quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Da série: "Sei o que sinto, mas não sei o que sou"

Olá pessoal!
Cá estou eu cumprindo a agendinha do blog! :]
(viu como estou falando sério desta vez? rs – e olha que ainda estou suuuper gripada! :P)

Queria agradecer às pessoas que já me mandaram email para o livro sobre Homossexualidade e Família. São esses testemunhos que farão com que esse livro seja na verdade sobre todas(os) nós! E a coletânea desses testemunhos está só começando!

Já comecei as pesquisas, mas ainda preciso de muita ajuda para coletar todo o material a fim de que o livro passe a mensagem certa. Creio eu que esse será um livro escrito por muitas mãos. Mas acho que só temos a ganhar com isso, não é? ;]

Por falar em emails, junto com algumas das histórias que tenho recebido, vieram também algumas meninas me falando da dificuldade que têm em se aceitarem. Da dúvida cruel que carregam todos os dias: “Será que sou lésbica?”

As minhas companheiras mais antigas aqui do Sapatilhando sabem: este blog nasceu justamente como processo para que eu mesma me aceitasse, para que eu fosse me livrando dos meus próprios preconceitos e medos em relação a me assumir.

Mas como emails com essa temática têm sido constantes, resolvi falar um pouco aqui sobre isso hoje, como forma de tentar ajudar quem ainda está passando por isso. Peço que as que já passaram por isso, que de repente complementem este post dando sugestões nos comentários, tá? Adoro quando ficamos aqui discutindo idéias e teorias! ;]


"A maior descoberta de qualquer geração é a de que os seres humanos podem alterar suas vidas alterando suas atitudes mentais" 
Albert Schweitzer


Conceitualização: esse nome comprido é a nossa sina, sabe? É que temos a mania de conceituar o mundo e a vida para que possamos interpretá-los, para que possamos tentar entender as coisas.

A questão é que, gostemos ou não, nem tudo é entendível!
Nem tudo sequer é para ser entendido!

Umas das frases que mais amo está no livro-soco-no-estômago do José Saramago, Ensaio sobre a cegueira. Lá, ele diz:

"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."

Somos essa coisa “sem nome”, entende?
E tudo o que diz respeito a nós é, na realidade, inominável: cada sentimento, cada percepção, cada acelerar do coração, cada medo, cada certeza... tudo isso tem raízes que se bifurcam e se subdividem e se multiplicam em coisas tão profundas que jamais poderíamos saber de onde vêm por completo.

Somos todos formados de tantas, tantas partes que nada mais natural que de vez em quando nos vejamos ‘sem terra nos pés’, a tentar entender por que sentimos o que sentimos.

Mas deixem que eu seja mais direta: Eu não tenho como dizer que você é lésbica!

Mas eu posso lhe dizer isso: É absolutamente maravilhoso que você esteja se questionando!

Eu sei que dói, que é complicado, que dá um medo...

Mas sério, são tantas as pessoas que passam pela vida dormentes, sem sentir, sem se permitirem serem invadidas por turbilhões de sentimentos e sensações...

São tantos os que apenas “passam” pela vida, sem se tocarem que a vida é justamente isso: O QUE VOCÊ SENTE. 

Um poeta uma vez disse:

"Que eu derrame mil lágrimas, 
A nunca ter o que me queime
A nunca ter o que me mova."

E é bem isso: pode parecer desesperador, mas isso é nada mais do que você vivendo!! Do que você sentindo. Do que você SENDO.

E para fechar de forma mais concisa, às meninas e mulheres que ainda estão tendo dúvidas sobre sua sexualidade, que ainda estão sofrendo com isso, vai um recadinho:

Com o passar do tempo, vá observando como você se sente em relação às mulheres. Se a admiração por elas se tornar algo físico, de desejo sexual, isso quererá apenas dizer que você tem curiosidade de ter essa experiência com uma pessoa do mesmo sexo. Ainda assim não quer dizer que você é lésbica.

Se eu fosse você não me preocuparia tanto em 'se definir'. Viva a sua vida. Curta as experiências que ela te trouxer. Admire as pessoas que te despertam essa admiração e deixe se encantar por seres humanos que são encantadores.

Viver no fim é isso: experienciar. 
Deixar que as sensações que a vida te desperta sejam realmente sentidas por você.

Te prometo que na hora certa você vai poder a abrir a boca com orgulho e dizer o que todos deveriam poder dizer: 
Sou o que sou, e tenho orgulho de ser assim! 

