segunda-feira, 31 de maio de 2010

O que fazemos com o que acontece conosco

ou O poder da nossa interpretação
ou ainda O nosso sentir e o que levamos conosco



Eu quero que você imagine a seguinte cena: você carregando uma mala de bagagem.

Imaginou?

Essa metáfora é a sua vida.

Você é você mesmo, e a mala de bagagem é justamente o que você carrega consigo – no sentido mais literal do termo, ora veja só!

Por quê?
Hum... vai bem dizer que você ainda não percebeu que existem sentimentos pesados e que existem sentimentos leves?

Quais seriam mais difíceis e mais pesados de carregar?
A resposta não é difícil, não é mesmo?

Sim, tudo muito óbvio, tudo muito claro... Mas o que acontece quando o que você sente é repudiado de tal maneira pelo mundo, e muitas vezes até pelas pessoas que você ama, a ponto de tudo isso gerar justamente sentimentos não tão leves ou bons em você?

Não é fácil.
Realmente não é.

E o pior é que a regra é geral é: somos machucados, temos nossos sonhos e esperanças destruídos: e aí? O que fazer depois disso?

Juntar os caquinhos e recomeçar?
Respirar fundo, esperar se curar e continuar a acreditar em tudo?
Ligar o “Foda-se” e só respeitar quem nos aceita exatamente como somos?

Bom, se você pensa como eu, você vai fazer uma mistura bacana desses três itens e tentar conseguir aí um equilíbrio.

Veja bem: nada é tão extremo na vida que não possa depender do tempo.

E é mentira quando dizem para você que a cura é SEMPRE um caminho de duas vias.

Na realidade, essa seria sim a forma ideal da cura acontecer: a cura dos pais que não aceitam a(o) filha(o) homossexual e a cura da(o) filha(o) que é repudiada pelos pais.

Deveria ser assim: a cura acontecendo nas duas mãos, indo e vindo, num processo saudável e que só traria felicidade e paz a todos.

Mas a verdade é que é raro que seja assim: justamente pelo fator tempo.

Veja: o tempo que falo aqui não é esse do relógio: não é esse que os minutos marcam: não é esse das folhas do calendário.

O tempo que falo é um tempo mais complicado: um tempo subjetivo: um tempo humano e falho e nada ideal.


E é justamente esse tempo que cada um(a) de nós carrega no peito.

Conheço um homem que namorou uma mulher por dez anos. Conheceram-se ainda adolescentes: ele com 19, ela com 21. E depois de namorarem dez anos, se casaram. O casamento, no entanto, durou apenas um ano.

Ela partiu o coração dele.
E ele foi ferido de tal forma e com tal profundidade que, depois de dois anos da separação o lema que ele entoava com uma leve ponta de amargura era: “Não confio em mais ninguém. Não espero mais nada de ninguém.”

A mãe desse homem, ao ouvir o filho dizer essas frases, acreditava que ele estava certo. Veja: o coração dela também se partiu ao testemunhar o coração do seu filho partido.

Mas eu olhava para essa mãe e eu pensava: “Por que ela não diz que não é assim que é para ser? Por que ela não fala que ele não pode deixar seus sonhos morrerem apenas porque uma pessoa tentou matá-los?”

Mas acho que essa mãe estava também machucada demais para entender uma coisa:

Que as conclusões que tiramos daquilo que nos aconteceu no passado predizem também aquilo que nos acontecerá no futuro.

O que levamos conosco, o que fazemos de nossas dores e machucados, as conclusões que tiramos daquilo que nos acontece: tudo isso forma a nossa bagagem: tudo isso nos faz ou leves ou pesadas.

Acontece que, quando viramos adultos, eu te pergunto: QUEM FAZ A SUA MALA?
SIM, É VOCÊ!

As dores são importantes: elas nos fazem crescer: elas nos fortalecem: elas nos ensinam melhor com quem contar e com quem não contar: elas nos falam quem das nossas pessoas são mais falhas e quais carregam em si uma centelha divina: quais são capazes de nos carregar no colo e quais levam consigo sempre pedras a serem atiradas.

