domingo, 29 de novembro de 2009

Da série: Meu testemunho sobre Homossexualidade e Família

Olá, minhas queridas e queridos!

Obrigada àqueles que deixaram recadinhos por aqui e àqueles que me escreveram emails...
O apoio de todas(os) vocês sempre foi a razão de eu manter este blog e de escrever os textos que escrevi.

Eu não falei por aqui, mas o Sapatilhando fez um ano de vida em Outubro!!
Sim, um ano de passou desde que esta 'Helena' aqui, assustada e sozinha, fez este blog para lidar melhor com sua homossexualidade.

Ao longo desse tempo, acabei sendo ajudada muitas vezes e as histórias de vocês se confundiam com a minha: afinal nossos conflitos são, tantas vezes, os mesmos -- da descoberta, à auto-aceitação, ao lidar com as coisas do cotidiano, do amor e, principalmente, da família.

Não por acaso, é essa a temática do livro que estou escrevendo. E por essa razão pedi que quem pudesse - mulheres e homens - me enviassem o seu testemunho, a sua história. (Aliás, ainda estou coletando essas histórias: é só me mandar por email)


Quem acompanha o meu blog há mais tempo, sabe pelo menos três coisas sobre mim:
1. Que 'Helena' não é o meu nome verdadeiro, mas sim um pseudônimo que criei, baseado no meu nome real, para escrever mais livremente quando fiz o blog.
2. Que meus pais não sabiam de mim (sim, o verbo está no passado: já já falo mais sobre isso).
3. Que esse aspecto Homossexualidade e Família sempre foi o mais complicado para mim (como o é para a maioria de nós).

Então, baseada no fato de que muitas(os) de vocês já me mandaram as suas histórias, e de que percebi ao longo desse tempo de Sapatilhando que ao expor meus conflitos e minha história eu acabava também ajudando outras pessoas (é tão bom encontrar iguais, não é?) eu cá estou mais uma vez para dividir um fato recente da minha vida.

Não moro em casa faz quase um ano, como alguns já sabem. E, como me descobri relativamente tarde (aos 28), fui levando tudo sem compartilhar com meus pais - que são extremamente católicos e tradicionais. Com a saída de casa, morando em outro estado, a distância se tornou um fato que "facilitava" viver minha vida sem que eles acompanhassem todos os detalhes. No entanto, somos muito unidos eu e meus pais. E eles são pais absolutamente incríveis - tirando a história da homofobia, claro. Então me doía muito eles não saberem de mim e eu planejava lhes contar na minha próxima ida para casa.

Mas a vida, claro, sempre faz as coisas sem perguntar a nossa opinião. rs
E, há alguns dias atrás, numa ligação cotidiana dos meus pais, ao ouvir minha mãe atacar a homossexualidade de toda forma possível, eu na minha argumentação enfática de que eles (mãe e pai) vissem as coisas de outra forma, veio a tal da pergunta: "VOCÊ POR ACASO É???"

E, eu, que já estava planejando contar mesmo (já estava preparada internamente - fato MUITO importante!!), confirmei tudo.

Foi aquele Deus nos acuda, claro. Palavras horríveis foram ditas por eles. Desde de "Você não é mais minha filha! Se continuar nesse caminho, pode esquecer que sou sua mãe!" a "Isso é sem-vergonhice, coisa do demônio, doença etc" a "Se você quisesse você poderia mudar isso".

Foi muito, muito difícil!
Ela chorando de um lado do telefone, eu também aos prantos do outro.

Por conta das palavras duras que ela ainda estava me falando, eu disse que iria desligar o telefone, que nos falaríamos outra hora, que naquele momento não tinha mais o que ser falado.

(Aqui, abro um parênteses: eu, com TRINTA anos de idade, já alguma independência financeira, morando já fora de casa, professora universitária, autora de inúmeros textos sobre a temática, fiquei devastada!! Foi um verdadeiro luto!! Agora imaginem adolescentes que se descobrem tão cedo, que estão por si só numa fase tão difícil, que dependem ainda tanto dos pais... 


