terça-feira, 5 de março de 2013

Sozinha(o) ou acompanhada(o)


“Eu quero a sorte de um amor tranqüilo” – canta a música do Cazuza.

Mas há que se refletir: embora automaticamente pensemos em romance quando escutamos esse “amor tranqüilo”, será que é só na(o) outra(o) que encontraremos esse tipo de amor?

Claro: é maravilhoso ter sorte no amor!
É absolutamente encantador estar ao lado de uma pessoa que te ajuda na tua felicidade, que contribui para o teu sorriso, que encanta os seus dias de uma alegria estimuladora.

Amar é maravilhoso.

Mas aí é que está: amar É para ser maravilhoso!

No amor, o que sentimos é um abraço completo: que nos afaga e ao mesmo tempo nos liberta, que nos dá segurança e ao mesmo tempo é alegria, que nos recebe por completo – com todos os pormenores que nos fazem.

Por isso mesmo é preciso reconhecer o amor.

Algo que um dia foi amor, hoje já pode não ser.
E aí está uma das maiores dificuldades que as pessoas enfrentam: libertar-se de um amor que já não é.

Entenda: amar é verbo múltiplo e circular. 
Precisa-se de quem ame e de quem receba esse amor e dê amor de volta.

Amar sozinha(o) é ideologia: é estar-se preso a uma fantasia, a algo que não é.
E “estar-se preso” não faz parte do amor! Estar com uma pessoa não é estar em uma prisão. Pelo contrário.

Amar é algo encantador: algo que te impulsiona para frente, que te faz entender toda a fortaleza e possibilidades que você tem dentro de si, algo que te mostra que você pode sim enfrentar o mundo e vencer!

E não é que aquela fortaleza não estivesse dentro de você antes: mas é que o amor traz lucidez à alma.

No entanto, a fonte de amor, ao contrário do que o que se possa pensar, é sempre a pessoa que ama – e não a pessoa amada.

Por isso é que o amor mais importante de todos – e de onde todos os outros nascem – é o amor próprio.

Por mais piegas que isso possa parecer, por mais “auto-ajuda” que soe, é nesse amor que você encontrará o equilíbrio para reconhecer o que é ou não amor.

Veja: amores acabam.

E não é que eles tenham sido em vão, ou que eles não foram amor de verdade!
É que todo amor só existe o tempo suficiente para transformar os que amam.

Se a transformação cessou, também cessará o amor.
Se não há mais como transformar a pessoa: será o sentimento que irá se transformar em outra coisa.

Isso porque amar é sempre um somar-se. A partir do momento em que o amor se transformou em divisão ou subtração, já não é mais amor.

Perceber o fim desse amor é uma das resoluções mais dolorosas que possam existir.

Isso porque amar é também como encontrar um país que é só seu e da pessoa amada. São só vocês que habitam esse país.

E muitas vezes, quando o amor se quebra, uma das pessoas sai desse “país” sem que a outra esteja pronta para sair também.

E lá se fica, sozinha(o), em um país abandonado e deserto.
Onde todas as lembranças boas são agora martírio do que já não se tem.

É nessa hora que se precisa iniciar uma busca interna do amor original: o amor por você mesma(o). É esse amor que lhe dará forças para deixar esse “país” abandonado e voltar ao seu canto, ao seu equilíbrio, às possibilidades e sorrisos que ainda são seus.

Há também a ilusão de um amor: essa é perigosa e solitária: pois é um amor que não é e que a pessoa teima em pensar que é.

Veja: amor é terra frutífera.
Basta lançar semente e ele se desenvolverá.
A pessoa que está destinada a receber seu amor o receberá com felicidade e saberá lhe amar de volta.

Não vale se só você emana amor. Não vale se todas as tuas investidas terminam em frustração e dor. Não é assim que o amor funciona.

Sei que às vezes a dor é justamente imaginar que você não terá um amor.

Mas lembre-se: amar é verbo múltiplo e circular.
E porque nasce em você: amar é casa.
Por ser casa, é necessário que você cultive sua paz.
Amor nenhum nasce do desespero e da sede.

O “amor tranqüilo” nasce justamente do estar-se tranqüilo.
Não busque aquilo que já está destinado a te encontrar.

Ele te encontrará quando for a hora.
Assim como ele te libertará quando for a hora.

Sozinha(o) ou acompanhada(o) o mais importante é que você cultive a sua paz, o seu amar-se, o seu entender que se tudo parte de você, é você quem tem que ser o ponto de equilíbrio. É você quem precisa amar-se e respeitar-se o suficiente para entender o que (já) não é amor.

Não se permita estar-se presa(o).
A liberdade é necessária para que você possa continuar caminhando.
É na liberdade que o amor floresce (inclusive o seu amor por si). 

 E lembre-se:
“Aquilo que você procura, também está te procurando”
“What you seek is seeking you.”
- Rumi

O mais importante é que, sozinha(o) ou acompanhada(o), você saiba reconhecer sua paz.

