sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Da série: Quando a dúvida vira botão de ‘pause’*

* Este é um post-desabafo. Tenham paciência, ok?


É um tema recorrente:

"Tenho medo de dizer o que sinto por ela e perder a amizade dela."


"Não sei se ela sente por mim a mesma coisa que sinto por ela, então fico insegura de falar sobre meus sentimentos."


"Não consigo pensar em outra coisa, só nela. Mas o medo dela se afastar de mim é maior do que tudo."


"Por favor, me ajude! Já não sei o que fazer! Isso está me consumindo! É só ela chegar perto de mim que meu coração parece que vai sair pela boca! Mas aí vem a dúvida cruel... e se ela não sentir o mesmo por mim?"

Sobre essa temática, confesso, já escrevi muitos textos. Já respondi outros tantos emails. Já gastei minha saliva e frustrei minhas energias.

Então, se me permite, hoje colocarei um tom mais enfático neste texto que você agora lê.

É que muitas vezes você não percebe que a vida é um grande campo de plantação, sabe? Para colher, a gente vai jogando sementinhas de todas as espécies. 

Mas plantar não é um ato simples, entende?

Tem-se que perceber a força da semente, tem-se que se saber se ela é a indicada para aquele tipo de terra, tem que se avaliar a quantidade de água, de calor, de luz, de profundidade, de adubo eticétera.

Entende a metáfora?

Então vai outra: Às vezes as pessoas querem o frescor da água sem ter o trabalho de mergulhar nela.

Não usarei sequer aqui a palavra “coragem”. Não acho que essa palavra deva ser usada sempre. Coragem é algo instintivo: você faz sem pensar, que você faz quase como sobrevivência.

Aqui não: estamos falando de ultrapassar barreiras. Estamos falando de vencer medos. Estamos falando de se forçar a dar um passo cada vez mais além.


E ISSO REQUER TRABALHO, REQUER ESFORÇO, REQUER AMOR PRÓPRIO.

É isso, entende?
AMOR PRÓPRIO.

Se você não tem quem lhe diga, eu lhe digo:
SE DÊ VALOR!

Não dá para ficar parada no ponto que mais te causa dor por medo de seguir adiante. Não dá!

Honestamente?
Eu não conheço UMA pessoa no mundo que não tenha se sentido pelo menos um pouco bem por saber que alguém lhe ama, por saber que alguém lhe deseja, por saber que alguém sente algo tão grande por ela, que sequer consegue manter mais guardado em si.

Saber que alguém lhe admira, lhe deseja, faz bem à auto-estima.
Alimenta aquele cantinho nosso que necessita sim ser alimentado.

Se a menina vai se afastar de você porque teme uma relação homossexual?
Talvez se afaste sim.

Mas entenda:
Deixar a tua vida pausada na dúvida que te consome não é exatamente uma maneira de te respeitar.


E eu digo mais: se você é incapaz de se respeitar, talvez você realmente não esteja preparada para o amor que deseja.

Estou sendo dura demais com você?
Não. Infelizmente não estou.
Porque se você fosse minha amiga, se eu te tivesse perto de mim, eu na realidade te colocaria em frente ao espelho e te perguntaria o que você sente por aquela pessoa que você vê refletida.

Ela é a única mulher com quem você pode se imaginar?
É não. REPITO: NÃO É.


É o que tempo apronta dessas com a gente: ele nos coloca dentro de um contexto e, naquele momento, a gente não consegue enxergar nada além daquilo. Só se enxerga as possibilidades que existem à mão, entende? Só se vê aquele ângulo no qual você está inserida. 

Mas, na realidade, existem tantos, tantos outros ângulos. Tantas outras possibilidades.

Eu sei que isso não te importa agora.
Eu sei que a única coisa que te importa é que ela te ame como você a ama.

Mas aí eu te pergunto: COMO SABER SE ELA TE AMA, SE VOCÊ NÃO CONSEGUE VENCER O MEDO DE SE COLOCAR NO LUGAR EM QUE ESTÁ A RESPOSTA?

Eu lhe digo a minha fórmula para vencer o medo: TENTAR.
Dar um passo a mais cada vez.
Preparar-me internamente para enfrentar os muros que existem à minha frente.


Veja: A cada muro que você vence, mais perto você está do que deseja.

Outra dica?
TENHA BOM-SENSO!

