quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A sempre-tão-grande inconveniência social de ser-se quem se é

Eu sei que você sente isso: que nunca estão satisfeitos! Que sempre querem mais!

Se você é toda perfeitinha, toda séria, toda responsável, isso ainda não é o bastante.

E olhe lá se você cometer a grande falta de sair da linha! E ai de você se você der argumentos para que falem de você, para manchar a perfeita imagem que você construiu!

Acontece que às vezes, querida, nós mesmas armamos as nossas armadilhas. 


Nós mesmas dizemos “sim” e “amém” a todos os rótulos e expectativas que os outros têm sobre nós.

É difícil e extenuante ser sempre perfeita justamente porque ninguém foi feito para ser assim!

A questão é que é fácil cair nessas armadilhas sociais: quando menos esperamos, lá estamos nós: reféns da expectativa dos outros. 

Reféns da noção que os outros têm sobre nós.

Reféns do medo de perder o já conquistado.

Vou chamar o mestre Campbell ao nosso auxílio:

“É simples e básico. Tire de seu sistema idéias que causam pressão e você descobrirá, como a bola da roleta, onde vai cair. 


A bola da roleta não diz: ‘Bem, as pessoas não vão pensar mal de mim se eu cair naquele lugar.’ 


Aceite o que aparece e esteja onde lhe apraz.


O que conta é estar no lugar que você sente que é o seu.


O que as pessoas pensam, é problema delas.”

E é aí, na verdade, que está a nossa maior conquista.

De que adianta ser tudo o que querem que você seja e não poder ter a liberdade de entregar-se ao momento?


Que medo é esse que temos de desconstruir o que foi construído?

Será que o que você construiu é tão frágil assim?

Será que quem você é assim tão limitado e fixo que você não pode “pisar fora” desse círculo?

Se tudo o que você é, é o que você já tem, então para que o amanhã?
Para que todas as horas de vida que ainda lhe serão dadas?

Não: não podemos deixar que nos coloquem um gesso e que só nos deixem crescer até ali.

Clarice Lispector dizia que o espaço mais profundo é o espelho.
Justamente porque ali está refletida você.

Qual a sua profundidade?
Você se deixará ser tão rasa quanto querem que você seja?

Caminhará sempre pelos passos que querem que você caminhe?

Campbell diz:

"No momento em que você age, você é imperfeito: decidiu agir dessa forma e não daquela.


Por isso, decida ser imperfeito, entre em acordo com isso, e siga em frente.


Se você disser ‘não’ a um pequeno detalhe de sua vida, você terá desfeito tudo.”

Você NÃO é perfeita!
Mais do que isso: você NÃO PRECISA ser perfeita!
Ao se subjugar a esse aparente rótulo de perfeição, você estará caindo na armadilha de ser quem os outros querem que você seja.

E andar nos passos dos outros significa uma coisa e uma coisa apenas: significa que você não está andando nos seus passos.

Não aceite limitar-se tanto assim.
Para aproveitar todas as possibilidades da vida, você tem que estar livre para mergulhar nelas.

Entenda: somos nós quem muitas vezes aceitamos vestir a âncora que nos oferecem.

Decida ser imperfeita.


É aí, justamente aí, que reside a maior beleza e o maior tesouro de se ser humano.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
“Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter”


  ENGENHEIROS DO HAVAÍ
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18 comentários:

Anônimo disse...

Antes de comentar o seu post...Quero dizer que seu blog é sensacional! Muitas variedades...
E concordo com tudo que vc disse aqui.
Na maioria das vezes deixar de viver e deixamos de ser nós mesmos para agradar os outros e quando vemos isso, caimos na real o tempo que perdermos sendo algo que nao era nosso...

Anônimo disse...

Anônimo disse...
Antes de comentar o seu post...Quero dizer que seu blog é sensacional! Muitas variedades...
E concordo com tudo que vc disse aqui.
Na maioria das vezes deixar de viver e deixamos de ser nós mesmos para agradar os outros e quando vemos isso, caimos na real o tempo que perdermos sendo algo que nao era nosso...

Abraço

Kel e Bina
sintoniacolorida.blogspot.com

Aninha aruen disse...

Concordo com tudo o que vc disse ai!!
somos pessoas unicas,por isso ñ dá pra seguirmos passos de outras pessoas,se os outros querem q sejamos de uma forma ñ é problema nosso,e sim deles q ñ entendem q as pessoas são diferentes!!! muito bom o texto,vc escreve muito bem!! parabens!! bjss :)

Maíra disse...

Incrível, seus posts sempre parecerem descrever o que eu sinto! Muito bom, parabéns.

Beijos

Anônimo disse...

Hum, que texto gostoso de ler, Helena... que nos deixa leve, livre, e cheia de esperanças, totalmente imperfeitas e felizes..rs.

bjs
belisa

Anônimo disse...

Hum, que texto gostoso de ler, Helena... que nos deixa leve, livre, e cheia de esperanças, totalmente imperfeitas e felizes..rs.

bjs
belisa

Anônimo disse...

Hum, que texto gostoso de ler, Helena... que nos deixa leve, livre, e cheia de esperanças, totalmente imperfeitas e felizes..rs.

bjs
belisa

Bárbara disse...

