terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Você e você: sobre a qualidade da sua vida


Todos nós temos dias bons e dias ruins, certo? Todos nós passamos por desafios e provações e dificuldades que às vezes nos fazem ter a impressão de que estamos vivendo um verdadeiro pesadelo. Assim como todos nós temos dias que são bons, dias em que conseguimos até encontrar bons sorrisos e quem sabe até deliciosas gargalhadas.

O que seria então “qualidade de vida”?

Ter qualidade de vida é tentar encontrar,dentro da sua realidade de vida, formas de viver melhor.

Parece que a vida é uma só, não é? Parece que todo mundo está vivendo essa mesma coisa que chamamos de vida. Mas não é bem assim não.

Eu estou vivendo a minha vida. Você está vivendo a sua vida.
E cada vida tem peculiaridades que lhe são próprias.

Vou chamar a Clarice Lispector para conversar conosco que não há coisa melhor:

"Criar de si próprio um ser é muito grave.
Estou me criando.
E andar na escuridão completa de nós mesmos é o que fazemos.
Dói. Mas é dor de parto: nasce uma coisa que é. É-se."

É isso, entende?
VOCÊ ESTÁ SE CRIANDO!

Quando as coisas acontecem com você, você tem uma escolha: a escolha de como agir perante o que lhe aconteceu.

E como você age?
Se você for como a maioria, às vezes você age bem e às vezes você age mal.
Às vezes você toma a decisão correta, às vezes não.
Às vezes você consegue vencer o medo, às vezes não.

Mas é preciso que você pense em uma coisa: sei que você fica esperando a hora exata de estar pronta: mas acontece que você, agora mesmo no momento desta nossa conversa, está ‘se aprontando’.

Estar pronta é processo: é um ‘se criar’: é, como disse a Clarice, um parto.
E todo parto só vem depois de um tempo de gestação.

Então pense nisso: você é gestante de você mesma.
Sim, você está preparando a pessoa que você é.
Você está se gestando a cada dia e momento da sua vida.

E a sua vida? Como anda?

Eu sei que você tem as suas lágrimas, que você tem os seus medos: que de tão, tão enterrados, já criaram raízes tão fortes que não lhe deixam sair do local em que você está.

E sei também que você sonha com coisas que ainda não estão na sua vida: com possibilidades que ainda não se tornaram possíveis.

Mas, honestamente, há coisas que só podem acontecer dentro do tempo.
E, para essas coisas, temos que deixar justamente que o tempo resolva.
Então, por favor, se preocupe apenas com o que cabe a você resolver.
O que é de responsabilidade do tempo, deixe à ele essa responsabilidade.

E aí é que você deve pensar: agora, neste momento, o que VOCÊ pode fazer para melhorar a SUA vida?

Não estou falando da sua mãe, do seu pai, do seu irmão, do seu filho, ou da sua filha, ou da sua avó: ESTOU FALANDO DE VOCÊ E DA SUA VIDA.

Só você sabe a sua realidade. Só você sabe os seus limites e que limites devem ser respeitados e quais devem ser ultrapassados.

Mas sua vida pode sim ser melhor: você sabe disso.

Então o que está faltando?


Mais dinheiro? Mais tempo? Mais amor? Mais liberdade? Mais paz? Mais saúde?


O que está faltando?
E o que você pode fazer para ir atrás disso?

Porque é isso, entende: a gente fica enviando para o Universo as nossas preces e desejos e nos esquecemos que nós somos também parte integrante desse Universo.

É nossa responsabilidade também ir atrás de conseguir o que queremos.


É nossa responsabilidade também saber o que não queremos mais e ir atrás de meios que nos permitam construir uma nova realidade.

O Universo é você, querida.
O SEU PARTO É SEU!

Sua mãe pariu um bebezinho.
Você NÃO é mais esse bebezinho.

Essa mulher aí que você é, ela, ela depende somente de você mesma.

Olhe ao seu redor, está bem?
Avalie direitinho que você gosta e o que você não gosta na sua vida.
Depois, veja o que você pode fazer para melhorá-la.

Não abaixe a cabeça e pense que você tem a obrigação de agüentar tudo o que acontece na sua vida. Não pense que tudo é uma provação e que um dia passará.
Nem espere que, magicamente, o Universo vá resolver tudo no futuro.

Nossa grande falha é justamente falhar em ver que a nossa vida é construída pelos sim’s enão’s que damos ao longo do caminho.


Então vá atrás de saber que sim’s e que não’scontinuam a valer a pena, está bem?


Faça esse parto: nasça, cresça, seja feliz.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O perigo de não ser-se


É preciso que você perceba uma coisa essencial a respeito da sua vida: ela não será fácil.

Existirão dias em que você colocará tudo em questionamento: Será que estou no caminho certo? Por que todos conseguem ser feliz e eu não? Como ser quem eu sou e não sofrer as conseqüências? Como seguir o caminho que quero, e não magoar os que estão à minha volta?

A necessidade de ser-se, enquanto indivíduo, nos coloca sempre dentro de questões existenciais.

Isso acontece porque o caminho de cada uma de nós é, realmente, decidido à cada passo que damos. A cada vez que escolhemos fazer isso e não aquilo, dizer isso e não aquilo, calar isso e não aquilo.

Entenda: somos seres fragmentados. Somos feito da soma de muitos pedaços.

No entanto, esse “todo” que nós somos, nem sempre é a soma real de nós. A razão disso são os pedaços de nós mesmas que teimosa e dolorosamente enterramos para o mais profundo do nosso ser.

Ser-se, querida, ser-se de forma inteira, é sempre um desafio.

E todo desafio ou é encarado ou não.
Não há meio termo.

