sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Uma festa-pedido

Nada de “Então é Natal” este ano!
Nada de um espírito natalino que contagie apenas temporariamente a cada um de nós.

O Natal, para ser verdadeiramente símbolo daquilo que ele significa, para ser Natal realmente, deve ser acima de tudo, uma festa-pedido.

Um pedido de reflexão.
De mudança de atitude.
De percepção a respeito da vida e das responsabilidades de cada um.

Deve ser um encontro não apenas de familiares que compartilham sangue ou afetividade, mas um encontro de seres humanos que estão ali se comprometendo em serem melhores no ano que está por vir.

O Natal não deve celebrar um Nascimento: ele deve celebrar vários.


O Natal deve ser primordialmente símbolo de um desejo de melhora: enquanto pessoa, enquanto pai, enquanto mãe, enquanto filho, enquanto irmão, enquanto amigo...

O Natal deve ser exatamente o que nasceu para ser: marco de um tempo único e especial: um tempo em que devemos olhar para nós mesmos com olhos sóbrios e extremamente verdadeiros.

O Natal é acima de tudo uma lembrança: mas não uma lembrança longínqua de um Cristo que nasceu para nos ensinar, mas uma lembrança atual e presente de tudo aquilo que ainda precisamos aprender.

O Natal é tempo: e o tempo existe para nos fazer lembrar que tudo passa.
O bom e o ruim.


Basta um pequeno momento de reflexão para você perceber isso: quantos Natais você já vivenciou?

Os Natais da sua infância; os Natais da sua adolescência; os Natais da sua vida adulta.
Os Natais da vida que se renova: o primeiro Natal dos seus filhos.

E o ciclo dos vários Natais que, somados, são exatamente o que devem ser: são vida. Vida acumulada. Tempo.

Então que essa Festa seja esse grande, esse gigantesco pedido: o de que saibamos que cada momento de nossas vidas constrói o todo.

E que aí reside a nossa responsabilidade de cuidar bem de nossas ações e de nossos sentimentos.

De cultivar a sensibilidade que existe dentro de cada um de nós. E perceber que, uma vez estimulada, essa sensibilidade só tende a crescer e a nos melhorar.

Esta é a nossa grande missão Natalina: perceber que dentro de poucos dias um novo Ano nos será dado. E que dentro dele está a nossa grande oportunidade de consertar tudo aquilo que precisa ser consertado.

Em nós mesmos e nas relações com as pessoas que nos são queridas.

O tempo existe para ser usado: então que esse grande e simbólico aniversário sirva para que fortaleçamos a consciência de como usamos esse tempo que nos é dado.

É a partir dessa reflexão que então sim, é Natal.

Com todo o significado de aprendizado e de melhoria que Cristo desejou para cada um de nós.





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Feliz Natal, minhas companheirinhas de Sapatilhando!
Um abraço apertado em cada uma de vocês! :*

sábado, 11 de dezembro de 2010

Um conversa séria com você sobre a sua vida

As pessoas às vezes vêm me perguntar sobre o quão difícil é ser homossexual: sobre todos os conflitos por que passamos, sobre os preconceitos que sofremos, sobre a não aceitação de pais e as inúmeras frases doídas que ouvimos apenas por sermos quem somos.

Óbvio que para cada caso há uma reflexão específica.
Mas vamos conversar um pouco sobre isso.

Se você pensa como eu, então a sua existência tem um por quê.
Em minha opinião, ninguém é apenas por ser.

“É o quê, Helena, homossexual?” – você poderia me perguntar.

E eu te responderia: “Não, gente, tudo! Preto, branco, alto, baixo, magro, gordo, feio, bonito, homossexual, hétero, bi, trans...”

Eu creio que somos uma conjuntura de coisas amontoadas em um conjunto: esse conjunto é você.

E, claro, em você estão os vários aspectos que te formam.
Toda a tua subjetividade e unicidade.

E aí, nesse ponto, fica centrada a complexidade de cada um de nós.

Dentre esses vários aspectos da tua vida e da tua pessoa, você pode encontrar um sem número de motivos para achar que a sua vida é difícil por isso ou por aquilo.

Seja porque você não se acha bonita (e isso é uma besteira! Porque a beleza é na verdade um “estar-se bem consigo”: é isso o que se reflete no olhar da pessoa que te vê), seja porque você está sem grana ou sem emprego, seja porque você não queria ter a vida que tem ou seja porque você acha que todos os seus problemas existem simplesmente porque você é homossexual.

E na realidade, gente, o que falta ver é que tudo na vida é uma questão de atitude.

Tudo e qualquer coisa pode ser transformado em um problema gigante se você assim o enxergar.

“Mas, Helena, não é drama meu não! Minha vida está um caos sim pelo fato de eu ser homossexual!” – você me diria.

E eu te daria de presente o seguinte texto:

"A vida é curta demais para se acordar pela manhã com arrependimentos, então, ame as pessoas que lhe tratam bem, esqueça as pessoas que não o fazem e acredite que tudo acontece por uma razão.


Se lhe aparecer uma oportunidade, agarre-a.


Se ela mudar a sua vida, deixe-a mudar.


Ninguém disse que a vida seria fácil, apenas prometeram que valeria a pena."

-Harvey Mackay-

Ou seja, pessoalzinho querido, acredite, com toda a fé do seu coração, que você é exatamente a pessoa que você deveria ser!

O Universo tem um plano para você.
Mas esse plano só acontece se você o aceita, se você o toma para si.

Achar que ser homossexual é a fonte de todas as suas desgraças, tristezas e medos só faz com que ser homossexual SE TORNE a fonte de todas as suas desgraças, tristezas e medos.

Assim como qualquer outra coisa se tornaria isso se você deixasse.

Encare com serenidade quem você é.

Encare sua homossexualidade com naturalidade: ela é apenas mais uma parte de você (como a sua altura, a sua personalidade, os seus gostos, a sua pele...).

Sim, devemos ter o compromisso de sempre nos melhorarmos como pessoa.


Mas dentro desse mesmo compromisso está o de respeitar a sua essência, o de defender o que o seu coração diz, o de respeitar a si mesma acima de tudo.

“Mas, Helena, como lidar de forma prática com isso? Com meus pais homofóbicos, por exemplo?”

Meninas, cada uma de nós vai achando o caminho, acreditem.
Se você faz a sua parte, se você se respeita, se você segue caminhando e plantando bons frutos para a sua vida, a vida fará sim a parte dela.

Nem que a parte dela seja um dia lhe fazer não sofrer mais com a não aceitação dos seus pais.

Lembre-se do mantra maior:
A VIDA DÁ A MÃO PARA QUEM DÁ A MÃO A ELA.

Siga o seu caminho com naturalidade: com seus planos, com seus sonhos, com suas ambições e desejos de crescer.

Não deixe que sua homossexualidade seja uma desculpa para não seguir seus planos e sonhos: se você fizer isso, estará encarando de forma completamente errada uma de suas características.

A meu ver, a maioria de nós busca a aceitação da família (e sente a vontade de ser verdadeira(o) e sair do armário para os pais e irmãos) por uma razão muito humana: a de ser amada(o) em todos os aspectos que lhe compõem.

Mas vamos racionalizar um pouquinho, está bem?

Você ama TUDO a respeito do seu pai?

Você ama TUDO a respeito da sua mãe?

Você ama TUDO a respeito dos seus irmãos ou familiares?

Não, não é mesmo?

A gente só quer desesperadamente que eles não apenas aceitem a nossa homossexualidade como, de preferência, a amem e sintam orgulho de nós, porque é algo tão difícil socialmente que, se de repente dentro de casa for Ok, então o resto do mundo não importaria tanto...

Mas a verdade é que a vida é como Harvey Mackay disse: não é fácil.

Mas a gente agüenta!
E não só isso: a gente cresce tanto, melhora tanto, tentando ficar bem com nós mesmas(os).

Tentando ter orgulho de quem nós somos!

Orgulho é algo construído, sabia?

Então, levante a cabeça, reflita que você deve dizer “sim” a si mesma e pense que quando achamos que a aceitação mais importante é a da nossa família, estamos erroneamente enganadas(os):

A aceitação mais importante é a auto-aceitação.


Tudo começa em você e na forma como você lida com isso.


Lembre-se disso da próxima vez que algo ou alguém te fizer sorrir.