Com certeza ainda precisamos criar mais e mais canais e formas de ajudar esses pequenos!! É algo pesado demais para eles terem que passar sozinhos (já já falo mais sobre isso também).)

Depois de chorar muito, escrevi a carta que disponibilizo abaixo (é suuuuper longa!! são OITO páginas de Word -- os textos que escrevo para cá em geral têm duas páginas). Para quem não quiser ler, peço que apenas terminem de ler essa 'introdução', pois quero fazer propaganda sobre alguns livros que são muito importantes para cada um de nós.

A carta que escrevi para eles, saibam, não foi a única. Fez parte de um processo. Depois dos absurdos que vieram do lado de lá, escrevi outra carta, muito mais enfática e imperativa, muito mais cheia de revolta pela falta de aceitação e pelas palavras e comportamentos deles.

Depois dessas cartas, depois de algumas doloridas conversas, depois de algum tempo, estamos começando a nos falar novamente. Eles são pais incríveis, que sempre me amaram e me apoiaram muito. Mas estão tendo sim muita dificuldade com tudo. E com certeza ainda temos um longo processo pela frente. Mas teimo em crer que o tempo e o amor restaurem (e até melhorem!!) o nosso relacionamento. ;]

Mas as razões de eu estar lhe falando isso são duas: 1. Para que você conheça mais sobre a minha história e quem sabe veja que não é a única(o) que passa por tudo isso. 2. Para que o formato que usei na minha carta para meus pais de repente ajude alguém que está pensando em falar para os seus pais.

Por conta do livro que estou escrevendo, tenho lido muito! E tenho também recebido muitas histórias e testemunhos. E se tem algo que é importante que fique bem claro é que os pais também sofrem dos processos que sofremos: o da revolta, o do medo, o do conformismo e o da aceitação (as vezes tão longa... às vezes até impraticável).

É preciso que nos preparemos para as possíveis reações, é preciso que respeitemos o tempo deles, é preciso que não esperemos apenas a compreensão deles, mas que compreendamos que os pais não foram criados para a possibilidade dos seus filhos serem homossexuais. Por mais que eles nos amem, muitos deles reagem assim pelo mesmo medo que nós sentimos ao descobrirmos sobre a nossa homossexualidade. Por isso a importância do amor (nosso também!!! e talvez, principalmente!!!) e do diálogo e, especialmente, do tempo!

Sobre tudo isso, quero lhes propor a leitura de alguns livros.
Eles são da pesquisadora Edith Modesto, fundadora do Grupo de Pais de Homossexuais:
http://www.gph.org.br/fundadora.asp

O Mãe sempre sabe? é, na minha opinião o mais importante! Ele fala da homossexualidade sob a visão dos pais, tanto da própria Edith, como dos pais que ela ouviu ao longo dos anos.






Entendam que nossos pais são também fruto de uma criação e de uma sociedade e contexto, então eles têm uma visão muito errada sobre o que é a homossexualidade e o homossexual. E, para facilitar um pouco o processo deles, eles precisam conhecer mais sobre o nosso mundo, sobre os nossos porquês e sobre a visão de outros pais de homossexuais. Esse livro é importantíssimo para nós e nossos pais!!!





O Vidas em Arco-Íris e o Entre Mulheres são ambos transcrições de depoimentos de homossexuais. E são importantes porque registram os sofrimentos, conflitos e algumas superações de muitos de nós.




Na Estante Virtual você consegue achá-los bem mais barato do que nas livrarias!!

Quem puder, por favor, leia!! Saber de outras histórias, ter outras perspectivas, se informar, se preparar, é a melhor maneira de lidar com tudo isso! Isso vale para nós e para nossos pais e familiares.