>> Não quis me alongar muito, porque vocês me conhecem: começo a falar e... não paro! :P
Então, para quem quiser saber melhor como eu mesma passei por essas fase de auto-aceitação, sugiro os textos abaixo, ok? Bjos!!


(texto que escrevi sobre esse processo de se aceitar, quando eu mesma estava passando por isso)

(outro sobre "minha não escolha sexual")

(um sobre 'estar no armário')


~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

|| A Maria Gadú!!

> Okay... Cuidado: essa menina vicia! A voz suave dela, o tom gostoso e poético das suas músicas, a leveza da sua voz... Impossível escutar a Maria Gadú uma vez só! E, olha, eu nem ia dizer que ela é uma de nós, :P, porque isso na verdade não tem nada a ver com sua música, mas, vai... dá um orguuulho que ela seja uma de nós, mulheres que amam mulheres!!! :D





É só clicar aqui.






.....

11 comentários:

Flor de Azeviche disse...

Ah Helena, a cada vez que venho aqui me surpreendo um pouco mais e você passa a ser a minha segunda psicóloga rs (a primeira é amiga de muitos rs).
Vou deixar pra falar mais no email...
Mas Maria Gadu, ah Maria Gadu é, realmente, viciante.

Um beijo enorme!

Anônimo disse...

Oi, Helena!

Sentir e querer se definir. Sou ou não sou? Assumo ou não assumo? Olha, não é nada fácil. As que não conseguem se definir...penso o seguinte : não tem como saber se não experimentar, ir fundo...rs. E outra, encarar tudo a principio como uma vivência a mais, por que não? Sem ter aquela expectativa de ter uma resposta, de gostar ou não gostar, simplesmente ganhar mais uma experiencia. O que atrapalha são as expectativas, aquela ansiedade da descoberta. Como aconselhava sempre uma amiga minha, vamos nos divertindo e levando tudo na brincadeira, sem dar bola para respostas certas, sendo que o que está em jogo é o sentimento, o estar vivo. Há muito a dizer ainda sobre isso, daria um livro...rs.

Bjs
Belisa

Naná disse...

Helena,
Gosto muito do seu blog. Vc escreve bem e sobre assuntos sempre interessantes.
Sempre q posso dou uma passada por aqui!
Bjs Naná =)

menina disse...

Helena, querida.
Depois de tudo o que você disse só posso suspirar, fechar os olhos, e acreditar que o mundo caminha a passos largos para a liberdade!

E sobre a Gadú, dá um orgulho imenso mesmo, né? Gracinha dela, aneeem! hehehe


Estou feliz com a sua volta!
Sinto falta de suas palavras...

Um beijo.
E tenha um bom fim de semana.

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Parabéns pelo seu Blog!!!

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Um forte abraço,
Dário Dutra

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Isa disse...

Eu sempre soube da minha sexualidade, mas demorei um bom tempo pra me aceitar, doeu bastante!

Eu to escutando Maria Gadú justamente neste instante, medo! OO

Tava com saudade daqui. ^^
Bjoo

Diogo França disse...

E é tão bom ser um 'ser humano' que sente, vive e se questiona! A bem dito ai, temos mania de ñ perguntar os porquês da vida... e os porquê de nós mesmos, isso ai vamos viver o que somos, sem preciar de rotulos sou o que sou e sou feliz pelo que sou, e faço pessoas felizes como sou, se a gente se permitir ser feliz como somos poderemos passar essa alegria radiante do que somos de verdade, seres vibrantes de viver a vida com SENTIMENTOS e VONTADES, é bom termos duvidas ela nos ajuda a nos desvendarmos.
Então vamos VIVER essa coisa que tem dentro da gente.

Helena parabéns ta lindão teu blog! E com certeza tá ajudando muita gente a se compreender, muito lindo sua iniciativa \o/

Bjoos

Di disse...

Oi Sumidinha!
Passando por aqui para te deixar um abraço.
Contarei minha história a você, pode esperar o email.
Bjo,
Di...

Marcia disse...

Helena:

Você foi no ponto nelvrágico desse tema: de fato é mais importante sentir do que definir o sentimento.Abração.

Pinkie Bat disse...

Oie^^ Adorei o texto, é muito reconfortante. Obrigado:)

Bruna B. disse...

Realmente, é isso mesmo!
Nada melhor que o tempo pra colocar cada coisas no seu lugar.
Eu, como não tenho certeza de nada ainda, não sei se sou homosexual, não gosto de rótulos... mas amo sempre vir aqui e ler seus textos que fazem refletir :D
Já estive bem mais "perdida" (nem sei bem se essa é a palavra certa). Agora, só estou dando tempo ao tempo.
beijo :*