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Para questionamentos sobre se assumir, por favor, escute esse áudio.
Clique AQUI.
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Desculpem a demora, queridas, ser professora tem dessas.
E também teve outra coisinha no meio: estava participando de um processo de seleção de Doutorado (coisa de quase dois meses de provas e tensão). A ótima notícia é: FUI APROVADA! Começo o ano de 2011 como Doutoranda! \o/
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O livro que há tanto prometo também está no forno.
Estou fazendo o possível para até o fim de Janeiro apresentá-lo para vocês.
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Novidades no Parada Lésbica também!
Semanalmente estarei lá com um texto de reflexão para as leitoras que ajudarem o PL.
“Como assim, Helena?”
Bem, talvez algumas já saibam, mas o PL passou por vários problemas e agora está de volta com tudo!

Contamos, eu a Del. e todas as meninas e mulheres que formam o PL, com a ajuda maravilhosa de leitoras que têm se disponibilizado para ajudar a manutenção do Parada Lésbica.

TUDO no Parada continuará como sempre foi: textos e muitas outras coisas GRATUITAS para nos ajudar a formar essa grande família que somos.

No entanto, para aquelas que conseguirem ajudar o PL com pelo menos R$10 por mês, estamos disponibilizando uma forma de AGRADECER por essa ajuda: e esse agradecimento são esses textos exclusivos para quem está podendo nos ajudar. Entre esses textos semanais, estarei eu.

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Novidade quentíssima:
Ainda não é certo (vamos ter certeza até quarta-feira, quando confirmaremos), mas tudo indica que eu e a Del. estaremos no LESKONTRO de Final de Ano que acontecerá AGORA dia 18/Dez em São Paulo.

Então, se você está em Sampa e é minha companheirinha aqui de Sapatilhando e de PL,  e está a fim de bater um papo em carne e osso, bem, esse é um bom momento para isso! :]

Anotem aí: DIA 18 às 13 horas, encontro no Parque do Ibirapuera.
Confirmaremos nossa presença até quarta-feira.
(Mas NÃO iremos para a festa à noite, APENAS para o encontro no Parque.)

Mas independente disso, o encontro será incrível e se você não tiver companhia para ir, vá mesmo assim: as administradoras do LESKUT estarão lá para lhe receber de braços abertos e reunir todo mundo!


Um beijo, pessoal!
Agora é férias!! :]
Então, estou de volta sim!! \o/

Obrigada sempre pela ótima companhia! :*

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Sobre as perguntas que estão dentro de você

Não dá para estar segura sempre, sabe?
Tem horas que bate mesmo aquela insegurança e você se pergunta:
“Será que estou mesmo no caminho certo?”

E não é ruim se perguntar isso.

Pelo contrário: devemos mesmo sempre ‘fazer um balanço’ daquilo que está dentro de nós. Devemos mesmo nos questionar, reavaliar, revisitar os locais dentro de nós mesmas e reorganizar nossos sentimentos.

Isso é saudável.

O que não é saudável é você deixar que a falta de apoio da sociedade ou da tua família ponha dúvidas sobre quem você é!


VOCÊ TEM QUE RESISTIR A ESSA VONTADE DE ACHAR QUE ‘ELES’ TALVEZ ESTEJAM CERTOS.

É que seria mais fácil, entende?
Na tua cabeça seria mais fácil se você fosse heterossexual: se você pudesse gostar daquele cara que tua mãe ou tua irmã teimam em te apresentar.

Na tua cabeça tua vida seria menos complicada e sofrida se você tivesse conseguido ficar com aquele ex-namorado.

Tem horas que você não pensa assim, claro.
Como quando você está com aquela mulher encantadora na tua cabeça e só a lembrança do sorriso dela te faz deixar de lado todas essas preocupações e medos.

Mas aí, quando você menos espera, lá vem aquela voz tenebrosa: aquela voz que parece nascer dentro de ti, mas que na verdade vem ecoada das tantas vozes acusadoras que existem ao teu redor.

Na tua igreja, te chamam de pecadora.
Na tua casa, te falam (mesmo em silêncio) da decepção que você é.
Na rua, não aceitam que você exista.
Na escola, não querem que você diga em voz alta quem você é.
No trabalho, te ameaçam silenciosamente se você for “isso” que não é aceito.

E aí vem a voz: ela te mostra tudo isso: que é você contra o mundo inteiro.

E aí, claro, você, tão pequena e minoria, se assusta.
E acha que talvez eles tenham razão: que talvez você seja mesmo pecadora, que talvez você seja mesmo uma decepção, que talvez não seja mesmo certo que você seja assim como é, que talvez eles estejam corretos em não lhe aceitar.

E aí, nesse pensamento, mora o perigo.
O perigo de você se renegar. 


O perigo “deles” conseguirem a única coisa que não podem conseguir: que é plantar em ti a idéia de que você não é quem você deveria ser, de que você deve lutar contra quem você é e ser na verdade quem eles querem que você seja.

Percebe o absurdo desse pedido?

É isso o que essa voz quer de ti.
Ela quer plantar em ti uma semente de discórdia: mas uma semente muito específica: que te faça questionar justamente a tua essência: os teus sentimentos.

A verdade é que vivemos em um mundo inventado: nos deram nomes, nos deram profissões, nos deram tarefas e responsabilidades, nos fizeram parte de uma sociedade. E tudo isso tem um preço.

Mas é aí que entra resposta para todas essas perguntas que teimam em te esmurrar por dentro: é aí que vem a noção mais importante e sólida que você deve ter a teu respeito:

VOCÊ NÃO É A ÚNICA!

Me desculpe, mas você não é a única!
Essas dores e dúvidas e medos que você sente, desculpa, não só teus!
Milhares de milhões dividem esses sentimentos contigo.

Essa é a verdade maior que não querem que você saiba!
Porque se você perceber que ser como você é, é ab-so-lu-ta-men-te normal, então, ora, qual o problema em ser assim, não é mesmo?

Então, Clara, Joana, Andrea, Andrezza, Adriana, Raquel, Carol, Viviane, Daniela... o mundo está CHEIO de pessoas que carregam exatamente aquilo que querem que você ache que é anormal.

Eu, Helena, sou também apenas mais uma delas.

Então pára!
Pára!

Pode ser que seus pais não te entendam, pode ser que ainda passe anos ou décadas para que a sociedade de aceite, pode ser que você jamais possa afirmar com todas as letras no teu trabalho que você é homossexual. Sim, isso tudo pode acontecer.

Mas NADA disso tem a ver com o que você é ser errado!
NADA!

Entende que você vive em um mundo inventado.
E quem inventou “esse” mundo, não nos escreveu nele.

MAS ISSO NÃO QUER DIZER QUE NÃO EXISTIMOS!

Cá estamos nós, não é?
E crescemos, ah!, crescemos a cada dia em coragem e em força e em voz!

E haverá sim o dia em que a vida para nós será mais fácil.
Ou pelo tão difícil quanto as dos heterossexuais.
(Não sei se te contaram, mas ser heterossexual não é sinônimo de ser feliz ou de viver em paz).

Mas até lá, te faz um favor?

Pare de questionar quem você é e comece a questionar quem eles querem que você seja.


A fórmula da felicidade é uma e uma apenas: encher o pulmão de ar com orgulho de ser quem você é!


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Desculpem a longa ausência: é final de semestre e realmente não me tem sobrado muito tempo.
Mas obrigada de coração por continuarem por perto! ;]

domingo, 26 de setembro de 2010

Esses caminhos por onde andam nossos pés...

Inspiração.

Lembra de quando você era pequena e era tão, tão fácil algo te interessar?

Algo te entreter por horas e horas seguidas?

Às vezes tenho a impressão de que vamos deixando “pedacinhos de nós mesmas” ao longo do caminho, ao longo do crescer.

Achamos que para aprendermos todas as coisas novas que precisamos aprender, temos que também desaprender as coisas que já tínhamos aprendido.

E aí desaprendemos a nos entreter.
Desaprendemos a nos interessar.
Desaprendemos a acreditar.
Desaprendemos a nos inspirar...

Desaprendemos a seguir aquele impulso, aquela vontade, aquelas pequenas coisas que foram, durante tanto tempo, responsáveis por muitos dos sorrisos mais puros que tivemos em nosso crescer.

É como se fôssemos nos permitindo a perder a ternura que antes tínhamos.