Bom, a carta que escrevi para o meus pais está disponibilizada AQUI. Pois é muito longa para eu colocar no blog. Quem quiser, pode baixar à vontade! A escrevi logo depois de ouvir da minha mãe e do meu pai aquelas coisas horríveis - apenas para que você saiba que temos que 'dar um desconto'. Que na hora da raiva, do medo, do choque, é quase normal que eles falem coisas que nem são as que eles pensam mesmo.

Esse é um tópico difícil e complexo e a minha vontade era de fazer um vídeo para que eu pudesse conversar com vocês de 'cara a cara' para que mais pudesse ser dito -- isso vai acontecer em um futuro próximo, prometo.

Apenas peço que àquelas(es) que ainda estão no armário que tenham paciência! Cada um de nós sabe da sua própria realidade, e, como eu já disse aqui antes, às vezes sair do armário sequer é uma opção! Apenas lembre-se que estar no armário não é motivo para você não viver sua vida (vide esse texto).
Àquelas(es) que ainda estão tendo problemas com os pais que já sabem, tentem fazer com que eles leiam esse livro da Edith (Mãe sempre sabe?), que assistam ao documentário "Como diz a Bíblia" (para baixar no Parada Lésbica) ou que entrem no site do Grupo de Pais de Homossexuais e conversem com outros pais.

Da mesma forma que é importante sabermos que não estamos sozinhos nesse processo tão doloroso, é importante também que eles saibam que não estão sozinhos!! 


Informação, amor e tempo!! São esses os melhores ingredientes para nós e para as pessoas que amamos!!


Ps: Estou viajando, mas logo voltarei com novidades para vocês - inclusive a inauguração do meu site! :]
Beijos!!!

24 comentários:

Conto de Meninas disse...

Venho aqui já a um tempo!Não me lembro de ter comentado!Mas aqui também tem sempre tantos comentarios, nem sei se deve ter tido tempo de ver o meu!Mas enfim,eu não pretendo me assumir, não vejo necessidade.Mas apoio muito quem tem essa atitude, adimiro!
E adorei as indicações dos livros!Vou compra-los!
E quanto a carta!Ainda não li, mas vou ler.E tenho certesa que está emocionante!Beijos

Anônimo disse...

Helena, vc me emociona, não tem jeito..rs. Acabei de ler a carta enviada a seus pais. Linda carta, verdadeira, intensa, vc de corpo e alma, inteira...tenho certeza que tudo ficará bem num futuro próximo, tenha fé. Mais importante que tudo isso é vc ter se encontrado, estar feliz com vc mesma e ter tido a coragem de abrir o jogo com as pessoas que vc mais ama. Agora, o tempo se encarregará de tudo, e o amor prevalecerá com certeza.

Bjs
Belisa

Diogo França disse...

molér...
dos livros.. ñ cheguei a ler eles só passei rapidão.. mas qro ler ainda..

Hnn lii tua carta.. um passo a mais na jornada tão complicada a q vivemos né... um passo a mais..
Helena.. a coisa mais difícil é enfrentar quem amamos, e vc conseguiu isso, agora é só continuar sendo o q vc é.. linda por dentro...
É extremamente difícil escolher entre a nossa felicidade e a dos nossos pais, eu falo por mim, pq ja passei por isso, ainda n tá tudo mil maravilhas mas estamos construindo todos os dias isso, ñ vo fala em relação a vc pq é muito pessoal de cada pessoa, mas digo que depois que escolhemos por nós, depois que escolhi por MIM, minha vida só tem melhorado, pq a gente tem certeza de que fez o que era necessário a ser feito, até nossos pais absorverem esse impacto imediato é difícil, mas é necessário um impacto pra haver mudanças... um pai nunca deixa de amar um filho, por mais dolorido que tenha sido, um pai vai sempre amar um filho,Helena parabéns por ter dado mais esse passo, é algo tão complicado, tão complicado qnto nos mesmos nos aceitar-mos... agora só dar tempo ao tempo pra digestão necessária, já ouviu a frase "em nada a natureza opera bruscamente"

tava com saudadi de conversar com o Sapatilhando hehehe

Helena te desejo calma e paz de espírito... q os anjos te guiem[e com certeza estão]

Bjo!

