domingo, 26 de setembro de 2010

Esses caminhos por onde andam nossos pés...

Inspiração.

Lembra de quando você era pequena e era tão, tão fácil algo te interessar?

Algo te entreter por horas e horas seguidas?

Às vezes tenho a impressão de que vamos deixando “pedacinhos de nós mesmas” ao longo do caminho, ao longo do crescer.

Achamos que para aprendermos todas as coisas novas que precisamos aprender, temos que também desaprender as coisas que já tínhamos aprendido.

E aí desaprendemos a nos entreter.
Desaprendemos a nos interessar.
Desaprendemos a acreditar.
Desaprendemos a nos inspirar...

Desaprendemos a seguir aquele impulso, aquela vontade, aquelas pequenas coisas que foram, durante tanto tempo, responsáveis por muitos dos sorrisos mais puros que tivemos em nosso crescer.

É como se fôssemos nos permitindo a perder a ternura que antes tínhamos.

E a ternura, veja bem, é um tipo de óculos colorido: ela te permite ver o além das coisas.

A dor, olha que mágico, se fantasia de um vilão passageiro que logo, logo, irá embora.

O caos, ora, o caos é apenas a casa em dia de arrumação. 
O tempo passará e ela estará muito mais bem organizada do que o que era antes.

A angústia é nada mais do que aquela vontade que o sonho bom comece logo.
É aquele momento de cansaço, logo antes de você dizer adeus ao ontem e dar boas vindas ao amanhã.

A indecisão é a dúvida entre o ‘sim’ e o ‘não’.
É mensagem de você para você mesma: é o coração dizendo que você não está pronta para essa decisão.

O futuro, veja bem, é o hoje já grandinho, já crescido.
O futuro é a construção do hoje: é a conseqüência do agora.

E aí, nesse ponto, fica a importância dos caminhos dos teus pés.
Eles guardam segundos mágicos que te fazem ansiosa pelo próximo minuto?
Eles guardam os sonhos mais lindos de um amanhã mais colorido que o hoje?
Estão cheios de aventuras e desafios que te levarão a novos caminhos e a novos planos?

Sabe, a gente nunca chega a ficar ‘gente grande’.

Se somos espertas, se sabemos o que é bom, a gente se intitula “uma eterna criança aprendiz” e ponto.

Porque nunca estaremos prontas.
Seremos sempre algo inacabado.

Isso é fácil de ser entendido: vivemos "em processo de"
Vivemos das várias versões de nós mesmas (que vêm junto com o tempo).

Mas não, não podemos abrir mão de certas partes de nós mesmas.

Não podemos esquecer as coisas bobas e pequenas porque são elas que trazem, numa lembrança de repente, um sorriso ao nosso rosto.

Não podemos não saber o que nos traz inspiração.
O que nos faz olhar o mundo com a maior de todas as sobriedades: o entendimento de que o hoje, ruim ou bom, passa.

E o amanhã chega.
Trazendo coisas novas e coisas velhas dentro de si.

Sim, largamos coisas pelo caminho.
Mas que sejam as coisas ruins que sejam largadas.
Que deixemos para trás aquele coração partido, aquele amor não correspondido, aquelas palavras que feriram tanto, aquele abandono que tanto machucou.

Que deixemos pelo meio do caminho não as pessoas que não conseguiram ser o que precisávamos que elas fossem, mas a lembrança sempre doída desse ato delas.

A verdade é que somos, todos nós, crianças.
Estamos, todos nós, ainda aprendendo.

Uns aprendem mais e mais rápido.
Outros aprendem menos e mais devagar.

Mas a lição que deve ser sempre estudada é uma e uma apenas: o que te faz sorrir?

Deve ser o teu sorriso que deve guiar os teus passos, as tuas escolhas.

Lembre-se: a vida curta.
E viver é muito perigoso: perder-se é mais fácil que achar-se.

E se não tivermos cuidado, acabamos por viver uma vida que não é nossa.
Acabamos por adicionar anos, ao invés de adicionar tempo vivido.

A vida é assim: um passo, outro passo, outro passo, outro passo...

E isso é bom: senão você acordaria um dia e cinco, dez anos da tua vida teriam passado.

Mas, ao mesmo tempo, isso é muito perigoso: cada passo teu arruma um pouco o teu amanhã.

E aí está a moral da história: a vida, querida, é construída.

Tijolo por tijolo.
Passo por passo.
Escolha por escolha.

Então, presta atenção, está bem?

O que te traz inspiração?


Segue isso.
Escuta isso.
Agarra isso.


O teu amanhã é decidido hoje.
Por isso é que viver é muito perigoso.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A sempre-tão-grande inconveniência social de ser-se quem se é

Eu sei que você sente isso: que nunca estão satisfeitos! Que sempre querem mais!

Se você é toda perfeitinha, toda séria, toda responsável, isso ainda não é o bastante.