O perigo se encontra no tanto de tempo que se passa vivendo uma vida que não é sua. Calando coisas que deveriam ser ditas. Dizendo coisas que não são as que ecoam de dentro de ti.

Isso porque, quando usamos muitas máscaras, à noite, em frente ao espelho, nos sentimos a mais violentada de todas as criaturas. Veja: passamos o dia inteiro a interpretar, a esconder nossa essência, a teatralizar um espetáculo grotesco.

E sentimos o peso disso.

Acredito que o nosso desenvolvimento enquanto ser está diretamente relacionado àquilo que nos permitimos sentir e vivenciar.

Se você se nega a sua própria vida, seus próprios sonhos, de quem é a vida que você está vivendo? De quem são os sonhos pelos quais você está lutando? De quem é o tempo que você está usando?

Ser-se talvez nunca seja totalmente pleno.
Porque sempre vamos fazendo concessões pelo caminho.

Claro, se escolhemos uma estrada, é lógico que, nesta escolha, deixamos de optar por outras várias possíveis.

Mas o que não pode deixar de existir é a constante tentativa de ser fiel a você e ao que você sente. 
É esse o processo mais importante de qualquer existência.

Reflita, pondere, analise. Pontue as conseqüências antes de agir.
Mas, ao fim do dia, saiba olhar no espelho e ser sua.
Inteiramente sua.

Ser-se é o regozijo máximo da experiência individual.
É o clímax do seu caminho terrestre.
É a maior responsabilidade que você pode ter para consigo.

É o seu legado, o seu tesouro e a maneira mais nobre de escrever uma história que seja verdadeiramente sua.

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Para reflexões sobre se assumir, clique AQUI.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

As dores de outrora


 Elas permanecem com a gente, sabe?
Nos cutucam, nos inquietam, nos aperreiam o juízo.

Vêm de fininho e conseguem se tornar gigantes em pouco tempo.

Elas ressurgem das cinzas mal-curadas para virem como um enorme turbilhão fazer tudo em carne viva novamente.

As palavras ditas, os gritos proferidos, as traições, o desamor, a falta de apoio, as facadas na alma daqueles que mais deveriam te apoiar... tudo isso chega de repente, retornando à superfície depois de um tempo em submerso.

E aí, você que não estava preparada para viver tudo isso de novo, você que foi pega desprevenida, você que pensava que já não doía, se vê de repente tão frágil e machucada que toda a tua existência te dói.

De repente, continuar é o teu maior desafio.
De repente, acreditar no amanhã é a coisa mais difícil do mundo.
De repente, tudo o que há pouco tempo fez sentido, agora já não faz mais.

Mas a questão que cabe a tudo isso é na verdade bem simples, minha querida: tuas dores te formam. Você teima em não lidar com elas, mas na verdade enquanto você não as assumir elas serão a tua essência.

Você pode até escondê-las de tempo em tempo, você pode até conseguir enganá-las, se ocupar o suficiente para desviar o foco delas, mas elas sempre estarão ali, pulsando em um canto de você, prontas para, quando você menos esperar, chegarem de supetão com toda a intensidade de sempre.

Nossas dores, queridas, são nossas mensagens de vida.
São elas que, olha só, devem reger nossas escolhas e caminhos.

Explico: escolher a não-dor é justamente ter que enfrentar a dor.
E enfrentar a dor é precisamente crescer além dela.

Esta é a única maneira.
Sua dor tem que virar caminho para então ser ultrapassada.
Virar, de fato, passado. Cicatriz, marca da luta que você um dia travou – e venceu.

A dor de outrora é a dor de hoje – se você ainda não mudou o que precisa ser mudado, se você ainda não cresceu o que precisa ser crescido, se você ainda não enfrentou o que precisa ser enfrentado.

E sabe o que é mais intrigante ao teu respeito?
Todas as armas necessárias para que você ganhe a sua batalha estão exatamente aí dentro de você! Apenas é necessário que você as acesse, que você as agarre, que você acredite o suficiente em você e no que a vida ainda reserva para ti.

Trata as tuas dores.
Elas te gritam o caminho.
Elas te destacam o que precisa ser mudado.
Elas ilustram o teu desespero por uma nova vida, por novos caminhos.

Teus pés esperam isso de você: que você verdadeiramente caminhe!

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Estou de volta, pessoal!
Obrigada a todas que me aperrearam para voltar!
Beijos! :*

domingo, 17 de junho de 2012

As palavras de uma mãe

Logo depois de postar o vídeo "Pais que não aceitam a homossexualidade de seus filhos" me falaram do documentário "O segredo dos lírios", que conta a história de três mães cujas filhas são homossexuais.



Eu e a Del Torres vimos o documentário e achamos tão perfeito que começamos a divulgá-lo em todas as mídias do Parada Lésbica.

Algum tempo depois, uma das mães do documentário me escreveu.
Foi o primeiro sorriso que a Estela, mãe da Brunna Kirsch - que dirigiu o documentário "O segredo dos lírios" juntamente com a Cris Aldreyn - me deu de presente.

Ela disse que queria ajudar, que queria ser um pouco mãe dessas meninas cujas famílias ainda não aceitavam ou não sabiam da homossexualidade de suas filhas. Esse foi o segundo sorriso que ela me deu.

O terceiro foi um email lindo com o título "Sou parceira!", em que mais uma vez ela se colocou à disposição para ajudar como pudesse.

Resolvi fazer algo que sempre desejei: pedi o seu depoimento.
Pedi que ela escrevesse sobre o processo de aceitação da homossexualidade de sua filha Brunna.