Willow, a Bruxa disse...

Fazia tempo que não vinha aqui.

Felizmente não tive problemas ao contar a minha mãe. Ao meu pai eu não me importo porque não falo mesmo com ele, por outros motivos.

Mas minha namorada tem muitos problemas com a mãe dela, que sabe, mas não aceita e quer mudá-la. Mostrarei seu post a ela!

Obrigada!

Flor de Azeviche disse...

Infelizmente, ainda passo pelo processo de aceitação aqui com a família. Mas sei que tudo vai melhorar, sempre melhora.

Saudades, Helena...

Beijos grandes

Kah R. disse...

Helena, esse seu post e sua carta á seus pais, dá vontade de te colocar no colo...

Mas vc é uma mulher forte e centrada, e vai saber como transformar essa experiência em algo que te faça crescer, e de quebra vai deixar exemplo pra um monte de "sapinha" que tá passando pela mesma dificuldade...

Gostaria de deixar duas frases pra vc:

"TUDO PASSA" e "O AMOR TUDO SUPERA"

Vai tudo terminar bem, vc vai ver...

Um abraço bem apertado, viu!

E obrigada por compartilhar suas experiências...

Lorena disse...

Minha amiga querida,

Venho lendo seu post desde ontem. Venho lendo, porque já li e reli e baixei a carta e li.. E ainda estou absorvendo tudo.
Antes de mais nada, preciso dizer o quanto admiro a sua força. Sim, todos somos fortes. Você sempre me diz isso, e eu sei que é verdade. Mas eu também sei o quanto sua família é importante pra você. Você demonstra seu amor por eles sempre que pode, sempre que encontra a oportunidade. E, como canceriana também, eu sei que somos super apegadas e que a família é o centro da nossa vida. Então digo que você é forte, sim, por ter enfrentado essa situação e ter ficado firme, mesmo que estivesse sangrando por dentro.E eu entendo o sentimento, porque eu também sofro muito ao pensar em decepcionar a minha família. Queria ser sempre a filha perfeita. Mas não somos e temos que aceitar isso, e eles também têm que aceitar isso.

Li a sua carta e me emocionei. Não é bom te ver tão frágil, amiga, mas entendo perfeitamente o motivo. E talvez eu não precise dizer isso, mas não se culpe por trazer sofrimento aos seus pais, porque você não tem culpa de nada. Sei que é um sentimento inevitável na gente, eu que entendo a família como você, sei que é impossível não se sentir culpada por desapontar quem a gente ama. Mas não é culpa sua, não existe culpado, porque não há nada de errado com você, você sabe disso. Não existe nada de errado em ser quem somos.

Queria eu um dia poder escrever um carta tão sincera aos meus pais, ou conversar com eles frente a frente e ter coragem de lhes mostrar quem eu sou de verdade.Mas esse dia ainda não chegou pra mim. Vai chegar, eu sei, e tenho fé de que vou conseguir lidar com o que está por vir. E sua carta veio no momento certo, não pra mim, mas para um amigo que precisava de "direção"... Pedi para que ele te lesse e te escrevesse, ele anda precisando falar e eu sei que você o escutaria como ninguém. =)

E eu te desejo sorte, Helena. Te desejo força, que eu sei que você já carrega, muita, mas desejo que ela esteja sempre contigo. E quando você se sentir fraca, lembre-se do quanto você já caminhou, de tudo que já enfrentou pra ser quem você é. E eu sei que valeu a pena. Porque você é uma pessoa linda. Te desejo muito amor, sei que você já tem muito, mas amor ajuda a gente a curar as feridas... Aos poucos e devagar elas vão cicatrizando. =)

Estou torcendo por você. Quero que você seja feliz.

beijos e obrigada por compartilhar a sua história.

Anônimo disse...

Lembreí agora da mãe do Cazuza,

ela disse uma vez , mais ou menos assím:

Cazuza me deu a oportunidade de crescer e evoluir,

saír do meu mundinho esteriotipado e preconceituoso, medroso...

e ír ao encontro do MARAVILHOSO mundo novo das aceitações.

Das minhas aceitações.....

bjsss

mineira

Anônimo disse...

Completando:[mãe do cazuza]

Quando alquem lhe dizia :
Vc ajudou e teve muita paciencia com seu fílho .

e ela respondia:

Eu????
Ele é quem me despertou e ajudou a ver o mundo real....
Ele foí quem me deu a oportunidade de crescer!...

bjsssssss
mineira

Anônimo disse...

"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento." (Clarice Lispector ).

Mim disse...

Li tudo e gostei! Realmente tem tantas meninas querendo sair do armário, mas tem medo por causa da família. Espero que com o tempo, elas consigam ir ao encontro da felicidade.
O meu conto é simples, logo terá um fim. Mas darei continuidade com outros textos!
Volte logo para inaugurar o seu site, beijos!

Lu disse...

Oi, Helena.
Nao sei como esta a sua situacao, mas espero que Deus ilumine os coracoes de seus pais. Estarei pedindo por voce e por sua familia em minhas oracoes. Deus abencoe vcs.

Anônimo disse...

Gostei do deu blog,enfim um dia te conto minha historia de amor e guerra com meus pais.
Bjus!
Ps:"O primeiro e o ultimo amor é o amor proprio"
Esse é o segredo para evitar guerras!

Rafaa disse...

Vou baixar a carta,
e tbm espero que volte logo para inaugurar seu site :)

td de bom pra voce.

Bruna B. disse...

Helena, esse post e essa carta é uma das coisas mais marcantes aqui no blog...
Como já falei: TE ADIMIRO MUITO!
Adimiro toda sua força, coragem, determinãção, tudo!
Adimiro ainda mais por você compartilhar tudo e querer, através das suas experiências, ajudar : )
Te desejo toda sorte e felicidade do mundo, você merece!
Beijos :*

Anônimo disse...

eu ainda passo pela fase da minha própria aceitação... De querer viver um relacionamento mas ter medo, medo de realmente ser...

Anônimo disse...

Oi sou lésbica, tenho 22 anos, meu pai faleceu e moro com minha mãe, mas tenho 6 irmãos e 8 tias que são completamente homofóbicos fora minha mãe, duas irmãs minhas sabem mais sempre que alguém toca no assunto elas desconversam prefere fingir que isso não existe, minha vontade é gritar pro mundo o que sou, 3 dos meus irmãos são Evangélicos e jamais aceitaria isso. Eu moro com a minha mãe cuido dela por que ela sofre algumas coisas então não pode ficar sozinha.
Estou esperando ser independente pra poder falar pra todos o que sou, mais sei la estou meia desnorteada.

kika disse...

Preciso tanto de uma direção... algo em mim está diferente, algo não está legal... estou descobrindo sentimentos até então escondidos... tenho 24 anos, até então uma pessoa que trabalha, aparentemente heterossexual, em um relacionamento de 5 anos..... mas quando estou ao lado DELA, e digo Ela.... o corpo não responde, não posso parar de olhá-la... uma atração, uma vontade de ama-la.... O QUE FAÇO?

Neto Miná disse...

Querida Helena, me sinto tão próximo de ti que dei-me a liberdade de chamá-la de forma tão afetuosa.
Gostaria que soubesse a importância q seu texto teve pra mim hoje. de forma resumida: meus pais souberam q sou gay em janeiro, qndo terminei com um namorado e fiquei no limbo. eles foram super legais comigo, mas depois minha mãe começou a ter reações estranhas. A ultima foi fussar meu computador nas ferias, ler conversas minhas com amigos, mandar indiretas via face book, ficar sem falar comigo por 6 dias e depois agir como se nada tivesse acontecido. Durante esses 6 dias me dediquei a um extensa pesquisa sobre pais e filhos gays, achei o grupo de pais homossexuais, vi sobre o livro Mãe sempre Sabe? e foi pesquisando sobre ele que achei seu texto. Seu texto foi a cereja do bolo, foi o combustivel que me vez escrever um e-mail aos meus pais explicando como estou me sentindo e como vejo o posicionamento deles.
são 4 da manhã, e enviei o e-mail a uns 5 minutos, estou aliviado. E nem tão ansioso pela resposta.
Segue meu e-mail de contato, se quiser posso te encaminhar o e-mail que fiz a eles.
MUITO OBRIGADO!

Letícia disse...

Olá Helena, parabéns pelo site e pela coragem em contar aos seus pais.
Venho por meio deste comentário contar um pouco como foi para mim, sou uma adolescente com dezesseis anos, e eu que já tinha dúvidas sobre minha sexualidade descobri que era homossexual e me assumi para minha mãe em um período de dois meses.Foi horrível, ela dizendo que havia criado uma menina, e que eu tinha que lutar contra isso e que ela ia me ajudar, mas ainda bem que eu aceito isso muito bem e com muito orgulho, então em menos de 10 horas eu disse a ela que era mentira e que só fiz aquilo para irritá-la.Eu quis contar, mas ela me fez mentir eu me visto com roupas despojadas quase masculinas, não namoro nem "fico" com meninos para agradá-la, e todos os meus amigos sabem que sou lésbica.Quando eu me assumi disse por quem eu estava apaixonada e todas as vezes que disse o nome da menina depois ela fechou a cara.Então na minha visão ela sabe e finge que não e eu vejo e também o finjo.
Esse texto me ajudou bastante, mas infelizmente a parte informativa não me é útil, muitas mulheres na minha família também são lésbicas assumidas e meus pais e tios mais próximos além de não aceitarem fazem piadas e zombam constantemente, por isso não falo nada, mas esse seu texto me deu um novo gás, antes eu pensava em ir fingindo durante um bom tempo, mas isso me incomoda, me sufoca porque eu me orgulho do que sou, mas tenho medo que minha mãe me interne ou algo do gênero(essa foi uma das soluções que ela sugeriu).
Obrigada pelo post e tudo de bom pra vc, beijos.

Anônimo disse...

Boa noite!!!
Ouvi seu texto no Parada Lésbica e gostei muito.
Parei de lutar comigo mesma e aceitar quem eu era e sou bem tarde, com 39 anos, casada,um filho de 17 anos e infeliz ! Falei para o meu ex-marido e pedi a separaçao...no começo foi difícil. O meu filho ficou comigo e depois falei para ele o motivo.
Fui morar com uma tia mas nao tinha coragem de contar para ela pela forma como ela falava das lésbicas....estava namorando uma mulher e nao conseguia ficar tranquila pois tinha receio que ela soubesse por outra pessoa....até o dia que também falei para a minha tia e a reaçao dela foi admirável!!! Nao sou assumida para todos os meus familiares...mas um grande peso saiu dos meus ombros.
Casei para agradar esse e aquele e digo nao vale a pena!
Uma das melhores coisas, além de se assumir é se aceitar como é! parei de lutar com os meus fantasmas no dia que disse para mim mesma...Eu sou lésbica !!! antes nem dizer esse nome eu conseguia.
Sou feliz do jeito que sou !
É muito importante esses textos e pessoas para sabermos que nao estamos sós. Bjs !

k a u ê disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
geici disse...

poxa... eu quero tanto fala pros meus pais que eu sou lesbica

Anônimo disse...

Vida...

A medida que o tempo passa e que conheço histórias de vidas similares a minha, percebo como muitos de nós somos "Helenas".
Ler a sua carta me ajudou a entender tantas dores e medos que sinto, justamente por não poder mudar o que sou. Não é uma escolha!
Enfim... Obrigada pela ajuda Helena Paix.