Essa reflexão e essa linda musica dos Engenheiros do Havai, retratam a força interior que devemos ter ao LUTARMOS por nos mesmos, pelos NOSSOS PROPRIOS SONHOS..
FORÇA para ser quem vc realmente é, sem se importar com comentarios alheios, de pessoas de espirito pequeno e vazio.

Flavia disse...

Esse texto me fez refletir bastante no rumo que estou dando à minha vida!
Sempre fui rotulada de perfeitinha: a filha perfeita, a aluna perfeita, a irmã perfeita, a mãe perfeita, a professora perfeita, a enfermeira perfeita, a pessoa perfeita... Até eu me descobrir... (com 34 anos, depois de um casamento de 12 anos, de uma relação heterossexual). Imagina o baque que foi pra mim? Eu achei que estava doida, confundindo sentimentos, se não fosse a psicanálise, nem sei o que seria de mim!Pensei até em dar cabo da minha vida, pois tinha uma consciência preconceituosa, toda a minha criação foi voltada para enxergar o homossexualismo como um pecado, algo do diabo, imagina o que acontece com uma pessoa com todos esses valores, sentir na pele um amor enorme, por uma pessoa do mesmo gênero que o seu!Imagine o baque que está sendo para minha família? Afinal, não é fácil pra minha família( conservadora,tradicional e católica) saber que a filha e irmã perfeitinha é hoje uma pessoa que se diz homossexual, aos plenos 35 anos de idade e mãe de duas cças, com toda uma vida profissional já bem encaminhada( enfermeira e professora universitária) . Me disseram e dizem que eu estava e estou perdendo o juízo e muitas coisas bem piores que isso: tipo, que exeplo que vc está dando para suas filhas... Bom, quero dizer que concordo muito com o que vc escreveu Helena: eu sempre lutei para ser essa perfeitinha e agora, eu sofro, porque sempre fui o exemplo e agora todos da minha família sofrem, porque para eles, na minha atual condição, eu perco a"perfeição". Mas, estou a cada dia me fortalecendo mais,e com a ajuda de Deus, da psicanálise, e de pessoas amigas e generosas como vc entendo que mais importante que ser perfeitinha, é ser feliz!
Obrigada mais uma vez pela possibilidade de reflexão!

SHE WOLF disse...

Adoro seus posts Helena.
Sempre positivos,
e sempre no momento em que precisamos.
Parabens.
Vc é inspiração.

=**

Flor disse...

Quando eu crescer, quero saber me expressar igual a você..(rsrsrs)
Permitir-se sem limitar-se as expectativas alheias e as suas próprias, acho que isto é viver.....
Parabéns, vc é iluminada, continue sempre.

Katherinne. disse...

é por isso que eu digo... Carpe Diem.

Katherinne. disse...

http://8inks.blogspot.com/ Faz uma visita? 8D Agradeço desde já.

Anônimo disse...

Helena,

No dia 14/09/2010 te enviei um e-mail que, por coincidência fala do assunto desse post. Não sei se vc teve tempo de ler, mas vou deixar uma parte do que tinha escrito lá.
"Percebo em nossos dias uma intolerância cada vez maior com os limites humanos. Temos medo das imperfeições. E por isso evitamos o outro no momento de sua fragilidade. Corremos o risco de cultivar pessoas e realidades a partir de expectativas, e não de possibilidades. Queremos o outro, mas esse querer fica condicionado. Queremos até o momento em que nossas projeções não sejam desarticuladas. Queremos, mas desde que nada contrarie nosso querer.
Nesse momento que me pergunto: o amor que sentimos pelo outro pode ser concreto fora da experiência de limites e imperfeições? É possível amar alguém sem tocar suas formas mais imperfeitas? O amor consiste somente no reconhecimento de valores?"(Pe. Fábio).
Esse texto traduz um pouco o que vc fala no seu post.
Bjs.
Ana.

As Beliscas disse...

E nos perdemos por tão pouco...

http://souferrofundido.blogspot.com/ disse...

"Não podemos deixar que nos coloquem um gesso e que só nos deixem crescer até ali."...ótimo padrão de pensamento...
Obrigada...exte texto me fez um pouco mais feliz!
Abraço!

Sônia Simplesmente disse...

Nossa, amei tudo o que vc escreveu. Recentemente alguém disse algo que me deixou mal, pior que estava aceitando aquele "presente" mesquinho, aqueles adjetivos que atribuiu a mim.

Teu texto era exatamente o que eu precisava ouvir. Gostei em especial:

"O que conta é estar no lugar que você sente que é o seu.”

Também a parte de Clarice Lispector, quando dizia que o espaço mais profundo é o espelho. Justamente porque ali está refletida você. (no caso, a minha imagem).

E a reflexão que você deixou, quando pergunta:

Qual a sua profundidade?
Você se deixará ser tão rasa quanto querem que você seja?
JAMAIS DEIXAREI!

Obrigada pelo texto!!

Lyh Sra Pagano disse...

aff nem fala...eu pensei desse jeito uma semana dessas,cheguei em casa e qual era o tema? Homossexual
e o que mais em em?
A minha maldita vida pessoa que não de minha não tem nada...=S