E a ternura, veja bem, é um tipo de óculos colorido: ela te permite ver o além das coisas.

A dor, olha que mágico, se fantasia de um vilão passageiro que logo, logo, irá embora.

O caos, ora, o caos é apenas a casa em dia de arrumação. 
O tempo passará e ela estará muito mais bem organizada do que o que era antes.

A angústia é nada mais do que aquela vontade que o sonho bom comece logo.
É aquele momento de cansaço, logo antes de você dizer adeus ao ontem e dar boas vindas ao amanhã.

A indecisão é a dúvida entre o ‘sim’ e o ‘não’.
É mensagem de você para você mesma: é o coração dizendo que você não está pronta para essa decisão.

O futuro, veja bem, é o hoje já grandinho, já crescido.
O futuro é a construção do hoje: é a conseqüência do agora.

E aí, nesse ponto, fica a importância dos caminhos dos teus pés.
Eles guardam segundos mágicos que te fazem ansiosa pelo próximo minuto?
Eles guardam os sonhos mais lindos de um amanhã mais colorido que o hoje?
Estão cheios de aventuras e desafios que te levarão a novos caminhos e a novos planos?

Sabe, a gente nunca chega a ficar ‘gente grande’.

Se somos espertas, se sabemos o que é bom, a gente se intitula “uma eterna criança aprendiz” e ponto.

Porque nunca estaremos prontas.
Seremos sempre algo inacabado.

Isso é fácil de ser entendido: vivemos "em processo de"
Vivemos das várias versões de nós mesmas (que vêm junto com o tempo).

Mas não, não podemos abrir mão de certas partes de nós mesmas.

Não podemos esquecer as coisas bobas e pequenas porque são elas que trazem, numa lembrança de repente, um sorriso ao nosso rosto.

Não podemos não saber o que nos traz inspiração.
O que nos faz olhar o mundo com a maior de todas as sobriedades: o entendimento de que o hoje, ruim ou bom, passa.

E o amanhã chega.
Trazendo coisas novas e coisas velhas dentro de si.

Sim, largamos coisas pelo caminho.
Mas que sejam as coisas ruins que sejam largadas.
Que deixemos para trás aquele coração partido, aquele amor não correspondido, aquelas palavras que feriram tanto, aquele abandono que tanto machucou.

Que deixemos pelo meio do caminho não as pessoas que não conseguiram ser o que precisávamos que elas fossem, mas a lembrança sempre doída desse ato delas.

A verdade é que somos, todos nós, crianças.
Estamos, todos nós, ainda aprendendo.

Uns aprendem mais e mais rápido.
Outros aprendem menos e mais devagar.

Mas a lição que deve ser sempre estudada é uma e uma apenas: o que te faz sorrir?

Deve ser o teu sorriso que deve guiar os teus passos, as tuas escolhas.

Lembre-se: a vida curta.
E viver é muito perigoso: perder-se é mais fácil que achar-se.

E se não tivermos cuidado, acabamos por viver uma vida que não é nossa.
Acabamos por adicionar anos, ao invés de adicionar tempo vivido.

A vida é assim: um passo, outro passo, outro passo, outro passo...

E isso é bom: senão você acordaria um dia e cinco, dez anos da tua vida teriam passado.

Mas, ao mesmo tempo, isso é muito perigoso: cada passo teu arruma um pouco o teu amanhã.

E aí está a moral da história: a vida, querida, é construída.

Tijolo por tijolo.
Passo por passo.
Escolha por escolha.

Então, presta atenção, está bem?

O que te traz inspiração?


Segue isso.
Escuta isso.
Agarra isso.


O teu amanhã é decidido hoje.
Por isso é que viver é muito perigoso.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A sempre-tão-grande inconveniência social de ser-se quem se é

Eu sei que você sente isso: que nunca estão satisfeitos! Que sempre querem mais!

Se você é toda perfeitinha, toda séria, toda responsável, isso ainda não é o bastante.

E olhe lá se você cometer a grande falta de sair da linha! E ai de você se você der argumentos para que falem de você, para manchar a perfeita imagem que você construiu!

Acontece que às vezes, querida, nós mesmas armamos as nossas armadilhas. 


Nós mesmas dizemos “sim” e “amém” a todos os rótulos e expectativas que os outros têm sobre nós.

É difícil e extenuante ser sempre perfeita justamente porque ninguém foi feito para ser assim!

A questão é que é fácil cair nessas armadilhas sociais: quando menos esperamos, lá estamos nós: reféns da expectativa dos outros. 

Reféns da noção que os outros têm sobre nós.

Reféns do medo de perder o já conquistado.

Vou chamar o mestre Campbell ao nosso auxílio:

“É simples e básico. Tire de seu sistema idéias que causam pressão e você descobrirá, como a bola da roleta, onde vai cair. 


A bola da roleta não diz: ‘Bem, as pessoas não vão pensar mal de mim se eu cair naquele lugar.’ 


Aceite o que aparece e esteja onde lhe apraz.


O que conta é estar no lugar que você sente que é o seu.


O que as pessoas pensam, é problema delas.”

E é aí, na verdade, que está a nossa maior conquista.

De que adianta ser tudo o que querem que você seja e não poder ter a liberdade de entregar-se ao momento?


Que medo é esse que temos de desconstruir o que foi construído?

Será que o que você construiu é tão frágil assim?

Será que quem você é assim tão limitado e fixo que você não pode “pisar fora” desse círculo?

Se tudo o que você é, é o que você já tem, então para que o amanhã?
Para que todas as horas de vida que ainda lhe serão dadas?

Não: não podemos deixar que nos coloquem um gesso e que só nos deixem crescer até ali.

Clarice Lispector dizia que o espaço mais profundo é o espelho.
Justamente porque ali está refletida você.

Qual a sua profundidade?
Você se deixará ser tão rasa quanto querem que você seja?

Caminhará sempre pelos passos que querem que você caminhe?

Campbell diz:

"No momento em que você age, você é imperfeito: decidiu agir dessa forma e não daquela.


Por isso, decida ser imperfeito, entre em acordo com isso, e siga em frente.


Se você disser ‘não’ a um pequeno detalhe de sua vida, você terá desfeito tudo.”

Você NÃO é perfeita!
Mais do que isso: você NÃO PRECISA ser perfeita!
Ao se subjugar a esse aparente rótulo de perfeição, você estará caindo na armadilha de ser quem os outros querem que você seja.

E andar nos passos dos outros significa uma coisa e uma coisa apenas: significa que você não está andando nos seus passos.

Não aceite limitar-se tanto assim.
Para aproveitar todas as possibilidades da vida, você tem que estar livre para mergulhar nelas.

Entenda: somos nós quem muitas vezes aceitamos vestir a âncora que nos oferecem.

Decida ser imperfeita.


É aí, justamente aí, que reside a maior beleza e o maior tesouro de se ser humano.

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“Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter”


  ENGENHEIROS DO HAVAÍ
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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Uma conversa sobre Homossexualidade e Família

Oi, pessoal, tudo bem?

Primeiro de tudo, obrigada pelas boas vindas e por sempre estarem aptas a conversar comigo!

Para abusar um pouco da boa vontade de vocês, cá estou eu de novo com uma nova conversa!
(Para compensar o tempo longe, não é?)

Quem quiser conversar comigo, é só clicar o playerzinho aí embaixo!
(Por favor, ignorem a voz, que ainda sofre com os resquícios de uma rinite alérgica)




Quem quiser baixar a conversa e escutar em seu próprio micro ou player, é só clicar aqui.

|| Para ouvir o áudio "Devo me assumir? Quando? Como?" clique aqui.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Quando o Cérebro diz "Basta!"

É que há vezes na vida em que o cérebro precisa ganhar.
Há vezes em que o cérebro, cansado de ver o coração apanhar, precisa pegar as rédeas e liderar o caminho.

Quando isso chega a acontecer, a bem verdade é que o coração já está bem, bem dolorido. Já apanhou mais do que a sua cota. Já foi o mais nobre que poderia ser. Já agüentou tudo o que poderia agüentar.

Quando o coração chega no limite, o cérebro deve entrar em cena.
Sob o risco do coração se quebrar em mais pedaços do que seria possível se recuperar.
Sob o risco de permanecer para sempre um coração machucado, um coração amargurado e dolorido.

Entendam, é uma questão de auto-respeito.
É uma questão de saber dizer Basta!

