domingo, 26 de julho de 2009

Manifesto: Sobre óculos, sonhos e igualdade

No mundo jornalístico há uma máxima: a notícia não é quando o cão morde o homem, mas quando o homem morde o cão.
Até aí, percebe-se algo que parece que nos é inato: o incomum nos fascina; desperta partes famintas de nós; traz à tona muitas vezes áreas nossas que não são nada nobres.

Entendo que sejamos seres fracos; entendo que cada um de nós tenha momentos mesquinhos, em que somos nada além de humanos: dos seres errôneos e bobos que realmente somos.
Entendo que nos interessemos pelos porquês do músico que mudou de cor e cara; entendo que todos corram para ver a foto da atriz que apareceu vinte quilos mais gorda; entendo que o mundo inteiro noticie sedento o escândalo sexual do casal de atores: a vida é verdadeiramente difícil, entende? E a desgraça alheia sempre chama atenção: seja para compadecer-se, seja para se ver que os outros também têm problemas; seja para dar graças por não se estar no lugar do azarento, seja para se ter um assunto sobre o qual opiniar...

Acontece que tudo é tão complexo... e há uma linha espessa e bem definida entre o observar e o julgar. entre o entender e o apontar.
Há um conceito moral que na verdade reside em todos os humanos e que, se usado, realmente separa o joio do trigo.

Esse, na realidade não está em voga: encontra-se escondido em preceitos humanos e filosóficos tão antigos quanto a nossa própria existência.
À ele, dá-se um nome que, ironicamente, é bem conhecido: RESPEITO AO PRÓXIMO.

Carlos Drummont de Andrade tem uma frase que acho a base de todo e qualquer entendimento humano: "Respeite a dor que os passantes levam consigo."

A questão é que o mais infame de nós é capaz de reconhecer a dor. Porque todo e qualquer ser humano em algum momento da sua vida a experimentou.
No seriado americano "Betty, a Feia", a atriz protagonista diz ao chefe rico que ele jamais poderia entender os problemas que uma família pobre passa. Ao que ele respondeu: "Posso não ter vivência dos seus problemas, mas tenho vivência dos meus".

O ponto é, queridas, que acho que é precisamente aí que cabe a questão do preconceito. Em especial, falo do preconceito que mais nos atinge: a homofobia.

Temos algo recorrente em nós: tememos o que não entendemos. e na maioria das vezes repudiamos o que tememos, o que desconhecemos.

No filminho animado "Os Sem-Floresta", quando um grupo de animais acorda da hibernação, acha um muro-sem-fim separando-os do que agora é um condomínio fechado. Uma das personagens, assustada e sem saber o que é aquilo, diz: "Eu teria menos medo se eu soubesse como se chama."

Eu divido a minha reação sobre as pessoas que têm preconceito conosco, homossexuais, em duas: as que me dão pena e as que me dão raiva.

As que me dão pena são geralmente pessoas que quero bem, pessoas que eu queria que pudessem enxergar além, pessoas que eu gostaria que transcedessem ao ponto de perceber a complexidade do ser humano. Que eu desejo que entendessem que o amor jamais teve uma só forma; que todo homem e toda mulher carrega em si a capacidade de amar um igual, e que esse amor apenas difere de cada um para cada um: às vezes se ama como amigo, às vezes como amante. Eu queria que eles fossem elevados o suficiente para celebrar o amor em qualquer forma que ele pudesse ter. Eu queria que eles entendessem que ser diferente não é uma ameaça, não é um pecado, não é nada além de uma característica, como o é ser alto ou baixo. Eu queria que eles tivessem tamanho entendimento por sobre a vida que os fizesse capazes de perceber que o que forma cada um é sua essência, não sua orientação sexual. Eu queria que eles me vissem pelo que sou, porque só assim eles me teriam por completo e eu os poderia ter por completo.

As que me dão raiva são as que, além de serem intolerantes, são rasas o suficiente para incitar o ódio, o desprezo, o julgamento e a injustiça. São esses indivíduos que soltam as frases mais vis, são eles que agem como falsos paladinos de uma noção absolutalmente errada sobre o que é certo ou não. São eles que vêm com tochas nas mãos e ódio na boca, são eles que julgam sem sequer olhar direito. São eles que machucam o mais indefeso. São eles que se juntam aos mis, para atacar apenas um. São eles que colocam lençóis nas cabeças e atiram pedras gigantes sobre os que não podem se proteger. São eles que se aproveitam de uma legislação pobre e extremamente falha para lançar seus direitos de ódio e de uma questionável normalidade. São eles que ousam falar em nome de um Deus que jamais nos castigou por sermos quem somos. São eles que são almas mesquinhas, absolutamente incapazes de saber o sentido da vida. Eles deveriam me causar pena, mas me causam raiva por ainda serem maioria, por convencerem os fracos, por liderarem os que não sabem direito o que pensam.

