quarta-feira, 25 de março de 2009

| Da série: de sua autoria |

Meninas, finalmente estou de volta!! :]

Primeiro de tudo: obrigada pelos comentários carinhosos e pelos recadinhos e emails que vocês me mandaram nesses dias de ausência aqui do Sapatilhando!

A vida anda supimpa, gente! :] Casadíssima, amando e sendo amada, já achei o apê certo na capital paulista, e também estreei minha coluna no Parada Lésbica (falarei sobre isso mais abaixo).


E, claro, estou de volta ao Sapatilhando!! \o/

Como estão vocês?

Bom, adoro quando chega a hora de voltar a um lugar. É que quando isso acontece, é inevitável se olhar para as memórias que aquele lugar lhe traz. Você faz um balanço do que viveu durante essa ausência: do que pensou, de como cresceu, sobre quem você era então e sobre quem você hoje é.

É que todo lugar é na verdade um guardador de tempo.

E como caixinha temporal, um lugar guarda várias versões de você mesma.


E cada uma de nós é essa massinha de modelar, não é mesmo?
A questão é que chega uma época na vida em que somos nós mesmas quem esculpimos essa matéria que nos forma.

E é sobre isso que eu queria conversar hoje.


Um dia desses uma amiga me veio com o seguinte comentário: Helena, você não cansa? Eu quis perguntar “de quê?”, afinal me canso de várias coisas em vários momentos, mas antes que eu pudesse lhe questionar, ela me respondeu: Você não cansa de existir? De ter que estar sempre aprendendo, sempre mudando, sempre se adaptando ao que acontece?


Olhei para ela e sorri.Acho que o meu sorriso foi tão genuíno que ela me perguntou por que eu estava sorrindo.


Respondi-lhe:


Estou sorrindo porque essa sua pergunta ilustra precisamente a razão de ser para você que corro quando quero a opinião sobre algo. Ter a consciência da necessidade dessa constante adaptação faz de você uma minoria, minha amiga.


Se nos cansamos às vezes disso? Claro que sim!


Da mesma forma que nos cansamos quando estamos caminhando para chegar em algum lugar. Caminhar, ou seja, percorrer um caminho, cansa! Nada mais natural do que isso!


E é bom que nos cansemos mesmo!


Porque cada vez que cansamos nos perguntamos se estamos indo para o destino certo, checamos o caminho, consultamos o mapa para ter certeza, damos atenção aos nossos pés e, mais do que isso, nos lembramos que nossos pés existem.


Isso mesmo.


Porque temos, todas nós, essa ridícula mania: às vezes deixamos de prestar atenção ao que está funcionando bem.


No fim, qualquer dor, qualquer cansaço, serve precisamente para isso: para que nos lembremos de prestar atenção a algo.


Cuidar deste algo é cuidar da dor.


E CUIDAR de qualquer coisa que esteja relacionada a você é cuidar de você mesma.

E quando estamos cansadas, cuidando desse cansaço, se recuperando para continuar, a única precaução que temos que ter é a de não descansar demais. É que descansar depois que o cansaço já passou é como comer com a barriga já cheia: tudo o que vier depois dali é desnecessário e só lhe prejudicará.


Alguém já achou uma marmota o maestro que fica em frente a uma orquestra?Eu já achei. Eu achava que aquela devia ser a melhor profissão do mundo! Que tudo o que a pessoa precisava fazer era ficar ali balançando os braços, sentindo a música e fazendo cara de compenetrado e fingindo que estava fazendo algo muito importante! Rs.


Mas sabe o segredo que está por trás do maestro?


A apresentação da orquestra é um mero depois.


Antes daquele momento de apresentação, o maestro passou horas, dias, meses, anos equilibrando cada setor daquela orquestra. Ele é um costureiro de sons, e trabalhou por muito tempo juntando e reformando cada tom de cada conjunto de instrumentos para que no fim o som total possuísse harmonia.


E eis o ponto central: Você é sua própria regente.

Cada conjunto e cada setor de você mesma precisa constantemente de SUA dedicação para que o conjunto total possua a harmonia necessária para uma boa apresentação de você mesma.