Todo coração merece um cérebro que saiba dizer “Basta!”.
Todo cérebro merece um coração que saiba seu limite.

De que falo?
Falo de tudo.
Falo de mim e falo de você.

Falo de pais que teimam em não aceitar seus filhos.
Falo de amores impossíveis.
Falo de amores que juram amar, mas que só machucam.
Falo de você que vive sempre na terra dos sonhos e na realidade não vive nunca.
Falo de você que ainda choraminga aquele amor de há tanto, tanto tempo atrás e que usa essa dor como desculpa para não amar mais ninguém.
Falo de você que acha que não tem mais idade para se reinventar.
Falo de você que já perdeu as esperanças e não mais enxerga as cores que existem à sua volta.
Falo de você que teme tanto tudo.

A verdade é que é do caos que nasce a organização.
É da destruição que o novo surge.

E, pasmem, a destruição é necessária.
Muitas, muitas vezes é mais do que bem vinda!
É ela, essa coisa assustadora, que cria o novo.
É ela que mostra novos caminhos.
É ela que te faz ver forças que você não achava que tinha.

Campbell dizia:

“Destruição antes de criação.


As oportunidades para encontrarmos
poderes mais profundos em nós mesmos
surgem quando a vida parece mais desafiadora.”

A verdade é que somos, ou melhor, temos que ser vorazes em relação à nossa dignidade.
Temos que ser nossos maiores defensores.

Seja tudo o você puder ser.
Faça tudo o que você puder fazer.
Diga todos os sim’s que puder dizer.
Acate tudo o que puder acatar.

MAS SAIBA O SEU LIMITE!


ESCUTE O SEU CÉREBRO QUANDO ELE DISSER “BASTA!

Aí está o seu auto-respeito.
Aí está a sua dignidade.
O seu crescer.
O seu novo começo.

Meu querido Campbell continua com suas verdades:

“É com a descida ao abismo que
resgatamos os tesouros da vida.


Onde você tropeçar, lá estará seu tesouro.


A própria caverna na qual você tem medo de entrar, 
acaba sendo a fonte do que você procura.”

Você sobrevive.

Será difícil.
Será incrivelmente dolorido.
Mas você achará formas de sobreviver.

E, mais do isso, sairá daquele escuro muito mais bonito do que entrou!
Sairá de lá muito mais forte.
Muito mais capaz de ver tudo o mais que existe na vida.

E aquelas próprias pessoas que te machucaram, que te pisaram, que doeram e que nem por um momento viram a sua dor no meio de tudo, aquelas próprias pessoas olharão para você e se admirarão com a sua fortaleza.

E verão o que antes não eram capazes de ver: a verdadeira cor de sua beleza.

Mas entenda, é preciso que você se defenda para que isso aconteça.
É preciso que você, mais do que ninguém, saiba se respeitar e se dar valor.
A vida dá sim a mão a quem dá a mão a ela.

E para aqueles que, como eu, acreditam em algum tipo de Ser Superior, vou mais uma vez com o que o Campbell diz:

“Descobri que basta dar um passo na direção dos deuses que eles darão dez passos em sua direção.”

A vida é cheia de momentos dramáticos.
Momentos que às vezes são tão insensatos, tão irracionais e surreais que não acreditamos que estão acontecendo conosco.

Mas são nesses momentos que precisamos levantar a nossa própria bandeira.
São nesses momentos que precisamos fincar pé em nossa própria terra, a terra do ser-se, e brigarmos por nossa pessoa com todas as armas que tivermos.

São esses momentos os momentos do “Basta!”.
São momentos em que devemos ser por nós e por mais ninguém.


Acredite: se você não se defender, há pessoas que jamais pararão de lhe atacar.

Essas pessoas estão apenas preocupadas com seus próprios sonhos e desejos e vontades.

Elas são cegas para que o VOCÊ sonha ou deseja. 
Elas são incapazes de enxergar e respeitar a SUA vontade.

E se você não souber o seu limite, se você não ouvir o seu “Basta!”, você jamais viverá a vida que nasceu para viver.

Você jamais sorrirá todos os sorrisos que pode sorrir.

Por quê?

Bem, deixo isso com a Clarice Lispector:

"O que é verdadeiramente imoral
é ter desistido de si mesmo."


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Um adendo:
Sei que andei desaparecida do Sapatilhando (e de um bocado mais!).
Tempo tem sido um fato complicado para esta Helena aqui.
Isso aliado a uma série de questões familiares que muito dizem respeito a este texto (qualquer dia desses eu falo mais disso por aqui).

Mas prometi novidades quando eu voltasse, então lá vai:

Ainda não está pronto!
Ainda não está com todo o material que terá (os áudios, por exemplo, ainda estou gravando aos pouquinhos).

Mas mesmo assim já vou divulgar para vocês.

Meu site!!!
Êêêêêêêê!!!

http://helenapaix.com/

Tem umas coisinhas por lá já.
Algumas repetidas, outras novas.

Mas estou pelo menos dia sim, dia não, colocando coisas por lá.

Então quem quiser visitar, por favor, visite!
Quem quiser futricar, futrique! Rs

Aos poucos, e com a ajuda de vocês, vamos transformando ele num lugar legal, está bem? ;]

Um beijo grande!
E obrigada por continuarem por perto! :*

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Um grito. Uma afirmação. E um sussurro.



É que às vezes o que a gente sente é cansaço.
Mero. Puro. Não-tão-simples cansaço.

Como aquele ‘montinho’ de sentimentos que a gente vai acumulando: um “deixa pra lá” uma hora; um “amanhã tudo será melhor” em outra, e às vezes um “tenho que ser mais forte” em outra hora.

E aquele ‘montinho’ vai crescendo.
Vai ficando mais alto e maior e vai tomando tanto espaço dentro da gente que uma hora não dá mais: acaba saindo: acaba virando grito, ou choro, ou sono, ou desespero.

E aí não resta outra: a gente grita, ou chora, ou dorme ou se desespera mesmo.

Mas o importante é que isso seja o que é: um cansaço.
Porque a questão do cansaço é que ele só existe até estarmos cansadas.
E estar é apenas um modo de se ficar: depois que passa, acaba. 

E a gente pode voltar a não ter mais tanta necessidade de gritar ou chorar ou dormir ou se desesperar.

Eu sei que falo sempre:
Vai! Confia na vida!
Vai! Sê forte: você É forte!
Segue em frente! O amanhã é um dia camarada!
Não se esquece de sorrir! Há tantos motivos para você ser feliz!

E tudo é a mais pura verdade.
É no que acredito e em que me apóio.

Mas tem o tal do cansaço.
E ele vem: mais cedo ou mais tarde ele vem.

Porque a questão é que buscar sempre formas de crescer, de administrar a vida, de lidar com os problemas da melhor possível e, sim, de acreditar em dias melhores: tudo isso dá uma trabalheira!

Não há mágica, gente!
Ter fé dá trabalho!
Acreditar é um exercício! 
Dos pesados!

E por isso mesmo que é tão difícil.
E por isso que são, infelizmente, poucas as pessoas que conseguem seguir fielmente esse exercício.

Muitas se matriculam na academia.
Fazem o maior sacrifício, pagam a mensalidade, mas na hora de continuar aquilo dia após dia... iihhhh. Não dão conta. Desistem. E lá voltam para as suas vidas sem tanto exercício.

A metáfora é válida: acreditar no que não podemos ver ou antever não é tarefa fácil. Saber que talvez se passe muito tempo até chegarmos a um resultado concreto, que pode ser visto e sentido, não é fácil. Por isso nem dá para culpar quem desiste pelo meio do caminho.

Mas... tem um negócio aí em ti, sabe?
Dentro do teu peito, ali junto do coração, tem um negócio que fica te pedindo respostas: que fica querendo um pouco mais de segurança: que fica insistindo em uma solução.

É esse negócio, que nada mais é do que você em sua forma mais pura e real, que precisa sim que você tope o desafio desse exercício.

Chamaremos de “exercício de ser-se”, está bem?

>> Mas, Helena, exercício de ser o quê?

Ah!
Exercício de ser TUDO o que você pode ser!
Exercício de enxergar a famosa luz no fim do túnel.
Exercício de na hora do desespero absoluto, ainda assim, ser capaz de acreditar em uma reviravolta da vida.


Exercício de encher poderosamente o pulmão e perceber que você está absolutamente viva!


