...um daqueles posts misturados... (eu até que estava me comportando, não é?) :P


Um dia eu estava conversando com as palavras do Rubem Alves e ele, sempre dono de muita poesia, me disse:

O tempo se mede em batidas, podem ser as batidas de um relógio, ou podem ser as batidas de um coração.

Eu tenho dois cachorrinhos, sabe? Um grande, ainda bebezão e irresponsável, e outro, pequeno, já um idosinho-bem-conservado e sempre sério.

O pequeno, que é o cachorro mais sensível, especial e bem-educado que já passou por minha vida, tem uma mania engraçada: tudo o que ele gosta, ele leva para debaixo da minha cama (que é grande, de casal, porque na de solteiro meus pés ficavam do lado de fora :P). Então, de vez em quando, lá se vou eu ter que fazer uma faxina no mundo do meu pequeno: tampinhas de plástico, galhinhos que ele achou no quintal, uma bola de encher que voou para dentro de casa... marmotinhas que ele foi encontrando e colecionando.

Mas nada é mais lindo do que quando eu olho para o seu mundo-de-debaixo-da-cama: lá está ele, quase que sorrindo, cuidando de seus tesouros. Cercado daquilo que acha belo.


Na minha família, todos sabem que adoro ganhar livros de presente. Fato que funciona muito a meu favor. :]

Assim, no Natal, o presente da namorada do irmão veio embrulhadinho de vermelho e com um sorrisão enorme dela, me dizendo: “Sei que você adora livros. E esse mudou a minha vida! Tenho certeza de que você vai gostar também! Ele me lembra você!”.

Eu, que só de ser lembrada já fico morta de feliz, dei um abraço apertado nela e abri em alvoroço infantil o pacote do livro. Estranhei o título: Nunca desista dos seus sonhos, do Augusto Cury. Sorri para a cunhada porque se ela estava tão feliz me dando, eu recebi também com alegria a felicidade dela.

Depois, já em meu quarto, fiquei olhando para o livro. Sequer o abri, confesso. Só abro um livro quando ele me chama, quando sussurra o meu nome. Apenas olhava incrédula para o título: Nunca desista dos seus sonhos.

Enchi-me então de tristeza. Fiquei me perguntando por que vivemos em um tempo em que é necessário que alguém venha e diga em letras publicadas: Nunca desista dos seus sonhos.

Lembro que antes de eu cometer o meu solene e simbólico Orkuticídio, uma amiga tinha deixado um testemunho para mim: A Helena ri tão fácil que chega a ser boba.

E eu lia, de novo e de novo, a beleza do testemunho dela e caía na risada. :P

O que sei, queridas, é que por melhor que seja um livro desses (se fez bem à minha cunhada, que é uma mulher que eu admiro, tenho certeza de que está fazendo bem a outros tantos) não deveria ser necessário alguém te dizer Nunca desista dos seus sonhos.

Você É os seus sonhos.

Se você os esquece, você esquece seu próprio nome. Sua própria pessoa.

E me dá tristeza que algumas pessoas estejam tão carentes e perdidas que tenham que ser lembradas de não esquecerem os seus sonhos. De não esquecerem de si próprias.

Sei que há épocas da vida em que estamos tão fragilizadas que necessitamos que até o óbvio nos seja dito.

Mas eu queria muito que você, que está gastando o seu tempo comigo neste momento, concordasse comigo. Nem que seja para o meu deleite. Para que eu acredite que as pessoas não estão esquecendo de olhar para dentro de si. Para que eu continue a crer que as pessoas não podem estar tão dormentes a ponto de calarem a própria voz.

Eu não sou a pessoa que acorda com o melhor humor do mundo, sabe? Não é nem que eu acorde mal-humorada, é que acordo ainda meio dormindo: gosto de me espreguiçar várias vezes, gosto de ir deixando que o som do mundo chegue aos meus ouvidos aos pouquinhos, assim, de forma lenta, como deve ser mesmo um acordar.

Mas, mesmo assim, todos os dias quando abro os olhos, gosto de olhar ao redor do meu quarto, para cada cantinho, para a luz leve do sol entrando pelas frestas da janela, para a pilha de cds na mesinha de cabeceira, para as fotos na parede... Gosto de pensar nas coisas que aconteceram no dia anterior, ou em coisas boas da minha vida, ou nas pessoas que moram no meu coração. Porque sou um pouco (ou muito) como o meu cachorrinho: guardo o que eu acho belo perto de mim.