E olhe lá se você cometer a grande falta de sair da linha! E ai de você se você der argumentos para que falem de você, para manchar a perfeita imagem que você construiu!

Acontece que às vezes, querida, nós mesmas armamos as nossas armadilhas. 


Nós mesmas dizemos “sim” e “amém” a todos os rótulos e expectativas que os outros têm sobre nós.

É difícil e extenuante ser sempre perfeita justamente porque ninguém foi feito para ser assim!

A questão é que é fácil cair nessas armadilhas sociais: quando menos esperamos, lá estamos nós: reféns da expectativa dos outros. 

Reféns da noção que os outros têm sobre nós.

Reféns do medo de perder o já conquistado.

Vou chamar o mestre Campbell ao nosso auxílio:

“É simples e básico. Tire de seu sistema idéias que causam pressão e você descobrirá, como a bola da roleta, onde vai cair. 


A bola da roleta não diz: ‘Bem, as pessoas não vão pensar mal de mim se eu cair naquele lugar.’ 


Aceite o que aparece e esteja onde lhe apraz.


O que conta é estar no lugar que você sente que é o seu.


O que as pessoas pensam, é problema delas.”

E é aí, na verdade, que está a nossa maior conquista.

De que adianta ser tudo o que querem que você seja e não poder ter a liberdade de entregar-se ao momento?


Que medo é esse que temos de desconstruir o que foi construído?

Será que o que você construiu é tão frágil assim?

Será que quem você é assim tão limitado e fixo que você não pode “pisar fora” desse círculo?

Se tudo o que você é, é o que você já tem, então para que o amanhã?
Para que todas as horas de vida que ainda lhe serão dadas?

Não: não podemos deixar que nos coloquem um gesso e que só nos deixem crescer até ali.

Clarice Lispector dizia que o espaço mais profundo é o espelho.
Justamente porque ali está refletida você.

Qual a sua profundidade?
Você se deixará ser tão rasa quanto querem que você seja?

Caminhará sempre pelos passos que querem que você caminhe?

Campbell diz:

"No momento em que você age, você é imperfeito: decidiu agir dessa forma e não daquela.


Por isso, decida ser imperfeito, entre em acordo com isso, e siga em frente.


Se você disser ‘não’ a um pequeno detalhe de sua vida, você terá desfeito tudo.”

Você NÃO é perfeita!
Mais do que isso: você NÃO PRECISA ser perfeita!
Ao se subjugar a esse aparente rótulo de perfeição, você estará caindo na armadilha de ser quem os outros querem que você seja.

E andar nos passos dos outros significa uma coisa e uma coisa apenas: significa que você não está andando nos seus passos.

Não aceite limitar-se tanto assim.
Para aproveitar todas as possibilidades da vida, você tem que estar livre para mergulhar nelas.

Entenda: somos nós quem muitas vezes aceitamos vestir a âncora que nos oferecem.

Decida ser imperfeita.


É aí, justamente aí, que reside a maior beleza e o maior tesouro de se ser humano.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
“Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter”


  ENGENHEIROS DO HAVAÍ
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Uma conversa sobre Homossexualidade e Família

Oi, pessoal, tudo bem?

Primeiro de tudo, obrigada pelas boas vindas e por sempre estarem aptas a conversar comigo!

Para abusar um pouco da boa vontade de vocês, cá estou eu de novo com uma nova conversa!
(Para compensar o tempo longe, não é?)

Quem quiser conversar comigo, é só clicar o playerzinho aí embaixo!
(Por favor, ignorem a voz, que ainda sofre com os resquícios de uma rinite alérgica)




Quem quiser baixar a conversa e escutar em seu próprio micro ou player, é só clicar aqui.

|| Para ouvir o áudio "Devo me assumir? Quando? Como?" clique aqui.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Quando o Cérebro diz "Basta!"

É que há vezes na vida em que o cérebro precisa ganhar.
Há vezes em que o cérebro, cansado de ver o coração apanhar, precisa pegar as rédeas e liderar o caminho.

Quando isso chega a acontecer, a bem verdade é que o coração já está bem, bem dolorido. Já apanhou mais do que a sua cota. Já foi o mais nobre que poderia ser. Já agüentou tudo o que poderia agüentar.

Quando o coração chega no limite, o cérebro deve entrar em cena.
Sob o risco do coração se quebrar em mais pedaços do que seria possível se recuperar.
Sob o risco de permanecer para sempre um coração machucado, um coração amargurado e dolorido.

Entendam, é uma questão de auto-respeito.
É uma questão de saber dizer Basta!

Todo coração merece um cérebro que saiba dizer “Basta!”.
Todo cérebro merece um coração que saiba seu limite.

De que falo?
Falo de tudo.
Falo de mim e falo de você.