As dores existem para isso: para nos lembrarmos que esta existência terrestre – não importa qual a tua espiritualidade – é uma existência completamente não ideal

Este é um mundo doente: mas é também um mundo que sobrevive e se cura constantemente dessas doenças.

É um mundo de dualidades: é preciso estar sempre consciente disso.

Então, seja qual for a tua dor, seja qual for o teu machucado, seja qual for a tua ferida: tenta se encher de esperanças: tenta se encher de auto-proteção: tenta se encher de fé no futuro: tenta entender que você precisa sim fazer da TUA bagagem uma bagagem leve: a tua caminhada depende disso.

E um dia, eu te garanto, quando olhares para trás verás que não foi tão cansativo assim: porque na hora de escolher o que carregar, você escolheu justamente as coisas leves e boas.

As pessoas não são ideais.
Mas elas são capazes de momentos ideais.

Apenas muitas vezes temos que esperar por eles: e tempo, você já sabe: o tempo é um negócio que varia de coração para coração.

Então, da próxima vez que você olhar de novo a sua bagagem, faça uma limpeza nela, está bem?

Reveja as coisas que você vem carregando. Mantenha as boas, se livre das ruins.


E, acima de tudo, confie na viagem!
Para quem faz as malas direitinho, a viagem será simplesmente incrível!

8 comentários:

Stella disse...

Metáfora perfeita para o momento da minha vida!!!

Obrigada pelas palavras mais uma vez!!!

Ahhh...deixaremos de ser vizinhas de cidade por um tempo....hehe
Mas você ganhará uma leitora de outro continente...Estou indo para Boston!!
O Sapatilhando vai me ajudar a continuar "em casa" !!!

Bjsss!!

Stella disse...

Correção:
Outro PAÍS....não outro continente!!

Sorry.

Tânia disse...

Helena querida, que lindo texto... Acredito também que nossa bagagem pode ser leve ou um fardo para nosso espírito. Cada pessoa está em um estágio de evolução, e através desse momento, podemos não nos ferir diante dos estágios da evolução de cada um, basta que não carreguemos os fardos alheios.

Um pai que não compreende as escolhas dos seus filhos, pode machucar o coração sensível dos filhos, em contrapartida, pode ficar sem a presença deles, se estes resolverem tomar as rédeas de suas vidas. Quantas mágoas/fardos poderiam ser evitados? Bastavam umas pinceladas de amor, carinho e compreensão para que as malas de todos ficassem mais leves.

Aninha aruen disse...

mais um texto maravilhoso seu...vc tem o dom de fazer as pessoas refletirem...adoro vc :)!!! bjsss!!

...Família Colorida... disse...

Muito bom o post!!!

Amiga, visita meu blog novo: nossafamiliacolorida.blogspot.com

Anônimo disse...

Helena!

Pois é, às vzs tenho impressão que corrego uma tonelada nas costas, sabia? Quando sinto o peso me judiando, revejo a situação, e percebo que não vale a pena, que preciso me cuidar e gostar muito de mim, daí volto a ficar leve e pronta pra outra!

bjão
belisa

Amanda G. disse...

Helena...Obrigada pelas palavras!!!
=)
Não importa o quão longa seja a viagem e o quão pesada esteja a nossa bagagem; acredito que entre tanto peso, há sempre um sorriso escondido em algum cantinho da mala, alguma alegria esperando ser encontrada...
Temos a chance de abrir a mala no meio da jornada, jogar fora tudo aquilo que está nos machucando os ombros, e deixar que a alegria, agora então recém-encontrada, nos acompanhe...
Beijos!!
Amanda G.

Raíssa B. disse...

Obrigada por mais uma vez escrever exatamente o que eu precisava ouvir.
A minha bagagem fica meio pesada de vez em quando e eu realmente preciso me lembrar de que eu não preciso e nem devo carregar tudo isso.

Que Deus te abençoe!
Beijos, Helena!