Não pelos outros, mas por você mesma.



Porque a bem verdade é que, querida, não há outra pessoa a quem responsabilizar por sua própria apresentação além de você mesma.


E essa, essa é verdadeiramente a mais cansativa conclusão a que uma pessoa pode chegar.


Porque nesse momento você percebe que é justamente você quem precisa estar constantemente fazendo reformas em si mesma. A massinha de modelar que te forma, querida, jamais estará pronta; e sempre, sempre necessitará da tua mão a ajustar algo, a afinar sua própria música.


Mas sabe o lado bom?


Quando você passa tempo organizando cada setor de você mesma, você tem aqueles divinos momentos em que você está lá na frente, sentindo a sua música com o movimento do seu corpo, sorrindo orgulhosa de ver quão bela é a sua própria música.


No dia em que percebemos que nossa apresentação para a vida é fruto de nossa dedicação a nós mesmas, percebemos também que somos o nosso próprio maestro.


E eu não sei você, mas eu acho que ser maestra de si mesma é algo absolutamente libertador!

Pode dar trabalho, pode cansar, mas venhamos e convenhamos: quer coisa melhor do que finalmente perceber que é você quem é a dona do seu próprio corpo?


E é isso, querida: na próxima vez que falar o seu nome para alguém, lembre-se que você está apresentando um conjunto que é de sua autoria.



[cartum]

Mafaldinha mostrando que haverá 'esmagadores de ideologia' por aí sempre (e muitas vezes dirfaçados de autoridades e de vozes corretas), e que cabe a você reconhecê-los.










> Se tem uma coisa que AMO no Fulano, é que ele sempre me apresenta coisas novas. Não conhecia esta moça, mas ela juntou em um mesmo disco um monte de belezas perfeitas enfeitadas com uma voz macia aos ouvidos. A escutem, ok? Vale a pena! ;]



Márcia Lopes - Bonita (2008)





Clique aqui.







> Não sei se todas já sabem a história de como conheci a minha esposa: mas começamos a conversar quando ela me convidou para ser colunista do Parada Lésbica. É que ela é a Editora de lá, a Del. Bom, como fiquei mais concentrada na Editora do que no convite para Colunista, rs, e depois veio mudança e coisa e tal, rs, a coluna acabou sendo adiada várias vezes. Mas semana passada ela finalmente foi estreiada!!


Lhes apresento a "Reflexões de uma Pollyanna Militante"!!
Estarei lá a cada quinze dias!! Espero vocês por lá também, viu?? ;]



PS: Ainda estou sem internet no apê novo, meninas. :/

Continuo a pedir a paciência de vocês, viu? E, claro, que continuem por perto! ;]

domingo, 1 de março de 2009

| da série: sobre muros, escolhas e atitudes |

primeiro uma conversinha ao pé do ouvido...



||| A palestra do Randy Pausch:

PARTE I



PARTE II



>> para a versão em inglês, vá aqui.



||| E agora o textinho meu que encontrei por aqui e que fala um pouco dos muros e paradas de nossa vida.

.o que nos faz caminhar.


“Um menino caminha
E caminhando chega no muro

E ali logo em frente

A esperar pela gente
O futuro está...”

* TOQUINHO – AQUARELA *


Quem disse que viver é fácil? Viver é caminhar. E a própria noção do caminhar é cansativa: um pé na frente do outro, um pé na frente do outro, um pé na frente do outro... sempre. Enquanto se estiver caminhando tem-se que estar fazendo esse movimento.

A questão é que, ao caminharmos, não estamos fazendo escolhas. Estamos administrando as escolhas já feitas, sobrevivendo às escolhas já feitas.

Sabe aquela famosa frase: ‘o caminho se faz ao andar’?
Na realidade, não é bem assim... Na verdade, o caminho se faz ao parar.

O caminho se faz ‘quando se chega no muro’.
São as paradas que decidem destinos.
São nas paradas que damos a direção de nossas vidas.
São nas paradas que passamos adiante para outra fase de nossas vidas: uma fase pós-muro, pós-decisão-feita.

A questão é que, quando se chega no muro, só há três escolhas:

Ou se permanece onde está: parado.
Ou se faz o caminho de volta: andando para trás novamente.
Ou se sobe o muro, atravessa-o, e se segue adiante: para outro caminho.


E o lindo da vida é que nenhuma dessas escolhas é necessariamente errada ou correta. Todas são possibilidades. Nada mais que isso.

Mas, claro, como toda escolha, trazem conseqüências.
Acho que a lei principal da vida é essa: ‘para toda ação há uma reação’.
Não há como fugir disso.

A questão é que muros existem por uma razão.
Muros são a parte mais importante da vida.
E, por isso mesmo, não são fáceis: uma escolha há que ser feita.
Muros servem para que repensemos o caminho: para que fiquemos em uma situação em que temos que decidir: Voltamos? Ficamos? Seguimos adiante?

Muros são um diálogo interno.
Eles bloqueiam a nossa visão para que sejamos forçados a olhar para nós mesmos, ao invés de nos distrairmos com a paisagem.


Os-muros-são-separadores-de-fases.
Indicam finais e começos.
Sufocam: porque exigem uma resposta.
Dão ar: porque apresentam novos caminhos ou renovam uma escolha.

Responder ao muro é falar a verdade para si.
― Preciso voltar. Deixei lá trás algo precioso.
― Preciso ficar. Não está na hora de ir.
― Preciso seguir adiante. Quero coisas novas.


E o muro não é bonzinho. Não. Não.
O muro é sádico e frio: é tijolo no seu caminho.
E ‘nunca se esquece esse acontecimento’: como a pedra no meio do caminho, só se chega ao muro, cansado. Estar cansado faz surgir o muro. Porque se o muro vem exigir escolha, ele também vem oferecer escolha.
E não dá para não notar a chegada do muro: ele grita vermelho e rude que há uma decisão a ser feita.

E nem sempre se escolhe o que se deveria ter escolhido. E quando, mais adiante, percebemos isso, temos raiva das escolhas que não escolhemos.
Mas como a vida é perfeita justamente por ser imperfeita, uma hora percebemos: ter raiva é ter cansaço e ter cansaço é o que fabrica o muro. Assim, os muros sempre aparecerão diante de nós: e sempre teremos nossas três escolhas: de voltar, parar ou seguir.

É bem verdade que o mesmo tempo que fabrica os muros é o tempo que modifica os muros: então nem sempre o muro trará os-mesmos-novos-caminhos. Mas quem disse que ser igual é necessariamente ser melhor, não é? Novos muros estão aí, mais altos ou mais baixos, mais claros ou mais escuros, mais grossos ou mais finos, pedindo uma resposta. E uma-resposta é sempre melhor que resposta-nenhuma.

Então o muro vem para nos mostrar isso: que somos nós quem damos as respostas. Somos nós quem decidimos se voltamos, ficamos, ou seguimos.


Estar vivo consiste em responder isso a cada muro, nos muitos muros que existem.

E para quem acha que os muros são vilões, vai um aviso: são os muros que nos fazem caminhar: pois se voltamos, ficamos ou seguimos é por causa do muro que nos exigiu uma resposta.

E se em algumas vezes erramos, em outras acertamos justamente por voltar, ficar ou seguir.

Ademais, como o muro pode ser vilão se somos nós quem damos a resposta ao muro?

O muro é uma bandeja de possibilidades: cada um se serve do que quiser ou puder escolher.

Mas nada de se alarmar: é caminhando que novos muros aparecem e novas escolhas podem ser escolhidas. E se cansar, faz parte da biologia de quem está sempre a guardar e soltar ar com os pulmões.

Então, inspire; expire. Responda ao muro e saiba que logo, logo um outro muro lhe aparecerá para que você tenha a chance de escolher novamente.

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|| A Zélia cantando uma música que cabe perfeitamente a este momento da minha vida!



|| e o cd dela que tem essa música!! ;]

Zélia Duncan - Perfil




clique aqui.





Um beijo, minhas queridas!
Até a volta!
Não me abandonem, okay? Plissss!! Rs.
Bjão!!