Veja, assim como a mãe da maioria de nós, a Estela não aceitou prontamente o fato de sua filha ser homossexual. Por isso a Estela é tão importante para cada uma de nós, por isso que suas palavras, sua visão de mundo, sua aceitação é exemplo para nós. A Estela representa a esperança que tantas(os) de nós, homossexuais, sentimos em relação à não-aceitação de nossas famílias.

Como eu disse, a Estela já de meu vários sorrisos.
Agora é hora de dividir esses sorrisos com vocês.

Segue abaixo o texto que a Estela escreveu para cada uma de nós.

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“Dos mais belos sentimentos ao abismo.”
Foi o que senti no dia 31 de agosto de 2008, após uma inesperada declaração:
“Mãe, eu sou gay”.

 O que você disse? Está louca? Quer me magoar? Meu deus! Cadê a minha menininha?

Um abismo se abriu entre minha filha e eu, o mais sublime dos sentimentos se transformou em ódio, decepção, traição, vergonha.

O desconhecido me apavorou tanto que não pude reconhecer aquela menina que estava na minha frente e a tratei mal, muito mal. Chorei tanto que minhas lágrimas pareciam ter secado.

Ao mesmo tempo em que sofria, fazia questão de que ela sofresse também. Buscava incessantemente um culpado por aquela situação: destratei amigos dela, magoei pessoas, humilhei e desprezei minha filha, enlouqueci! Minha motivação para tudo vinha na esperança de que ela me dissesse que era mentira, que aquilo era uma fase e que não voltaria a acontecer.

 Que grande mulher foi a minha filha! Manteve-se firme e convicta, não cedendo um milímetro sequer em frente às minhas chantagens emocionais, apelos, ofensas e humilhações. Dias e dias se passavam e eu não conseguia mais me aproximar dela. Quis obrigá-la a procurar um tratamento psicológico e lembro exatamente da resposta que recebi: “Mãe, eu não preciso de ajuda. Talvez antes, quando eu escondia algo, eu precisasse. Agora, eu to curada! Sempre tive uma vida maravilhosa e, se tu quiseres, sento e te conto toda a minha vida de novo. Aí, quem sabe, tu lembras quem eu sou”.

Pois foi aí que me dei conta de quem realmente estava precisando de ajuda. Senti que estava correndo o risco de perdê-la e comecei a me questionar: Onde está o meu amor incondicional? Minhas obrigações de mãe? O ser humano que eu tinha gerado era até então tão integro, justo, honesto, amoroso, sempre me deu tanto orgulho, porque estou o vendo como um monstro agora?

Não deu outra: liguei e marquei uma consulta com um psiquiatra. Desabafei e chorei durante duas horas, mas valeu muito à pena. Ele me trouxe à realidade e desmistificou aquele “desconhecido”, me ajudando a perceber que minha filha era a mesma, que nada iria mudar, exceto às pessoas com quem ela iria se relacionar: outras meninas.

 “Somos insignificantes. Por mais que você programe sua vida, a qualquer momento, tudo pode mudar.” (Airton Senna)

Foi assim que eu e o meu “bebê” nos reencontramos. Ela por si só me ajudou muito a compreender o que estava acontecendo. Estava sempre pronta para conversar e impôs muitas conversas, mesmo quando eu dizia não querer olhar na cara dela. Manteve-se firme, entendeu a minha situação, teve calma, pesquisou bastante sobre o assunto e cada palavrinha dela começou a fazer efeito na minha cabeça.

Cresci como ser humano e vi que realmente nada havia mudado entre nós, pelo contrário, ficamos infinitamente mais próximas. “Adotei” como filhas/amigas todas as namoradas que ela teve nesse meio tempo, fazendo ainda o papel de boa sogra, que fica do lado delas na hora de dar uns bons puxões de orelha na minha cria.

Hoje sei que nem eu e nem ela temos culpa nenhuma. Ela nunca me julgou por ter sido sempre tão ocupada com o trabalho, não percebendo nada, durante dezenove anos. E eu, por outro lado, explodo de tanto orgulho que sinto.

Meu nome é Estela Freitas, eu sou mãe da Brunna Kirsch, que tem hoje 23 anos, faz cinema, é homossexual assumida e dirige o documentário “O Segredo dos Lírios”.


Estela e sua filha Brunna Kirsch


* Quer conversar com a Estela?
É só escrever para ela: estelamarisf@gmail.com
Que adicionar a Estela no Facebook? É só ir AQUI.


terça-feira, 29 de maio de 2012

Pais que não aceitam


Infelizmente esta ainda é a realidade mais freqüente.
Pais que não aceitam seus filhos(as) homossexuais.

Como eles reagem, como eles lidam com esse não aceitar, como eles escolhem deixar claro que não aceitam, varia de caso para caso.

Alguns, após uma primeira discussão ferrenha, fingem “esquecer” que sabem.

Um silêncio eterno e angustiante paira para sempre. Um reafirmado desinteresse em relação a “esse aspecto” da filha ou do filho é sempre posto em prática. Um abismo doloroso de não comunicação e de um silêncio que, na verdade, grita angustiantemente.

Outros são ainda mais enfáticos em sua violência: fazem da vida da filha ou do filho homossexual um inferno. Esse inferno – e as profundezas que ele traz à alma desses filhos – varia de acordo com o “poder” que os pais têm. Quanto mais novos ou mais dependentes (financeira ou emocionalmente) os filhos são, piores são as cicatrizes de espírito e de auto-estima que lhes são causadas pela não aceitação dos pais.

Há os que fecham seus filhos, destroem seus mundos, cessam toda e qualquer comunicação que eles possam ter com o mundo exterior, os isolam de seus contatos, de seus amigos (em especial os “suspeitos de influenciar”) e esmagam a subjetividade de suas crianças e adolescentes com o intuito de “arrancar” deles a possibilidade de serem homossexuais.