Exercício de perceber que não há ninguém igual a você em um planeta de mais de 2 bilhões de habitantes!
Então como você poderia ter a pequenez de imaginar que você não faria falta? Ou que você não é valiosa? Ou que a tua vida não tem um propósito? Ou que você não é exatamente como deveria ser?

Exercício de ser-se!
Deve ser praticado todos os dias.

E aí, quando a gente cansa, a gente se deixa estar cansada por uns diazinhos.
Não tem problema.
Você não precisa ser forte sempre.

Mas aí, depois desses diazinhos, você sacode a poeira, levanta, e começa de novo o exercício!

Cabeça baixa só vê o chão em que se está pisando: não vê os chãos que existem mais à frente.

E é necessário que você saiba disso: são tantos os chãos!
São tantos os caminhos!
Mesmo que você ache que não: são muitos os caminhos.

A questão é que cada caminho tem seus riscos e desafios: cada caminho tem uma coleção de medos e inseguranças para nos dar de brinde.

E aí, às vezes a gente escolhe aquele caminho cujos medos e inseguranças são menores.
Mas menores são também as possibilidades.

Tudo, eu repito, tudo que seja absolutamente incrível e até ambicioso traz como brinde quantidades gigantes de medos e inseguranças.

É que eles são proporcionais, sabe?
É a pegadinha da felicidade para nós: “Ó, te ofereço um caminho aqui, no fim dele você talvez encontre tudo o que quis, mas eu não te dou certeza de nada! Não te garanto nada! Está avisada!”

É difícil sim.
Como escolher o que é tão incerto?
Como saber o que é melhor?

Não há outra resposta: EXERCITANDO-SE!


"O que for a profundeza do teu ser, assim será teu desejo.
O que for o teu desejo, assim será tua vontade.
O que for a tua vontade, assim serão teus atos.
O que forem teus atos, assim será teu destino."


Brihadaranyaka Upanishad IV, 4.5


****************************************************
Um Adendo: 
Cá vai: amanhã, dia 3 de julho, completo 31 anos de vida. 31 anos de aprendizagem. 31 anos de exercício de ser-se.
Ainda é pouco: quase nada para o tanto de exercício que quero fazer.

Mas quer me dar um presente?
Comece HOJE a se exercitar.
A fazer religiosamente o seu exercício de ser-se.

Passarei uns dias (a mais) longe do Sapatilhando.
A vida me pediu um cuidado especial este mês e eu preciso ir lá cuidar disso.
Mas voltarei. E voltarei. E voltarei.
Mas entenda: por favor, entenda: para mim é necessário voltar: mas para VOCÊ não é necessário que eu volte!

Tudo que eu possa escrever, qualquer coisa que eu possa pensar ou sentir, você também pode!

Esse exercício está dentro de você!
Esse poder de transformar um mero respirar em algo magnífico é SEU PODER.
A vida está aí: completamente esparramada para nós!
Completamente esparramada para você.
Ela te dá tudo: lágrimas, sorrisos, desafios, sonhos, esperanças, caminhos.

O que você vê nela?
O que você sente por ela?
Qual a sua relação com ela?
Qual o teu lugar nesse Universo?
Quais as tuas respostas?

Eu te sussurro no ouvido:
Olha para dentro de ti.
Depois olha para fora de ti.
E depois percebe que você é o portal pelo qual passa tudo o que acontece na tua vida.


Escuta o teu silêncio: nele tudo é dito e palavras não são necessárias.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

“O que eu faço com a minha dor?”


No último texto que postei aqui, eu falei sobre tentarmos sempre fazer-nos leve, tentarmos sempre deixar o pesado para trás, tentarmos sempre fazer da nossa caminhada uma caminhada mais cheia de coisas boas do que de coisas ruins.


E, curiosamente, uma das queridas leitoras aqui do Sapatilhando, me escreveu um email dizendo:
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
“Helena minha já amiga,


Li o seu último post sobre a nossa bagagem e tentarmos deixar só o bom e o leve nela. Como sempre, achei o texto incrível, mas tenho uma pergunta para você: O QUE FAÇO COM A MINHA DOR?


Se puderes responder, já doerei menos. Rs


Com carinho,
L.C.”
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~


Abaixo, segue a minha resposta para ela:


Querida L.C.,

Respondo-lhe com outra pergunta:

“O que você faz com suas lágrimas?”

A sua resposta provavelmente será:

“Eu as choro.”

E que bom se for essa a sua resposta! Porque não há coisa pior do que lágrimas não choradas!

Da mesma forma, a dor que dói deve ser sentida.
Sim, sim: SENTIDA.

Não dá para fingir que não dói, não dá para fingir que não machuca, não dá para fazer de conta que não fere.

Se fizermos isso, teremos para sempre uma ferida aberta, sem cicatrização.

Porque o remédio da dor é justamente deixar que ela doa e ir lidando, de pouco em pouco, com aquela dor. O remédio da dor é justamente deixar que ela exista, para que ela possa assim pertencer somente a um período de tempo: para que ela possa ter começo e fim.

Há dias em que você consegue cuidar dela melhor, acalmá-la, convencê-la de que ela tem prazo limitado em você, de que ela um dia sumirá.

Há outros dias em que é a dor que te convence que ela não passará: e aí ela fere com uma crueldade desumana. E você se sente desamparada, pesada e ferida.

Mas eis a questão: o desafio que toda dor nos traz é justamente saber administrá-la.

É justamente entender que TUDO na vida é um PROCESSO.
Não dá para saber da noite para o dia como se curar de uma dor.
Assim como não para saber da noite para o dia como deixar apenas coisas leves na sua bagagem. Até porque esse não é um estado constante: é um exercício.

Viver é um aprendizado.
Logo, somos todas(os) aprendizes.

Então, O que você deve fazer com a sua dor?


Você deve estar consciente dela e dos porquês que a fazem existir.

Por quê?
Porque só conseguimos lidar com aquilo que conhecemos.

Ao saber os seus porquês, você pode ir criando argumentos que te acalmam a alma e te curam aos poucos essa dor.

Talvez você diga: Mas, Helena, não existem dores que duram enquanto a vida durar?

E eu te responderia: Sim. Há dores que vão existir sempre dentro de nós: mas se nos respeitarmos, se verdadeiramente nos deixarmos envolver com a vida, essa dor deve doer menos ao longo dos anos, ao longo do tempo.

Entenda: somos todos formados por sorrisos e lágrimas.


É isso o que nos compõe: é essa a nossa matéria.

Logo, o ideal seria que lidássemos com os nossos sorrisos e com as nossas lágrimas.
Mas a questão é que a maioria das pessoas apenas SENTE a dor, de forma passiva e dormente: a maioria das pessoas não LIDA com a dor, apenas espera ela passar.

E se você apenas se abaixar e levar sempre as chicotadas da sua dor, ela nunca deixará de te machucar e nunca diminuirá com o tempo. A dor se manterá estável e incrivelmente dolorida.

Você sabe quais são os sinônimos do verbo LIDAR?


São: BATALHAR, COMBATER, PELEJAR.

E é isso: precisamos estar conscientes de nossa dor justamente porque precisamos combatê-la, precisamos batalhar com ela, precisamos pelejar sempre e sempre até o dia em que ela esteja mais fraca e nós mais fortes.

A dor é uma safada: porque ela vem como quem quer nos derrubar, como quem quer matar todas as nossas esperanças, como quem quer nos fazer descrer de qualquer sorriso que ainda possamos ter.

Mas na verdade a missão verdadeira da dor é justamente o contrário: ela vem para nos ensinar a lidar com nós mesmos, a lidar com os fatos da nossa vida e com as particularidades da nossa existência.

A dor vem para que possamos vencê-la e, assim, nos levantarmos: para que possamos ganhar de volta nossas esperanças e reconquistar nossos sorrisos.


Mas eis a questão, ora veja: tudo depende justamente do que fazemos com a nossa dor.


~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Pessoalzinho querido,

Infelizmente não tenho conseguido tempo para responder os comentários aqui do Sapatilhando, mas saibam que LEIO TODOS e cada um é para mim um sorriso, viu?

Entenda: se você sente que eu estou dando a mão para você é justamente porque você também está segurando a minha mão.

Ninguém ajuda ninguém sem também se ajudar: então: OBRIGADA por me ajudarem tanto!!