Ninguém encontra nada no desespero.

15 comentários:

Aline Ferreira disse...

Que perfeito, que magnifico.Aos prantos , muitas coisas se esclareceram. OBg

Ly Agridoce disse...

Caramba Helena, vc como sempre faz valer a pena qq espera pelos seus textos.
Já tem algum tempo que acompanho o seu blog e tenho sido muito ajudada atraves das suas palavras e conselhos sinceros.É sempre bom parar e refletir em tudo, principalmente em nós. E vc me ajuda a fazer isso.
Parabens pelo .com.br...rs. E espero a volta do "um convite a oração", videos e mais textos. Bjus

Anônimo disse...

Parabens... tava sedenta de seus textos..
Bjs lidi

Isa disse...

Aaah que saudade de vc! =D

" O amor é verbo múltiplo e circular." Faz todo sentido na minha cabecinha, isso!

Não suma por tanto tempo, me deixa em abstinência, Helena! ><
Bjoo

Sandra R.P disse...

Incrivel identificação, tradução e encontro neste texto. Sua escrita encanta e preende. Bela descoberta deste blog nesta vespera de Dia Internacional da Mulher. lindo e indicadissimo. Parabéns

Naiara disse...

To em prantos...quanta verdade!
Obrigada por oferecer estes conselhos maravilhosos! de coração

Mulher Vã disse...

Amor é para ser maravilhoso, principalmente o por nós mesmos! =)

Adorei aqui.

Beijo

NDORETTO disse...



Fiz um passeio pelo seu blog e foi muito agradável . Você comenta muito bem!

Beijo \o/

Alessandra Reis disse...

Precisava ler isso. Precisava deste tapa na cara hoje.
Faz um tempo que terminei um relacionamento de 3 anos, e foi (esta sendo) complicado lidar com esse libertar-se. Mesmo antes de acabar, eu já sentia que algo não ia bem. Mas como dito no texto, o amor acabou e fiquei eu no país abandonado pela pessoa ainda amada. O coração está em frangalhos e ainda não compreendo onde foi que deixei de me amar e ainda permaneço presa a algo que já nem existe mais. Não estou conseguindo lidar com isso. Ler teu texto Helena me fez bem e ao mesmo tempo me perturba, pois vejo que ainda não me libertei, mesmo sabendo que devo. Sabe, ando tão perdida e mergulhada numa trama interna que me sinto beirando a loucura. Esta relação terminou e eu não sei mais o que fazer para me reencontrar.
Mas obrigada pelo belo texto.
Estranho ler, enxergar o que devo e ainda assim não sair de onde estou.

Rê disse...

"...todo amor só existe o tempo suficiente para transformar os que amam"

Que bonito isso !

Bárbara disse...

Eu estou passando por um término de namoro doloroso depois de viver 4 anos lutando por esse amor e apesar de toda a maldade em volta conseguir viver intensamente um amor de 4 anos de forma integra com todo respeito uma pela outra...mas chegou ao fim, acredito que como você escreveu a cima, cresci e fiz crescer toda a mudança em mim e nela e chegou a hora da partida.

Tentei voltar agora 2 meses depois de muito refletir, mas sozinha não consigo lutar, realmente sozinha um amor não vale a pena.

Dói muito aceitar que acabou, mas é o MOMENTO de olhar para mim e ME AMAR...
Vivi 4 anos um amor intenso porém a meio a batalhas, AGORA é hora da PAZ e TRANQUILIDADE, para deixar a dor ir embora, ou esse amor voltar ou um outro amor maior...

Belas palavras Helena...me ajudaram a caminhar mais um dia sem pensar em procura-la... e sim deixar esse amor multiplo e circular reinar...

Yara Oliveira disse...

Helena, nesse momento q estou vivendo esse texto caiu como uma luva...foi acatado como um conselho, vou esperar, vou me amar tranquilamente, obrigada de todo coração.

Anônimo disse...

Oi! Eu sou da Russia, meu nome e Katya. Pelo que voce falei percebi a minha historia do amor que acabou tao mal com uma menina brasileira, mas tinha tanta esperanca para continuar bem pra nos. Faltava so paciencia e mais que amor.
Por favor pode me escrever , podemos dividir os sentimentos.

Our Plastic Diary disse...

Engraçado como, assim como as demais leitoras, também eu precisava muito ler esse texto.
Hoje mesmo comentava com um amigo como é impossível encontrar qualquer coisa fora de nós quando temos dentro uma tempestade.
A verdade é que muitos de nós está sempre em busca de algo que nos impeça de encarar os sentimentos que estão dentro do nosso coração, mascarando com bebidas, farras, atividades infinitas e, por que não, relacionamentos desesperados.
Para que o amor verdadeiro possa brotar, precisamos estar completos, assim somamos ao invés de dividirmos.
Também estou na espera, mas na certeza que esse encontro ocorrerá no momento certo.

Claudia Vortmann disse...

Muito lindo..
Estou passando por um momento assim...