Quanto mais religiosos esses pais são, via de regra, piores são as reações e as formas de lidar com a não aceitação. Essas reações vão desde palavras e ameaças cármicas,  aonde o inferno e o demônio são repetidamente citados, a pregações e sessões espirituais de “limpeza” e de “cura” da homossexualidade dos filhos. Palavras cruéis, julgamentos e adjetivos pesados são constantemente direcionados a esses filhos.

Há os pais que são mais velhos, com filhos(as) também mais maduros(as). Esse filhos(as) só agora estão tentando se permitir vivenciar a sua homossexualidade. Esses pais e mães mais velhos usam e abusam de chantagens emocionais, mexendo com a mente e o coração de seus filhos e enfraquecendo-os de suas coragens, fazendo-os se sentirem culpados e sujos por terem a orientação sexual que têm.

Aliás, o sentimento de culpa é uma constante nos filhos que não são aceitos por seus pais.
O sentimento de abandono, de solidão, de rejeição e de dor estão sempre pulsando nesses filhos não aceitos.

Muitos desses filhos(as), passaram anos de suas vidas em silêncio. Sofrendo sozinhos os seus conflitos, sentindo todos os seus medos sem ter com quem conversar. Cada um deles acha que sabe como os pais pensam e que esses pais provavelmente não lhes aceitariam.

Essa dor e esse medo lhes acompanham tanto nos momentos felizes – em que encontram a possibilidade de um amor ou apenas o acolhimento em seu grupo de amigos – como também nos momentos mais tristes – em que têm seu coração partido ou sofrem algum tipo de preconceito ou bulling. Em nenhum desses momentos, eles podem buscar o apoio de suas famílias ou dividem com eles o que estão sentindo ou pelo que estão passando.

Em conversa com um casal de meninas que conheci recentemente uma delas me disse que ouviu de uma amiga a seguinte declaração: “Quando um negro sofre preconceito, ele pode chegar em casa e ter o apoio de sua família, já que são todos também negros. A mesma coisa acontece com um judeu ou outros exemplos que se estendem ao âmbito familiar.”

Mas quando um homossexual sofre preconceito, infelizmente dentro de casa é o último lugar no qual a maioria deles buscará ou terá apoio.

Lidar com o não saber de seus pais é tão doloroso quanto descobrir que eles realmente não os aceitam, não os apóiam e sentem vergonha e decepção por terem filhos que são homossexuais.

Quanto maior o amor que sentem por seus pais, maior é o conflito sobre os sentimentos de contar ou não contar e maior é a necessidade de compartilhar suas vidas com seus pais e tentar ter o apoio e o companheirismo deles.

Este é um assunto dolorido.
Muitos adiam ao máximo a hora de contar aos seus pais sobre a homossexualidade como formar de proteger os pais da decepção que acham que lhes causarão.

Outros se sentem tão asfixiados e conflitados que chegam ao limite e contam aos seus pais como um ato de desespero, como um pedido extremo de colo. 

Infelizmente a maioria não receberá colo de seus pais e, estando em um estado já tão frágil, ainda serão rechaçados e escutarão acusações e perjuras de seus pais, irmãos e familiares.

Esta é a situação na qual a maioria de nós, homossexuais, se encontra.

A cada caso, a cada história, em cada um dos doloridos detalhes de cada filha e filho não aceito, paira a pergunta constante: “O que fazer se meus pais não me aceitam?”

PARA AS FILHAS
PARA OS FILHOS

A resposta para esse pergunta, também infelizmente, não é simples.
Em geral eu peço calma. Peço que se protejam das palavras cruéis que seus pais venham a lhes dirigir. Peço que criem um “escudo” e que não se deixem ferir tanto.

Aos que tem como conquistar independência financeira, façam isso. É mais fácil administrar sua própria vida se você mesma(o) puder pagar por ela.

Aos que ainda não podem sair de casa ou do contato constante com seus pais, peço que tentem “jogar o jogo do contente”, tentando minimizar os conflitos até ter um outro plano de ação, uma outra saída ou outra forma de lidar com tudo.

Se as agressões verbais forem muitas e constantes demais ou, pior, se chegar à agressão física por parte de seus pais ou de qualquer outro familiar, é hora de buscar ajuda de fora. Seja algum membro da família a quem você possa recorrer ou amigos que possam lhe dar apoio e guarida ou alguma ONG de proteção e apoio a LGBTs. Lembre-se que em sua cidade (ou nas proximidades dela) existem pessoas que podem te ajudar e te dar os direcionamentos que você precisa. NÃO PASSE POR ISSO SOZINHA(O)!

Em todo caso, a via de regra é que as coisas melhorem com o tempo.
Seja porque seus pais aprenderam a aceitar, seja porque o que eles fazem ou falam já não te fere mais tanto, seja porque você já se distanciou de vez deles ou seja porque vocês já aprenderam a lidar com as limitações uns dos outros.

O mais importante no momento, para você que está vivenciando esses conflitos em casa, é tentar manter o canal de diálogo aberto com seus pais.

É preciso que você entenda o limite deles, mas, principalmente, é preciso que você saiba do seu limite. Que você se respeite o suficiente para entender aonde termina o direito dos seus pais e aonde começa o seu.

Saiba escutar, mas saiba também falar – mantendo a calma.
Absorver tudo, aceitar tudo, não é saudável! Nem para você que guardará todas as frustrações em si, nem para o relacionamento com seus pais que não crescerá. Muitas vezes o conflito é necessário para haver evolução.

No entanto, é preciso que você entenda que, às vezes, é mais saudável um distanciamento – ainda que temporário – para que você e seus pais reavaliem a importância desse relacionamento e para que se organizem por dentro a respeito do que estão sentindo.

