segunda-feira, 25 de abril de 2011

Você e as suas pessoas

A verdade é que a vida é uma seqüência de coisas.

Coisas atreladas a coisas. Um emaranhado de interligações que, no entremeio, nos envolve em uma série de elementos sobre os quais, muitas vezes, não temos controle.

Como fazer seus pais felizes? Eu digo, verdadeiramente felizes?
Bastaria você ser tudo o que eles gostariam que você fosse?
Bastaria você não ser como e quem você é?

Como fazer os seus filhos felizes? Verdadeiramente felizes?
Enquanto crianças, a paz lhes basta. Mas e quando jovens ou adultos? Como fazê-los verdadeiramente felizes?

E o seu amor? Você bastará para ela ou para ele? Para a felicidade dela ou dele? Você a(o) fará feliz? Verdadeiramente feliz?

E você? Você é feliz? Verdadeiramente feliz?

Nosso maior engano é achar que podemos suprir carências que não são nossas.

Que podemos encher a ‘caixa de desejo’ dos outros como se fôssemos capazes de preenchê-la somente com nós mesmos e com nossos sacrifícios e abnegações.

Como se fôssemos a razão de todas as dificuldades e sofrimentos das pessoas da nossa vida. Ou, mais infame ainda, como se fôssemos a razão por todos os seus sorrisos e prazeres.

E isso não é verdade.
Pode até ser que, no meio de relacionamentos que perderam em algum ponto o seu equilíbrio, isso seja ‘cobrado’. Pode até ser que essa responsabilidade seja colocada em seus ombros.

Pode até ser que te joguem no rosto há tanto tempo que é você a(o) responsável por esses sofrimentos e dores e infelicidades que você também já creia nisso.

É que esquecemos, entende?

Esquecemos que cada um de nós é responsável por preencher seus próprios vazios. 


Esquecemos que cada um de nós é responsável por buscar suas próprias respostas. 


Esquecemos que cada um de nós é tocado pela vida das nossas pessoas para que, então, busquemos nossos próprios entendimentos, nossas próprias aprendizagens, nossas próprias formas de crescer através das pessoas que nos são queridas.

Mas como disse François de La Rochefoucauld , “Estamos tão acostumados a nos disfarçar para os outros, que no fim acabamos nos disfarçando para nós mesmos.”

E viramos, todos nós, esses atores medíocres de uma grande peça também medíocre. Pais que renegam filhos porque eles não seguem o roteiro que queriam que seguissem. Filhos que se distanciam dos pais porque não conseguem achar formas de se encaixar no roteiro que eles têm como correto.

Existem várias formas de se dizer não à vida:

# Achar que a vida deve ser de um jeito apenas, porque senão não está correta.

# Pensar que temos que passar a vida inteira nos ‘santificando’ e renegando experiências que são terrenas (aonde acontece esta vida que nos foi dada mesmo?)

# Achar que não merecemos ser quem somos, que não merecemos escolher nossos próprios caminhos, achar que temos que dizer não ao que sentimos e ao que queremos

# Pensar que não podemos voltar atrás, que não podemos desfazer o que já foi feito, que não podemos recomeçar, que não podemos abrir mão de planos antigos para seguir um novo caminho

# Pensar que temos que nos agarrar com toda a força às crenças que nos foram ensinadas, sem nunca ousar passar por cima delas e ouvir o que o seu coração lhe diz (qualquer que seja o seu Deus, é em você que Ele mora e é com você que Ele fala)

# Crer que você tem que viver a sua vida pela regra do “não desapontar os outros”, sem nunca se tocar que desapontar a si mesma(o) é o maior de todos os pesos que uma pessoa pode carregar

# Imaginar que você tem o direito de exigir que as pessoas que você ama sigam o seu caminho e que você tem o direito de negar-lhes a liberdade de serem livres para serem quem quer que queiram ser; e, pior ainda, ameaçar essas pessoas que te amam, de perder o seu amor se lhe contrariarem

# Esquecer-se do que você quer, por lembrar-se constantemente do que o que os outros querem para você

# Colocar sobre as pessoas que você ama, vazios e frustrações que são, na realidade, seus

# Não ser capaz de enxergar todas as coisas e pessoas maravilhosas que você tem em sua vida, apenas porque elas não se encaixam perfeitamente no que você queria que se encaixassem 

# Viver do que “poderia ser”, e não “do que é”.



As nossas pessoas são, verdadeiramente, grande parte da nossa felicidade. 


Mas é preciso saber aonde um termina e aonde o outro começa.

É esse o maior e mais importante fundamento do respeito mútuo: é essa a cola que une as pessoas que se amam: é essa a essência do ser-se família.


Dizer sim à vida é, acima de tudo, dizer sim a você mesma(o).

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Meu testemunho de amor por você

Falo para ti, agora.
Falo para você que vive.

Respira.
Respira.

Vê?
Sim, ESSA é a vida.

Mas, como a Clarice Lispector diz:
“Esta é a vida vista pela vida.”

E às vezes, no meio da vida, a gente não sabe ver a vida direito.

A gente não sabe ler os livros certos, a gente não sabe amar as pessoas corretas (sim, isso existe!), a gente não sabe escutar o que precisa ser escutado.

Então, eu falo para ti, que vive.

Esta vida tão intensa, tão louca, tão caótica, tão capaz de nos desorganizar por dentro.

Esta vida que simplesmente nos ocupa: e nos faz esquecer do essencial.
(Aquilo que é “invisível aos olhos” – segundo o principezinho).

E dá trabalho: esquecer do essencial dá trabalho.
Cuidar do essencial também dá.