Bjos!!!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O que fazemos com o que acontece conosco

ou O poder da nossa interpretação
ou ainda O nosso sentir e o que levamos conosco



Eu quero que você imagine a seguinte cena: você carregando uma mala de bagagem.

Imaginou?

Essa metáfora é a sua vida.

Você é você mesmo, e a mala de bagagem é justamente o que você carrega consigo – no sentido mais literal do termo, ora veja só!

Por quê?
Hum... vai bem dizer que você ainda não percebeu que existem sentimentos pesados e que existem sentimentos leves?

Quais seriam mais difíceis e mais pesados de carregar?
A resposta não é difícil, não é mesmo?

Sim, tudo muito óbvio, tudo muito claro... Mas o que acontece quando o que você sente é repudiado de tal maneira pelo mundo, e muitas vezes até pelas pessoas que você ama, a ponto de tudo isso gerar justamente sentimentos não tão leves ou bons em você?

Não é fácil.
Realmente não é.

E o pior é que a regra é geral é: somos machucados, temos nossos sonhos e esperanças destruídos: e aí? O que fazer depois disso?

Juntar os caquinhos e recomeçar?
Respirar fundo, esperar se curar e continuar a acreditar em tudo?
Ligar o “Foda-se” e só respeitar quem nos aceita exatamente como somos?

Bom, se você pensa como eu, você vai fazer uma mistura bacana desses três itens e tentar conseguir aí um equilíbrio.

Veja bem: nada é tão extremo na vida que não possa depender do tempo.

E é mentira quando dizem para você que a cura é SEMPRE um caminho de duas vias.

Na realidade, essa seria sim a forma ideal da cura acontecer: a cura dos pais que não aceitam a(o) filha(o) homossexual e a cura da(o) filha(o) que é repudiada pelos pais.

Deveria ser assim: a cura acontecendo nas duas mãos, indo e vindo, num processo saudável e que só traria felicidade e paz a todos.

Mas a verdade é que é raro que seja assim: justamente pelo fator tempo.

Veja: o tempo que falo aqui não é esse do relógio: não é esse que os minutos marcam: não é esse das folhas do calendário.

O tempo que falo é um tempo mais complicado: um tempo subjetivo: um tempo humano e falho e nada ideal.


E é justamente esse tempo que cada um(a) de nós carrega no peito.

Conheço um homem que namorou uma mulher por dez anos. Conheceram-se ainda adolescentes: ele com 19, ela com 21. E depois de namorarem dez anos, se casaram. O casamento, no entanto, durou apenas um ano.

Ela partiu o coração dele.
E ele foi ferido de tal forma e com tal profundidade que, depois de dois anos da separação o lema que ele entoava com uma leve ponta de amargura era: “Não confio em mais ninguém. Não espero mais nada de ninguém.”

A mãe desse homem, ao ouvir o filho dizer essas frases, acreditava que ele estava certo. Veja: o coração dela também se partiu ao testemunhar o coração do seu filho partido.

Mas eu olhava para essa mãe e eu pensava: “Por que ela não diz que não é assim que é para ser? Por que ela não fala que ele não pode deixar seus sonhos morrerem apenas porque uma pessoa tentou matá-los?”

Mas acho que essa mãe estava também machucada demais para entender uma coisa:

Que as conclusões que tiramos daquilo que nos aconteceu no passado predizem também aquilo que nos acontecerá no futuro.

O que levamos conosco, o que fazemos de nossas dores e machucados, as conclusões que tiramos daquilo que nos acontece: tudo isso forma a nossa bagagem: tudo isso nos faz ou leves ou pesadas.

Acontece que, quando viramos adultos, eu te pergunto: QUEM FAZ A SUA MALA?
SIM, É VOCÊ!

As dores são importantes: elas nos fazem crescer: elas nos fortalecem: elas nos ensinam melhor com quem contar e com quem não contar: elas nos falam quem das nossas pessoas são mais falhas e quais carregam em si uma centelha divina: quais são capazes de nos carregar no colo e quais levam consigo sempre pedras a serem atiradas.

As dores existem para isso: para nos lembrarmos que esta existência terrestre – não importa qual a tua espiritualidade – é uma existência completamente não ideal

Este é um mundo doente: mas é também um mundo que sobrevive e se cura constantemente dessas doenças.

É um mundo de dualidades: é preciso estar sempre consciente disso.

Então, seja qual for a tua dor, seja qual for o teu machucado, seja qual for a tua ferida: tenta se encher de esperanças: tenta se encher de auto-proteção: tenta se encher de fé no futuro: tenta entender que você precisa sim fazer da TUA bagagem uma bagagem leve: a tua caminhada depende disso.

E um dia, eu te garanto, quando olhares para trás verás que não foi tão cansativo assim: porque na hora de escolher o que carregar, você escolheu justamente as coisas leves e boas.

As pessoas não são ideais.
Mas elas são capazes de momentos ideais.

Apenas muitas vezes temos que esperar por eles: e tempo, você já sabe: o tempo é um negócio que varia de coração para coração.

Então, da próxima vez que você olhar de novo a sua bagagem, faça uma limpeza nela, está bem?

Reveja as coisas que você vem carregando. Mantenha as boas, se livre das ruins.


E, acima de tudo, confie na viagem!
Para quem faz as malas direitinho, a viagem será simplesmente incrível!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Nosso próprio caminho

A questão é que cá estamos: donos de uma vida que nos foi dada. O que fazer com ela? Como administrá-la? Como lidar com erros e acertos? Como ultrapassar os medos e conseguir aquilo que sonhamos?

Não há fórmula padrão, mas há dicas.
Ao longo de todo o nosso caminho, há inúmeras dicas.
Às vezes as percebemos, às vezes não.

Às vezes as percebemos, mas não temos coragem de segui-las.
Talvez não estejamos prontos, ou talvez ainda não tenhamos crescido o suficiente para perceber que depende sim de nós acertar o nosso próprio caminho.


O NOSSO PRÓPRIO CAMINHO.
Percebe a seriedade disso?

Joseph Campbell conta uma história: a de um cavaleiro que está perdido numa densa e escura floresta. E à medida que ele vai caminhando, perdido, ele percebe trilhas que outros cavaleiros deixaram ali naquela floresta.

De repente, o cavaleiro perdido fica feliz: é só seguir as pistas dos caminhos deixados pelos outros cavaleiros!

Mas o cavaleiro não havia entendido muito bem a dica que lhe havia sido dada pela vida:

"Nessa maravilhosa história, quando um cavaleiro vê a trilha deixada por outro pensa que está chegando lá, começa a seguir a trilha do outro e se perde completamente."

Por que isso acontece?

Campbell responde:

"Onde há um caminho ou trilha, outro já o possui."

Entende a metáfora?
A vida é tua!
O caminho é teu!
E são os teus pés que têm que achar o teu próprio caminho!

Seguir o caminho de outro, ou o caminho que outra pessoa quer que você siga é seguir um caminho que não é o teu. É perder-se mais na densa floresta escura em que você está.

E o que falhamos em entender é que é na escuridão que as coisas acontecem.
Entenda: a luz é clara demais.
Nela, há muitas dispersões. E os detalhes se perdem porque muito está sendo dito.

A escuridão é o oposto.
Ela tem apenas uma mensagem para te dar: a necessidade de você encontrar a luz.


A luz ou, em outras palavras, o teu caminho, só se delineia à tua frente quando a escuridão se faz.

Eis a importância da escuridão.
Ela vem para te dizer que você está perdida e que está sim necessitando encontrar o teu caminho.

E sei que quando estamos ali, perdidos na escuridão, nos sentindo sozinhos, achando que não há luz no fim daquilo, com nossas esperanças fracas e quando um desespero incrível nos toma, é difícil perceber que há sim saída para aquele momento.

Mas eu verdadeiramente acredito que somos feitos daquilo que pensamos e daquilo que sentimos. 


E quando entendemos isso, percebemos que muitas vezes temos que dar um basta no nosso desespero, temos que confiar no que a vida ainda nos dará e temos que, sim, buscar nosso próprio caminho.

E Campbell nos afaga a cabeça:

"Depois, ao analisar a sua vida em retrospectiva, verá que os momentos que pareceram grandes fracassos seguidos de destroços foram os incidentes que moldaram a vida que você tem hoje. Você verá que isso é verdade. Nada que não seja positivo pode acontecer com você. A crise o retarda, mas quando lhe for exigida uma exibição de forças, estas surgirão."