Tentar achar uma pessoa “neutra” como um familiar ou amigo da família para servir de intermédio entre você e seus pais na maioria das vezes ajuda.

Se os seus pais estão dispostos a escutar ou buscar ajuda, o GPH (Grupo de Pais de Homossexuais) é um ótimo apoio! Lá eles poderão conversar com outros pais que estão passando pelos mesmo que eles e de forma totalmente confidencial e privativa. (http://www.gph.org.br/)

Lembre-se sempre de cuidar de si, de buscar ajuda.
Para as meninas, o grupo secreto do Parada Lésbica no Facebook é um ótimo canal para desabafos e para receber apoio de outras meninas que já passaram por isso ou que também estejam no mesmo barco que você (para fazer parte do grupo é necessário que uma pessoa que já faça parte lhe adicione – você pode pedir para mim ou para a Del Torres lhe adicionar).

Leia livros sobre o mundo LGBT. Leia artigos. Veja documentários. Passe emails.
Eu creio no poder da vida. Quando pedimos ao Universo uma solução, Ele nos escuta.

Acima de tudo, saiba que você é exatamente quem você deveria ser!
E que ser homossexual não será sempre tão pesado como parece ser agora.
Vamos aprendendo a lidar com nossas características e com os aspectos que nos formam. Vamos aprendendo a nos dar valor e a nos achar bonitos do jeito que somos.

Sonhe seus sonhos.
Lutes por seus planos, por sua vida, por seu sorriso.

Se você um dia já teve um bom relacionamento com seus pais, as chances de vocês voltarem a ter um bom relacionamento de novo é grande. Apenas é preciso dar tempo ao tempo.

Acredite, todos crescem no processo.

Alguns textos para lhes ajudar:

O que é ser um homossexual

O preço de ser diferente

Devo me assumir? Quando? Como?

Como contar aos pais

# Chegou a hora de contar aos pais? 

Homossexualidade e auto-estima


LIVROS:


Mãe sempre sabe?
Edith Modesto










Papai, mamãe, sou gay!
Rinna Riesenfeld










PARA PAIS E FILHAS(OS)

Se vocês têm questões religiosas (a maioria dos conflitos em geral nasce disso), por favor vejam o documentário “Como diz a Bíblia”, no qual vários mitos a respeito da relação “homossexualidade e religião” são derrubados por líderes religiosos, pesquisadores e intelectuais renomados.

Também estão no documentário vários testemunhos de pais e filhos a respeito da não aceitação. Não há como não se transformar ao ver esses relatos – desde que vocês estejam com o coração aberto ao diálogo, claro.





PARA PAIS QUE NÃO ACEITAM A HOMOSSEXUALIDADE DE SEUS FILHOS

Sei que é difícil.
Que no momento que você soube da sua filha ou do seu filho o peso do mundo caiu sobre você.
Mas saiba que esse é o mesmo peso que a(o) sua(seu) filha(o) carrega todos os dias.

Não se sinta julgado por não aceitar. 
A maioria dos pais – inclusive os que hoje aceitam – um dia sentiu tudo o que você está sentindo neste momento.

Apenas, agora que você sabe, é hora de buscar mais do que nunca, o diálogo.
Muitos pais se distanciam dos seus filhos por conta dos vários conflitos, palavras cruéis trocadas e diferenças de entendimentos acerca da vida.
É necessário que vocês se esforcem, que lutem pelo amor de vocês, pela união do seu núcleo familiar.

Se você me permitir, gostaria de conversar um pouco mais no vídeo abaixo:



Uma ótima dica tanto para as filhas, como para os pais e mães que têm dificuldades de aceitar a homossexualidade de suas filhas, é o documentário "O Segredo dos Lírios":



OBS: Para os que acompanham o Podcast "Um Convite à Oração", já já estaremos de volta! ;]
Obrigada pelas várias mensagens, emails e recadinhos de incentivo! 
Eu e o Artur lemos todos e ficamos super felizes com a companhia de vocês!
Até já já! :]

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Das coisas que só você sabe


O pior é isso: é que você sabe.

Você sabe, por exemplo, que precisa se libertar das expectativas dos outros em relação à você. Você sabe que precisa se libertar das expectativas dos outros em relação às coisas (e pessoas) que você ama.

Você sabe que não deveria importar o que fulano e sicrano diz ou pensa se você está em paz e feliz (e que só isso deveria importar).

Você sabe que deve se culpar menos, que deve se respeitar mais, que deve se permitir ao invés de se censurar.

Você sabe que as suas lágrimas (que você chora escondidas) são os tantos e tantos silêncios acumulados, sãos os tantos e tantos sonhos e desejos que você guarda consigo a sete chaves e com tanto sofrimento.

Você sabe que o seu tempo está passando e que você não está usando-o como você gostaria.

Você sabe que a sua voz, a voz de dentro, te pede repetida e longamente para ser ouvida.

Você sabe que os teus medos vêm se acumulando, se empilhando em cima de você e em cima dos teus ombros e que o peso deles têm sido insuportável.

Aí vem aquela pergunta horrível, aquele questionamento cruel, cujo conteúdo você também conhece tanto:

Se você sabe, por que não consegue mudar tudo isso? Por que você não consegue simplesmente viver a vida que gostaria? Ser a versão de você que está aí dentro?

Entenda, a vida é algo construído.
Minuto a minuto, dia a dia, ano após ano vamos fazendo “escolhas” que dão forma à nossa vida.

Coloco o “escolhas” entre aspas porque você e eu somos grandinhas e à essa altura da vida sabemos bem que nem sempre o que “escolhemos” é realmente uma escolha nossa.

Muitas vezes fazemos apenas o que achamos que devemos fazer.