E porque, a bem verdade, é que um novo dia significa um dia a mais.

Às vezes eu gosto de abrir a janela do meu quarto antes do dia clarear por completo, apenas para ver o sol aos poucos pintar tudo de amarelo. Nessas horas, tenho certeza, meu tempo é medido em batidas do coração.

E eis precisamente a conversa que quero ter neste momento: o meu desejo de que você tenha um novo dia!

Pensemos juntas sobre O QUE significa realmente ganhar um novo dia: a noite se foi; foram horas e horas de escuro que, aos pouquinhos, se transformaram em luz.

Se você teve pesadelos, ao acordar, está livre deles.
Se você teve sonhos, ao acordar, pode continuar a sonhá-los. E quem sabe pode até vivê-los realmente.

Você estava dormindo, inconsciente, indefesa, de olhos fechados, sem mover-se.

Mas quando o novo dia chega, você acorda, vira dona de seus pensamentos, já sabe defender-se, está de olhos abertos, e pode já movimentar-se para onde quiser.


ISSO É O QUE UM NOVO DIA DEVE TRAZER.

E é por essa razão que eu te desejo um novo dia. Um novo dia para o resto da sua vida.

Um novo dia em que não seja necessário que alguém venha lhe dizer Nunca desista dos seus sonhos, porque lhe soaria absurdo e ridículo alguém lhe dizer isso.

Um novo dia em que você tenha certeza de tudo o que existe dentro de você e que você reconheça a sua voz, mesmo que o resto do mundo não saiba dela.

Um novo dia em que você esteja com o seu-mundo-de-debaixo-da-cama todo enfeitado de tudo o que lhe é mais precioso. Porque o nosso ‘debaixo da cama’ cabe todo aqui dentro do peito.

O que eu te desejo, moça que agora me lê, é que você seja a mais boba das criaturas.

Tão boba, mas tão boba, que sorria assim, facinho facinho.

Mesmo que seja por coisas e marmotinhas que estão, ainda, debaixo da cama.


| ...porque eu me acabo com esse garotinho. e porque eu acho que a vida deve ser precisamente assim: um sorriso bobo.


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bem, minhas queridas amigas blogueiras, Mari e Duda, aprontaram para cima de mim: fui uma das suas escolhidas para um Meme:

ESCREVER UMA LISTA COM 8 COISAS QUE SONHO FAZER ANTES DE IR EMBORA DAQUI.

Diz-se que as regras são invioláveis, :P, mas sei que elas gostam de mim e vou abusar desse bem-querer para quebrar as regras.

Fazer o que, né, um pouquinho de safadeza nunca fez mal a ninguém.

É que eu não eu não sei colocar coisas com um prazo tão longo (espero!) em listinha. Não sei, Mari e Duda e Lezzie (mais nova dona de um blog de Memes)! Juro que é porque eu não sei mesmo, viu?

Então, eu fiquei pensando sobre essa tal tarefa... Vocês não imaginam a dor de cabeça que vocês me deram.. rs. Hummm.. pensando... Bom, eu ainda não estou, profissionalmente, aonde quero estar, mas acho que é questão de tempo. Eu ainda não achei um cantinho para morar na nova cidade, mas eu acho também que é só questão de tempo. Amor eu já tenho tanto dentro de mim... Sorrisos, nossa, tenho sorrido mais do que nunca. Viagens.. também sempre as fiz e acho que, dentro do orçamento de cada época, sempre as farei. Paz.. é minha prioridade número 1. Nunca deixo quebrar isso e, quando acontece de quebrar, corro logo para consertar. Meus queridos bem e felizes... infelizmente não tenho poder sobre isso, mas sei que sempre farei o que estiver ao meu alcance para que assim eles estejam. Filhos.. também acho que é só questão de tempo... bom.. rs. talvez no fim das contas eu até que respondi o que disse que não saberia responder... que bom, né?:]

E, já que eu quebrei mesmo as regras, posso continuar na traquinagem, meninas? :P

Ao invés de eu indicar outras 8 donas de blogs, que tal cada uma que for passando por aqui, e quiser, claro, responder as tais coisas?

Assim não fica só entre nós, blogueiras, né? ;]


| cartum |
Resposta necessária, essa, não é, Mafaldinha?








| tudo o que estiver na voz dessa mulher, eu escuto. amo.
a voz dela tem a fortaleza de um orixá.


Teresa Cristina & Grupo Semente - Delicada (2007)






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