Falo de pais que teimam em não aceitar seus filhos.
Falo de amores impossíveis.
Falo de amores que juram amar, mas que só machucam.
Falo de você que vive sempre na terra dos sonhos e na realidade não vive nunca.
Falo de você que ainda choraminga aquele amor de há tanto, tanto tempo atrás e que usa essa dor como desculpa para não amar mais ninguém.
Falo de você que acha que não tem mais idade para se reinventar.
Falo de você que já perdeu as esperanças e não mais enxerga as cores que existem à sua volta.
Falo de você que teme tanto tudo.

A verdade é que é do caos que nasce a organização.
É da destruição que o novo surge.

E, pasmem, a destruição é necessária.
Muitas, muitas vezes é mais do que bem vinda!
É ela, essa coisa assustadora, que cria o novo.
É ela que mostra novos caminhos.
É ela que te faz ver forças que você não achava que tinha.

Campbell dizia:

“Destruição antes de criação.


As oportunidades para encontrarmos
poderes mais profundos em nós mesmos
surgem quando a vida parece mais desafiadora.”

A verdade é que somos, ou melhor, temos que ser vorazes em relação à nossa dignidade.
Temos que ser nossos maiores defensores.

Seja tudo o você puder ser.
Faça tudo o que você puder fazer.
Diga todos os sim’s que puder dizer.
Acate tudo o que puder acatar.

MAS SAIBA O SEU LIMITE!


ESCUTE O SEU CÉREBRO QUANDO ELE DISSER “BASTA!

Aí está o seu auto-respeito.
Aí está a sua dignidade.
O seu crescer.
O seu novo começo.

Meu querido Campbell continua com suas verdades:

“É com a descida ao abismo que
resgatamos os tesouros da vida.


Onde você tropeçar, lá estará seu tesouro.


A própria caverna na qual você tem medo de entrar, 
acaba sendo a fonte do que você procura.”

Você sobrevive.

Será difícil.
Será incrivelmente dolorido.
Mas você achará formas de sobreviver.

E, mais do isso, sairá daquele escuro muito mais bonito do que entrou!
Sairá de lá muito mais forte.
Muito mais capaz de ver tudo o mais que existe na vida.

E aquelas próprias pessoas que te machucaram, que te pisaram, que doeram e que nem por um momento viram a sua dor no meio de tudo, aquelas próprias pessoas olharão para você e se admirarão com a sua fortaleza.

E verão o que antes não eram capazes de ver: a verdadeira cor de sua beleza.

Mas entenda, é preciso que você se defenda para que isso aconteça.
É preciso que você, mais do que ninguém, saiba se respeitar e se dar valor.
A vida dá sim a mão a quem dá a mão a ela.

E para aqueles que, como eu, acreditam em algum tipo de Ser Superior, vou mais uma vez com o que o Campbell diz:

“Descobri que basta dar um passo na direção dos deuses que eles darão dez passos em sua direção.”

A vida é cheia de momentos dramáticos.
Momentos que às vezes são tão insensatos, tão irracionais e surreais que não acreditamos que estão acontecendo conosco.

Mas são nesses momentos que precisamos levantar a nossa própria bandeira.
São nesses momentos que precisamos fincar pé em nossa própria terra, a terra do ser-se, e brigarmos por nossa pessoa com todas as armas que tivermos.

São esses momentos os momentos do “Basta!”.
São momentos em que devemos ser por nós e por mais ninguém.


Acredite: se você não se defender, há pessoas que jamais pararão de lhe atacar.

Essas pessoas estão apenas preocupadas com seus próprios sonhos e desejos e vontades.

Elas são cegas para que o VOCÊ sonha ou deseja. 
Elas são incapazes de enxergar e respeitar a SUA vontade.

E se você não souber o seu limite, se você não ouvir o seu “Basta!”, você jamais viverá a vida que nasceu para viver.

Você jamais sorrirá todos os sorrisos que pode sorrir.

Por quê?

Bem, deixo isso com a Clarice Lispector:

"O que é verdadeiramente imoral
é ter desistido de si mesmo."


~~~~~~~~~~~~
Um adendo:
Sei que andei desaparecida do Sapatilhando (e de um bocado mais!).
Tempo tem sido um fato complicado para esta Helena aqui.
Isso aliado a uma série de questões familiares que muito dizem respeito a este texto (qualquer dia desses eu falo mais disso por aqui).

Mas prometi novidades quando eu voltasse, então lá vai:

Ainda não está pronto!
Ainda não está com todo o material que terá (os áudios, por exemplo, ainda estou gravando aos pouquinhos).

Mas mesmo assim já vou divulgar para vocês.

Meu site!!!
Êêêêêêêê!!!

http://helenapaix.com/

Tem umas coisinhas por lá já.
Algumas repetidas, outras novas.

Mas estou pelo menos dia sim, dia não, colocando coisas por lá.

Então quem quiser visitar, por favor, visite!
Quem quiser futricar, futrique! Rs

Aos poucos, e com a ajuda de vocês, vamos transformando ele num lugar legal, está bem? ;]

Um beijo grande!
E obrigada por continuarem por perto! :*