Outras tantas fazemos o que nossos pais ou nossos amigos ou nossos familiares acham que deveríamos fazer.


E outras tantas mais apenas “escolhemos” o caminho menos difícil para aquele momento (o que na maioria das vezes não quer dizer que ele seja o menos difícil à longo prazo).

Além disso tudo, há a movimentação natural da vida.
Ou seja: o tempo passa.

E não é porque você fez uma escolha há dois, cinco, dez, vinte anos atrás que essa escolha seja ainda o que você quer hoje.

Mas em nossa sociedade de rótulos e adjetivos, ai de você se você se descobrir alguém diferente de quem um dia foi! Ai de você, que sempre viveu uma vida heterossexual, de repente descobrir que ama mulheres, ou que deseja imensamente uma, ou que se apaixonou por sua melhor amiga, ou que você não é bem quem você achava que era, ou que não gosta de quem achava que gostava.

E você sabe tanto disso que cala tudo em si.
Sabe tanto que chora escondida e que não permite ser você mesma nem para as pessoas mais próximas.


O peso disso tudo você também sabe.
Íntima e profundamente.

E eu gostaria de te dizer que é fácil, que existe uma saída mágica para tudo isso, que tudo o que você precisa fazer é isso, isso e aquilo.

Mas a verdade é que a vida da gente é como a nossa própria digital: os caminhos dela, as razões, os por quês, o que você pode e o que você não pode, o que você consegue e o que você não consegue, o que você quer e o que você não quer... tudo isso é pessoal e subjetivo demais. Só você sabe.

Mas o que eu posso te dizer é o seguinte: as tuas dores são da exata medida do teu desespero; e o teu desespero é da exata medida do teu desejo de mudança; e o teu desejo e mudança é da exata medida da força que você tem em si.

Então se você acha que não agüenta, que não é forte o suficiente para destruir o seu mundo atual para criar um novo mundo para si, se você acha que o seu medo é maior do que tudo, lembre-se disso: o teu medo é exatamente proporcional à tua força. Eles são medidos pela mesma intensidade.

E, de cá, fico apenas desejando: desejando que as coisas que só você sabe se tornem grandes o suficiente para explodirem: e que dessa explosão nasça você: no exato formato que você sonha e deseja.

E você sabe, querida, como sabe!


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Algumas observações:

Obs1: Desculpem pela ausência, tentarei não passar tanto tempo sem vir aqui (mas me cobrem, tá? ando safada, rs, gosto [e preciso] de puxões de orelha! :P)

Obs2: O projeto do "Um Convite à Oração" não morreu!! Eu e o Artur apenas andamos desestimulados, chateados com o pouco número de pessoas que querem e verdadeiramente acompanham o podcast! :/  Mas justamente em respeito à essas pessoas (e porque amamos esse projeto de verdade) não desistiremos! Mas estamos estudando mudar a frequência do programa para quinzenal ao invés de semanal. Logo, logo posto mais notícias sobre isso.

Obs3: Saíram os vídeos do II Leskontro Cultural da Ilha de Lesbos, que aconteceu em Sampa em Março!

Seguem abaixo: 

1ª Palestra - Helena Paix
Relacionamento Lésbico e Infidelidade



2ª Palestra - Liana Carmo
Maternidade Lésbica
(Não deixe de visitar o blog da Liana: http://maternidadelesbica.wordpress.com/)



3ª Palestra - Papi
Defesa Pessoal para Mulheres



4ª Palestra - Helena Paix
Sexo Lésbico e Como se proteger de DSTs
(não deixe de ver também o post da Sadie Lune no Parada Lésbica sobre isso)



Agradecimento especial à Thais Tatu Maranho, cantora talentosíssima da banda Lady Fingers, que fez a filmagem e a belíssima edição! Curte a páginas delas no Facebook, tá?
É só ir AQUI para conferir o som apaixonante delas! Aproveita enquanto elas não ficam famosas demais! ;]

Quer uma canjinha da banda Lady Fingers?
Opa, demorou! :]



terça-feira, 27 de março de 2012

#7 Podcast, NOVO TEXTO + Notícias!

Pessoalzinho querido, primeiro vai o pedido de desculpas! :/
Por conta do II Leskontro Cultural de São Paulo (fotos no link!) semana passada foi uma correria só!
E embora eu e o Artur tenhamos já nos preparado e gravado o arquivo do Podcast na terça-feira, eu não consegui fazer a edição do áudio a tempo! :/

Mas aqui está! :]

No 7º Um Convite à Oração vamos falar sobre o seu caminhar, o seu hoje e as escolhas e reflexões que nele cabem.

Vamos conversar?
É só clicar no player abaixo:



Para fazer o download, basta clicar AQUI .
Se preferir, também pode ir aqui.

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Quem é de Fortaleza-CE aí levanta a mão!!
Ou quem pode aparecer por lá no dia 05 de Abril?

Vou estar lá para o Mini-Leskontro Cultural de Fortaleza, juntamente com as meninas do Tambores de Safo.
Vai ter comidinha vegetariana da Barraca Jambo, brechó, sorteio de brindes e muita conversa gostosa!!
Segue o cartaz abaixo! Te espero lá, hein?

Para visitar a página do evento no Facebook vá AQUI.























Outra novidade ma-ra-vi-lho-sa são as camisas do Parada Lésbica!
Além de estampas incríveis para mulheres que amam mulheres, lançamos agora uma nova linha com camisas com frases minhas! ;]
Isso mesmo! Uma linda linha de camisetas e babylook assinadas por mim!
Olha que lindas (clica na imagem para ampliar):

















Se interessou por alguma?
Vai na Lojinha do Parada Lésbica para saber mais, tá?
Uma dica: compra um tamanho acima do que você usa, tá? ;]


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----> O texto finalmente!!!