Se você, a cada recado que escreve, chama a mulher que você deseja de AMIGA, você só estará a confundindo.


Vá com calma, vá com amor, vá com doçura.
E saiba se afastar e dar o tempo necessário de digestão da ‘bomba’ que você acabou de colocar na vida dela.

Pare de pensar no “E se eu a perder?
E comece a pensar no “Quando deixarei de sofrer por isso?

E, para te sacudir um pouco mais, eu te pergunto:
Você se apaixonaria por alguém que não se dá valor?

É, eu também não.

Então, por favor, despause a sua vida!
Vá atrás da resposta que tanto te atormenta.


E se a resposta não for a que você desejava, seja mulher o suficiente para seguir adiante!


Confie o suficiente na sua vida para saber que ela ainda tem muitos outros sorrisos guardados para ti.

E, acima de tudo, se dê valor o suficiente para entender que você não tem o direito de deixar o seu coração ali, pausado, se alimentando apenas de incertezas.


Você merece mais do que isso.

___________________

>> Porque eu só gosto das coisas antigas dele:


Caetano Veloso - Caetanear - 1985







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15 comentários:

cн૯ℓуηнα disse...

Na vida aprendemos a arriscar para amar independeti do sezo da outra pessoa o amor soh realmente passa a existir a partir do momento que vc assumi ele entao ame e nao ligue para oq vem pela frente apenas viva

Boo disse...

adorei!
eu já comecei a pensar assim faz um tempo, mas é sempre bom ter um reforçador de opinião.
=)
Beijo!
Gosto bastante do seu blog e estou descobrindo cada vez mais coisas do PL, muito bom também!
^^

gi disse...

Nem sempre depende só da gente, mas sem sombra de dúvida nenhuma que o amor próprio é a peça chave para, quem sabe, um futuro romance.

Sem falar que muitas vezes o que te prende a uma amiga é o simples fato de parecer algo impossivel, por ser um desafio, testando seu charme e poder de conquista. Não estou dizendo que é sempre assim, eu sei que não é. Acredito que todas nós somos capazes de reconhecer o tamanho do sentimento que nos consome, após esse reconhecimento é quando se respira fundo e se da o primeiro passo, mesmo que desajeitado, não deixa de ser o primeiro passo, que na minha opinião é o mais importante.

Enfim, acho que to divagando.. não sou muito boa em passar minhas ideias pra palavras, mas eu tentei :T

beijo gente

Anônimo disse...

Olá, Helena!

Olha, nas minhas primeiras paixonites foi exatamente esse o meu maior mêdo : o de não ser correspondida, de quebrar toda a expectativa e cair no vazio. Não era nem mêdo, era pânico! Eu não queria nem pensar na idéia da rejeição, achava que melhor seria nunca tentar e ficar sonhando...rs.
Hoje é bem diferente, a cabeça é outra, acho que nada deve ser desperdiçado, seja lá o que fôr, o que importa é vivenciar tudo que tiver direito, sempre tentando e não pensar no resultado, mas chegar lá pra ver como é que fica!

Bjs
belisa

Mundo paralelo disse...

Não depende apenas de nós, mas sem sombra de dúvida, o passo inicial depende exclusivamente da gente. Durante um certo tempo nutri um amor platônico por uma amiga. No inicio tentava fugir desse sentimento - e dela também - com medo das possíveis consequencias. Então, um belo dia tomei coragem e fui falar com ela. Se senti medo? Lógico, acho que todo mundo que passar por essa "confusão" senti medo, mas como você colocou muito belo no texto, não podemos ficar em "pause". Quanto antes resolvermos esse assunto melhor será pra nós.
Hoje somos grandes amigas, divido com ela muita das minhas dúvidas com relação a esse universo novo e as contradições que ser homossexual causa. Ela me aceita como sou e quando resolvi falar pra ela que sou lésbica ela falou com a maior naturalidade "eu já sabia, só estava esperando o seu tempo para podemos conversar sobre esse assunto". Expus os meus sentimentos por ela e resultado: não perdi uma amiga, pelo contrário, ganhei uma irmã e confidente.
E o amor? Permanece aqui comigo, só que de outro jeito, amor entre irmãs, sabe? Hoje estou gostando de outra pessoa e estamos nos conhecendo melhor. Aprendi também a não colocar expectativas... Estou deixando o tempo fluir e me mostrar as coisas sem pressa.