Sabe quando sabemos que somos sim seres maravilhosos?
Justamente quando percebemos que mesmo em meio a todo o caos e escuridão que se formou em nossas vidas, nos respeitamos e nos valorizamos o suficiente para continuar caminhando e buscando o nosso próprio caminho.

Eu entôo um canto constante: ele diz: a vida gosta de quem gosta dela.

Então, confie nos SEUS pés.
São eles que têm que achar o seu próprio caminho.

E Campbell, tão querido, nos deixa mais um cafuné:

"Quando tudo está perdido.
e tudo parece sombrio,
vem a nova vida
e tudo de que se necessita."


~~~~~~
Pessoalzinho querido, ME PERDÔEM a tão demorada volta!


Realmente, a cada dia que eu não conseguia estar de volta me sentia super mal...
Entre mudança e problemas com a Telefônica e o tanto de afazeres que se acumularam por conta disso, realmente só agora pude voltar!


Obrigada mesmo por vocês não desistirem do nosso Sapatilhando! Não desistirem de mim!
ESTOU DE VOLTA!! Obrigada por sua companhia tão querida!


Estou reorganizando os projetos para poder voltar a encaminhar tudo, ok?
Espero em breve cumprir com minhas promessas (emoticon envergonhado aqui) e lhes trazer todas as novidades que estou planejando.


E fiquem ligadas no Parada Lésbica também!


Eu e a Del. estamos bolando um evento provavelmente já para Julho aonde poderemos nos encontrar pessoalmente! ;]


Um beijo gigante!
E, agora sim, de volta com a nossa programação normal semanal! :*


PSzão: O Nossas Várias Histórias também foi atualizado!!


E não esqueça de mandar também a sua contribuição para o NVH!!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Eu, você e NOSSAS várias histórias!

É que nós precisamos ser lembradas sempre. Por favor, não esqueça nunca disso: precisamos ser lembradas sempre!

Aquele sorriso, aquela lágrima, aquele abraço que fez toda a diferença, aquele olhar cúmplice que um dia recebemos no momento em que estávamos precisando receber, aquele sentimento de medo, de solidão, de vontade de ter alguém que nos compreenda – tudo isso precisa ser lembrado!

A questão é que sempre gosto de dizer que, na realidade, nós seres humanos somos um depósito: sim, um depósito. E andamos por aí, cada um de nós, colocando coisas dentro desse depósito que somos.

Uns colocam mais, outros menos: e eu lhes digo uma coisa: bem-aventurados aqueles que colocam mais! Ou que buscam entender mais o pouco que colocam em seu depósito.

A questão é que quanto mais percebemos a variedade das coisas, quanto mais enxergamos que o mundo é múltiplo, que os seres humanos são diferentes, que não existe apenas UMA crença correta, mas que todas as crenças que levam, vejam bem, à melhoria do ser humano são crenças que vêm acrescentar.

E, mesmo você, que é única: que possui o rosto que possui, que tem a personalidade que tem, que leva as alegrias e dores que fazem parte de ti; mesmo você que é única, é também múltipla.

Não somos, nenhum de nós, formados por apenas um aspecto! Repito: não somos, nenhum de nós, formados por apenas um aspecto!

Então, quando você diz que é lésbica, pelo amor de Deus, isso não te define! Isso é só mais um aspecto ao teu respeito! Não sejamos nós também reféns da rotulação única que tentam nos impor!

A escritora nigeriana Chimamanda Adichie fala do que ela chama de o perigo da "única história". E ela diz:

"É assim que se cria uma única história: mostre um povo como uma coisa, apenas como uma coisa, repetidamente, e será o que eles se tornarão."

Nós, homossexuais, sabemos que aos olhos gerais dos preconceituosos somos seres pecaminosos, somos a escória, somos os lascivos, somos os desequilibrados, somos os que pecam contra a carne e contra o espírito e até, veja bem, contra a biologia. Essa é a “única história” contada a nosso respeito.

Mas nós, que estamos dentro dessa gigantesca variedade que é a população homossexual, nós precisamos ter plena consciência de que essa “única história” NÃO É a NOSSA história! Não é a sua história!

Eu sei muito bem quais são as tuas lágrimas, dores e medos. E por isso mesmo sei que isso não é tudo o que te compõe: você também é formada de sorrisos e alegrias e sonhos e momentos de paz. E a escritora Chimamanda Adichie complementa:

"Todas essas histórias me fazem quem eu sou. Mas me focar apenas nas histórias negativas é superficializar minha experiência e negligenciar as muitas outras histórias que me formam".

Se os outros não ainda enxergam além, eu te rogo que pelo menos você enxergue: que VOCÊ veja as várias e diferentes particularidades que te formam! Não se prive do mundo só porque grande parte desse mundo se priva de você.

Ouviremos ainda por algum tempo essas “únicas histórias”:















Capa da Folha de São Paulo de HOJE


E por isso é que pelo menos nós, pelo menos eu e VOCÊ, precisamos saber a verdade, precisamos saber das várias e lindas histórias que nos formam.

Precisamos também saber das histórias tristes, mas apenas como lembrete de que somos fortes e de que sempre conseguimos meios e forças para superarmos todas as dificuldades ao nosso redor.

Então, eu preciso sim que você saiba de toda a beleza que te compõe! Eu preciso que você entenda justamente o que está por trás da “única história” que tentam contar a nosso respeito.

Escutemos e compreendamos as palavras da escritora nigeriana Chimamanda Adichie:

"Uma única história cria estereótipos. E o problema com estereótipos é não que eles sejam errados, mas que eles sejam incompletos. Eles fazem uma história tornar-se a única história."

O que eu quero dizer com tudo isso?

Eu quero que você não esqueça que precisamos ser lembradas sempre!

Precisamos nos lembrar de tudo o que nos compõe: precisamos lembrar que somos absolutamente normais e múltiplas e lindas e cheias de tantas e tantas histórias!

Precisamos nos lembrar sempre de que todos esses que contam uma “única história” a nosso respeito JAMAIS nos convencerão e JAMAIS nos influenciarão em acharmos que somos a “única história” que eles contam. 

Precisamos nos lembrar de contar nossas próprias e várias histórias! Você precisa saber das suas próprias e várias histórias!

Essas histórias que te compõem e que te fizeram sorrir já tantas e tantas vezes! Lembra de quando tudo fez sentido dentro de ti? Lembra do pavor (também excitante) de finalmente saber quem você é? Quem você ama?

Essa, essa é a beleza da vida! É esse medo do múltiplo, do incontrolável, do forte, daquele e daquela que SABE de si, a razão de tentarem contar uma “única história” a nosso respeito. 

Mas eu sei e você sabe e precisamos nos lembrar sempre das nossas várias histórias!

Então, no teu próximo sorriso, na tua próxima vitória, na tua próxima superação, anota o que você está sentido! Escreve a tua história! Ela precisa ser ouvida por outros que precisam saber que os sorrisos estão aí, as vitórias estão aí, apenas na próxima hora, no próximo amanhecer, em algum lugar do futuro, apenas aguardando a hora de chegar.

Criei um novo blog, mas esse novo blog não é meu e não serei eu quem escreverei nele: será VOCÊ. Quando esses sorrisos surgirem, quando esse sentimento de paz te invadir, sempre que você se sentir vencendo seus desafios, escreva.

Esse novo blog será um Mural aonde todas nós poderemos ir para nos alimentar das várias histórias felizes e de superação e de força e de alegria que temos em nosso meio lésbico e homossexual.

Somos várias. Somos múltiplas. Somos cheias de tantas, tantas histórias! E não ficaremos caladas enquanto tentam nos impor uma “única história” incompleta e irreal a nosso respeito!

Eis o NOSSO novo blog:

http://nossasvariashistorias.blogspot.com/

Enfeitarei o layout dele à medida que as histórias forem chegando!

Muitas de nós precisam saber que há MUITOS, MUITOS sorrisos em aceitar quem nós somos! Em SER quem nós somos! E precisamos sempre nos lembrar disso.

Por favor, contribuam! Façamos disso um movimento nosso! Um local aonde podemos achar nossos sorrisos e nossas várias histórias.

Os emails com as histórias ou reflexões devem ser enviados para:

nossasvariashistorias@gmail.com

Eu fico por aqui agora, mas estou de volta! ;]
ESTAMOS de volta!
Agradeço a cada uma de vocês por fazerem o meu percurso tão mais bonito e significativo!

E, quem desejar, assistam ao vídeo da escritora Chimamanda Adichie. São 18 minutos e vale muito à pena!