Tenho recebido algumas mensagens que me deixaram preocupada.
Algumas queridas que têm se sentido cansadas, sem esperanças, sem sentido de continuar a viver.
Este texto (assim como o áudio do Um Convite à Oração) é para vocês! ;]



Quando nada mais vale à pena

Existem esses tempos, sabe?
Quando o colorido perde suas cores, quando os sorrisos parecem longínquos, quando a esperança se veste de um cinza desbotado e frágil.

Parece que as forças que você um dia teve já não fazem parte de você.
Parece que o seu caminho criou tantas curvas que você só rodopia, perdida e tonta com tanta confusão.

Parece que crer não é mais possível, que nada do bom ou do belo ainda existem num mundo tão feio e caótico.

São horas de um buraco negro profundo, onde a vida parece tão dispensável que você pensa sim em soluções mais mórbidas e definitivas.

A necessidade de um recomeço é tão grande que você acha que a solução é criar um fim.

E a verdade é que é natural passar por isso.
(muita atenção no verbo escolhido!)

A metáfora que eu gosto é a de você caminhando.
Há um longo percurso, sabe?
Você não começou sozinha. Outros te trouxeram até aqui.
Te guiaram pelo caminho.
Mas aí, olha que desgraça, você aprendeu a andar.

 Aí, não teve jeito: você teve que continuar sozinha, agüentando a terrível responsabilidade de escolher as viradas e paradas do teu caminhar.

Acontece que a pegadinha é que apesar do caminho ser nosso, outras pessoas ficam gritando nas beiradas do caminho:

“Vira ali!”
“Segue por aquela estrada!”
“Se você me ama e me respeita vai por ali!”
“Se seguir aquela outra você vai se arrepender terrivelmente!”

Coisas nos são gritadas em sons tão estridentes e brutais que nos sentimos assustadas a ponto de ouvi-las ou de não confrontá-las.

E aquele teu caminhar, que deveria ser um movimento contínuo teu, de formação e de essência, de repente se transforma numa pausa.

Entenda: qualquer caminho que não seja o TEU caminho, é uma parada.
E uma parada cansa, extenua, desgasta, não nos deixa ver a paisagem em movimento, não nos permite enxergar o que enxergaríamos se estivéssemos caminhando.

É como Clarice Lispector diz:

“Estou sendo e ao mesmo tempo me fazendo.”

E se você está sendo pela voz dos outros, você também está se fazendo em algo que os outros querem.


Ouvir os sons das vozes que gritam significa apenas uma coisa: NÃO OUVIR A TUA VOZ.

A questão do cansaço é que ele não é gratuito: muito aconteceu para que ele chegasse.
E uma vez que esse tipo de cansaço chega, isso significa que você já vem escutando e seguindo outras vozes há muito tempo!

Há tanto tempo que você nem lembra direito aonde parou e para onde ia...
Há tanto tempo que você já não sabe mais qual voz escutar.
Há tanto tempo que tudo se vestiu de uma mesmice aterrorizadora e todos os lados que você olha parecem guardar a mesma mensagem: a de que não há mais caminhos a seguir.

E o que eu quero te pedir agora é algo muito grande e sério: GRITE VOCÊ!
Expulse dos teus pulmões todas as vozes do caminho!
Esvazie-se das noções dos outros!
Liberte-se da descrença e da decepção (que são sentimentos em relação aos outros também)!

Em uma primeira instância visceral, teu mundo é composto SÓ POR TI.
Entende?
VOCÊ DEVE SER O CENTRO DO SEU MUNDO.

Só assim é possível se reorientar.
Encher-se dos sonhos que um dia te habitaram.
Ver, pelos teus olhos, os detalhes do caminho, os pés que andam, o tempo que passa...

Os sorrisos, os teus sorrisos, não se perderam pelo caminho: você apenas não os pegou.
E não os pegou porque não estava olhando o teu caminho com os teus olhos.
Sorriso é coisa pessoal: só você sabe o formato e a razão do teu.

Então entenda: não é que nada valha mais à pena.
É QUE NÃO VALE MAIS À PENA CONTINUAR CAMINHANDO COMO VOCÊ VEM FAZENDO.
Essa forma de caminhar já se mostrou inútil e cansativa e extenuante.

Sei que você acha que você nasceu uma vez e pronto.
Mas a verdade é que o útero principal é a própria vida: o túnel escuro (onde você está no momento) e que está te empurrando para a decisão de nascer através do choro.

É preciso um retorno: um retorno a você mesma.
Àquilo que você é e àquilo que te faz.
À construção básica de ti: aquilo que te edifica e que te faz perceber que teu caminho continua ali (sempre esteve), esperando que você caminhe por ele.

E isso é tudo o que você precisa fazer: continuar caminhando.
Tampe os ouvidos. Tudo o que você precisa escutar é o que te bate no peito.
Teus pés reaprenderão a caminhar quando o teu coração finalmente puder falar livremente.


É que o que vale à pena é tão, tão simples: é precisamente você.
Você e o caminho que é verdadeiramente teu.


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ps: em decorrência do atraso do "Um Convite à Oração" da semana passada, só postaremos um novo programa na próxima quinta-feira (05/04), está bem? Eu estarei em Fortaleza nesta data, mas deixaremos gravado e o Artur e a Del publicarão aqui. ;]


Bjão, pessoalzinho querido!



quinta-feira, 15 de março de 2012

#6 - Podcast - Mágoas, frustrações, ressentimentos.

Hoje eu e o Artur estamos de volta com nosso encontro semanal do "Um Convite à Oração" com o tema Mágoas, frustrações e ressentimentos.