Beijos

M.P.

Conto de Meninas disse...

É, todas nos já passamos por isso um dia.
Cabe a nos saber se vale ou não a pena ir adiante em se declarar ou não.
Adoro o blog, passa no meu!

bjo

Diogo França disse...

Acredito que tudo isso se caracteriza mais em paixão do que amor.. como eu gosto de citar SEMPRE isso:

"O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta." (1 coríntios 13.

Se aprendessemos um terço disso que ta escrito aprenderiamos a AMAR de verdade.. acho que o que sentimos mais caracteriza paixões e não o amor verdadeiro, mais ai que tá,se não sabemos nem amar a nos mesmos como vamos dar amor pra outra pessoa?! É díficil de lidar com essas coisas.. mas Helena tu diz algo real...DE MAIS VALOR PRA SI MESMO, que consequentemente irradiamos algo mágico... irradiamos confiança.. com nossa autoconfiança, mas ainda estamos aprendendo a lidar com nós mesmos pq não é facil sair do armario quem dira expor um sentimento q e novo pra gente pra alguem q pouco entende... hehehe

Belas bofetadas hheheeh sempre é bom levar de vez em quando pra acorda um pouco...

Bjooo!

Anônimo disse...

Olá Helena, entendi seu recado..mas preciso ter mais coragem para enfrentar a situação espero resolver isso o quanto antes.
Mas muito obrigada pelas dicas..já estou conseguindo ver as coisas com outros olhos entendeu...
Bjs e um ótimo fim de semana.
Bjs linda

Sandra disse...

Olá Helena, entendi seu recado..mas preciso ter mais coragem para enfrentar a situação espero resolver isso o quanto antes.
Mas muito obrigada pelas dicas..já estou conseguindo ver as coisas com outros olhos entendeu...
Bjs e um ótimo fim de semana.
Bjs linda

*** Cris *** disse...

Olá,td bem?
Não sei se você gosta de receber selos e memes,mas fui indicado ao selo de Blog Instigante e logo pensei no seu blog para repassá-lo tendo em vista que seu blog nos faz refletir, pensar em nossos conceitos ou pré-conceitos. Você escreve maravilhosamente bem sobre qualquer assunto de forma clara e objetiva. Párabéns!
Bjs!

Mim disse...

Menina, você escreveu, postou um texto longo, mas é perfeito. Tudo é verdade. A pessoa tem que tentar, sentir o gostinho do sim ou do não. Parabéns, continue...

▒▓█► JOTA ◄█▓▒ disse...

ººº
Posso?

Gostei do teu cantinho...

Voltarei, tá?

Anônimo disse...

me indentifiquei bastante com o texto...

passa no meu blog tb.
beijos
http://incostantesempre.blogspot.com/

L.C. disse...

Um ano atrás me apaixonei por uma amiga, apesar de nunca ter rolado nada físico. Foi com ela que eu descobri o amor. Não tive coragem de dizer de fato o que eu queria. Tive medo, medo de perder ela principalmente. Mesmo sabendo que ela também estava apaixonada por mim. Continuei meu namoro, ela se envolveu com um cara e disse que era culpa minha, não com todos os detalhes, mais disse. Teve uma filha dele esse ano. Agora está só novamente, eu continuo com meu namorado, continuo apaixonada por ela. Porém com tudo estamos muito afastadas, quando eu posso eu tento me aproximar, mostrar que o sentimento ainda é o mesmo. Só penso que se ela se envolveu com ele por minha causa, porque ela ficou tanto tempo com ele a ponto de ter um filho? Ás vezes eu penso que ela ainda gosta dele, que gosta de mim. É triste. Quem sabe um dia... Tudo possa ser como eu sempre sonhei. Eu e ela!
;)

meunomenaoeana disse...

já tive alguns medos de sentir o que sentia por garotas, mas tive a sorte de nos meus momentos de maior fragilidade, pessoas incríveis me enxergarem e me darem força pra ser quem sou.
hj, toda vez que travo diante de algo, gosto de pensar que estou no alto de uma cachoeira, prestes a saltar na água e que esse frio na barriga só precede algo que será bom, apesar do choque do frio inicial. então tento me jogar na situação com gosto. e tem funcionado cada vez mais!
bjs, helena! seus textos sempre inspiram!