~~~~~~~~
Algumas notícias a mais...
Não nos mudamos ainda! Oo
Rs
A reforma atrasou.. mas a nossa casinha está ficando linda!

Ah, e novidades em breve aqui no Sapatilhando (incluem vídeos!!)
Bjos!!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Explicações e Ausência

Olá minhas queridas e queridos!

Já começo pedindo desculpas... Realmente, a vida deu mil rodopios, cambalhotas e piruetas e estou tendo que me concentrar um pouco em organizar tudo - por isso a ausência do Blog e do Parada e do Formspring e do Twitter e dos projetos e dos emails... ai ai.. a lista é longa!

Estamos, eu e Del., nos mudando de casa. Também terei que fazer uma viagem de 10 dias para o casamento de uma amiga-irmã.

Assim, ainda demorará um pouquinho para eu conseguir voltar para o Sapatilhando (e tudo o mais) a todo vapor!

Peço que, por favor, tenham paciência!
Prometo que voltarei renovada - com aquele ânimo que casa nova nos dá - e cheia de energia para receber vocês de braços abertos!

E espero lhes encontrar também de braços abertos para mim! ;]

Vamos marcar uma data para o nosso reencontro?

Estarei de volta ao blog no dia 13 de Abril, está bem?

Espero, de coração, que vocês venham se encontrar comigo nesta data! ;]

Um grande beijo!
E lembrem-se de cuidar de vocês!!

A gente se vê! :*

Com carinho,
Helena.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia da Mulher

Um texto em nossa homenagem:

É só clicar AQUI.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

“Eu quero ter um milhão de amigos, E bem mais forte poder cantar”

É que o monstro do Preconceito é forte e grande demais. Tão forte, tão gigante, tão esmagadoramente injusto, antiético e monstruoso que não poupa esforços quando decide agir.

Ele não escolhe caras, nem sempre avisa que vai atacar, muitas vezes aparece onde e quando menos se espera.

O monstro do Preconceito é mau: mas de uma maldade sólida e completa: solta um veneno que deixa rastros e que machuca muitas vezes os mais fracos e já fragilizados.

É tão desgraçado esse monstro, que ele às vezes se disfarça até do que é bom, do que é certo, do que é Divino até, ora veja só.

O monstro do preconceito se enraíza em núcleos familiares, religiosos, políticos, sociais. Esse monstro maldito separa humanos de humanos. Cospe julgamentos, injúrias, ataques mesquinhos e sem sentido.

Esse monstro rasga famílias, faz com que pais desprezem e ataquem seus próprios filhos, faz com que completos estranhos se xinguem por dizerem carregar em si o que acham certo ou errado.

Esse monstro cataloga humanos em grupos marginalizados e negativizados: homossexuais, negros, mulheres, pobres, gordos, feios, burros, analfabetos.

E eu me pergunto onde estão os meus irmãos? Onde estão aqueles que Deus disse para eu amar como a mim mesma? Onde estão aqueles que me amariam como a eles mesmos?

Onde está a nossa noção de sermos todos seres humanos e pronto? Por que meu amigo deve ser atacado por ser gay? Por que eu devo ser atacada por ser lésbica?

Por que eu não amo homens? Mentira! Eu amo sim! Amo meu pai, amo meus dois irmãos, amo os meus amigos que são tão importantes e imprescindíveis para mim. Amo todo homem que eu conheça e tenha como um modelo bom de ser humano.

Deverei ser julgada então por não amá-los sexualmente? Por não me apaixonar por eles?

Não basta amar, não é mesmo? O monstro do preconceito tem a petulância de refutar tipos de amor que não caibam em sua cartilha tirana.

Converso com Deus todos os dias, rezo para Ele, obtenho, em meu coração, a Sua Graça. Sinto a presença Dele clara e real em minha vida. Sinto Sua mão a me proteger, sinto Seu colo nos momentos mais difíceis e sua bênção nas horas de alegria.

Mas o monstro do preconceito ignora isso: me ataca e me difama e diz em urros e gritos que sou uma endemoniada, que sou uma pecadora, que sou eu quem dissemino o mau. O monstro do preconceito veste batinas e cordões religiosos, o monstro do preconceito coloca, infame, uma bíblia debaixo do braço e ousa jogar pedras em mim.

E eu olho para tudo isso incrédula: triste, porque aqueles que deveriam mais amar, que deveriam mais acolher, que estão supostamente iluminados por Deus, são muitas vezes os hospedeiros voluntários do monstro do Preconceito.

Está tudo errado!

Eu vejo meus irmãos, seres humanos como eu, atacando a mim e ao meu grupo. E não é um ataque de mera discordância: é um ataque cheio de ódio, cheio de nojo, cheio de um total e completo desconhecimento da irmandade que deveria nos unir.

Eu vejo os pequenos do meu grupo, os jovens homossexuais, serem abusados de todas as formas possíveis: emocionalmente, espiritualmente, psiquicamente e às vezes até fisicamente. São eles as vítimas preferidas do perverso monstro do Preconceito: porque são pequenos, são dependentes, são ingênuos, são fracos ainda.

E eu choro por eles. Choro porque esse monstro terrível se divide em vários pedaços e consegue estar em vários cantos ao mesmo tempo. E eu não posso proteger nossos pequenos.

E os pais desses, que deveriam pegá-los no colo e zelar por eles, e protegê-los das pedradas do monstro, na realidade se unem a esse monstro e jogam eles mesmos pedras em seus filhos. Eles mesmos machucam seus pequenos.

E eu choro. Choro porque essa guerra fria contra esse monstro ainda faz muitas vítimas. Choro porque vejo esse monstro ser alimentado e fortificado de todas as formas.

Nossas televisões coroam esse monstro e o fazem ídolo e exemplo. Nossos repórteres estão apenas interessados em mostrar o sangue das vítimas desse monstro e não em cuidar dessas vítimas. Sangue dá audiência. Sangue vende notícia.

Eu vejo uma total indiferença perante as vítimas desse monstro. Eu vejo cada um carregar o seu rei em sua própria barriga e apontar seus dedos julgadores para os que acham que devem ser queimados na fogueira.

Eu vejo crias desse monstro em cada ato separatista e em cada ataque.

Mas eu canto, eu canto a música que serviu de hino para uma geração: eu canto: “Eu quero ter um milhão de amigos, e bem mais forte poder cantar”.

Eu canto porque eu já aprendi, a duras lições, o que enfraquece o monstro do Preconceito: cada sorriso meu, cada vitória minha, o atinge e o torna mais fraco.

Essa é a lição que devemos levar, essa deve ser a nossa bandeira, a nossa arma, a munição de nossa guerra: devemos ser felizes, devemos lutar nossas batalhas de cabeça erguida, devemos ter orgulho de quem somos.

O monstro do Preconceito não pode nos atingir quando já estamos fortes. Então, meu querido e minha querida, por favor, se fortaleçam! Por favor, lutem por seus sorrisos!

O monstro do Preconceito é covarde: ele só nos ataca quando estamos sozinhos, quando somos minorias.

Devemos das as mãos em união e cantar juntos nossa amizade, nosso laço, nossa fraternidade. 


Cantemos então!





EU QUERO APENAS

Composição: Roberto Carlos/ Erasmo Carlos

Eu quero apenas olhar os campos
Eu quero apenas cantar meu canto
Eu só não quero cantar sozinho
Eu quero um coro de passarinhos
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar.
Eu quero apenas um vento forte
Levar meu barco no rumo norte
E no caminho o que eu pescar
Quero dividir quando lá chegar
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar.
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar.
Eu quero crer na paz do futuro
Eu quero ter um quintal sem muro
Quero meu filho pisando firme
Cantando alto, sorrindo livre
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar.
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar.
Eu quero o amor decidindo a vida
Sentir a força da mão amiga
O meu irmão com um sorriso aberto
Se ele chorar quero estar por perto
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar.
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar.
Venha comigo olhar os campos
Cante comigo também meu canto
Eu só não quero cantar sozinho
Eu quero um coro de passarinhos
Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar.