sexta-feira, 4 de junho de 2010

“O que eu faço com a minha dor?”


No último texto que postei aqui, eu falei sobre tentarmos sempre fazer-nos leve, tentarmos sempre deixar o pesado para trás, tentarmos sempre fazer da nossa caminhada uma caminhada mais cheia de coisas boas do que de coisas ruins.


E, curiosamente, uma das queridas leitoras aqui do Sapatilhando, me escreveu um email dizendo:
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“Helena minha já amiga,


Li o seu último post sobre a nossa bagagem e tentarmos deixar só o bom e o leve nela. Como sempre, achei o texto incrível, mas tenho uma pergunta para você: O QUE FAÇO COM A MINHA DOR?


Se puderes responder, já doerei menos. Rs


Com carinho,
L.C.”
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Abaixo, segue a minha resposta para ela:


Querida L.C.,

Respondo-lhe com outra pergunta:

“O que você faz com suas lágrimas?”

A sua resposta provavelmente será:

“Eu as choro.”

E que bom se for essa a sua resposta! Porque não há coisa pior do que lágrimas não choradas!

Da mesma forma, a dor que dói deve ser sentida.
Sim, sim: SENTIDA.

Não dá para fingir que não dói, não dá para fingir que não machuca, não dá para fazer de conta que não fere.

Se fizermos isso, teremos para sempre uma ferida aberta, sem cicatrização.

Porque o remédio da dor é justamente deixar que ela doa e ir lidando, de pouco em pouco, com aquela dor. O remédio da dor é justamente deixar que ela exista, para que ela possa assim pertencer somente a um período de tempo: para que ela possa ter começo e fim.

Há dias em que você consegue cuidar dela melhor, acalmá-la, convencê-la de que ela tem prazo limitado em você, de que ela um dia sumirá.

Há outros dias em que é a dor que te convence que ela não passará: e aí ela fere com uma crueldade desumana. E você se sente desamparada, pesada e ferida.

Mas eis a questão: o desafio que toda dor nos traz é justamente saber administrá-la.

É justamente entender que TUDO na vida é um PROCESSO.
Não dá para saber da noite para o dia como se curar de uma dor.
Assim como não para saber da noite para o dia como deixar apenas coisas leves na sua bagagem. Até porque esse não é um estado constante: é um exercício.

Viver é um aprendizado.
Logo, somos todas(os) aprendizes.

Então, O que você deve fazer com a sua dor?


Você deve estar consciente dela e dos porquês que a fazem existir.

Por quê?
Porque só conseguimos lidar com aquilo que conhecemos.

Ao saber os seus porquês, você pode ir criando argumentos que te acalmam a alma e te curam aos poucos essa dor.

Talvez você diga: Mas, Helena, não existem dores que duram enquanto a vida durar?

E eu te responderia: Sim. Há dores que vão existir sempre dentro de nós: mas se nos respeitarmos, se verdadeiramente nos deixarmos envolver com a vida, essa dor deve doer menos ao longo dos anos, ao longo do tempo.

Entenda: somos todos formados por sorrisos e lágrimas.


É isso o que nos compõe: é essa a nossa matéria.

Logo, o ideal seria que lidássemos com os nossos sorrisos e com as nossas lágrimas.
Mas a questão é que a maioria das pessoas apenas SENTE a dor, de forma passiva e dormente: a maioria das pessoas não LIDA com a dor, apenas espera ela passar.

E se você apenas se abaixar e levar sempre as chicotadas da sua dor, ela nunca deixará de te machucar e nunca diminuirá com o tempo. A dor se manterá estável e incrivelmente dolorida.

Você sabe quais são os sinônimos do verbo LIDAR?


São: BATALHAR, COMBATER, PELEJAR.

E é isso: precisamos estar conscientes de nossa dor justamente porque precisamos combatê-la, precisamos batalhar com ela, precisamos pelejar sempre e sempre até o dia em que ela esteja mais fraca e nós mais fortes.

A dor é uma safada: porque ela vem como quem quer nos derrubar, como quem quer matar todas as nossas esperanças, como quem quer nos fazer descrer de qualquer sorriso que ainda possamos ter.

Mas na verdade a missão verdadeira da dor é justamente o contrário: ela vem para nos ensinar a lidar com nós mesmos, a lidar com os fatos da nossa vida e com as particularidades da nossa existência.

A dor vem para que possamos vencê-la e, assim, nos levantarmos: para que possamos ganhar de volta nossas esperanças e reconquistar nossos sorrisos.


Mas eis a questão, ora veja: tudo depende justamente do que fazemos com a nossa dor.


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Pessoalzinho querido,

Infelizmente não tenho conseguido tempo para responder os comentários aqui do Sapatilhando, mas saibam que LEIO TODOS e cada um é para mim um sorriso, viu?

Entenda: se você sente que eu estou dando a mão para você é justamente porque você também está segurando a minha mão.

Ninguém ajuda ninguém sem também se ajudar: então: OBRIGADA por me ajudarem tanto!!


Bjos!!!