A verdade é que não sei por que sou lésbica.
Mas SOU LÉSBICA.
Não preciso entender isso. No entanto, precisei eu mesma aceitar.
Precisei eu mesma ficar em paz com essa realidade, assim como se precisa ficar em paz com o rosto que se tem ou com o corpo que se tem.


E realmente entendo que o mundo ainda não está no lugar ou tempo de perceber como iguais aqueles que tacharam de homossexuais.
Da mesma forma que o mundo não estava preparado para aceitar como iguais os negros na época da segregação racial.

A questão é que quando os brancos não aceitavam os negros, o mundo na realidade era extremamente mais burro.
Ele ficou um pouco mais inteligente, embora ainda vejamos exemplos cotidianos de preconceitos raciais.

Mas um longo caminho foi trilhado desde que Martin Luther King Jr. disse que tinha um sonho.
Ou que o Dragão do Mar ou os quilombos brasileiros lutavam por essa tão sofrida e esperada igualdade.

O que eu espero?
Eu espero que o mundo aprenda a ser ainda mais inteligente.
Que veja que quando apontamos diferenças como um defeito, que quando condenamos essas diferenças, estamos sendo na realidade absolutamente limitados e míopes.

Martin Luther King Jr. disse: "Eu tenho um sonho que um dia minhas quatro crianças viverão em uma nação onde não serão julgadas pela cor de sua pele, mas sim pelo conteúdo de seu caráter."

O sonho dele se realizou em parte, mas o mundo AINDA não é capaz de julgar pelo conteúdo do caráter.
É fato que são muitos os que precisam de óculos. São muitos os que precisam aprender a enxergar almas e não rótulos.

Eu também tenho um sonho: eu sonho com um mundo que seja capaz de ver que o que mais se precisa é do amor e que, quando acontece dele surgir, ele deve ser celebrado e não condenado. Eu sonho com um mundo que seja sábio o suficiente para reconhecer que o que nos define sequer pode ser nomeado: que é o que nos bate no peito que nos dá nossa verdadeira forma e essência.

Até lá, sejamos fortes e nos apoiemos uns nos outros: porque temos a missão de sermos exatamente quem somos e de nos orgulharmos disso.



27 comentários:

Lezzie disse...

Nada melhor do que ir pra cama com uma reflexão desse tamanho de uma mulher que só deixa coisa boa na vida de todo mundo. Beijo pra vc flor. Continua com o mesmo brilho de sempre.

Anônimo disse...

Oi,Helena!

Eita, mulher que escreve bonito e profundo!Comento sob o som dessa música, linda.
Então...Helena, é isso mesmo, homofobia é triste, a maioria ainda não tem a devida noção do que seja realmente o respeito pelo outro ser humano. Por que será que é tão difícil respeitar o outro com a diferença?! Sentem-se ameaçados, inseguros, superiores?!
Ah...eu fico é perplexa com pessoas preconceituosas! Não me entra na cabeça essa incapacidade de entendimento. Concordo, as pessoas temem o que não entendem, e temem mais ainda porque existe essa possibilidade e essa realidade.
Mas, vamos combinar o seguinte, apesar dos pesares : encaremos tudo isso de forma leve e bem humorada, focando no que nos completa e nos faz feliz. E fazer valer a pena.

Bjs
Belisa

Mundo Paralelo disse...

Olá Helena!

Ontem estava me perguntando quando a senhorita iria dar o ar da graça... Rs... Você não pode privar seus leitores das suas reflexões.

De certa forma - só que bem menos eloqüente -, também andei fazendo reflexões sobre a necessidade que a sociedade tem de rotular as pessoas de acordo com a cor da pele, a situação econômica, orientação sexual e etc.
Será que é tão difícil entender o outro pela individualidade única que ele é?!
Fico pasma como o preconceito que perpassa a sociedade e como pouquíssimas pessoas têm a coragem de questionar as bases “pré” conceituosas desses rótulos. Às vezes tenho a impressão que mesmo com todo o desenvolvimento tecnológico o ser humano ainda permanece preso a mentalidade “emocional” do tempo das cavernas, no sentido de tentar resolver todos os problemas pela força bruta ou pela imposição.
Balzac sintetiza perfeitamente esse não entendimento em uma única frase: “É tão natural destruir o que não se pode possuir, negar o que não se compreende, insultar o que se inveja.”

Espero que a senhorita não suma por muito tempo.

Beijos!!

JAC disse...

Olá, Helena!

Sempre adoro o jeito que você escreve, como achei o tema bem interessante revolvi dar meu ponto de vista.

Acho até que ninguém é obrigado a aceitar ninguém, porém quando tudo vira derespeito ai temos que gritar, nos rebelar e exigir nossos direitos.

Porque antes de tudo somos cidadões, temos deveres(sim), mas também direitos, quando um politico vai pedir seu voto ele não pergunta sua orientação sexual e diz :

-Você é Lesbica, então não quero seu voto.

Se somos todos iguais, porque nós dizem que não podemos casar( quem tem tomar essa decisão sou eu) ou não podemos dar reconhecer um filhos juntas( Tem tanta gente jogando seus filhos pela janelas e poderam reconhecer).

Só mudamos pontos de vista através de mobilizações( demoramos 4 séculos para darmos conta que a escravidão era errada).

Bem isso era o que tinha a dizer( acho que até sai um pouco do enredo).

GOTS disse...

Olá! Estava passeando pelo seu blog e adorei! Principalmente este post! Vc screveu mt bem!! E queria saber se vc queria trocar links de parceria com o meu blog! O meu blog é sobre filmes gls em especial mulheres. Espero resposta. Bjs

http://girlsontheside.blogspot.com/

Fala Rapha disse...

Muito bem escrito, cara Helena. Muito bem escrito MESMO. Está de parabéns!

beijo

Del. disse...

Amor todo revoltado, cheio de atitude, ADORO xD

Brincadeiras à parte... É fogo que de manifestações o mundo está cheio, mas como já diria alguém aí que eu não lembro quem "Ignorance is bliss." Até que esse povo saia da ignorância vai tempo...

Vai muito processo, vai muita imposição dos LGBT que precisam se manifestar também.

Saudade da mulher mais perfeita desse mundo. =*

Lorena disse...

Ai, ai, amiga... Sabe que só ler desabafos como o seu me dão vontade de chorar. Não sou uma pessoa descontrolada nem dada aos arroubos de emoção, como se diz, sou controlada... Menos, menos com injustiça, preconceito sendo uma das formas mais mesquinhas em que ela se apresenta, e a que me deixa mais abalada. Sinto uma dor física mesmo, sabe? E, como você, também separo os preconceituosos nesses dois grupos, mas as duas fontes de emoção (a tristeza da pena e a agressividade da raiva) me deixam muito mal.

A homofobia me machuca muito. E eu vivo rodeada dela, e a vejo em tanta gente que eu amo que ando constantemente deprimida, quando penso no assunto. Odeio o fato dela ser "socialmente aceita", de ser destilada por qualquer pessoa em frente a quaisquer pessoas e não ser vista como algo abominável, ou pelo menos politicamente incorreto, como acontece com o racismo, xenofobia e outras formas de preconceito. Infelizmente, ainda vejo a homofobia como parte cultural, assim como o machismo, e são as duas coisas que mais me afetam e me deprimem.

Ainda sonho com essa sociedade onde o diferente não vai ser visto como alvo, um alvo distante cujo objetivo é ser atingido, de alguma forma. Seria muito bom se todo o diferente fosse visto como só mais um ser humano, que merece ser tratado como humano, com respeito e dignidade.

Sonhemos juntas, então.

Adoro vc. Beijão.

Gisa Lima disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gisa Lima disse...

Helena, conseguiu expressar muito bem seus sentimentos.
Tudo o que podia ser dito você o fez.
No entanto quero deixar aqui algo mais, uma frase que não é minha, mas que também expressa um dos sentimentos mais profundos e dolorosos dos homem, a "INDIGNAÇÃO", tal sentimento é compartilhado por todos nós homossexuais.

"VIVEMOS NUM MUNDO ONDE TEMOS QUE NOS ESCONDER PARA FAZER AMOR, ENQUANTO A VIOLÊNCIA É PRATICADA EM PLENA LUZ DO DIA."

smacks,

Gi.

Gisa Lima disse...

PS: Frase de John Lennon
¬¬

Anônimo disse...

Aí minha línda, vc me emociona sempre, com suas reflexões tão pertinentes e profundas....
Aí aí, estou aínda sem folego, pq lí tudo no impulso, e captei sua dor e ira por tantas injustiças.
Querida , quem lhe fez mal?
Me conta que eu vou lá bater neles tudim, tá...me fala , desabafa mesmo, que sou toda ouvidos , ombros e colinho....
Poxa Helena, vc sempre tão sensível e sábia, tão jovem e tão madura.
Gosto de vc, muiiiiiiiiiiittttttooooooooooooo mesmo bichinha cabra da peste, oxenteeeeeeeeeeeeee rs.
Brincando um pouco pra deixar os ares mais leves né, pq eu fíquei sem voz aquí, só com o coração aos pulos....
Vou alí tomar um chá e tomar folego e volto neste tempim , inté,,,,rs
aí aí,,,,menina valente!
Lhe admiro ....
Beijos nesta alma tão alva !
mineira

Isa disse...

Nossa, eu quase chorei! OO

Que incrível, divido a minha reação ao preconceito da mesma forma q vc, e sofro muito por ter pena das pessoas q amo reagirem de forma tão estúpida. Dói de verdade! =(

Tava com saudade das suas palavras...
Me faz um bem imensurável!

Bjos.

Dra. Gô disse...

Muito bom o seu post.
Homofobia é sempre um assunto dificil ainda mais porque as vitimas somos nós.
E não é uma luta fácil.
Mas seguimos batalhando.
Abraços da Dra.

Helena disse...

Oi, minhas queridas!!

Obrigada por palavras tão doces e encantadoras!
Estou viajando, então volto aqui depois para responder a cada uma como vocês merecem, mas peço que leiam esta notícia:

http://paradalesbica.com.br/2009/07/dona-de-franquia-de-petshop-faz-declaracao-homofobica-em-jornal/comment-page-1/#comment-21833

Foi quando a li na FolhaOnline que meu sangue ferveu a tal ponto que tive que escrever algo.

Um beijo grande em cada uma de vocês!
E obrigada pela força que vocês me dão sempre!

:*

dany disse...

Você escreve muito bem!
É sempre um prazer passar por aqui.

beijos!

Cruela Cruel Veneno da Silva disse...

menina.. eu havia perdido seu blog.

aff

estou procurando ha um tempão.

agora linkei

De lés a lés disse...

A boa notícia é que a esse tipo de comportamento gera a indignação necessária para nos colocar em movimento.
Acredito num efeito reflexo de fortalecimento da campanha não homofobia.
Beijos

Duda disse...

Não quero falar nada Helena...

Só ouvir esta canção...

Não por acaso, escutar esta letra e fechar os olhos, é estudar e vivenciar cada palavra sua...As várias explicações sem êxito para o que seria o amor..

Me pegou de jeito, em um momento muito oportuno.

Grande beijo querida.

Saudações e saudades desta conterrânea que te quer muito bem.

See you.

AntiVermelho disse...

Amei o blog.

Você escreve muito bem, tem alma nas palavras.

Bjosss

DiOliver disse...

Seu texto me fez lembrar da primeira aula de filosofia na faculdade, quando minha professora disse mais ou menos essas palavras:
“Vocês serão futuros professores de História, como tal, deverão estar despojados de toda e qualquer forma de preconceito. Aquele (a) que daqui sair carregando consigo alguma forma de preconceito, esteja certo, não será um verdadeiro professor de História”.
Demorei a entender essas palavras, mas, hoje, compreendo-as perfeitamente, na História não existe lugar para o preconceito, apesar de ela (a História), ser a prova concreta de que ele existe e é continuamente praticado e incitado.
Teses e teses tentam explicar o preconceito em todas as suas formas, fica evidente que ele é uma construção histórica (com elementos sociais, culturais, religiosos, econômicos, políticos e pq não, elementos do nosso subconsciente). Mas, vamos deixar essa conversar de subconsciente para outra hora, afinal de contas trata-se de uma das feridas narcisistas da humanidade.
Tuas frases (...),
“A verdade é que não sei por que sou lésbica. Mas SOU LÉSBICA. Não preciso entender isso. No entanto, precisei eu mesma aceitar. Precisei eu mesma ficar em paz com essa realidade, assim como se precisa ficar em paz com o rosto que se tem ou com o corpo que se tem”.
(...) abre um parênteses importante, não para justificar o preconceito que sofremos, mas quem sabe para tentar entender as atitudes dos outros, pois, como pode-se notar na sua fala, você mesmo precisou se aceitar e ficar em paz consigo mesmo e olha que você fazia parte do processo e sei que isso não foi fácil, pois sofri na carne e na alma as mesmas dores, agora coloque-se no lugar de quem não passou por isso. Deve ser muito difícil para essas pessoas nos aceitarem, por favor, não entenda mal, não estou justificando o injustificável. Apenas tentando te mostrar quão difícil deve ser para essas pessoas nos compreender, e, principalmente nos aceitar. Portanto, penso ser mais fácil para nós entender a atitude dessas pessoas, do que elas nos entenderem e aceitarem. Espero que tenha entendido meu ponto de vista.
Quanto a tua reação (PENA E RAIVA) em relação às pessoas que tem preconceito conosco, os homossexuais, me sinto com liberdade o suficiente para lhe dizer:
— Linda, cuidado, pois existe um fio tênue que liga a RAIVA E A INTOLERÂNCIA, esse fio pode conduzir de uma ponta a outra, o ódio, e podemos cair numa armadilha, praticar o mesmo ato do qual condenamos. Pense nisso, Ok!?
Aos preconceituosos resta-nos somente, a PENA.
Que fique bem claro que abomino toda e qualquer forma de violência praticada conosco e outras minorias. Pratico somente “A VIOLÊNCIA DOS PACIFICOS” – como propunha Gandhi e Dom Hélder Câmara – cruzar os braços. E isso não significa comodismo ou aceitação da violência (física ou psicológica) que sofremos, mas foram formas vitoriosas de luta contra o imperialismo britânico e a ditadura militar no Brasil.
Bem, acho melhor ficar por aqui.
Querida Lorena, desculpe, mais meu “comentário”, ganhou do seu na categoria – COMENTÁRIO MAIS LONGOOO... (Rsrs... brincadeira).
Helena, perdão, não tenho a intenção e muito menos a pretensão de fazer comentários maiores que seus Textos.
Brincadeiras a parte, desculpe pela extensão textual e principalmente, se ficar algo suspenso no ar, que não tenho sido compreendido, façamos como da outra vez, e-mail. Ok!? Aliás, preciso te passar um outro endereço de e-mail.
Meninas, beijos...
Helena, beijão pra ti e tua amada.
Di...

Helena disse...

Ainda estou viajando, meninas...

Mas vi agora o comentário da minha amiga Di, e sei que enquanto não respondê-lo não me aquietarei, rs. Então, vamos lá!

Di, você sabe que sempre adoro as nossas discussões sobre o mundo, sobre ideologias, pontos de vista e eticétera. E estava até com saudades de discutir coisas com você. Então, adorei que você tenha colocado essa comentáriozão aqui sim!!!

E adorei os pontos que você levantou!

A única coisa que gostaria de contra-argumentar é sobre a raiva. Porque, como tenho certeza de que você sabe, existem vários tipos de raiva. Existe a raiva negativa, que algumas pessoas carregam dentro de si, que se torna atraso e fardo, que é uma energia que deixa a pessoa pesada e cega para as belezas do mundo. Existe a raiva-ódio, que vira violência física, que, infelizmente, vira os absursos que presenciamos no noticiário no dia a dia.

E existe a raiva que nasce da noção de justiça: do perceber uma situação que deveria ser diferente. A raiva que nasce do incômodo. Essa raiva é absolutamente contextual e momentânea: ela apenas te impulsiona para lutar por uma realidade melhor. É a velha história do próprio Luther King: "O que me preocupa não é o grito dos violentos. É o silêncio dos bons".

Se não nos sentirmos incomodados quando presenciamos uma injustiça, isso quer dizer que a aceitamos, que já nos conformamos com o que há de errado.

Não falo de não respeitar quem vê a homossexualidade como um absurdo, como um pecado, como uma doença. Não. Eu mesma faço parte de uma família que ainda não conseguiu ver além. E não os julgo por isso, porque acho que cada pessoa tem o seu tempo. E que essa 'transformação' pode levar anos (como levou para mim mesma), e é sofrida e é um processo.

Mas lhe digo que às vezes um comentário, uma tentativa de fazer a pessoa ver por outro ângulo faz toda a diferença.

Lembro-me que quando contei sobre mim para uma amiga-irmã minha, ela chorou muito. Ela era super homofóbica. E sabia que, por me querer na vida dela, ela teria que tentar ao menos ver as coisas de outra forma. Hoje em dia ela me diz que eu fui veículo de transformação para ela e que ela me tem como exemplo na hora que obstáculo surgem na vida dela.

Enfim, acho que o errado deve ser no mínimo argumentado. Dentro da possibilidade de cada um, claro.

Além deste texto, escrevi um email para a mulher que fez a declaração em questão: "XXXXXXX da Filhotes e Fricotes, diz que a cachorra-boneca "não é o perfil da loja". "Vendemos produtos sofisticados. Talvez uma loja de público GLS"

Um trecho do email:

"Antes de tudo, até de qualquer preceito moral ou noção de respeito ao próximo, pergunto-me como uma empresária pode atacar um dos grupos que mais têm (e gastam com) bichos de estimação. Mesmo com todas as questões éticas postas de lado, comercialmente, a frase que você disse já seria um erro.

Não lhe conheço. Não sei sob que perspectiva você falou o que falou.
Até acho que você nunca imaginou que essa declaração acabasse por ser publicada, mas peço que tente se colocar na perspectiva do grupo atacado: nós, homossexuais.

Lá estou eu lendo as matérias da FolhaOnline Bichos, e começo a ler essa matéria sobre uma possível boneca inflável para cachorros. Achei a idéia boba e sem razão de ser. E continuo lendo a matéria achando que esse é um produto absolutamente de mau gosto e que não concordaria com a sua vendagem. De repente, sou atacada! De repente você diz, para mim que estou lhe lendo, e para o grupo do qual faço parte, que nós além de não sermos sofisticados, seríamos provavelmente o público ideal para tal produto. Como assim? Que direito você, não apenas como comerciante, mas como pessoa, de nos atacar tão gratuitamente?


Não é preciso raiva na hora de contra-argumentar. Mas é muitas vezes o repúdio perante uma injustiça que nos faz tomar a decisão de agir em prol de um mundo melhor.

No mais, minha amiga, não esquece de me mandar seu novo email! Quero notícias suas!!

Bjão Di!
Bjão meninas!!!

DiOliver disse...

Querida Helena,
Não poderia deixar de expressar-me novamente. Mas, não será uma réplica a sua contra-argumentação, apenas uma correção ao meu próprio comentário. Que minhas palavras não sejam entendidas como, acomodar-se diante da injustiça e do preconceito (sejam quais forem), pois, como cidadã, como lésbica e principalmente como professora de História luto de forma constante contra a injustiça e o preconceito e JAMAIS pediria para que as pessoas silenciassem frente aos mesmos. Se você tivesse a oportunidade de conhecer alguém que convive comigo e perguntasse a essa pessoa: “Qual é a oração preferida de Di?”
Certamente a resposta seria essa:

NO CAMINHO COM MAIAKOVSKY (Fragmento)
“Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem
pisam nossas flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E por nunca ter dito nada
Já não podemos dizer nada”.
(Eduardo Alves da Costa)

Para quem não sabe, Maiakovsky foi um poeta vítima do stalinismo e da repressão burocrática que também invadiu o campo das artes na ex-União Soviética. Suicidou-se.
Portanto, Helena e meninas, silenciar-se, JAMAIS.
Helena, novamente, beijo pra ti e tua amada.
Di...

Anônimo disse...

Aí ai Helena minha flor....como gosto de ler suas reflexões....como sempre , centrada e sensata.....te adoro menina línda!
E entendí os argumentos e pensamentos da Di, e os seus,,,e acho que vcs falam a mesma língua com a mesma sensibilidade....e essencia....
Vcs são 10 víu!!!! rs
Líndrinhas dimais sô!!!!!! rs
Beijos nas bochechas e com saudades!!!
mineira

Milca disse...

Esse blog é tão bom que merece um selo!
É só passar no meu blog e pegar!
já tá destinado a esse blog!
:*

*** Cris *** disse...

Olá,td bem?
Ando afastada, mas resolvi hoje passar por aqui para deixar-lhe um abraço bem apertado!
Bjs!

Bruna B. disse...

Realmente é de ficar 'p' da vida com esse tipo de pessoas. Não consigo entender como elas podem ser tão preconceituosas se no fundo somos todos iguais, somos seres humanos. Não tenho nem palavras pra comentar aqui...só sei que se as pessoas parassem uma pouco pra refletir e parassem de se incomodar com a escolha e com vida dos outros, já era um bom começo : )
bjo