Sabe aquela dor tão grande que ainda está dentro de você?


Sabe aquelas palavras que lhe falaram e lhe feriram tanto!


Sabe aquela mágoa que te persegue, que invade os teus pensamentos e que não te deixa ter paz?

Pois então, vamos conversar sobre isso?
É só clicar no player abaixo:




Para fazer o download, clique AQUI.

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Para aqueles que estão com saudades dos textos do Sapatilhando (espero que muitas! rs), me desculpem... estamos fazendo reforma em casa e está tudo uma loucura!

Aliás, o áudio do "Um Convite à Oração" também ficou um pouco comprometido pelo mesmo motivo... mas tenham paciência, tá? Já já tudo volta ao normal! ;]

O texto já está no forninho, assim que der prometo que publico aqui.

Bjão! :*

sexta-feira, 9 de março de 2012

#5 - Podcast "Um Convite à Oração" - Teus Sonhos

Olá, pessoalzinho querido!

Me desculpem o atraso na postagem do nosso 5º Encontro.
Eu e o Artur gravamos o programa na terça-feira, mas eu não consegui terminar de editar até hoje! :/

Mas, antes tarde do que nunca, não é? ;)

Hoje vamos falar sobre sonhos: sobre os teus sonhos e a importância de sonhar.
Um tema gostoso, não é mesmo?

Vamos conversar?
É só clicar no player abaixo:



Para baixar, clica AQUI.

Depois de escutar o programa, não esqueça de escutar mais uma vez a música:



Ou vai aqui.

E aqui vai mais um recadinho:














Lembrando que pedimos sempre para que nos escrevam com sugestões, comentários, opiniões... O encontro é NOSSO. Só tem graça assim.
conviteaoracao@gmail.com

Um bjão!

quinta-feira, 1 de março de 2012

#4 - PodCast "Um convite à oração" - A tua responsabilidade sobre a tua vida

Olá, pessoal! Mais uma vez estamos aqui com o nosso 4º encontro do "Um convite à oração" :]

Hoje o tema de nossa conversa é: Responsabilidade e consequências.

Vamos falar de várias coisas importantes, como o teu caminhar, a tua relação com os outros, as intolerâncias religiosas que existem por aí, como se proteger disso tudo e, o mais importante, qual a tua responsabilidade no meio de todos os elementos que fazem parte do teu viver.

Vamos começar o nosso encontro?
É só clicar no player abaixo:



Para fazer o download, vá AQUI.

O áudio ficou com algumas interferências, então tenta abstrair, tá? ;]
Vamos tentar encontrar o que saiu de errado e corrigir no próximo encontro.


Alguns links importantes e que têm tudo a ver com a sua responsabilidade:

Áudio "Esse amor que não me quer"
* Texto da psicóloga Lilian Mendes "Amando demais"
* Texto "De dentro do armário"
* Áudio "Devo me assumir? Quando?"
* VídeoLog "Homossexualidade e auto-estima"

Lembrando o email do nosso encontro:
conviteaoracao@gmail.com
Escreve para a gente, tá? :]

Um bjão e até logo mais!
|| Textinho novo já já por aqui! ||

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

3º Encontro: Um Convite à Oração

Desculpem o atraso na postagem, pessoal!
O servidor dos áudios ficou fora do ar!

Mas aqui está o nosso  Encontro do Um Convite à Oração :]

Nosso encontro de hoje é sobre "Inquietude e Momentos de decisão"
Vamos refletir? É só clicar no player abaixo:




 Para baixar nosso encontro, vai AQUI.

Quer ver a letra? Clica aqui.

 Para quem quiser ouvir todos os encontros já gravados, é só ir AQUI.

É isso, pessoal!
Não esqueçam de nos escrever para: conviteaoracao@gmail.com

>> E para as leitoras do Sapatilhando... novidades vindo por aí! ;]
Continuem por perto, está bem?

|| Devido a problemas com o servidor 4Shared, seguem abaixo links alternativos para download dos nossos encontros. Vamos esperar para ver se o 4Shared volta ao normal, se não voltar, substituiremos todos os players, está bem? Por enquanto, seguem outros links para download:

>> Link alternativo para download do 3º 'Um convite à oração' - clique AQUI


2º Encontro AQUI


1º Encontro AQUI



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Podcast: Um Convite à Oração

Chegou o nosso encontro de quinta-feira! :]

 Hoje falaremos sobre tempos difíceis e momentos de dor.

 Vamos conversar?

   

Para baixar, clica AQUI.

Se você não ouviu nosso primeiro encontro, clica aí embaixo, tá? ;)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

DE VOLTA: "Um Convite à Oração"

Olá minhas queridas,

Várias novidades agora em 2012!!

#1: FINALMENTE eu e o Artur conseguimos sincronizar nossas agendas e
O CONVITE À ORAÇÃO ESTÁ DE VOLTA!!

Nosso encontro será semanal, todas as quintas-feiras, a começar de HOJE! :]

É um prazer ter a companhia de vocês nesse encontro!
O email do Convite à Oração é:
conviteaoracao@gmail.com

Escreve pra gente, tá? ;)

(é só clicar no áudio abaixo ou fazer o download AQUI)




 #2: Quem for de Sampa ou puder ir para a capital paulista:
Reservem o dia 24/03 nas suas agendas!

O 2º Leskontro Cultural da Ilha de Lesbos já está confirmado!

Segue o flyer do evento abaixo (clica nele para aumentar):



















# 3: Quem é da minha terrinha Fortaleza-CE por aí??
Pois vá se preparando também!!
Teremos um evento por lá no dia 05/04!!
Assim que eu tiver mais informações, aviso por aqui, tá?

Bjão e até já já!