E a gente acha que é nossa responsabilidade cuidar do que os outros esperam de nós.
Mas não é.
A nossa responsabilidade é cuidar de nossa felicidade.
É cuidar dos passos que os seus pés dão.
É cuidar do caminho que te leva pela vida.

Seu caminho tem várias interseções: tem interseções com o caminho dos seus pais, dos seus irmãos, dos seus amigos, dos seus filhos, dos seus amores... Mas ele não deixa nunca de ser o SEU caminho.

E disso a gente se esquece.
E às vezes uma vida inteira se passa pausada nesse esquecimento.

Sim, o amor é lindo.
Mas ele só é lindo quando ele é entendido.

E tão poucos entendem o amor!

# O amor não é, jamais, uma via de mão única: ele é compartilhado.

Só é amor quando existe a partilha. Caso contrário, não, não é amor. É um encantamento.

# O amor tem UM objetivo apenas. UMA razão de ser apenas: ele vem para transformar. Enquanto houver transformação, haverá amor.

(ora, se não é exatamente por isso que se diz que amor de pai e mãe é incondicional – justamente porque deve continuar a transformar a vida inteira!
 – pais, por favor, se lembrem disso para realmente saberem amar seus filhos; 
– filhos, por favor, se lembrem disso para realmente saberem amar seus pais).

Quanto tempo dura um amor?
Ele dura enquanto ele estiver transformando.

Esse amor, esse amor que verdadeiramente transforma, é o amor pelo qual tudo vale: é o amor que une verdadeiramente duas vidas (ou três, ou quatro, ou cinco...), é o amor que trilha uma existência juntos: com a melhor e a mais rica de todas as jornadas: Crescer juntos.

E é realmente tarefa para uma vida, essa.

# O amor não subtrai: ele adiciona.
Não dá para sofrer de amor. Você sofre pela falta de amor. Você sofre pelos caminhos errados ou doloridos de quem se ama. Mas DE AMOR, ninguém sofre.

O amor constrói, sempre.
Aquilo que destrói ou subtrai não é amor.
É fixação, é paixão, é fuga, é desamor.

O amor vem para trazer paz à sua vida.
Por isso, saiba identificar o que não é amor.
E saiba dizer não a isso.

E saiba esperar pelo amor: ele só vem quando você estiver pronta(o).
E não é você quem determina esse tempo.
Saiba esperar e cuidar de você: da sua vida, do seu ser e do tempo que lhe é dado.

A gente fica esperando um desfecho, um “The End” no final da nossa vida. Mas não é assim que acontece. A vida é TODA feita de começos e finais. De Oi’s e Tchau’s. De encontros e despedidas.

As conclusões – elas acontecem várias e várias vezes ao longo da vida.

“No momento da conclusão, podemos tanto nos sentir em desespero -- porque não queremos que aquela situação chegue a um fim --, como podemos nos sentir agradecidos e receptivos ao fato de que a vida é cheia de conclusões e de novos começos.


O que quer que tenha estado absorvendo o seu tempo e sua energia, agora está chegando ao fim. 


Ao concluir isso, você estará criando condições para que alguma coisa nova possa começar. 


Use essa pausa momentânea para celebrar ambas as coisas: o encerramento do velho e a chegada do novo.”

(Osho)

Não queira que a vida seja UMA coisa.
Assim você estará sempre passível de se sentir frustrada(o).

# A vida nunca é “ou” – ela sempre é “e”.
A vida nunca é Tristeza ou Alegria – Ela é Tristeza e Alegria.

Saiba valorizar o “pacote completo”.
A vida, por ser meio de amor, tem a mesma função do amor: TE TRANSFORMAR.

Assim, saiba entender o real por quê das coisas da tua vida: saiba ouvir o que a vida te diz, saiba deixar que ela te transforme: a vida tem a função de nos transformar por dentro como inevitavelmente transformará nosso corpo por fora.

Mas a transformação externa (do corpo que envelhece) é involuntária.


Ao passo que a transformação interna (da alma que cresce) é completamente voluntária.

# Você é responsável pela sua vida e pelo o que você faz dela: veja, a vida é cheia de desastres, de dores, de corações partidos e preocupações. E, por isso mesmo, a vida é cheia de oportunidades de crescimento!

Ninguém cresce no júbilo!
É necessária a frustração do engatinhar para que aprendamos a andar. – Essa metáfora te serve para a vida inteira!

É na dor, que o entendimento aparece.
É durante a escuridão, que surge a necessidade da luz.
É na dificuldade que você escolhe a si mesma(o) e se torna responsável por seu caminho.

“Pode parecer um desastre, mas siga em frente como se fosse uma oportunidade, um desafio.


Se você trouxer amor a esse momento – e não desestímulo – perceberá que a força está ali. 


Depois, ao analisar a sua vida em retrospectiva, verá que os momentos que pareceram grandes fracassos seguidos de destroços foram os incidentes que moldaram a sua vida.


Nada que não seja positivo pode acontecer com você.”


(Joseph Campbell)

Mas, como disse a Clarice: “esta é a vida vista pela vida.”

E goste ou não, aceite ou não, assuma ou não: teus passos são tua responsabilidade. 

As oportunidades de transformação virão sempre: mas também sempre será necessário o teu ‘sim’ ou o teu ‘não'.

O teu amor ou o teu desamor.

A vida é assim: dá trabalho.

Então, respira.
Respira.

E olha para os amores que existem ao teu redor e as transformações que eles te oferecem.

A vida dá a mão para quem dá a mão a ela.

Esse é o meu testemunho de amor por você.